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FERTILIZANTES

Reaproveitamento de resíduos para a produção de insumos

Reaproveitamento de resíduos para a produção de insumos

"a produção de fertilizantes orgânicos a partir da compostagem de lodos de esgotos provenientes do tratamento de efluentes industriais é importante na área econômica e ambiental."

Segundo o professor e coordenador do Centro de Estudos e Pesquisa para o Aproveitamento de Resíduos Agroindustriais (CEPARA), Marcos Kamogawa, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (ESALQ - USP), a produção de fertilizantes orgânicos a partir da compostagem de lodos de esgotos provenientes do tratamento de efluentes industriais é importante na área econômica e ambiental.

O professor e um grupo de alunos visitaram a planta da Tera Ambiental, em Jundiaí (SP), onde apresentou os propósitos do CEPARA, de promover a sustentabilidade e a agroecologia no Campus Luiz de Queiroz, por meio de técnicas de reaproveitamento de resíduos. Nesse sentido, há congruências com o trabalho da Tera, que utiliza a compostagem termofílica em escala industrial para fabricar os fertilizantes orgânicos Tera Base, Mix e Premium, da linha Tera Nutrição Vegetal, unidade de negócios da empresa que é responsável pela representação e comercialização dos insumos. “É muito importante ter o nosso trabalho reconhecido por uma instituição tão conceituada quanto a ESALQ-USP. Esses momentos imersivos são fundamentais para desenvolver e aprimorar a percepção dos alunos, futuros profissionais da área agrícola, sobre a importância do reaproveitamento e transformação dos resíduos, além dos ganhos que promovem para a agricultura”, ressalta Fernando Oliveira Carvalho, engenheiro agrônomo da Tera Ambiental.

Marcos Kamogawa, que já havia conhecido a Tera Ambiental em 2018, quando assumiu a coordenação do CEPARA, observou que os resíduos orgânicos gerados pela ação do ser humano no meio ambiente são um grande problema de gestão pública, que não pode ser negligenciado. “Ao mesmo tempo, o crescimento demográfico exige que a produtividade agrícola aumente cada vez mais, sem detrimento do meio ambiente. Nesse sentido, transformar resíduos orgânicos em fertilizantes, que podem ser aplicados à produção agrícola, é uma das destinações mais nobres, evitando o descarte irregular e/ou inadequado e, ao mesmo tempo, enriquecendo o solo para a lavoura”.

O fertilizante orgânico enriquece o solo com uma diversidade microbiológica, que proporciona mais desenvolvimento de raiz e melhor aproveitamento dos nutrientes, explicou o professor. Para Kamogawa, entende-se cada vez mais na agricultura contemporânea que a máxima produtividade deve considerar não somente a adubação mineral, mas também a matéria orgânica e a atividade microbiológica dos sistemas produtivos. “Podemos citar, ainda, que as características dos constituintes químicos dos fertilizantes orgânicos reduzem a imobilização de fósforo e podem ser fornecedores de macro e micronutrientes”, frisou o docente da ESALQ-USP, acrescentando: “Também melhoram a retenção de água e a capacidade de troca catiônica (CTC), que influencia na estabilidade, disponibilidade de nutrientes e no pH do solo”.

Criado em 1994 pela professora do Departamento de Solos Elke Jurandy Bran Nogueira Cardoso, o CEPARA desenvolve atividades educativas, de estudos e extensionista de tratamento de resíduos agroindustriais pela técnica de compostagem termofílica, biodigestão e vermicompostagem. O grupo tem atuado ativamente no campus Luiz de Queiroz em ações de sustentabilidade e educação ambiental, levando conhecimento à sociedade sobre a importância da gestão dos resíduos e da reciclagem dos nutrientes presentes nesses materiais. “Acredito que tanto a Tera quanto o CEPARA visam promover o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis que agreguem valor econômico e social. O conhecimento do nosso grupo sobre o uso de fertilizantes orgânicos e a demonstração de resultados de eficiência agronômica somente corroboram o objetivo principal da Tera, de produzir um nutriente agronomicamente eficiente, seguro ambientalmente e que, principalmente, dá destino a um material que até pouco tempo atrás era um problema ambiental, contribuindo para a economia circular”, concluiu o docente.

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Uso de resíduos na produção agrícola

Uma parceria entre a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq/USP) e a concessionária Mirante, do grupo Aegea, poderá transformar cerca de 1.200 toneladas de lodo de esgoto, 180 toneladas de poda de árvores e 500 toneladas de grama mensais – que seriam descartadas em aterro sanitário - em composto orgânico para a agricultura em Piracicaba (SP). O uso sustentável do resíduo do tratamento de esgoto e dos trabalhos de limpeza do município será possível graças a acordo assinado em setembro para desenvolver o projeto até julho de 2021. Os especialistas irão utilizar a técnica de compostagem para viabilizar o uso desses resíduos na produção agrícola. "A compostagem é o processo mais adaptado para tratar resíduos orgânicos. Com ela, é possível estimular a decomposição de materiais orgânicos e a redução de contaminantes como patógenos e metais pesados para se obter um material estável, rico em matéria orgânica humificada e nutrientes minerais", explica a pesquisadora da APTA, Edna Ivani Bertoncini. Segundo Edna, o método permite o pós-tratamento do lodo de esgoto sem que haja mau cheiro e moscas. O processo de decomposição leva aproximadamente 60 dias. "A APTA realizará a montagem das pilhas de compostagem com diferentes cenários de composição dos resíduos e formas de revolvimento e irrigação das pilhas. O processo será monitorado diariamente e haverá coletas constantes dos materiais e sua análise laboratorial para verificar se o composto está adequado para ser usado nas plantações. Ao final do processo, teremos que aprovar o fertilizante no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)", afirma Edna. Paulo S. Pavinato, professor da Esalq/USP, explica que o projeto de Piracicaba faz parte de um plano maior a ser enviado para aprovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que busca dar um destino sustentável para todo o resíduo do tratamento de esgoto das cidades do Estado de São Paulo. "Estes projetos estão alinhados com o Novo Marco de Saneamento Básico, sancionado neste ano, que objetiva que as cidades tenham 100% de tratamento de esgoto e seus resíduos até 2030. É uma ação importante, que está alinhada à economia circular, de reciclagem de um resíduo que seria destinado a aterro sanitário, a um alto custo econômico e ambiental", explica. O supervisor de operações da concessionária Mirante, Andrey de Souza, disse esperar que o projeto possa tratar 100% do lodo gerado no processo de tratamento de esgoto do município, e que não haja necessidade do descarte em aterros sanitários. "Hoje, já desenvolvemos processo de secagem do lodo, o que reduz muito nosso volume de resíduo. Por mês, o município gera 1.200 toneladas de lodo. Com a secagem, esse volume cai para 320 toneladas. Queremos, agora, eliminar todo esse resíduo de forma completamente sustentável", diz Souza. O presidente da Mirante, Jacy Prado, diz que "a implantação do secador solar de lodo e a parceria com a APTA e a Esalq/USP viabilizam a demanda em preservar o meio ambiente, pois, os ganhos obtidos com a implantação do projeto vão além da esfera corporativa, ao gerar benefícios ao meio ambiente e à população. “O processo permite a estabilização microbiológica e a inertização do lodo, o que representa o uso sustentável, evitando impactos e degradação do meio ambiente".

9 de novembro, 2020