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AMAZÔNIA

Torre Alta avança para segunda fase de monitoramento

Segundo o biólogo Adalberto Luis Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF, na sigla em alemão) aprovou uma proposta de 6 milhões de euros para a segunda etapa do projeto do observatório de Torre Alta da Amazônia. O projeto monitora os impactos das mudanças climáticas globais na floresta ao medir as interações com a atmosfera. "Para esta nova fase, ainda não há previsão de contrapartida nacional", disse, em mesa-redonda da 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). "O Brasil precisa viabilizar um apoio à altura para 2018, e a comunidade científica envolvida tem que ser ouvida, a fim de verificar as atuais necessidades", alertou. O projeto Torre Alta tem 325 metros de altura e está localizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, a 150 km em linha reta de Manaus (AM), e existe graças à parceria entre Brasil e Alemanha, com investimento inicial de R$ 26 milhões. Na primeira fase do projeto, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) investiu R$ 12 bilhões pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). "Os recursos ainda não foram totalmente alocados, mas tiveram um papel importante na construção das torres e na aquisição dos veículos", informou Val. "A parcela ainda não executada foi prorrogada até dezembro de 2018, quando poderemos finalizar toda a parte de infraestrutura”. Os recursos aconteceram entre 2009 a 2016. A Torre Atto é um experimento coordenado pelo Inpa, unidade de pesquisa do MCTIC, em conjunto com os institutos alemães Max Planck de Química e Max Planck de Biogeoquímica. Inaugurado em 2015, o projeto já publicou 52 artigos científicos em torno do estudo do clima na Amazônia. "No momento, temos 99 brasileiros e 88 estrangeiros, a maioria deles alemães, entre pós-doutores, alunos de pós-graduação, pesquisadores e técnicos", comentou Val. De longo prazo, o Atto deve monitorar o clima na Amazônia durante 30 anos, por meio da coleta de dados sobre os processos de troca e transporte de gases entre a floresta e a atmosfera. O complexo é composto por mais duas torres de 80 metros, que, desde 2012, fazem medições de aerossóis e dos parâmetros do tempo, como temperatura, vento e radiação solar, em alta resolução. O observatório principal ainda possibilita pesquisas inéditas de química da atmosfera, processos de transporte de massa e energia na camada limite atmosférica e processos de formação e desenvolvimento de nuvens. Ex-secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTIC, o climatologista Carlos Nobre abordou formas de a cooperação internacional contribuir para consolidar a capacidade científica da Amazônia. "A ciência e tecnologia da antiga Alemanha Oriental era muito defasada em relação ao resto do mundo. Então, o país fez um programa de criação de inúmeros institutos, mais de 20, do zero. Quando iniciamos o LBA [Experimento de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia], não existia o Max Planck de Biogeoquímica, que hoje é um dos líderes desse observatório pelo lado europeu”. Para Nobre, o modelo alemão pode ser aplicado em diversos países em desenvolvimento. "Eu sempre me perguntei: por que não podemos fazer isso no Brasil? O que os experimentos internacionais poderiam legar para capacitar a Amazônia como um todo?", sugeriu. Outras propostas de Nobre dizem respeito a associar o "laboratório internacional perfeito" a programas locais de pós-graduação, tarefa cumprida pelo Atto; estabelecer parcerias com centros avançados no Brasil e no exterior para capacitação de pessoas; buscar a liderança de pesquisadores da Amazônia na maior parte dos trabalhos científicos; e viabilizar um apoio institucional de longo termo que assegure a continuidade e a consolidação do experimento, inclusive em relação à infraestrutura necessária.

Segundo o biólogo Adalberto Luis Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF, na sigla em alemão) aprovou uma proposta de 6 milhões de euros para a segunda etapa do projeto do observatório de Torre Alta da Amazônia. O projeto monitora os impactos das mudanças climáticas globais na floresta ao medir as interações com a atmosfera. "Para esta nova fase, ainda não há previsão de contrapartida nacional", disse, em mesa-redonda da 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). "O Brasil precisa viabilizar um apoio à altura para 2018, e a comunidade científica envolvida tem que ser ouvida, a fim de verificar as atuais necessidades", alertou. 
 
