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AGRONEGÓCIO

RCF Cerrado viabiliza produção de soja livre de desmatamento

RCF Cerrado viabiliza produção de soja livre de desmatamento

O fundo catalítico ofereceu linhas de crédito a 122 fazendas aptas a participar do programa segundo critérios ambientais, e que se comprometeram à conservar 43.345 hectares de vegetação nativa

Com o apoio dos bancos Santander, Rabobank e o fundo de impacto AGRI3, os supermercados britânicos Tesco, Sainsbury's e Waitrose viabilizaram por meio do programa RCF Cerrado a produção de mais de 180.221 toneladas de soja livre de desmatamento e conversão para a safra 2023/2024. O programa está em seu segundo ano de operação e teve um crescimento quatro vezes superior na comparação com o ano inaugural.

O RCF Cerrado recebeu investimento de mais de US$ 47 bilhões via uma estrutura inovadora de blended finance. O fundo catalítico ofereceu linhas de crédito a 122 fazendas aptas a participar do programa segundo critérios ambientais, e que se comprometeram à conservar 43.345 hectares de vegetação nativa em suas áreas, sendo 11.346 hectares além do exigido por lei (cerca de 10% da área total, o dobro da meta inicial). A área total de vegetação nativa protegida pelo programa conservou um estoque de 18,2 milhões de toneladas de carbono, aproximadamente 4% das emissões totais no Cerrado em 2022 (SEEG). Ao viabilizar a produção de soja livre de desmatamento e conversão, o RCF e seus investidores promovem a proteção da vegetação nativa do Cerrado, fomentam o mercado de commodities agrícolas responsáveis e abrem as porteiras para modelos de investimentos em CRA Verde no Brasil. O impacto do segundo ano do Programa RCF Cerrado foi calculado, verificado de forma independente e divulgado no Relatório Anual 2023-2024.

