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INCENTIVOS

Por que ainda se investe pouco no setor de energia renovável no Brasil?

Por Marcelo Dias Freitas Oliveira* Há pouco tempo a Google criou um incrível sistema que calcula o potencial que os telhados das residências e prédios dos mais diversos têm para captar energia solar. Chamado Google Sunroof, o software simula os painéis que seriam instalados por meio das imagens que já capta pelo serviço "Earth". Chama grande atenção a iniciativa da empresa privada pois nem mesmo os governos engendram tal esforço para fazer com que seus contribuintes utilizem fontes renováveis de energia, seja para consumo próprio ou microgeração. Segundo estimativas de iniciativas internacionais como a REN21, o Brasil é líder em investimento em energia renovável, ocupando a 8ª posição na lista de países, ficando atrás de China (1º), EUA (2º), entre outros. Entretanto, deve-se entender o porquê: o Brasil investe muito em combustíveis considerados renováveis, como o Etanol, e não mede esforços para o aumento de seu consumo, utilizando-se de incentivos fiscais e afins, mas o que acaba deixando de lado tantas outras possibilidades de geração de energia renovável. A maioria das legislações estaduais só faz menção à energia eólica e ainda condiciona isenções à legislação federal zerar alíquotas ou isentar. Quando há algum investimento em outro tipo de energia, o contribuinte tem que costurar acordos com órgãos dos Governos. Há projetos em tramitação que estenderão as isenções federais às partes dos Painéis Fotovoltaicos, mas isso não garante que o investimento a ser feito pelo consumidor - seja doméstico ou industrial - será diminuído. Ou seja, na prática faltam incentivos da parte do Governo, excluindo-se indústrias já estabelecidas. Os estados vanguardistas, como Minas Gerais, até editaram legislação tributária (D.46.296/13) contemplando os contribuintes que produzam energia renovável como atividade principal, acessória ou até mesmo residencial, injetando-a na rede nacional. Seguiram o exemplo, recentemente, São Paulo, Pernambuco e Goiás por meio da Resolução 16/2015 da Confaz, que "autoriza conceder isenções", todos na tônica da resolução 482/2012 da Aneel, contudo, a aplicação prática desses incentivos é pífia. Nota-se que deveria haver, por exemplo, incentivo à indústria que instalasse meios de captação de energia renovável em suas dependências, como a eólica ou a solar, empregando-a na própria produção, com benefícios fiscais proporcionais à quantidade utilizada. Indo além, poderia haver incentivos para quem instalasse meios de aproveitamento de outras fontes naturais, como água da chuva ou reutilizável, que também beiram à inexistência. E não se deve limitar às indústrias. Por que não incentivar os cidadãos a implantar e utilizar energias renováveis com benefícios efetivamente aplicáveis? Por que não desonerar totalmente todos os tipos de aparelhos de captação visando difundir a prática? Os atuais ínfimos descontos não atraem o consumidor doméstico, que continua utilizando a Rede Nacional. O que se observa é o receio dos Governos Federal e Estaduais em abdicar de suas receitas, em meio a grande burocracia e politicagem de grandes investidores, o que restringe a difusão da prática de aproveitamento de recursos naturais, que como se observa em tempos de crise hídrica e econômica, nos falta, e muito. E a conclusão não poderia ser outra: há grande deficiência da Administração em relação à iniciativa e criatividade para implementar políticas que efetivamente ampliarão o uso das renováveis, o que nos deixa na poeira de países como Alemanha, Estados Unidos e Austrália, onde os subsídios são indiscutivelmente maiores. Entretanto, esse panorama começou a mudar, impulsionado pelos projetos de Lei para abarcar os componentes de painéis solares, um grande investimento de uma multinacional chinesa na área dos painéis, e com recente inauguração de fábrica exclusiva no interior de São Paulo, que sozinhos não são suficientes, mas podem começar uma tendência extremamente importante no setor das renováveis. *Marcelo Dias Freitas Oliveira é advogado, consultor tributário e associado ao escritório Bertolucci & Ramos Gonçalves Advogados.

