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BIOINSUMOS

Projeto incentiva uso para transformar biomassa em alternativas tecnológicas

Projeto incentiva uso para transformar biomassa em alternativas tecnológicas

O Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica desenvolve bioinsumos a partir de biomassa e coprodutos do agronegócio para reduzir a dependência de fertilizantes importados.

O Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica (ISI-EQ), do Paraná, estruturou uma frente de pesquisa voltada ao desenvolvimento de bioinsumos com o objetivo de transformar biomassa e coprodutos do agronegócio em alternativas tecnológicas mais eficientes, sustentáveis e alinhadas às demandas atuais do setor produtivo. “A criação dessa frente nasce de uma combinação muito clara de oportunidade e necessidade. O Brasil tem enorme disponibilidade de biomassa, mas ainda depende fortemente da importação de fertilizantes”, explica o pesquisador Mauricio de Matos. Segundo ele, o objetivo é transformar resíduos em produtos de alto valor agregado, conectando bioeconomia, competitividade industrial e sustentabilidade.

No centro dessa estratégia estão demandas concretas do setor produtivo como reduzir custos, mitigar riscos associados à dependência externa e aumentar a eficiência no uso de nutrientes. Para isso, os projetos conduzidos pelo ISI-EQ apostam em rotas tecnológicas inovadoras, que incluem o uso de microrganismos capazes de disponibilizar nutrientes a partir de fontes minerais pouco solúveis, além do reaproveitamento de resíduos agroindustriais como matéria-prima.

As linhas de pesquisa em andamento abrangem desde fertilizantes de liberação lenta e controlada até processos fermentativos e o uso de enzimas, bactérias e fungos para a produção de biofertilizantes, inoculantes e biostimulantes. Atualmente, essas tecnologias se encontram em estágios iniciais de maturidade (entre TRL 2 e 4), mas com potencial de rápida evolução. “Não basta identificar microrganismos com potencial agronômico. É necessário desenhar processos robustos para produção, estabilização e aplicação”, destaca Matos. Nesse contexto, a integração entre biologia, química avançada e engenharia de processos é essencial para aumentar a eficiência agronômica e reduzir perdas por volatilização e lixiviação.

Outro ponto da iniciativa do ISI-EQ é a economia circular, por meio do aproveitamento de resíduos de cadeias produtivas como grãos, cana-de-açúcar e biomassa florestal. Estudos indicam que esses materiais podem ser convertidos, por meio de rotas biotecnológicas, em insumos agrícolas de alto desempenho. “Os resultados mostram que resíduos podem deixar de ser um custo e passar a ser um ativo estratégico para a indústria”, afirma o pesquisador. Além dos ganhos ambientais, o uso de bioinsumos reduz a necessidade de fertilizantes convencionais, de custos operacionais, além de aumentar a produtividade no campo. Ao mesmo tempo, contribui para práticas agrícolas mais sustentáveis, alinhadas a agendas como agricultura regenerativa e de baixo carbono. “A substituição parcial de fertilizantes químicos por bioinsumos melhora a saúde do solo e aumenta a eficiência do uso de nutrientes, além de contribuir para a redução de emissões”, pontua Matos.

Essa iniciativa está inserida no projeto da plataforma Agenda.Tech, cofinanciado pelo Senai Nacional, voltado ao mapeamento e ao desenvolvimento de rotas tecnológicas estratégicas para a bioeconomia. A iniciativa conta com uma gama de parceiros como Fertsan, Agros Nutrition, Microcapsules Technology, Nutrientes e Intercroma, além de instituições como Embrapa, UFPR e o Observatório Sistema Fiep. Também participam os Institutos Senai de Inovação em Biossintéticos e Fibras (SENAI-RJ) e em Tecnologias Minerais (SENAI-PA), bem como os Institutos Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas (SENAI-GO), Meio Ambiente e Química (SENAI-PR) e Celulose e Papel (SENAI-PR). Esse arranjo consolida um modelo colaborativo que conecta pesquisa aplicada, inteligência de mercado e demandas reais da indústria. Ainda precisam ser superados a escalabilidade dos bioprocessos, a estabilidade dos produtos biológicos e a consolidação do ambiente regulatório. “Existe também o desafio de adoção pelo mercado, que depende de validação em campo e da confiança do produtor”, ressalta Matos. Para o futuro, o pesquisador comenta que o avanço dos bioinsumos é uma tendência global impulsionada por exigências ambientais e inovação tecnológica. Nesse cenário, o Brasil tem a oportunidade de assumir um papel de protagonismo. “A ideia é não apenas acompanhar essas tendências, mas posicionar o país como referência na bioeconomia”,