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O Greenpeace Brasil divulgou o relatório ‘Bancando a extinção: bancos e investidores como sócios no desmatamento’ no último dia 8 de abril, investigação na qual é revelada a destinação de R$ 43 milhões em crédito rural, entre 2018/2023, com a participação de bancos públicos e privados, nacionais e internacionais. O montante envolve 12 propriedades rurais relacionadas com diversas irregularidades socioambientais na Amazônia. Um dos casos é o da Fazenda Arizona, em Rio Branco (AC), que tem metade de sua área sobreposta a uma Floresta Pública Não Destinada de domínio estadual e que acumulou um desmatamento de 420 hectares entre 2016 e 2022. Apesar disso, o proprietário obteve crédito rural de dois bancos públicos brasileiros, sendo um de R$ 1,4 milhão do Banco do Brasil para bovinocultura e outros nove contratos com o Banco da Amazônia (Basa), no valor de mais de R$ 16,7 milhões em crédito rural dentro do período analisado. O relatório mostra que não houve um impedimento para a concessão dos dez contratos à Fazenda Arizona, porque o local não foi embargado pelo Ibama e, segundo a exigência estabelecida no Manual de Crédito Rural, um impedimento à concessão do crédito se aplica apenas para imóveis com embargo, demonstrando como brechas nas regras atuais da política deste tipo de crédito contribuem para que o financiamento chegue a desmatadores e grileiros. Ainda que o Manual do Crédito Rural previsse o impedimento da concessão do financiamento para propriedades com áreas embargadas, o relatório do Greenpeace Brasil encontrou 798 imóveis com embargo do Ibama associados a desmatamento e que receberam o crédito rural (podendo conter embargos pré ou pós concessão de crédito rural). Este é o caso da Fazenda Cachoeira Dourada, no município de Novo Repartimento (PA), multada pelo Ibama por desmatamento ilegal em 2016 e embargada pelo órgão federal. Apesar dessas irregularidades, o proprietário da fazenda, Ancelmo Magri Pedroso, conseguiu firmar dois contratos de financiamento com o Banco da Amazônia em 2019 de mais de R$ 885 mil, sendo um para compra de gado e outro para custear a manutenção e a criação de bovinos. Tais empréstimos também possibilitaram que Pedroso realizasse transações comerciais entre a sua fazenda e uma outra, a Fazenda Palestina, no município de Pacajá (PA), entre 2020 e 2021. O negócio envolveu o repasse de 436 cabeças de gado da fazenda Cachoeira Dourada para a Fazenda Palestina para engorda. Na sequência, a Fazenda Palestina repassou 2.831 cabeças de gado para o frigorífico JBS em uma transação realizada entre julho de 2020 e fevereiro de 2022. O crédito rural é uma modalidade de crédito destinada a produtores rurais no Brasil, sendo operado por bancos públicos e privados, nacionais e internacionais, desde que autorizados pelo Banco Central do Brasil. Parte dos recursos do crédito rural recebe subsídio do Governo para oferecer juros mais baixos e prazos mais estendidos aos beneficiários. Porém, como demonstra o relatório do Greenpeace Brasil, por causa de fragilidades nas regras que regem essa política e da falta de monitoramento dos créditos concedidos, os bancos não separam agricultores de criminosos ambientais, permitindo que o dinheiro também chegue a pessoas que destroem a Amazônia, suas florestas, seus povos e sua biodiversidade. "O financiamento a crimes que derrubam a floresta e expandem a produção agropecuária na Amazônia não se limita a recursos de origens clandestinas. Parte é oferecida por grandes bancos públicos e privados que, sem controle adequado, direcionam recursos para atividades envolvidas com irregularidades", explica Cristiane Mazzetti, porta-voz do Greenpeace Brasil. Os dez principais operadores do crédito rural nos estados da Amazônia Legal são: Banco do Brasil, Caixa Econômica, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste, Bradesco, Banco John Deere, Santander, Sicredi, Sicoob e Itaú. No entanto, 70% dos valores contratados no período analisado pelo Greenpeace Brasil são de apenas três bancos públicos - Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco da Amazônia (Basa). O Banco do Brasil desponta como o maior operador de crédito rural na Amazônia, sendo responsável por 44% de todos os contratos. O estudo completo pode ser conferido no https://www.greenpeace.org/static/planet4-brasil-stateless/2024/04/5ddd16e8-bancando-a-extincao-greenpeace-brasil.pdf . O relatório aponta ainda que, entre 2018 e 2022 e considerando o Bioma Amazônia, 10.074 propriedades com sobreposição a unidades de conservação obtiveram crédito rural; 24 propriedades sobrepostas a terras indígenas; 21.692 imóveis com sobreposição a Florestas Públicas Não Destinadas (FPND); e 29.502 propriedades com desmatamento no período analisado. Os alertas recaem principalmente sobre 41 imóveis encontrados em áreas de proteção integral, onde não deve haver nenhuma atividade econômica, segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC); e 24 imóveis inseridos em sete territórios indígenas, como os Kayabi (MT), Urubu Branco (MT), Amanayé (PA), Rio Omerê (RO), Araribóia (MA), Alto Rio Guamá (PA) e os Uru-Eu-Wau-Wau (RO), áreas estas protegidas e destinadas pela Constituição Federal exclusivamente aos povos indígenas. Um dos casos está na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, cujo aumento do desmatamento nos últimos anos tem sido seguido pelo avanço de pastagens no território. Ainda na TI Uru-Eu-Wau-Wau, o Greenpeace identificou que o fazendeiro Benedito Chaves Leitão possui duas propriedades ilegalmente sobrepostas ao território: a Fazenda Nosso Canto e uma outra, identificada como "Lotes 54, 56 e 58", distantes apenas 2.4 km uma da outra. Em 2018, Chaves Leitão obteve crédito rural para a “manutenção/criação de animais” para a propriedade "Lotes 54, 56 e 58", que não tinha sinais de pecuária. Já a vizinha Fazenda Nosso Canto contava com áreas de pastagem e o estudo levanta a possibilidade de que os recursos foram aplicados nela. A investigação mostra que, da Fazenda Nosso Canto, o fazendeiro negociou ao menos 10 remessas de gado com a JBS entre 2019 e 2022. As instituições financeiras e reguladoras do sistema financeiro têm um papel fundamental para impedir que recursos sejam direcionados a atividades que resultam na destruição ambiental e violação de direitos humanos. "O estudo evidencia a necessidade de maior rigor no cumprimento das normas vigentes e uma série de melhorias nos critérios socioambientais para a concessão de crédito rural, a fim de cobrir as lacunas na regulação do crédito rural. É preciso colocar em prática, por exemplo, a exigência de monitoramento contínuo das propriedades financiadas e a verificação da legalidade do desmatamento se este for identificado no imóvel rural, vide que apenas uma pequena porcentagem do desmatamento ilegal é embargada", adverte Mazzetti. Em um nível global, também é urgente que o sistema financeiro seja imediata e drasticamente reformado para se adequar à meta de limitar o aquecimento do planeta em 1,5 ºC (meta do Acordo de Paris) e atender ao Marco Global de Biodiversidade (pacto global firmado em 2022, durante a COP15 de Biodiversidade, que inclui o sistema financeiro em 4 de suas metas para frear a perda de biodiversidade). “As nações precisam tomar medidas eficazes para garantir o alinhamento de todos os fluxos financeiros aos compromissos estabelecidos no Acordo de Paris e no Marco Global da Biodiversidade. Não temos mais tempo a perder, o dinheiro precisa parar de fluir para fazendas e empresas que destroem o meio ambiente e fomentam as múltiplas crises que vivemos”, diz Mazzetti.