O projeto Torre Alta tem 325 metros de altura e está localizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, a 150 km em linha reta de Manaus (AM), e existe graças à parceria entre Brasil e Alemanha, com investimento inicial de R$ 26 milhões. Na primeira fase do projeto, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) investiu R$ 12 bilhões pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). "Os recursos ainda não foram totalmente alocados, mas tiveram um papel importante na construção das torres e na aquisição dos veículos", informou Val. "A parcela ainda não executada foi prorrogada até dezembro de 2018, quando poderemos finalizar toda a parte de infraestrutura”. Os recursos aconteceram entre 2009 a 2016. 
 
A Torre Atto é um experimento coordenado pelo Inpa, unidade de pesquisa do MCTIC, em conjunto com os institutos alemães Max Planck de Química e Max Planck de Biogeoquímica. Inaugurado em 2015, o projeto já publicou 52 artigos científicos em torno do estudo do clima na Amazônia. "No momento, temos 99 brasileiros e 88 estrangeiros, a maioria deles alemães, entre pós-doutores, alunos de pós-graduação, pesquisadores e técnicos", comentou Val.
 
De longo prazo, o Atto deve monitorar o clima na Amazônia durante 30 anos, por meio da coleta de dados sobre os processos de troca e transporte de gases entre a floresta e a atmosfera. O complexo é composto por mais duas torres de 80 metros, que, desde 2012, fazem medições de aerossóis e dos parâmetros do tempo, como temperatura, vento e radiação solar, em alta resolução. O observatório principal ainda possibilita pesquisas inéditas de química da atmosfera, processos de transporte de massa e energia na camada limite atmosférica e processos de formação e desenvolvimento de nuvens.
 
Ex-secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTIC, o climatologista Carlos Nobre abordou formas de a cooperação internacional contribuir para consolidar a capacidade científica da Amazônia. "A ciência e tecnologia da antiga Alemanha Oriental era muito defasada em relação ao resto do mundo. Então, o país fez um programa de criação de inúmeros institutos, mais de 20, do zero. Quando iniciamos o LBA [Experimento de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia], não existia o Max Planck de Biogeoquímica, que hoje é um dos líderes desse observatório pelo lado europeu”. Para Nobre, o modelo alemão pode ser aplicado em diversos países em desenvolvimento. "Eu sempre me perguntei: por que não podemos fazer isso no Brasil? O que os experimentos internacionais poderiam legar para capacitar a Amazônia como um todo?", sugeriu.  Outras propostas de Nobre dizem respeito a associar o "laboratório internacional perfeito" a programas locais de pós-graduação, tarefa cumprida pelo Atto; estabelecer parcerias com centros avançados no Brasil e no exterior para capacitação de pessoas; buscar a liderança de pesquisadores da Amazônia na maior parte dos trabalhos científicos; e viabilizar um apoio institucional de longo termo que assegure a continuidade e a consolidação do experimento, inclusive em relação à infraestrutura necessária.

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AMAZÔNIA
Ausência de fósforo impacta florestas

