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BIODIVERSIDADE

Thomas Lovejoy em conferência no Brasil

O Museu do Amanhã, em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), recebeu o biólogo norte-americano Thomas Lovejoy. Referência mundial em ciências naturais e pesquisador da Amazônia há 50 anos, Lovejoy abordou a importância da biodiversidade brasileira para o planeta e as consequências da degradação para as futuras gerações. Lovejoy liderou uma das maiores pesquisas já realizadas no Brasil para mostrar os efeitos da fragmentação dos habitats na biodiversidade. De acordo com especialistas, parte da biodiversidade global está no Brasil, que integra um conjunto de países chamados de megadiversos. Ao todo, o grupo guarda 70% da diversidade da vida do planeta em apenas 10% da superfície terrestre. Entretanto, o Brasil possui longo histórico de degradação e exploração predatório dos seus biomas. Dois deles, a Mata Atlântica e o Cerrado, estão entre os mais ameaçados do planeta, sendo reduzidos a menos 30% de sua vegetação original e com uma alta taxa de extinção de espécies. Atualmente, Lovejoy é professor do Departamento de Ciências Ambientais e Políticas da Universidade George Mason e senior fellow das Nações Unidas. Antes, foi conselheiro chefe da área de biodiversidade do Banco Mundial e ocupou cargos de destaque em diversas organizações internacionais. A conferência abre o workshop realizado pela Academia Brasileira de Ciências e a Academia de Ciências da França, que será realizada nos dias 20 e 21 de setembro, na sede da ABC, também com entrada gratuita.

O Museu do Amanhã, em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), recebeu o biólogo norte-americano Thomas Lovejoy. Referência mundial em ciências naturais e pesquisador da Amazônia há 50 anos, Lovejoy abordou a importância da biodiversidade brasileira para o planeta e as consequências da degradação para as futuras gerações.
 
Lovejoy liderou uma das maiores pesquisas já realizadas no Brasil para mostrar os efeitos da fragmentação dos habitats na biodiversidade. De acordo com especialistas, parte da biodiversidade global está no Brasil, que integra um conjunto de países chamados de megadiversos. Ao todo, o grupo guarda 70% da diversidade da vida do planeta em apenas 10% da superfície terrestre. Entretanto, o Brasil possui longo histórico de degradação e exploração predatório dos seus biomas. Dois deles, a Mata Atlântica e o Cerrado, estão entre os mais ameaçados do planeta, sendo reduzidos a menos 30% de sua vegetação original e com uma alta taxa de extinção de espécies.
 
Atualmente, Lovejoy é professor do Departamento de Ciências Ambientais e Políticas da Universidade George Mason e senior fellow das Nações Unidas. Antes, foi conselheiro chefe da área de biodiversidade do Banco Mundial e ocupou cargos de destaque em diversas organizações internacionais. A conferência abre o workshop realizado pela Academia Brasileira de Ciências e a Academia de Ciências da França, que será realizada nos dias 20 e 21 de setembro, na sede da ABC, também com entrada gratuita.
 

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O Brasil no coração da conservação mundial da natureza
ARTIGO
O Brasil no coração da conservação mundial da natureza

