Publicidade
RESÍDUOS

Usina em Ponta Grossa transforma lixo em energia para prédios públicos

Usina em Ponta Grossa transforma lixo em energia para prédios públicos

Projeto gera eletricidade a partir de resíduos orgânicos, abastecendo escolas e unidades de saúde e reduzindo custos para o município

Em operação desde 2021, a Usina Termoelétrica a Biogás (UTB), implementada pela Ponta Grossa Ambiental (PGA), vem convertendo resíduos orgânicos em eletricidade limpa e renovável. Localizada em Ponta Grossa (PR), a estrutura processa o lixo urbano arrecadado seletivamente e gera energia que abastece diretamente 46 prédios públicos municipais, incluindo escolas, postos de saúde e o Paço Municipal.

O processo utiliza tecnologia de biodigestão anaeróbia: o lixo orgânico é encaminhado por caminhão elétrico a um galpão fechado, onde é separado, triturado e submetido a análises. Dois biodigestores transformam essa matéria em biogás, o qual alimenta grupos motogeradores com capacidade instalada de 520 kW. Essa energia, então, é injetada na rede da concessionária local, COPEL.

Além de reduzir o envio de toneladas de resíduos ao aterro sanitário, o modelo promove economia aos cofres públicos — estima-se uma economia mensal de cerca de R$ 250 mil — e ajuda a mitigar emissões de gases de efeito estufa. A usina também conta com um laboratório interno que monitora a qualidade do biogás e investe no desenvolvimento de novas tecnologias no setor.

Reconhecida pela inovação, a UTB foi indicada em 2024 ao Prêmio Nacional de Inovação em Saneamento, promovido pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto, na categoria valorização de resíduos. A cidade de Ponta Grossa se destaca internacionalmente ao integrar coleta seletiva, uso de caminhão 100% elétrico e produção de energia sustentável, demonstrando que é possível alinhar gestão pública e tecnologia ambiental com resultados concretos.

Artigos Relacionados

Saneamento Ambiental Logo
BIOGÁS
Unidade em Itaipu produz 17 mil m³

A unidade de Demonstração de Biogás e Biometano instalada nas dependências da usina hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), produziu 17.458 m³ de biometano em 2018. O volume é suficiente para abastecer a frota dos 80 veículos da Itaipu movidos a este combustível. Estes carros percorreram 210 mil km ao longo de 2018, o equivalente a cinco voltas ao redor do planeta Terra. “A planta de biometano é uma experiência de sucesso porque mostramos que é possível dominar a tecnologia de produção deste gás. Itaipu é, hoje no cenário nacional, umas das instituições que mais se destacam em relação à gestão adequada dos resíduos e a transformação de um passivo ambiental em um recurso para mobilidade”, considerou o chefe da Assessoria de Energias Renováveis de Itaipu, Paulo Afonso Schmidt. A unidade foi inaugurada em 2017 por meio de uma parceria entre a Itaipu e o Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás). Para produzir o biometano foi realizado tratamento de todo o resíduo orgânico gerado nos restaurantes da Itaipu, além de parte da poda da grama e de outros materiais enviados por entidades parceiras. No total, foram tratadas 155 toneladas de resíduos. Como subproduto, foram produzidos 48 mil litros de biofertilizante, que é usado como adubo nos canteiros e gramados da usina. Ao longo do ano, foi evitada a emissão de 1.260 kg de gases causadores do efeito estufa. “Em 2018, nós fizemos parceria com algumas entidades como, por exemplo, a Polícia Federal, que nos enviou uma apreensão de feijão que estava sendo usada para carregar droga”, destacou a engenheira mecânica Larissa Schmoeller, analista de Projetos do CIBiogás. “Pegando resíduos de fora, além de aumentarmos nossa produção, nós podemos testar vários tipos diferentes de substratos para fazer pesquisas da viabilidade daquela matéria-prima”, concluiu. Outra parceria foi com a Receita Federal que enviou uma carga de cigarro para ser usada como matéria-prima do biometano. “O cigarro se mostrou bastante útil. A Receita tem uma máquina que separa o papel e filtro do fumo, o que facilita nosso trabalho”, explicou Paulo Schmidt. A planta usa tecnologia 100% nacional e pode ser replicada em indústrias, cooperativas, hotéis, além de servir como política pública para as prefeituras resolverem o problema do lixo urbano e atenderem às exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos de eliminar os lixões entre 2018 e 2021. A unidade utiliza diversas matérias-primas testadas anteriormente em laboratórios, e, dependendo do resultado, o resíduo orgânico pode ser triturado e misturado com outros. Posteriormente, ele é levado aos biodigestores onde acontece a degradação da matéria-prima por microorganismos de forma anaeróbica. São 60 minutos dentro do biodigestor, gerando dois produtos: o gás e um substrato seco. O substrato é tratado e usado como biofertilizante e por ter alto teor de nitrogênio, fósforo e potássio é utilizado para recompor o solo, além de ajudar nas áreas verdes da Itaipu, como canteiros e gramados. Já o biogás vai para dois gasômetros flexíveis com capacidade de armazenamento de 500m³ diários. O biogás passa por processo de refino, onde são retirados o gás sulfídrico (enxofre), CO2 e água. O produto final, com 96% de pureza, tem as características exatas do gás natural. O biometano é pressurizado em 150 bars, para poder ser armazenado, abastecer os cilindros dos veículos e ser utilizado.