Em artigo publicado na revista Nature Geoscience no início de agosto, um grupo de pesquisadores, liderados pelo ecólogo David Lapola, da Unicamp, afirma que a ausência de fósforo na floresta amazônica pode impedir que árvores reajam ao aumento de gás carbônico atmosférico associado às mudanças climáticas. O estudo realizou simulações usando 14 modelos computacionais de vegetação para entender o que acontecerá com as árvores da região. Os pesquisadores avaliam que se submetida a estresse hídrico, a floresta amazônica poderia encolher, dando espaço para o avanço de uma vegetação mais típica de Cerrado. Entretanto, esta hipótese perdeu força após testes em regiões temperadas mostrarem que plantas podem ser capazes de superar as dificuldades a serem impostas pela mudança climática. Uma classe de experimentos chamada Free-Air Carbon Dioxide Enrichment (Face) indicou que, nas florestas de clima temperado, o CO2 ajuda na adaptação das árvores ao novo clima que enfrentarão. Para saber se essa premissa é válida também para florestas tropicais, um consórcio internacional liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) planejou um experimento similar a ser realizado ao norte de Manaus. A proposta do Amazon-Face consiste essencialmente em borrifar um grande volume de CO2 sobre algumas parcelas de floresta para estudar como as árvores ali reagem a uma maior concentração de carbono no ar. O projeto está em fase de implementação e requer conhecimento de como a floresta se comporta em condições naturais. “A ciência ainda sabe muito pouco sobre como as plantas da região fazem para burlar essa limitação de fósforo”, diz Lapola. “Muitas árvores em florestas tropicais – incluindo as da Amazônia – obtêm fósforo por meio de interação com fungos. A planta dá açúcar para o fungo, que fornece nutrientes para a planta. Mas não sabemos, por exemplo, se os fungos preservarão sua habilidade de desmineralizar fósforo do solo no contexto de mudança climática”. Dos 14 modelos matemáticos usados pelos cientistas do Amazon-Face para esse estudo, três consideravam apenas o ciclo de carbono e cinco também levavam em conta o nitrogênio. Outros seis incluíam o fósforo. Quando comparados uns com os outros, os resultados indicaram que a escassez de fósforo dos solos amazônicos comprometeria em cerca de 50% a capacidade das árvores de absorver o carbono extra que estará no ar. Medindo a produtividade líquida das plantas em gramas (g) de carbono absorvidos por metro quadrado a cada ano e considerando um cenário de alta concentração de CO2 no ar, as árvores chegariam a um valor de cerca de 160 g. Quando a escassez de fósforo era considerada na equação, porém, esse valor caía. Alguns modelos indicaram uma queda pequena, para 142 g. Outros sugeriram uma queda drástica, para 16 gramas. “De maneira geral, embora isso não seja exatamente um resultado ruim para a floresta amazônica, é um resultado ruim para o clima global”, afirma Marcos Heil Costa, líder do Grupo de Pesquisa em Interação Atmosfera-Biosfera da Universidade Federal de Viçosa (UFV). “Os resultados sugerem que a floresta amazônica teria um papel menos importante para sequestrar o carbono emitido pela humanidade por meio da queima de combustíveis fósseis, dificultando cada vez mais estabilizar a concentração de CO2 atmosférico”.

14 de agosto, 2019
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Torre Atto vai coletar dados na Amazônia

A partir de abril, o Observatório da Torre Alta da Amazônia (Atto, na sigla em inglês) começa a coletar dados que ajudarão cientistas a decifrar a interação entre a floresta, a atmosfera e o clima. Com 325 metros de altura, a torre foi construída no meio da floresta amazônica, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, a 150 km de Manaus (AM). A torre irá monitorar o clima na região amazônica por um período de 20 a 30 anos. A floresta tropical da Amazônia é um dos ecossistemas mais sensíveis do planeta, que desempenha papel importante na estabilização do clima. Nesta segunda fase, a Torre Atto será usada como instrumento de pesquisa para medições do fluxo de carbono e de aerossóis e das propriedades da vegetação. "Estamos nos preparando para o uso científico da torre", afirmou o gerente do Comitê Científico do Programa de Grande Escala Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Paulo Artaxo. Participaram pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Instituto Max Planck, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), além do Inpa. "A Torre Atto é um laboratório nacional e deve ser aberto para vários pesquisadores, independente de suas instituições", ressaltou Artaxo, que é pesquisador da USP. Inaugurada em agosto de 2015, a Torre Atto é um consórcio entre o governo brasileiro e alemão, executado pelo Inpa, unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), Instituto Max Planck de Química e Biogeoquímica e Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O investimento foi de aproximadamente R$ 26 milhões.

15 de março, 2017
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Filamentos mostram impactos na Floresta Amazônica