Artigo por Emerson Oliveira Por Emerson Oliveira * Após ser adiado por causa da pandemia, o Congresso Mundial da Natureza, importante evento promovido a cada quatro anos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), foi realizado em Marselha, na França, entre os dias 3 e 10 de setembro. Como de costume, o evento indicou tendências e prioridades para os próximos anos para a conservação da biodiversidade no planeta e colocou o Brasil no centro dos debates. Em discurso na abertura do evento, o presidente francês Emmanuel Macron demonstrou como os olhos da comunidade internacional estão voltados ao Brasil e, de um modo especial, para a Amazônia. O líder do país anfitrião enfatizou a necessidade urgente de interromper a acentuada destruição da floresta amazônica, entre outras prioridades. Em outro recado ao Brasil, Macron ressaltou a determinação da França de eliminar o desmatamento importado, aquele gerado pela aquisição de produtos que causam desmatamento ou degradação ambiental no país de origem. O presidente francês afirmou ainda que a França é contra o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que entre outros pontos pretende facilitar as exportações entre os dois continentes. Fato negativo digno de nota foi a ausência de representantes do Ministério do Meio Ambiente do Brasil. Na verdade, a única autoridade brasileira presente foi o embaixador do Brasil na França, Luís Fernando Serra. Entre os participantes ilustres, destaques para o ator norte-americano Harrison Ford e o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. Apesar dos fatores preocupantes que envolvem a política ambiental brasileira, o Congresso também trouxe esperança para todos que estão comprometidos com a conservação da natureza em nosso país. Durante a Assembleia Geral que elegeu a nova presidente e os membros da diretoria da UICN para os próximos quatro anos, o Comitê Brasileiro (CBR), formado por diversas organizações com destacada atuação pela causa ambiental, entregou aos candidatos ao pleito uma carta intitulada "O Brasil Importa!" (Brazil Matters!), visando evidenciar as pautas brasileiras de conservação, especialmente em relação às ameaças à biodiversidade e relativas à situação crítica dos rios e outros corpos hídricos brasileiros. Logo após a eleição, em reunião com a nova presidente, Razan Al Mubarak, dos Emirados Árabes, os representantes do Brasil reforçaram o papel fundamental que os biomas brasileiros desempenham como mantenedores da biodiversidade e do clima no mundo, detalhando as ameaças enfrentadas e os riscos às políticas ambientais e estruturas de gestão. A nova presidente recebeu muito bem as propostas, especialmente em relação a uma grande campanha de comunicação para divulgar os biomas brasileiros: "O Brasil está no coração do mundo e eu vou trabalhar para que ele esteja no coração da UICN", comentou. Em 14 mandatos na história da UICN, Razan é apenas a segunda mulher a assumir a presidência e, embora ainda jovem, especialmente em comparação a seus antecessores, já atua há mais de 20 anos com conservação, liderando atualmente a Agência Ambiental de Abu Dhabi (EAD). Entre as diversas resoluções aprovadas no Congresso, talvez a mais emblemática seja a criação de uma Comissão de Crise Climática. Ao final do evento, o Congresso anunciou a agenda de conservação da natureza para a próxima década, invocando os governos a empreender uma recuperação baseada na natureza no pós-pandemia, investindo ao menos 10% dos fundos de recuperação global na natureza. Dentre as resoluções deliberadas inclui-se um apelo para proteção de 80% da Amazônia até 2025, a proibição da mineração em alto mar e para que a comunidade global adote uma abordagem ambiciosa de "Uma Só Saúde". Merece destaque também a divulgação de um relatório reportando que 28% das espécies mundialmente catalogadas correm algum risco de extinção. Por isso, a UICN faz um apelo para que os desmatamentos sejam minimizados, bem como sejam reduzidos o uso de agroquímicos, a poluição, em especial de plásticos nos oceanos, e a degradação dos solos e corpos hídricos pela agropecuária, indústria e outras atividades humanas. Outro fato muito positivo foi a participação inédita das organizações de povos indígenas, com direito a se pronunciar oficialmente, o que possibilitou um olhar especial para os direitos dos povos originários e seu papel na conservação. Apesar de tantas dificuldades que vemos no Brasil, com nossos biomas sob variadas pressões e ameaças, é importante notar que as organizações da sociedade civil brasileira encontram eco em organismos internacionais e apoiam-se também em lideranças de várias partes do mundo. Se os inimigos da natureza são fortes, mais fortes seremos todos nós unidos por um planeta sustentável. * Emerson Oliveira é Gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

23 de setembro, 2021
Brasil sofre a maior crise ambiental dos últimos anos
ARTIGO
Brasil sofre a maior crise ambiental dos últimos anos

Por Cristiana Nepomuceno de Sousa Sores * Comemorado mundialmente no dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é um lembrete latente ao país que mais destrói florestas em todo o mundo, segundo dados da Global Forest Watch , divulgados neste ano. Embora a data seja um convite à conscientização e preservação dos biomas de todo o mundo, o Brasil não tem o que comemorar quando o assunto é a preservação ambiental e o avanço do desenvolvimento sustentável que, nessa altura do campeonato, ganha o status de utopia. Para se ter ideia, estima-se que 94% do desmatamento da Amazônia seja ilegal, de acordo com informações coletadas pelo Instituto Centro da Vida (ICV), em parceria com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no ano de 2020. Isso faz com que, embora seja o país com maior biodiversidade do mundo, o Brasil continue saindo em desvantagem no debate sobre soluções à destruição ambiental. A combinação de uma cultura de normalização da apropriação do meio ambiente e péssimas medidas públicas de controle aos danos ajudam a perpetuar o que é visto hoje. Parte essencial da conscientização das massas é o entendimento de pertencimento ao meio ambiente. Devemos ter em mente que também estamos inseridos nesse todo e que a preservação do meio ambiente é, consequentemente, a preservação da espécie humana. Além do aquecimento global e tantos outros efeitos colaterais já conhecidos, a devastação do meio ambiente também pode ocasionar desequilíbrios ambientais, como as pandemias. Com a perda dos habitats naturais, outras espécies passam a ter vida próxima a dos humanos, o que nos expõe a vírus e bactérias que até então não tínhamos contato e que, portanto, não temos defesas contra. * Cristiana Nepomuceno de Sousa Sores é Graduada em Direito e Biologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Pós-Graduada em Gestão Pública pela Universidade Federal de Ouro Preto- MG. Especialista em Direito Ambiental pela Universidade de Alicante/Espanha. Mestre em Direito Ambiental pela Escola Superior Dom Helder Câmara. Atualmente é presidente da Comissão de Direito de Energia da OAB/MG.