Por Marcelo Dias Freitas Oliveira*

Há pouco tempo a Google criou um incrível sistema que calcula o potencial que os telhados das residências e prédios dos mais diversos têm para captar energia solar. Chamado Google Sunroof, o software simula os painéis que seriam instalados por meio das imagens que já capta pelo serviço "Earth".

Chama grande atenção a iniciativa da empresa privada pois nem mesmo os governos engendram tal esforço para fazer com que seus contribuintes utilizem fontes renováveis de energia, seja para consumo próprio ou microgeração.

Segundo estimativas de iniciativas internacionais como a REN21, o Brasil é líder em investimento em energia renovável, ocupando a 8ª posição na lista de países, ficando atrás de China (1º), EUA (2º), entre outros.

Entretanto, deve-se entender o porquê: o Brasil investe muito em combustíveis considerados renováveis, como o Etanol, e não mede esforços para o aumento de seu consumo, utilizando-se de incentivos fiscais e afins, mas o que acaba deixando de lado tantas outras possibilidades de geração de energia renovável.

A maioria das legislações estaduais só faz menção à energia eólica e ainda condiciona isenções à legislação federal zerar alíquotas ou isentar. Quando há algum investimento em outro tipo de energia, o contribuinte tem que costurar acordos com órgãos dos Governos.                   

Há projetos em tramitação que estenderão as isenções federais às partes dos Painéis Fotovoltaicos, mas isso não garante que o investimento a ser feito pelo consumidor - seja doméstico ou industrial - será diminuído. Ou seja, na prática faltam incentivos da parte do Governo, excluindo-se indústrias já estabelecidas.

Os estados vanguardistas, como Minas Gerais, até editaram legislação tributária (D.46.296/13) contemplando os contribuintes que produzam energia renovável como atividade principal, acessória ou até mesmo residencial, injetando-a na rede nacional. Seguiram o exemplo, recentemente, São Paulo, Pernambuco e Goiás por meio da Resolução 16/2015 da Confaz, que "autoriza conceder isenções", todos na tônica da resolução 482/2012 da Aneel, contudo, a aplicação prática desses incentivos é pífia.

Nota-se que deveria haver, por exemplo, incentivo à indústria que instalasse meios de captação de energia renovável em suas dependências, como a eólica ou a solar, empregando-a na própria produção, com benefícios fiscais proporcionais à quantidade utilizada.

Indo além, poderia haver incentivos para quem instalasse meios de aproveitamento de outras fontes naturais, como água da chuva ou reutilizável, que também beiram à inexistência.

E não se deve limitar às indústrias. Por que não incentivar os cidadãos a implantar e utilizar energias renováveis com benefícios efetivamente aplicáveis? Por que não desonerar totalmente todos os tipos de aparelhos de captação visando difundir a prática? Os atuais ínfimos descontos não atraem o consumidor doméstico, que continua utilizando a Rede Nacional.

O que se observa é o receio dos Governos Federal e Estaduais em abdicar de suas receitas, em meio a grande burocracia e politicagem de grandes investidores, o que restringe a difusão da prática de aproveitamento de recursos naturais, que como se observa em tempos de crise hídrica e econômica, nos falta, e muito.

E a conclusão não poderia ser outra: há grande deficiência da Administração em relação à iniciativa e criatividade para implementar políticas que efetivamente ampliarão o uso das renováveis, o que nos deixa na poeira de países como Alemanha, Estados Unidos e Austrália, onde os subsídios são indiscutivelmente maiores.

Entretanto, esse panorama começou a mudar, impulsionado pelos projetos de Lei para abarcar os componentes de painéis solares, um grande investimento de uma multinacional chinesa na área dos painéis, e com recente inauguração de fábrica exclusiva no interior de São Paulo, que sozinhos não são suficientes, mas podem começar uma tendência extremamente importante no setor das renováveis.


*Marcelo Dias Freitas Oliveira é advogado, consultor tributário e associado ao escritório Bertolucci & Ramos Gonçalves Advogados.