Para mensurar os efeitos do aumento da temperatura global sobre a floresta, cientistas do Instituto Mamirauá, em parceria com a Universidade de São Paulo, estão analisando os filamentos dos troncos de três espécies de árvores na Floresta Amazônica. "O que já sabemos é que o aumento da temperatura média do planeta é fruto da alta concentração de gases produzidos pelo homem. Por meio dos anéis de crescimento, temos a oportunidade de entender este fenômeno e ter mais informações sobre estas oscilações e seus efeitos sobre a floresta e as espécies que ocorrem lá", afirma o pesquisador Claudio Anholetto, do Instituto Mamirauá. Algumas árvores formam anéis de crescimento ano a ano e os círculos carregam uma série de informações sobre as espécies. É possível decifrar a idade de uma árvore e até as condições climáticas do ambiente em cada ano de vida da espécie estudada. A partir da análise estatística realizada com a utilização de softwares, os pesquisadores conseguem interpretar parte do histórico da árvore e relacionar as informações encontradas com os eventos climáticos, já registrados por pesquisadores em várias regiões do mundo. As três espécies escolhidas para o estudo foram a Seringa Barriguda (Hevea spruceana), o Mututi (Pterocarpus sp.) e o Arapari (Macrolobium acaciifolium), tradicionalmente encontradas na Amazônia. As coletas foram feitas na Reserva Mamirauá por meio de um trado, instrumento de aço em forma de T, que possui uma hélice cortante em sua ponta. O material será analisado no Laboratório de Anatomia, Identificação e Densitometria de Raios X da USP. Para garantir a confiabilidade das informações, são coletadas amostras em uma série de árvores. A partir dos padrões encontrados, a informação sobre o clima ao qual as árvores estavam submetidas em determinado espaço de tempo é filtrada. Para obter as informações a partir dos anéis de crescimento, são utilizados softwares de análise estatística. O pesquisador explica que os programas sincronizam as informações das amostras e retiram as tendências biológicas de crescimento, relacionadas às fases de vida das árvores. Cada medida de largura de anéis de crescimento é convertida em índices, e as variações de crescimento são comparadas com a média de crescimento de todas as árvores. Como resultado do aumento da temperatura do planeta, decorrente da alta emissão de gases de efeito estufa, o pesquisador destaca que os eventos extremos de seca ou de cheia na Amazônia devem ficar mais frequentes até o final do século. "Os desmatamentos já produzem um clima mais quente e seco na região. Isto, aliado à elevação da temperatura relacionado às mudanças climáticas globais, aumentaria o risco de incêndios florestais", diz. Os resultados do estudo com os anéis de crescimento das árvores também podem subsidiar estratégias com foco em políticas públicas para o Manejo Florestal Comunitário, por exemplo, com o estabelecimento do ciclo de corte, que é o período de repouso necessário para a recuperação da floresta, antes de um novo corte. E também a idade técnica de corte, que seria o diâmetro mínimo da árvore para a exploração.

24 de fevereiro, 2017
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BIOMAS
INCTOndaCBC monitora água e carbono na Caatinga

Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Observatório Nacional da Dinâmica da Água e do Carbono no Bioma da Caatinga (OndaCBC).vão realizar monitoramento da dinâmica da água e do carbono do bioma, além de verificar como eles e nutrientes impactam o clima no planeta. O INCT recebeu recursos da ordem de R$ 1,8 milhão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O centro é a mais nova rede multidisciplinar de pesquisa do Nordeste e irá contribuir para auxiliar na preservação do clima do planeta, desenvolvendo pesquisas experimentais em dinâmica de água e carbono no semiárido brasileiro. A rede é composta por pesquisadores nacionais e internacionais que atuam em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. O objetivo é reunir estudos já existentes sobre o assunto e organizar novos grupos de pesquisa nas instituições parceiras para conduzir estudos de longo prazo em escala regional, sistematizar o conhecimento, formar recursos humanos, além de subsidiar a formulação de políticas públicas para apoiar a adaptação dos sistemas de uso da terra à variabilidade climática da região. "Sabe-se que as mudanças climáticas irão afetar os fluxos de energia, vapor d´água e gás carbônico entre os ecossistemas e a atmosfera. Contudo, ainda existe uma falta de informações detalhadas caracterizando essas trocas entre a atmosfera e alguns ecossistemas de regiões tropicais, como a caatinga e as pastagens. Fica evidente que serão necessárias ações que viabilizem a adaptação a essas condições futuras", explica o coordenador do OndaCBC e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Antonio Celso Antonino. Os balanços de água e energia são fundamentais para compreensão dos processos ecológicos relacionados com o sequestro de carbono em ecossistemas terrestres. Muitos processos importantes que ocorrem nos ecossistemas, como a fotossíntese da flora e a produtividade da vegetação, estão associados às trocas de água e de energia. A adaptação dos sistemas de produção agropecuária para enfrentar a variabilidade climática futura requer, antes de tudo, um conhecimento detalhado sobre o estado atual e o funcionamento desses sistemas no presente. Os pesquisadores também pretendem verificar os modelos das mudanças no uso da terra, analisar as estimativas sobre a conversão da Caatinga em pastagens e áreas agrícolas, o efeito nos fluxos de gás carbônico e o nível de evapotranspiração (perda de água do solo para atmosfera a partir da evaporação), que são processos importantes para o entendimento de como ocorre a emissão e o sequestro de carbono e o respectivo impacto na modelagem dos efeitos das mudanças climáticas na região.

