EMISSÔES

Relatório lançado define metas para reduzir metano até 2030

Relatório lançado define metas para reduzir metano até 2030

O relatório reforça que, com a rápida ampliação de soluções comprovadas, a meta de 2030 é alcançável.

O Programa das nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Climate and Clear Air Coalition (CCAC) lançaram o primeiro Relatório Global sobre Metano em Belém que marca avanços significativos desde a Criação do Global Methane Pledge, em 2021, e mostra oportunidades para acelerar o progresso até 2030. O relatório oferece a avaliação mais abrangente já feita sobre o acordo endossado por 159 países e pela União Europeia para reduzir as emissões de metano em 30% em relação aos níveis de 2020.

O documento mostra que as emissões mundiais de metano aumentaram, mas as projeções estão melhores, graças às regras mais rígidas adotadas para resíduos pela União Europeia e na América do Norte, combinadas com um crescimento mais lento do mercado de gás natural entre 2020 e 2024, que já reduziram as estimativas para 2030 em comparação com as previsões iniciais. O relatório reforça que, com a rápida ampliação de soluções comprovadas, a meta de 2030 é alcançável. “Enfrentar as emissões de metano é uma das formas mais rápidas e eficazes de conter o aquecimento global. A redução do metano funciona como um freio de emergência climático, ajudando-nos a manter o rumo da meta de 1,5°C”, afirmou Alice Amorim, Diretora de Programas da Presidência da COP30.

O relatório revela que as contribuições nacionais submetidas até meados de 2025, incluindo NDCs e planos nacionais de metano, poderiam ajudar em uma redução coletiva de até 8% até 2030 na comparação com dez anos antes, desde que tais contribuições sejam integralmente adotadas. Isso marcaria a maior queda já registrada nas emissões de metano. Atingir a redução total de 30% exigirá um novo impulso de ambição, mas o relatório ressalta que a maior parte das medidas necessárias já está disponível. “Priorizar o metano não é apenas um imperativo ambiental — é uma oportunidade estratégica para competitividade, saúde pública e responsabilidade social”, observou Alice Amorim. “Agir agora nos setores de resíduos, energia e agricultura oferece benefícios climáticos imediatos e mensuráveis”. E mais de 80% do potencial de redução de metano até 2030 pode ser atingido a baixo custo, com a adoção de soluções amplamente testadas, como programas de detecção e reparo de vazamentos, fechamento de poços abandonados, melhoria na gestão de água no cultivo de arroz e separação de resíduos orgânicos — representam a maior parte das ações necessárias. O setor de energia responde por 72% desse potencial, seguido por resíduos (18%) e agricultura (10%). A implementação de tais medidas poderia evitar mais de 180 mil mortes prematuras e reduzir em 19 milhões de toneladas as perdas agrícolas anuais até 2030. No setor de combustíveis fósseis, todo o potencial de mitigação poderia ser alcançado a um custo equivalente a apenas 2% da receita global da indústria em 2023.

A maior parte das oportunidades para mitigar as emissões de metano está concentrada nos países do G20+, que poderiam alcançar uma redução de 36% com medidas já existentes. O relatório também destaca a importância de melhorar mensuração, transparência, financiamento e monitoramento para orientar os esforços. Julie Dabrusin, Ministra de Meio Ambiente e Mudança do Clima do Canadá e Co-Presidente do Global Methane Pledge, classificou o relatório como “uma avaliação essencial do progresso”, destacando a importância de acelerar a ação para alcançar resultados concretos.

Para o comissário Europeu para Energia e Habitação, Dan Jørgensen, os avanços já demonstram que reduzir metano é possível e traz benefícios econômicos e ambientais — mas que a próxima etapa exige mais escala e cooperação. Já Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA, reafirmou que cortar emissões de metano continua sendo uma das formas mais rápidas e eficazes de desacelerar a crise climática, proteger a saúde humana e reduzir perdas agrícolas. O relatório conclui que as decisões tomadas nos próximos cinco anos serão decisivas para aproveitar essa oportunidade — garantindo ar mais limpo, economias mais fortes e um clima mais seguro para as futuras gerações.

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