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Com tecnologias, Brasil poderia transformar mais lixo em energia

Por Francisco Oliveira * A reciclagem energética, que consiste na transformação de resíduos sólidos (inclusive os não-recicláveis e orgânicos) em fontes de energias renováveis térmica e elétrica, tem sido cada vez mais utilizada em diversos países. Neste processo, os resíduos são queimados em um forno industrial em alta temperatura, fazendo com que os gases quentes sejam aspirados para uma caldeira de recuperação, onde é produzido vapor - que aciona o gerador. Em muitos casos, substitui a energia dos derivados do petróleo e gera menos gases do efeito estufa, associados ao aquecimento global. Porém, a queima do lixo no Brasil ainda não é vista como uma prática correta e limpa, pois, em tese, libera gases poluentes durante a operação - um equívoco muito grande porque tecnologias disponíveis, já há alguns anos, permitem o controle dessas emissões atmosféricas. E, diferentemente da incineração, garante uma ação extremamente segura para o meio ambiente, durante e depois da queima. Além dessa visão deturpada quanto à prática, a falta de investimentos, sejam eles de iniciativas privadas ou parcerias público-privadas (PPP), em tecnologias para a criação dessas usinas, é algo que preocupa e atrasa o sistema de reciclagem dos resíduos, impossibilitando a obtenção de grandes ganhos ambientais e sociais e a geração de riquezas por meio de um destino muito mais nobre, em vez do envio para os lixões - uma realidade triste e muito preocupante em nosso país. Segundo dados da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE), o Brasil tem potencial de gerar cerca de 3% da demanda nacional por eletricidade por meio da reciclagem energética. Mas, infelizmente, essa prática é quase inexplorada no país, fazendo com que deixemos de aproveitar uma fonte ambientalmente sustentável e praticamente permanente. Já de acordo com a Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (ABREN), a tecnologia tem potencial de atrair R$ 145 bilhões em investimentos nos próximos 10 anos. As informações ainda revelam que, se uma fatia de 35% de todo o lixo descartado no País fosse destinada à geração de energia, o Brasil poderia produzir 1.300 GWh/mês. Enquanto isso, quase 2.500 usinas do tipo operam no mundo, sendo a China a maior produtora de energia térmica a partir do lixo, com 339 usinas e a Europa, com 522 em operação - a Alemanha, por exemplo, aboliu os aterros sanitários em função da reciclagem energética. As pessoas precisam entender que queimar não é destruir e, muito menos, ir contra a reciclagem. O grande desafio que enfrentamos é o equilíbrio econômico da cadeia de produtos, e o Brasil precisar agir, implementar tecnologias, investir e dar a devida atenção quanto ao descarte e destinação de resíduos. Falta conhecimento, investimento, responsabilidade ambiental e social. * Francisco Oliveira é Engenheiro civil e mestre em Mecânica dos Solos, Fundações, Geotecnia e sócio diretor da EPAL Engenheiros Associados

15 de março, 2021
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O impacto da falta de eficiência energética no Brasil