23 de janeiro, 2017
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AMAZÔNIA
Desmatamento cresce 24% até julho de 2015

Segundo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia atingiu 6.207 quilômetros quadrados entre agosto de 2014 e julho de 2015, o que configura aumento de 24% na comparação com o período anterior. “O Brasil assumiu um compromisso internacional na Conferência do Clima, no ano passado, mas os números atuais indicam que estamos indo na direção contrária do que é necessário para cumprir o acordo”, afirma o Diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), André Guimarães. A mudança no uso da terra ainda é a principal causa da emissão dos gases estufa no Brasil. Com o desmatamento da floresta amazônica, o País coloca em xeque a ratificação do Acordo de Paris, que deve entrar em vigor em 30 dias. Para conter o desmatamento na Amazônia é preciso investir em fiscalização, principalmente das áreas não designadas, e realizar monitoramento da aplicação de políticas públicas que incentivem a conservação, além de debater sobre o fim do desmatamento legal e ilegal. "O fim do desmatamento na Amazônia é urgente se quisermos ter um clima mais equilibrado e benéfico para a região, para a agricultura e para o país. Para chegar lá, será preciso ir além do comando e controle”, explica o pesquisador sênior do Ipam, Paulo Moutinho. “A conservação da floresta amazônica terá de ser compensada financeiramente. E o caminho mais promissor é o mecanismo de REDD+, atualmente em discussão no âmbito da Convenção de Mudança Climática da ONU." O Ipam propõe um sistema simples de distribuição de benefícios de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), chamado de “estoque-fluxo". Através destes sistemas, os estados que reduzirem suas emissões por desmatamentos e mantiverem florestas conservadas serão beneficiados. “Nós temos competência, capacidade e determinação para que o desmatamento da Amazônia seja controlado e o Brasil seja um manancial de boas práticas na gestão de florestas”, diz Guimarães. “Ao unirmos todas essas características, o país pode ajudar o mundo no controle das mudanças climáticas.”

13 de outubro, 2016
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MEIO AMBIENTE
Brasil e Alemanha assinam acordos de cooperação