4 de junho, 2021
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BIODIVERSIDADE
Brasil apresenta diagnóstico preliminar

Os resultados do primeiro diagnóstico brasileiro de biodiversidade e serviços ecossistêmicos, elaborado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES, na sigla em inglês) foram apresentados durante a 70ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Maceió, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). “O sumário ainda não está em sua versão definitiva e foi apresentado com o objetivo de debatermos as conclusões com a comunidade científica para incorporar críticas e sugestões que eventualmente possam ser feitas”, disse Carlos Joly, professor da Unicamp e membro da coordenação da BPBES e do Programa Biota-Fapesp. De acordo com o professor Joly, a versão preliminar do sumário representa a última etapa do trabalho de elaboração do diagnóstico até um documento definitivo, previsto para outubro de 2018. A versão preliminar foi apresentada em grupos focais com representantes de órgãos governamentais, empresas, organizações públicas e jornalistas. “Estamos elaborando o diagnóstico brasileiro de biodiversidade e serviços ecossistêmicos em diálogo com a sociedade”, afirmou Joly. Para elabração do estudo foi criado um Grupo de Trabalho pela SBPC, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), da Academia Brasileira de Ciências (ABC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Programa Biota-Fapesp e da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), entre outras entidades. O GT reúne 36 pesquisadores de diferentes áreas, vinculados a universidades de diversos estados, e mais 14 autores convidados. “O relatório do diagnóstico brasileiro terá cinco capítulos e seguirá a mesma estrutura do diagnóstico regional sobre biodiversidade e serviços ecossistêmicos nas Américas do IPBES [Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos] apresentado em março deste ano”, disse Joly. A ideia de um diagnóstico brasileiro de biodiversidade surgiu a partir do trabalho realizado do IBPES, contou Joly. Durante a reunião dos autores do relatório regional das Américas se constatou que havia um grupo de 25 pesquisadores brasileiros participantes do trabalho. “Pensamos se não era o caso de também fazermos um diagnóstico brasileiro, uma vez que as informações sobre a biodiversidade brasileira estão divididas em órgãos como os ministérios do Meio Ambiente, de Ciência, Tecnologia, Comunicações e Inovações, da Agricultura e das Relações Exteriores”, disse Joly. O pesquisador conclui que o objetivo era unir dados, sintetizá-las e chegar a conclusões para determinar caminhos e decisões sobre medidas de conservação e uso sustentável da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.

7 de agosto, 2018
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BIOMAS
No Dia do Cerrado é lançado manifesto

No dia 11 de setembro é celebrado o Dia do Cerrado e organizações ambientalistas lançaram o manifesto: ‘Nas mãos do mercado, o futuro do cerrado: é preciso interromper o desmatamento’. O objetivo é alertar para a destruição de um dos principais biomas brasileiros e de grande diversidade de fauna e flora. Entre 2013 e 2015 o Brasil destruiu 18.962 km² de Cerrado. Isso significa que a cada dois meses o equivalente à área da cidade de São Paulo é destruída no bioma. Neste ritmo, o Cerrado é um dos biomas mais ameaçados do planeta. A principal causa da destruição é a expansão do agronegócio sobre a vegetação nativa. Já são mais de 10 anos com as taxas de desmatamento do Cerrado superando as da Amazônia. O manifesto reúne 40 organizações signatárias, entre elas WWF-Brasil, TNC (The Nature Conservancy), CI (Conservação Internaticional) Brasil, Greenpeace Brasil, IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola). As organizações cobram o cumprimento de compromissos internacionais assumidos pelo Governo, além da criação de instrumentos e políticas para uma produção responsável no Cerrado. Alertam que só cumprir a lei não é suficiente, pois ela autoriza que mais 40 milhões de hectares sejam legalmente desmatados no bioma. O manifesto pede que o governo e o setor privado desenvolvam incentivos e instrumentos econômicos para recompensarem produtores que conservem áreas de vegetação nativa.