Por Rodrigo Pereira * Menos é mais. Esse é o conceito básico de eficiência energética: dosar a quantidade de energia utilizada para determinada ação a fim de obter um resultado tão bom quanto outro que foi realizado com uma quantidade maior de energia. Mas será que o Brasil é um país preparado para considerar a eficiência energética no seu dia a dia? Um estudo realizado pelo Instituto E+, centro que aborda temas relacionados à energia, aponta a falta de eficiência energética no país. Segundo a pesquisa, o investimento nacional não chega a 50% do investimento feito por países europeus e estima-se que para chegar ao mesmo nível da União Europeia, por exemplo, nosso país ainda precise de 20 anos de caminhada. O fato é que o Brasil tem uma carência de investimentos no mercado local para a fabricação de produtos voltados à energia, não possibilitando ao consumidor e às empresas ter à sua disposição uma gama de produtos eficientes e com mais opções de escolha. Além disso, a pouca oferta de incentivos fiscais por parte do próprio governo brasileiro a fim de ajudar desde o fabricante ao consumidor final, torna a energia renovável inviável do ponto de vista financeiro. Ainda de acordo com o relatório do Instituto E+, atualmente o consumo de energia no Brasil é distribuído nos seguintes segmentos: transportes (34,8%), industrial (33,8%), energético (11,2%), residencial (10,6%), comercial e público (5,2%) e agropecuário (4,4%). Observa-se que os setores de transportes e indústria são os que mais consomem energia, fator difícil de reverter por se tratar de áreas que demandam muito mais energia se comparadas às outras. No entanto, é possível diminuir esse consumo, principalmente por meio de campanhas, sejam de iniciativa pública ou privada, que divulguem os benefícios do investimento em energia renovável. Por meio do fortalecimento do conhecimento na gestão da energia de cada um dos segmentos, deixando claro onde está o desperdício e onde se pode economizar sem perder a produtividade, existe grande chance de trazer uma eficiência energética para as grandes empresas de transporte e do setor industrial do país. Energia x Gastos Segundo a ABESCO– Associação Brasileira das Empresas Brasileiras de Conservação de Energia, em um período de três anos (2014-2016) o desperdício de energia no Brasil custou R$ 61,7 bilhões para o país. Este dado deixa clara a necessidade de ações voltadas ao mercado de eficiência energética para auxiliar na redução desses gastos nas empresas e, consequentemente, na economia nacional. Apesar da necessidade de investimentos em eficiência energética para minimizar o desperdício de energia, ainda estamos defasados neste sentido. Conhecimento e informação sobre esta questão são fundamentais para as boas práticas de eficiência energética não apenas nas empresas, mas em todos os lugares. Com um consumo energético mais eficiente, o mercado local torna-se mais competitivo, as empresas reduzem os custos relacionados à energia, mantendo ou até melhorando sua produtividade e, como resultado, a população em geral é beneficiada com a redução do preço dos produtos e serviços. Não é segredo que todo setor que possui gastos elevados com energia são os mais impactados economicamente. Portanto, são estes também os que mais devem se preocupar com a eficiência energética e como aplicá-la em seu ambiente. Apenas dessa maneira será possível aumentar o investimento em energia renovável no Brasil para fomentar a competitividade internacional e aumentar a demanda local. É importante ter consciência que o desperdício de energia está ligado a diversos fatores, como um compressor de ar comprimido que teve um consumo maior de energia nos últimos meses devido a vazamentos de ar na tubulação e que aumentaram seu período de funcionamento, por exemplo. Portanto, todo projeto de eficiência energética começa com um estudo da qualidade da energia utilizada, e para isso, existem equipamentos e tecnologias capazes de realizar uma medição para identificar os gargalos e então aplicar as correções necessárias. Perspectivas para o mercado de eficiência energética Apesar de tantos desafios e de ainda estarmos muito atrás no que diz respeito aos investimentos em energia, a perspectiva é de crescimento para o mercado brasileiro, uma vez que a questão energética tem estado mais em pauta justamente pela vantagem comercial e produtiva. Além disso, as empresas a cada dia estão investindo mais em sustentabilidade, o que inclui o uso de energias renováveis, buscando economia e minimizando os impactos ambientais. Atualmente já existem modelos variados de instrumentos para a medição de qualidade de energia. As empresas brasileiras estão atentas aos novos desafios do mercado e, por isso, têm desenvolvido equipamentos cada vez mais sofisticados para realizar medições complexas de forma rápida, precisa e segura. Além de equipamentos, a cada dia são disponibilizados também conjuntos de acessórios e softwares para auxiliar no trabalho com os próprios equipamentos, facilitando assim o uso dos produtos em qualquer situação de medição de qualidade de energia. Somente entendendo a origem do desperdício de energia é possível tomar decisões inteligentes sobre maneiras eficientes de reduzir o consumo e, consequentemente, os custos. No fim das contas, a melhor maneira de utilizar a energia de maneira eficaz, com base no conceito "menos é mais", e projetando um crescimento de mercado no país, é por meio da conscientização, investindo no conhecimento e na divulgação dos benefícios da aplicação da energia renovável. * Rodrigo Pereira é Gerente de Contas da Fluke do Brasil do segmento de energia, companhia líder mundial em ferramentas de teste eletrônico compactas e profissionais.