14 de abril, 2024
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UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Carrefour adere ao Adote um Parque

O Presidente da República assinou decreto para instituir o programa Adote um Parque, criado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) para permitir que pessoas físicas e jurídicas, nacionais e estrangeiras, possam doar recursos para contribuir com a proteção ambiental em parques nacionais. O Governo aguarda propostas de investimento que totalizam um potencial de R$ 3,2 bilhões por ano. Na primeira fase do programa, o foco estará nas 132 Unidades de Conservação federais na Amazônia. Os parques ocupam 15% do bioma, totalizando 63,6 milhões de hectares. Os recursos serão aplicados diretamente pelos parceiros nas unidades adotadas. Entre as ações de proteção ambiental estão a prevenção e combate a incêndios e desmatamento, recuperação de áreas degradadas, consolidação e implementação de planos de manejo, vigilância e monitoramento dos parques. As pessoas físicas e jurídicas, nacionais e estrangeiras que adotarem os parques serão reconhecidos como “Parceiros do Meio Ambiente” e poderão divulgar essa parceria. A adoção será de um ano, podendo ser renovada após o fim do prazo. A primeira empresa a adotar um parque é o Grupo Carrefour Brasil, que ganhou o título de "Parceira da Amazônia". O Grupo comprometeu-se a investir R$ 3,7 milhões para a proteção ambiental da área do Resex do Lago do Cuniã com aproximadamente 75 mil hectares, no estado de Rondônia. O Carrefour desenvolverá um plano de ação para aplicação dos fundos investidos que, dentre outras iniciativas, contemplam a proteção e monitoramento do bioma, a prevenção de queimadas e desmatamento, além de restauração de áreas degradadas. "Apoiar programas que ajudem a preservar os biomas brasileiros é um dos temas prioritários do Grupo Carrefour Brasil no que diz respeito à sustentabilidade. Esta iniciativa reforça nosso compromisso com a preservação do meio ambiente, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030, da ONU", afirma o CEO. Noël Prioux. Uma das estratégias de preservação por meio da valorização da biodiversidade é a Plataforma de Embarque de Pequenos Produtores Rurais, por meio da qual a companhia busca firmar parcerias com cooperativas de produtores locais e de pequeno porte, além de comunidades tradicionais. Ao promover a oportunidade de relacionamento com agricultores, a empresa estimula melhores condições econômicas, aumento de renda e inclusão social, e, com isso, esse produtor permanece no território e, por sua vez, atua na preservação ambiental, recuperação de biomas e na comercialização de produtos nativos dos biomas brasileiros, colaborando para o desenvolvimento sustentável de alimentos.

19 de fevereiro, 2021
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CERRADO
Expansão da soja sem desmatamento

A The Nature Conservancy (TNC) divulgou estudo que é possível aumentar a produção de soja no Cerrado sem desmatar a vegetação nativa, ao utilizar áreas de pastagem subutilizadas e com aptidão agrícola. Em parceria com a consultoria Agroicone, o levantamento mostrou que há 18,5 milhões de hectares de pastagens no Cerrado adequadas à produção de soja, número que corresponde a mais do que o dobro dos 7,3 milhões de hectares que serão necessários, nas condições atuais de mercado, para garantir a expansão por pelo menos dez anos. O relatório indica ainda um conjunto de ações para apoiar a intensificação da pecuária, liberando áreas de pastagens de baixa produtividade, estimulando a conversão dessas áreas subutilizadas na produção de grãos. As informações são uma alternativa ao problema do desmatamento, já que 38% da produção (cerca de 3,65 milhões de hectares) de soja colhida no Cerrado no ciclo 2016/2017 estava em terras cobertas por vegetação nativa em 1999, enquanto a área de produção do grão aumentou no total 9,6 milhões hectares - ou 128% - entre 2000 e 2017. “Estamos comprometidos em construir caminhos e soluções para tornar a agricultura brasileira uma potência global na produção sem desmatamento, atendendo ao aumento esperado da demanda por alimentos de forma sustentável”, aponta José Otavio Passos, especialista em negócios e investimentos na TNC Brasil, que conduziu o estudo. O estudo do TNC conclui que a ampliação da soja em terras de pasto já existentes tem menor custo de implantação e maior produtividade do que a conversão de áreas de vegetação nativa em cultivo - já que é três vezes mais rápido atingir rendimentos máximos de colheitas em terras de pastagens já convertidas. A área do Cerrado é maior do que a soma dos territórios da Alemanha, Espanha, Itália, França e Reino Unido, ou quase cinco vezes o tamanho da Califórnia, além de ser uma das principais regiões agrícolas do mundo, considerada o centro da produção de alimentos nas últimas décadas. Entretanto, a expansão da pecuária e agricultura mudou metade da vegetação nativa do bioma, o que significa um aumento nas emissões de carbono e ameaça à biodiversidade da região. O Cerrado engloba parte dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e mais de 80% da expansão da soja nas últimas duas décadas ocorreu sobre a vegetação nativa. O estudo mostra ainda que a região é a que abriga os remanescentes mais significativos do Cerrado nativo em terras privadas adequadas para a produção de soja, reunindo 45% da reserva legal excedente do Cerrado, o que representa 4,5 milhões de hectares.

6 de abril, 2020