12 de setembro, 2017
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DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
Estudos vêem saúde humana em risco

Segundo os estudos do Secretariado da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), de junho deste ano, e da Rockefeller Foundation, dos Estados Unidos, em colaboração com a revista Lancet , do Reino Unido, realizado em julho de 2015, a degradação ambiental observada em todo o planeta Terra coloca a saúde humana cada vez mais em risco. As duas publicações foram lançadas no Brasil em 24 de setembro, durante o painel “Planetary health: a challenge for individual health”, realizado no campus da Universidade de São Paulo (USP) na capital paulista. “Os dois relatórios se complementam e resumem o atual conhecimento científico sobre as relações entre saúde e meio ambiente”, disse Braulio Ferreira de Souza Dias, Secretário-executivo da CDB, em sua palestra durante o evento. O primeiro estudo intitulado “Connecting Global Priorities: Biodiversity and Human Health” da CDB e OMS, aponta que a degradação ambiental tem causado o declínio da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos no mundo, como o fornecimento de água, alimentos e ar limpo. Esta queda, segundo o estudo, representa risco à saúde humana e para a sustentabilidade econômica do planeta, avaliam os autores do documento. “Diferentemente das mudanças climáticas, que podem se manifestar por meio de eventos extremos muito perceptíveis, como maior frequência de secas e inundações, a perda de biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos pela degradação ambiental é um processo lento, contínuo e pouco visível. Por isso, a maior parte das pessoas não se dá conta disso”, afirmou Dias. O relatório indica que a contínua degradação ambiental já ocasionou a perda de mais de 80% da vegetação herbácea, além de 90% de todas as áreas úmidas e dos estoques de peixes de maior porte no mundo. Resultou também na perda de mais de 90% da variedade genética de espécies de trigo, arroz e frutas, como maçã, nas últimas décadas. “A perda dessa diversidade de cultivares está tornando a população mundial mais vulnerável a surtos de pragas agrícolas e a um colapso na oferta de alimentos”, disse Dias. Ele cita entre os principais fatores que estão causando essa degradação as mudanças no uso da terra, sobre-explotação de recursos biológicos, poluição, dispersão de espécies exóticas e invasoras, além das mudanças climáticas e a acidificação dos oceanos. Os desequilíbrios nos ecossistemas causados por essas formas de degradação ambiental provocam surtos de doenças, como as causadas por ebola e hantavírus, aponta o relatório. Ação coletiva urgente Já o relatório “Safeguarding human health in the Anthropocene epoch”, da Rockefeller Foundation, em parceria com a Lancet , afirma que a degradação ambiental demandará uma ação coletiva urgente, tanto em nível global como local, e a cooperação será indispensável. A Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada na sede da ONU, em Nova York – em que os países passaram a adotar oficialmente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) –, e a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP21), em Paris, no início de dezembro, representam uma janela de oportunidades para colocar em pauta a discussão sobre os impactos da degradação ambiental na saúde na agenda global, avaliam os autores do relatório. “É necessário que os países se empenhem em atacar as causas das mudanças ambientais, promovendo padrões sustentáveis e equitativos de consumo, controlando o crescimento de suas populações e que usem o poder das novas tecnologias para promover mudanças”, disse Sir Andy Haines, professor da London School of Hygiene and Tropical Medicine, em sua palestra por videconferência durante o evento. Entre as medidas apontadas no estudo para reduzir o impacto da degradação ambiental na saúde humana estão a proteção de recursos hídricos, combate e redução do desperdício de alimentos, investir em planos escaláveis e modelos de financiamento para a implementação de energias renováveis e incentivar o investimento regional em infraestrutura de transporte urbano. “As soluções devem se basear na redefinição de prosperidade, com foco na melhoria da qualidade de vida e na promoção da saúde, juntamente com o respeito pela integridade dos ecossistemas”, disse Haines. O encontro teve a participação de José Goldemberg, presidente da Fapesp, e de representantes da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, da USP e dos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein. Na avaliação de Goldemberg, a pesquisa científica pode auxiliar muito na busca de soluções. A descoberta de que a palha da cana-de-açúcar poderia ser usada para gerar eletricidade fez com que a prática da queima da planta para a colheita manual fosse substituída pela colheita mecanizada da cana crua nos canaviais no Estado de São Paulo, exemplificou. “O aproveitamento desse subproduto da cana-de-açúcar contribuiu para diminuir a poluição, está ajudando a gerar lucros para as usinas e produzir eletricidade para o país”, avaliou Goldemberg. “É preciso olhar para as causas e consequências da degradação ambiental, que podem resultar em soluções como essa”, afirmou. O relatório Connecting Global Priorities: Biodiversity and Human Health pode ser acessado em www.cbd.int/health/stateofknowledge/default.shtml . Já o relatório Safeguarding human health in the Anthropocene epoch pode ser consultado no site www.thelancet.com/commissions/planetary-health .