23 de outubro, 2020
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Energia solar: aliada da retomada dos negócios e da sustentabilidade

Por José Renato Colaferro * Você sabia que o Brasil detém um dos melhores recursos solares do planeta? Esse recurso abundante vem fazendo crescer vertiginosamente a fonte de energia fotovoltaica no Brasil, tecnologia que transforma luz em energia elétrica (independente se estiver frio ou quente). De acordo com o banco de dados da Agência Nacional de Energia (ANEEL), o número de instalações de unidades geradoras fotovoltaicas triplicou em 2019 e, em 2020. Apesar dos impactos causados pela pandemia, o mercado solar brasileiro segue em crescimento e com excelentes perspectivas. Segundo a agência, foram registradas mais de 74 mil novas instalações no primeiro semestre de 2020, somando uma potência de 898 Megawatts. Isso representa um aumento de 70% da capacidade instalada na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto o número de sistemas cresceu mais de 75%. Recentemente, o governo brasileiro decidiu incluir uma série de equipamentos de energia solar em uma lista de bens de capital cujos impostos de importação estão zerados até o final de 2021. A medida deve ajudar a impulsionar os negócios, uma vez que entre os itens que tiveram o valor de importação zerada estão alguns tipos de módulos fotovoltaicos, inversores e outros componentes especiais. Segundo o último levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), divulgado no mês de julho, temos 3 GW de capacidade instalada em geração centralizada. Embora ainda represente uma parcela pequena na matriz elétrica brasileira, essa marca colocou o Brasil na 16ª posição do ranking mundial de energia solar, da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). Com um cenário favorável no Brasil, estima-se que a tecnologia fotovoltaica mantenha a curva de crescimento em 2020 e seja um dos pilares da retomada econômica do país, assim como aconteceu nas crises econômicas de 2015 e 2016. Inclusive, de acordo com um novo relatório da IRENA, o investimento em fontes de energias renováveis poderia levar à expansão do PIB mundial em cerca de US$ 100 trilhões até 2050 e auxiliar na retomada da economia. Além de poder ser um propulsor da economia, o estudo também aponta outros benefícios da transição para um setor elétrico mundial movido a energias renováveis, como o cumprimento das metas climáticas, redução de até 70% das emissões de CO2 no setor elétrico mundial, melhor rentabilidade das tecnologias que utilizam fontes de energia gratuitas, geração de empregos (estima-se cerca de 42 milhões de trabalhadores no setor até 2050 em todo o mundo), entre diversos outros benefícios. Essa transição sustentável para o uso de fontes limpas também marca o início do empoderamento dos consumidores de energia. O setor elétrico não possui portabilidade, como a telefonia, e, por isso, os consumidores de energia têm pouquíssimo poder de escolher a energia que consomem e de quem adquirem a mesma. Isso muda com a energia solar, que dá o poder de se gerar no próprio ponto onde se consome a energia. Esse conceito é disruptivo de diversas formas, pois quebra o velho e ultrapassado princípio da necessidade de o poder público construir projetos bilionários e dá ao consumidor a capacidade de gerar de forma granular a energia necessária para o crescimento do país. Além disso, há o "drive" financeiro, dado que os geradores podem reduzir a conta de luz de milhares de reais para um valor mensal menor que R$ 50, além de se manterem imunes à inflação energética. É gratificante saber que o solar já proporcionou a centenas de milhares de famílias brasileiras a vantagem de não pagar conta de luz alta neste momento de pandemia, período em que a maioria das pessoas viu suas rendas diminuírem. Apesar dos números favoráveis, a fonte solar ainda se encontra em sua infância no Brasil. A Austrália, por exemplo, com uma população de 25 milhões de habitantes (quase 10 vezes menor que a brasileira) já possui 2 milhões de sistemas solares conectados, enquanto o Brasil nem chegou aos 300 mil sistemas (até agosto de 2020). Em paralelo, o que se chamou no setor elétrico de "Conta COVID", irá aumentar as tarifas de energia nos próximos anos no Brasil, fato que ampliará ainda mais a economia de quem possui um sistema fotovoltaico já instalado. Reduzir esses custos, que aumentarão ainda mais no caso de quem ficou em casa, é um desejo da maior parte dos cidadãos e o maior interesse de qualquer empresário. A lista de vantagens é imensa e os ganhos farão a diferença não só no bolso, mas para toda a sociedade. * José Renato Colaferro é formado em Administração de Empresas pelo Insper São Paulo. Trabalha no setor elétrico há 11 anos. É cofundador e Diretor de Operações da Blue Sol Energia Solar, empresa fundada em 2009 com ampla atuação em treinamentos e soluções para energia solar no segmento de Geração Distribuída.

