EMISSÔES

Fundo de US$ 30 milhões para reduzir metano no cultivo do arroz

Fundo de US$ 30 milhões para reduzir metano no cultivo do arroz

O Acelerador de Inovação em Metano do Arroz pretende arrecadar pelo menos US$ 100 milhões de recursos públicos e privados.

O Global Methane Hub anunciou um investimento de US$ 30 milhões em um novo acelerador de pesquisa global para reduzir as emissões de metano das lavouras de arroz. O lançamento foi realizado na Global CSA Conference, que acontece nesta semana em Brasília organizada pela Clim-Eat, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) do Brasil, pelo Ministério da Agricultura, Pesca, Segurança Alimentar e Natureza dos Países Baixos e pela Universidade de Brasília (UnB).

O Acelerador de Inovação em Metano do Arroz pretende arrecadar pelo menos US$ 100 milhões de recursos públicos e privados. A iniciativa já tem o apoio da Fundação Gates, Philanthropy Asia Alliance, Quadrature Climate Foundation e Temasek Life Sciences Laboratory, entre outros. O objetivo é ampliar o conjunto de opções atuais para reduzir as emissões e melhorar a resiliência, com foco em quatro áreas: genética e fisiologia vegetal, microbioma do solo, agronomia e medição de emissões. De todas as lavouras de arroz do mundo, 90% ocorrem em áreas inundadas. As bactérias nascem na parte submersa das plantas, e, ao consumir a matéria orgânica, metabolizam metano, que é liberado para a atmosfera. As lavouras de arroz são responsáveis por 8% do metano produzido e 40% da água de irrigação consumida em todo o mundo.

Uma das áreas de interesse da estratégia do Acelerador é a produção de arroz aeróbico (sem a presença de água). A robustez do sistema brasileiro de pesquisa, liderado pela Embrapa e universidades tem investigado a produção agrícola em geral, mas também o arroz, faz com que o país seja um exemplo das práticas que o Global Methane Hub quer promover. “O Brasil está tendo um grande sucesso em ter arroz aeróbico de alto rendimento integrado em uma rotação de arroz, que não somente é economicamente viável, mas também impacta positivamente os arrozes que são plantados nessa mesma rotação. Isso se encaixa muito com a estratégia que estamos construindo”, disse Hayden Montgomery, diretor do Programa de Agricultura do Global Methane Hub. “O metano é um gás de efeito estufa poderoso, mas de curta duração. Reduzir as emissões de metano em todos os setores é fundamental, não apenas para a ação climática, mas também para proteger a segurança alimentar global. Mas a transição para uma agricultura de baixas emissões não pode ocorrer às custas da produção de alimentos e dos meios de subsistência”, acrescentou.

A iniciativa será lançada no início de 2026 e desenvolverá um roteiro para melhorar a prontidão e o desempenho real de várias soluções identificadas nas quatro áreas-chave de pesquisa para sistemas de arroz. Os resultados desse trabalho complementarão as soluções de mitigação existentes, incluindo o método AWD, desenvolvido pelo Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI) e que pode reduzir as emissões de 30 a 70%.

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