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Uso de resíduos na produção agrícola

Uma parceria entre a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq/USP) e a concessionária Mirante, do grupo Aegea, poderá transformar cerca de 1.200 toneladas de lodo de esgoto, 180 toneladas de poda de árvores e 500 toneladas de grama mensais – que seriam descartadas em aterro sanitário - em composto orgânico para a agricultura em Piracicaba (SP). O uso sustentável do resíduo do tratamento de esgoto e dos trabalhos de limpeza do município será possível graças a acordo assinado em setembro para desenvolver o projeto até julho de 2021. Os especialistas irão utilizar a técnica de compostagem para viabilizar o uso desses resíduos na produção agrícola. "A compostagem é o processo mais adaptado para tratar resíduos orgânicos. Com ela, é possível estimular a decomposição de materiais orgânicos e a redução de contaminantes como patógenos e metais pesados para se obter um material estável, rico em matéria orgânica humificada e nutrientes minerais", explica a pesquisadora da APTA, Edna Ivani Bertoncini. Segundo Edna, o método permite o pós-tratamento do lodo de esgoto sem que haja mau cheiro e moscas. O processo de decomposição leva aproximadamente 60 dias. "A APTA realizará a montagem das pilhas de compostagem com diferentes cenários de composição dos resíduos e formas de revolvimento e irrigação das pilhas. O processo será monitorado diariamente e haverá coletas constantes dos materiais e sua análise laboratorial para verificar se o composto está adequado para ser usado nas plantações. Ao final do processo, teremos que aprovar o fertilizante no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)", afirma Edna. Paulo S. Pavinato, professor da Esalq/USP, explica que o projeto de Piracicaba faz parte de um plano maior a ser enviado para aprovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que busca dar um destino sustentável para todo o resíduo do tratamento de esgoto das cidades do Estado de São Paulo. "Estes projetos estão alinhados com o Novo Marco de Saneamento Básico, sancionado neste ano, que objetiva que as cidades tenham 100% de tratamento de esgoto e seus resíduos até 2030. É uma ação importante, que está alinhada à economia circular, de reciclagem de um resíduo que seria destinado a aterro sanitário, a um alto custo econômico e ambiental", explica. O supervisor de operações da concessionária Mirante, Andrey de Souza, disse esperar que o projeto possa tratar 100% do lodo gerado no processo de tratamento de esgoto do município, e que não haja necessidade do descarte em aterros sanitários. "Hoje, já desenvolvemos processo de secagem do lodo, o que reduz muito nosso volume de resíduo. Por mês, o município gera 1.200 toneladas de lodo. Com a secagem, esse volume cai para 320 toneladas. Queremos, agora, eliminar todo esse resíduo de forma completamente sustentável", diz Souza. O presidente da Mirante, Jacy Prado, diz que "a implantação do secador solar de lodo e a parceria com a APTA e a Esalq/USP viabilizam a demanda em preservar o meio ambiente, pois, os ganhos obtidos com a implantação do projeto vão além da esfera corporativa, ao gerar benefícios ao meio ambiente e à população. “O processo permite a estabilização microbiológica e a inertização do lodo, o que representa o uso sustentável, evitando impactos e degradação do meio ambiente".

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15 de abril, 2019