22 de setembro, 2020
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ENERGIA SOLAR
Novas tecnologias e modelos de negócio para a recuperação econômica

Por Davi Saadia * Simultaneamente ao enfrentamento da COVID-19, um dos principais debates do mundo, neste momento, está em como reativar o crescimento da economia global e dos países no pós-pandemia. Diversos países, com o apoio de suas autoridades e especialistas, avaliam, com razão, que a estratégia de recuperação deve incluir iniciativas sustentáveis. Dentre as ações sustentáveis com forte potencial de aceleração econômica, as fontes renováveis oferecem uma plataforma estável e segura para aliar políticas econômicas de curto prazo, com foco na atração de investimentos e na geração de empregos e renda, a metas de diversificação de suprimento elétrico e de sustentabilidade, voltadas para médio e longo prazos. A geração de energia elétrica limpa, em especial a fonte solar fotovoltaica, se apresenta como uma alavanca poderosa para reaquecer a economia diante da crise do novo coronavírus. No caso de países da Europa, por exemplo, o plano de recuperação econômica proposto pela Comissão Europeia inclui fontes renováveis como uma peça-chave no enfrentamento aos efeitos da pandemia da COVID-19. Batizado de “Next Generation EU”, o programa tem como um dos pilares estratégicos a geração limpa de eletricidade, especialmente por meio das fontes solar e eólica. O plano viabilizaria 750 bilhões de euros para financiar investimentos em projetos de geração renovável, construções sustentáveis, redes 5G, requalificação de trabalhadores, entre outras iniciativas. Representantes do organismo afirmaram que fontes renováveis e armazenamento de energia serão priorizadas no fundo e o setor produtivo aguarda a divulgação de mais detalhes sobre o ambicioso programa europeu. Este “Acordo Verde” busca impulsionar empregos e crescimento econômico, aliado à proteção ao meio ambiente, em vista de outro desafio que paira no horizonte: o aquecimento global. Assim, a proposta mostra o empenho da sociedade europeia em busca de mais resiliência, autonomia e de soluções que aproveitem os recursos locais abundantes, reduzindo a dependência de recursos escassos e finitos. Segundo dados da Agência Internacional de Energia Renovável (International Renewable Energy Agency – IRENA), a solar é a fonte renovável que mais gera empregos no planeta, sendo responsável por mais de um terço dos mais de 11 milhões de empregos renováveis do mundo. Diante deste cenário, o Brasil pode encontrar oportunidades preciosas em meio à crise. O País possui vastos recursos renováveis, com radiação solar muito superior à dos europeus. Além disso, temos ampla área territorial, equivalente a toda a área da Europa Ocidental, além de telhados e até superfícies de reservatórios hídricos, disponíveis para gerar energia pelo sol. Com a fonte solar, o Brasil tem a seu favor uma ferramenta estratégica em prol da retomada da economia e da geração de empregos locais. A tecnologia fotovoltaica alivia os gastos dos consumidores com eletricidade, protegendo-os dos aumentos recorrentes em tarifas. Isso traz mais segurança e estabilidade, mesmo em cenários adversos. Por isso, além de fortalecer a atividade econômica do País, a solar ajuda a movimentar os setores produtivos brasileiros, do agronegócio ao comércio, dos serviços à indústria. Para o poder público, contribui na recomposição dos cofres públicos, via arrecadação sobre as atividades do setor. O desenvolvimento de novos modelos de negócio mostra como este setor é dinâmico, resiliente e acostumado a se adaptar às mudanças. Novas tecnologias surgem a cada momento, dando espaço para as soluções mais versáteis, robustas e competitivas. Entre elas, se destacam baterias para armazenamento de energia elétrica, módulos e inversores fotovoltaicos cada vez mais eficientes e uma série de novas aplicações, como uso de drones com câmeras térmicas para monitoramento e segurança das usinas e pequenos sistemas, que medem, em tempo real, temperatura, funcionamento dos módulos, sombreamento e necessidade de manutenção, entre outros inúmeros lançamentos na área. Com forte combinação de benefícios e em constante evolução, a fonte solar se mostra cada vez mais relevante ao desenvolvimento da economia brasileira e de muitas nações do planeta. Um dos grandes aprendizados que a pandemia traz aos líderes mundiais e a toda a sociedade é que devemos repensar o modelo de sociedade que queremos para o presente e o futuro. Que possamos trabalhar juntos para construir uma sociedade que acelere a prosperidade econômica com o devido cuidado ao meio ambiente e que se torne, ao mesmo tempo, mais próspera, resiliente e sustentável. * Davi Saadia é CEO da Go Solar, divisão fotovoltaica da Golden Distribuidora ; Rodrigo Sauaia é CEO da ABSOLAR e Ronaldo Koloszuk é presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR

3 de agosto, 2020
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ENERGIA SOLAR
Investimentos para descarbonizar o planeta

Segundo estudo recente da Agência Internacional de Energia Renovável (International Renewable Energy Agency – IRENA, em inglês), a potência mundial com tecnologia fotovoltaica atingiu 480,3 GW no final de 2018. Com o objetivo de descarbonizar o planeta, os cinco principais países têm investido cada vez mais em energia solar. São eles, China (175 GW), Japão (55,5 GW), Estados Unidos (49,6 GW), Alemanha (45,9 GW) e Índia (26,8 GW). O mercado de energia solar tem crescido também no Brasil e estima-se que atualmente a potência operacional total seja de 5.114,3 MW, conforme levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Entre 2012 e 2019, a associação comenta que foram criados mais de 130 mil empregos no setor. Entre as vantagens da energia solar fotovoltaica estão o fato dela ser totalmente renovável, infinita, e não emite gases poluentes, além do baixo custo de manutenção. Também ocupa pouco espaço e permite a instalação em diversos lugares, mesmo os mais remotos. De acordo com o empresário e investidor do ramo de energia renovável, Ricardo Delneri, e um dos sócios-fundadores da Renova Energia, "a fonte solar é renovável, não polui e poderá ser uma aliada importante no aumento do número de empregos no País”. “Nos painéis fotovoltaicos e nas usinas heliotérmicas, a luz solar é convertida em energia elétrica e térmica. Já no aquecimento solar, a luz solar é convertida em energia térmica”, complementa o executivo. Sua avaliação é que a fonte solar irá crescer de forma muito acentuada pelos próximos anos e que dentro de alguns anos estará na casa de milhões de brasileiros.

27 de abril, 2020
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ENERGIA FOTOVOLTAICA
Nova lei em SP incentiva uso

Com base nas legislações de Palmas (TO) e do estado norte-americano da Califórnia, uma nova lei de incentivo ao uso de energia solar deve ser aprovada em São Paulo. A expectativa é que a nova lei seja aprovada ainda no 1º semestre de 2019 para vigorar como decreto-lei em 2020. “O uso de energia solar térmica, para aquecimento de água, já existe. O que está na ordem do dia é a energia fotovoltaica para a geração de eletricidade, que poderá ser compartilhada na rede sempre que houver excedente”, diz Douglas Messina, técnico do Laboratório de Instalações Prediais e Saneamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Segundo Messina o objetivo da nova lei não é obrigar, mas incentivar o uso da energia solar na capital paulista. Por meio de descontos em tributos como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), ou outorga para a ampliação da área construída urbana, o município irá fomentar empresas do segmento e usuários, envolvendo toda a cadeia produtiva. “A universidade dará apoio oferecendo cursos em projetos e em instalações, enquanto o IPT será o órgão certificador de produtos para assegurar sua qualidade”, explica ele. Para o presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Lopes Sauaia, é hora de apertar o passo: “O poder público demorou a identificar a energia solar como oportunidade para o desenvolvimento. Isso vem mudando e a própria população começou a cobrar. O Brasil produz menos de 1% desse tipo de energia e precisamos avançar por meio de políticas de incentivo”.