Entre os dias 18 e 21 de agosto os governos de Brasil e Alemanha realizaram uma série de encontros em Brasília que originou a assinatura de alguns acordos na área de meio ambiente. Os países assinaram acordos de cooperação para a conservação florestal, e a regularização ambiental de imóveis rurais na Amazônia e em áreas de transição para o Cerrado. Serão investidos mais de R$ 183 milhões. Também foi assinado projeto entre os governos alemão e norueguês, para incrementar a cooperação técnica ao Fundo Amazônia. O objetivo do acordo de cooperação florestal visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa. “É preciso haver uma relação mais simétrica entre biodiversidade e clima”, defendeu a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “A biodiversidade está na base de tudo e precisa ser protagonista na agenda climática”. O embaixador da Alemanha no Brasil, Dirk Brengelmann, ressaltou os resultados brasileiros na conservação ambiental. “A redução do desmatamento na Amazônia é resultado impressionante”, afirmou. “O Brasil se tornou um modelo mundial em ações ambientais.” O Ministério do Meio Ambiente (MMA), a Caixa Econômica Federal e o KfW, o Banco de Desenvolvimento alemão, assinaram o contrato de contribuição financeira para viabilizar o Projeto de Regularização Ambiental de Imóveis Rurais na Amazônia e em Áreas de Transição para o Cerrado. Com duração de quatro anos, a medida destinará mais de R$ 84 milhões financiados pelo governo alemão para a cooperação. O projeto apoiará o Cadastro Ambiental Rural (CAR) dos imóveis de agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais de Rondônia, Mato Grosso e Pará. Também serão promovidas ações de recuperação dos passivos ambientais das áreas de preservação permanente e de reserva legal encontradas dentro desses terrenos. Com a medida, será possível realizar a regularização ambiental dos imóveis rurais brasileiros conforme o novo Código Florestal. A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, destacou a importância da ação para o setor. “O objetivo é proteger o meio ambiente produzindo alimentos”, defendeu. “A inovação tecnológica é um meio de evitar o desmatamento.” Em relação às Unidades de Conservação, a parceria entre MMA, o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e o Ministério Alemão para Cooperação e Desenvolvimento (BMZ), junto ao Banco Alemão de Desenvolvimento KfW, entra na 3ª fase do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), iniciado em 2003. O projeto terá o aporte superior a R$ 116 milhões por meio da cooperação financeira alemã para o Fundo de Transição. Esse Fundo é um mecanismo inovador com metas ambiciosas, como a de consolidar e segurar o financiamento sustentável de unidades de conservação em uma área igual ou superior a 60 milhões de hectares, o que corresponde aproximadamente ao território da França. Já o projeto de cooperação técnica “Apoio às Atividades de Fomento e de Concessão de Colaboração Financeira Não-Reembolsável no âmbito do Fundo Amazônia” receberá mais de R$ 14,6 milhões em investimentos. O cofinanciamento entre a Noruega, por meio da Agência Norueguesa para a Cooperação ao Desenvolvimento (Norad), e a Alemanha, representada pelo Ministério Alemão para Cooperação e Desenvolvimento (BMZ) viabilizará o projeto. O objetivo é melhorar os mecanismos do Fundo Amazônia, tornando-o cada vez mais eficaz no financiamento da proteção das florestas e do clima. O acordo representa a importante coordenação e harmonização entre os dois doadores. Brasil e Alemanha também firmaram acordo para reduzir o avanço das mudanças climáticas. A Chanceler Angela Merkel e a Presidente Dilma Rousseff anunciaram o compromisso de ambos os países na “descarbonização” de suas economias. A meta é garantir o desenvolvimento sustentável e contribuir para limitar o aumento da temperatura média global em 2° C. “São ações comuns para enfrentar uma das grandes questões do século 21, o aquecimento global. Nesse sentido, o nosso compromisso com a descarbonização é algo muito relevante”, declarou Dilma Rousseff. Os recordes brasileiros na redução de emissões por meio do combate ao desmatamento foram destacados pela chanceler alemã. “O Brasil deu um grande passo para chegar a esse patamar”, afirmou Angela Merkel. “Estamos satisfeitos com a agenda ambiciosa em torno da questão climática.” Segundo ela, a transição para a economia livre de carbono ocorrerá ao longo deste século. “É importante que cada país faça o possível para limitar o aquecimento global”, acrescentou. O governo federal já alcançou redução significativa com ações implantadas para cumprir o compromisso anterior de cortar entre 36,1% e 38,9% das emissões de carbono até 2020. Esse percentual foi adotado em caráter voluntário pelo Brasil, em 2009. “O Brasil já assumiu essa meta anterior, que vem sendo cumprida adequadamente”, destacou Dilma Rousseff. “A futura meta será uma declaração de ambição à altura dos atuais desafios.” A Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu a união dos países com território na bacia amazônica para promover a reconstituição da floresta. “Estamos construindo o Arpa amazônico”, informou, referindo-se ao programa do Governo Federal criado para expandir, consolidar e manter uma parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) no Bioma Amazônia, protegendo pelo menos 50 milhões de hectares e promovendo o desenvolvimento sustentável da região. De acordo com a ministra, o Brasil está reforçando os acordos multilaterais amazônicos e levando assistência técnica e financeira com apoio do Fundo Amazônia, a esses países. Izabella espera que em breve o sistema de monitoramento e a taxa de desmatamento possam se estender a todo o bioma. “Não precisamos levar 20 anos para convencê-los a ter uma taxa de restauração florestal”, avaliou.

25 de agosto, 2015