30 de setembro, 2015
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BIOMAS
Embrapa e PNUD firmam parceria em conservação

No dia 28 de setembro foi oficialmente lançado o projeto "Integração da conservação da biodiversidade e uso sustentável nas práticas de produção de produtos florestais não madeireiros e sistemas agroflorestais em paisagens florestais de usos múltiplos de alto valor para a conservação”. O projeto é uma parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O lançamento do projeto aconteceu na sede da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade de pesquisa da Embrapa em Brasília, e teve a participação do Diretor-executivo de TT da Embrapa, Waldyr Stumpf; do coordenador-residente do Sistema das Nações Unidas e representante do PNUD no Brasil, Jorge Chediek; do representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) no Brasil, Alan Bojanic; da Secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ana Cristina Barros; e do Presidente da Anater, Paulo Cabral, entre outras autoridades. Segundo o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e coordenador do projeto, Aldicir Scariot, o cenário atual, que levou à necessidade de execução dessa iniciativa, é marcado por mudanças rápidas no uso da terra, perda de biodiversidade, exclusão social e ameaças ao modo de vida das comunidades que moram no campo. “É preciso que as pessoas entendam que conservar a biodiversidade e gerar renda não são atividades excludentes. Muito pelo contrário, são complementares. E é exatamente isso o que esse projeto pretende estimular e fortalecer”, enfatizou Aldicir. Com apoio dos ministérios do Meio Ambiente (MMA), Desenvolvimento Social (MDS), Desenvolvimento Agrário (MDA) e Agricultura (Mapa), além da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e organismos da sociedade civil, o projeto vida promover “uma associação íntima entre agroextrativismo e biodiversidade. Os objetivos principais são ampliar a participação dos agroextrativistas, reduzir as desigualdades sociais, manter as famílias no campo, assegurar o modo de vida das comunidades locais, reconhecer e fortalecer sua cultura e investir em tecnologias simples e de baixo custo. Abrangência de três biomas O projeto irá atuar em seis Territórios da Cidadania – Alto Acre e Capixaba, Alto Rio Pardo, Marajó, Sobral e Sertão do São Francisco – o que abrange três biomas : Cerrado, Caatinga e Amazônia. De acordo com Aldicir, esses biomas foram definidos em conjunto entre as instituições parceiras com base nos seguintes dados: alto impacto para a biodiversidade, baixo IDH, populações tradicionais e agricultura familiar. O projeto será desenvolvido a partir de planos de trabalho anuais para cada Território da Cidadania envolvido, com base em sinergias com políticas e programas públicos, que valorizem os seguintes pilares: tecnologia, socioeconomia, capacitação de multiplicadores e disseminação de conhecimento, crédito/financiamento e conservação da biodiversidade. Além da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e do Departamento de Transferência de Tecnologia (DTT), que são os mentores e articuladores do projeto, participam outras 11 unidades de pesquisa da Embrapa, atuantes nos três biomas que fazem parte da iniciativa. O coordenador-residente do Sistema das Nações Unidas e representante do PNUD no Brasil, Jorge Chediek, afirmou que esse projeto é muito especial para o PNUD e tem “DNA brasileiro”. “Esse projeto nasceu na Rio 92 e se consolidou na Rio+20. O ponto forte é o fato de enxergar a sustentabilidade no sentido amplo, não apenas do ponto de vista ecológico, mas também do social e do econômico”, enfatizou. Para Ana Cristina Barros, secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA, a principal importância de “romper a dicotomia da visão da conservação”. Segundo ela, é preciso transcender essa visão radical de floresta protegida e não protegida e enxergar a importância do homem nesse processo. “É fundamental considerar a floresta e o ser humano como aliados e não como antagonistas. O uso adequado da biodiversidade depende de tecnologia e, principalmente, da sua transferência para as comunidades”, complementou a Secretária. Para o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, um dos pontos mais importantes do projeto é valorizar a exploração sustentável de produtos florestais não madeiráveis. “Precisamos fazer com que esse projeto seja lembrado pela sua grandeza e não me refiro apenas ao plano ideológico, mas territorial”, constatou ele, lembrando que o fato de o projeto abranger três biomas é desafiador, mas muito importante para o desenvolvimento do País.