8 de maio, 2019
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ENERGIA SOLAR
Brasil deve alcançar 1,2 milhão de geradores

O Brasil apresenta 17.408 conexões, segundo a Aneel (Agencia Nacional de Energia Elétrica). Dentre as classes de consumo (comercial, iluminação pública, industrial, poder público, residencial, rural e serviço público) o consumo residencial é o que mais se destaca, superando 13 mil conexões. A opção por energia fotovoltaica – seja instalação comercial ou industrial - tem aumentado constantemente em todo território nacional. Os dados são atualizados constantemente pela Aneel. Segundo a pesquisa, os estados que mais se destacam são: (1° Minas Gerais 3.858, 2° São Paulo 3.363, 3° Rio Grande do Sul 2.061, 4° Rio de Janeiro 1.385 e 5° Paraná 1.300). Anaibel Novas, gerente da Unidade de Negócio de Energia Solar da multinacional austríaca Fronius, disse que a população brasileira tem investido cada vez mais em energia sustentável, em especial por conta das constantes secas, crise hídrica e aumentos das tarifas de energia elétrica. “O Brasil é um país rico em bases hídricas, diferente de outros países da Europa, por exemplo. Por esse motivo, as hidrelétricas são bem exploradas”. A especialista conta que ainda faltam incentivos do governo em relação ao uso, conhecimento da população em energias alternativas e os benefícios da utilização da energia renovável, que são incontáveis. Segundo a Alternative Technology Association, a Austrália deve transitar para uma rede elétrica 100% renovável até 2030, pois além de mais seguro é muito mais rentável e sustentável. Infelizmente, neste quesito, o Brasil caminha a passos lentos. Atualmente a energia solar representa apenas 1% da matriz energética brasileira. “Além de trazer redução de custos na conta elétrica, é comprovado que há valorização do imóvel, baixo impacto ambiental, energia inesgotável e redução das emissões de fases dos efeitos estufa. O investimento de R$ 12 mil em todo sistema fotovoltaico em uma residência é revertido em torno de sete a oito anos”, ressalta. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até 2024 cerca de 1,2 milhão de geradores de energia solar ou mais deverão ser instalados em casas e empresas em todo o Brasil, representando 15% da matriz energética brasileira e até o 2030 o mercado de energia fotovoltaica deverá movimentar cerca de R$ 100 bilhões. A energia solar fotovoltaica é agora, depois de hidráulica e eólica, a terceira mais importante fonte de energia renovável em termos de capacidade instalada no mundo. Mais de 100 países utilizam energia solar fotovoltaica. A China, Japão e Estados Unidos atualmente são os mercados de energia fotovoltaica, contribuindo com quase 6% de sua demanda de eletricidade. A Alemanha é o maior produtor, mas estima-se que em breve será superado pela China.

14 de dezembro, 2017
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ENERGIA SOLAR
Absolar apresenta proposta para desenvolvimento do setor

Os dirigentes da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) tem encontro marcado com o Ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho no dia 17 de outubro para apresentar proposta de programa nacional para o desenvolvimento do setor solar fotovoltaico brasileiro. “A fonte solar fotovoltaica atravessa forte expansão no mundo, porém enfrentou obstáculos no Brasil nos últimos dez anos, que prejudicaram seu crescimento, deixando o país com 15 anos de atraso no desenvolvimento do setor”, destacou o presidente executivo da instituição, Dr. Rodrigo Sauaia. Na última década, países em desenvolvimento, como China, Índia e África do Sul, bem como nações desenvolvidas, como Alemanha, Japão, EUA, Reino Unido, França, Espanha, Itália, Canadá e Austrália, lançaram programas nacionais para o aproveitamento da energia solar fotovoltaica. “Com a proposta preparada em conjunto com o setor, buscamos posicionar o país como um protagonista na geopolítica do setor solar fotovoltaico internacional, tornando a energia solar fotovoltaica um vetor de progresso econômico, social, ambiental e estratégico ao Brasil, efeito já observado nos principais países em desenvolvimento e desenvolvidos do mundo”, esclarece Sauaia. As recomendações da Absolar foram organizadas em ações para o desenvolvimento do mercado (segmentos de geração centralizada e geração distribuída) e da cadeia produtiva do setor, incluindo temas como a contratação anual de 2 gigawatts (GW) de usinas solares fotovoltaicas por meio de leilões de energia elétrica, uma meta nacional de 1 milhão de telhados solares fotovoltaicos em residências, comércios, indústrias, edifícios públicos e na zona rural, a abertura de linhas de financiamento competitivas para pessoas físicas e uma política industrial para reduzir preços de equipamentos nacionais aos consumidores.

21 de outubro, 2017