30 de setembro, 2015
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FLORESTAS
Investir no conceito de árvores em pé ajuda a garantir a manutenção

Por Thiago Terada* No dia 21 de setembro celebramos o Dia da Árvore. Essa é uma data que sempre nos convida a refletir sobre o que estamos fazendo para proteger um de nossos maiores patrimônios naturais. Afinal, é um elemento que tem interferência direta em nossas vidas, mas que ainda sofre com a questão do desmatamento, responsável por causar o aumento dos níveis de poluentes no ar, gerar a perda de biodiversidade e interferir diretamente na falta de agua no sudeste do Brasil. Tamanha é a importância da preservação das árvores que recentemente a Universidade de Yale, de Connecticut (EUA), reuniu pesquisadores de 15 países diferentes, entre eles o Brasil, e apresentou um dos censos mais completos da história. O levantamento destaca que o planeta conta com aproximadamente 3 trilhões de árvores e que 43% delas estão em florestas tropicais, como a Amazônia, enquanto que as zonas temperadas possuem 22% e as zonas boreais frias de altas latitudes, 24%. O estudo aponta ainda que o Brasil possui 9,9% das florestas do planeta, ficando atrás apenas de Rússia (21,1%) e do Canadá (10,5%). Além disso, foi destacado que, enquanto a média global é de aproximadamente 420 árvores para cada habitante do planeta, no Brasil são cerca de 1.500 por habitante. Os números são elevados, mas ainda não podemos comemorar, pois foi constatado também que são derrubadas cerca de 15 bilhões de árvores anualmente, ao mesmo tempo em que apenas 5 bilhões de novas mudas são plantadas. Reverter esses números exige um esforço coletivo, tanto do seor público quanto do privado, para que as pessoas tenham a consciência de que necessitamos das florestas em pé para sobreviver. Manter uma árvore viva significa preservar uma fonte de riqueza que será usada por gerações, ampliar o valor do patrimônio genético e contribuir para desacelerar o aquecimento global. Avaliando a questão sob o ponto de vista econômico, a preservação das florestas pode ser estimulada pelo processo de vegetalização das formulações em substituição ao uso de matérias-primas sintéticas. Indústrias como as dos segmentos farmacêutico, cosmético, alimentício, químico e agrícola já estão investindo em parcerias com comunidades, por exemplo, da região amazônica, em prol do desenvolvimento sustentável. Elas promovem treinamentos e capacitações em manejo sustentável para mostrar que as árvores preservadas possuem recursos não madeireiros que irão garantir frutos e sementes ricos em vitaminas, com propriedades hidratantes, nutritivas e antioxidantes. Essa é uma iniciativa que garante não só a preservação das árvores, mas também um incentivo para que comunidades locais tenham uma fonte de renda ligada a preservação e uso sustentável dos recursos naturais. Ações como essa vão ao encontro do novo Marco Legal da Biodiversidade, que entra em vigor no mês de novembro e pretende tornar as regras mais claras em relação ao uso da nossa biodiversidade e promover a repartição das riquezas entre os povos, permitindo modelos de negócios cada vez mais justos e transparentes. Tudo isso nos mostra que já existe um engajamento em prol de nossas árvores. No entanto, ainda temos muito a fazer para minimizar os números do desmatamento, e a melhor forma de conquistarmos isso é por meio de ações que estimulem o respeito ao meio ambiente, o desenvolvimento social e a obtenção de lucro consciente. * Thiago Terada é Gerente de Responsabilidade Social Corporativa da Holding Sabará, que atua nos segmentos de saúde, beleza, nutrição, bioenergia, e é detentora da marca Beraca, líder global no fornecimento de ingredientes naturais provenientes da biodiversidade brasileira para as indústrias de cosméticos, produtos farmacêuticos e cuidados pessoais.

17 de setembro, 2015