29 de janeiro, 2019
Saneamento Ambiental Logo
RESÍDUOS
CS Bioenergia obtém licença para gerar energia

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) concedeu Licença de Operação para a CS Bioenergia gerar energia elétrica a partir de resíduos orgânicos descartados por shoppings, restaurantes, supermercados, entre outros. Cerca de 300 toneladas de resíduos orgânicos descartados anteriormente em aterros e lixões serão destinados, a partir de agora, à geração de energia limpa e renovável. Com a Licença de Operação, a usina poderá aproveitar o recurso energético de resíduos sólidos urbanos e gerar energia elétrica e térmica a partir da combinação do lodo de esgoto com adição de material orgânico. Essa é a primeira usina no Brasil com essa configuração. “O lodo de esgoto com adição dos resíduos orgânicos é a perfeita combinação para geração do biogás de altíssima qualidade, que será utilizado para geração de 2,8 MW de energia elétrica e térmica, energia suficiente para atender à demanda de duas mil casas populares” afirma o diretor da Cattalini Bio Energia, sócia da CS Bioenergia, Sérgio Vidoto. O diretor conta que a tecnologia empregada separa material fibroso (inorgânico) do orgânico, que é bombeado para os tanques de biodigestão e misturado com 1.000 m3 de lodo de esgoto. Cada tanque tem capacidade de 5.000 m3 e todos são totalmente vedados, aquecidos, além de possuírem vários agitadores para fins de homogeneização. Toda a biomassa é degradada por microorganismos em um processo anaeróbio e produz biogás de altíssima qualidade. A planta é monitorada 24 horas por dia, 365 dias por ano. A boa condição de funcionamento possibilita a geração de 12 milhões de m3 de biogás, que serão convertidos em 22.400 MW de energia elétrica. A usina tem ainda como subproduto um biofertilizante inodoro de alta qualidade, que contém nutrientes importantes para aplicação na agricultura, completando o ciclo de aproveitamento de todo material orgânico. Além do biofertilizante, o material inorgânico também é aproveitado. O material inorgânico é usado como matéria-prima para produção de sacolas plásticas, fechando o ciclo dos resíduos e atuando diretamente na economia circular.

2 de março, 2018
Saneamento Ambiental Logo
BIOGÁS
Geração de energia com resíduos do Ceasa-PR

A CS Bioenergia iniciou mais uma etapa de implantação de sua usina de biogás, ao receber 30 toneladas de resíduos do Ceasa (Centro de Abastecimento do Paraná S/A), um dos grandes geradores da região metropolitana de Curitiba, para comissionar o maquinário e efetuar testes preliminares de funcionamento. Os resíduos são compostos de embalagens, sacolas plásticas e em sua fração orgânica de restos alimentares, frutas, vegetais, entre outros. “A tecnologia implantada é o estado da arte em separação de resíduos sólidos, o moinho de martelo corta, tritura, diluí e separa os resíduos, o que nos permite reaproveitar o máximo da fração orgânica. Após a certificação, a usina pode receber diariamente um volume de até 200 toneladas de resíduos”, afirma Fabiana Campos, presidente da CS Bioenergia. Segundo ela, o material coletado é transportado até a usina em caminhões, que depositam os resíduos em um banker que transporta automaticamente para o moinho de martelo, que tritura e separa a fração orgânica das embalagens. Esta fração é bombeada até os biodigestores, onde é misturada ao lodo de esgoto da estação de tratamento. A massa homogeneizada é agitada através de agitadores e aquecida, O sistema de separação rotativo integrado separa e direciona a fração orgânica para os tanques de biodigestão através de bombas. O sistema integrado corta as embalagens, lava e separa para serem reaproveitados como combustível alternativo. A CS Bioenergia já opera gerando biogás a partir do lodo da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Belém. A capacidade de geração da usina, quando estiver com capacidade máxima, é de 2,8 MW, energia suficiente para atender à demanda de duas mil casas populares. Falta apenas a aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a conexão da energia na rede. “O objetivo agora é conectar a planta à rede de distribuição da Copel (Companhia Paranaense de Energia). Aguardamos somente a liberação do órgão regulador, a Aneel, o que deve acontecer em janeiro de 2018”, prevê Fabiana Campos.

19 de janeiro, 2018
Saneamento Ambiental Logo
SUSTENTABILIDADE
Dejetos de suínos geram energia no Paraná

Através de um convênio firmado entre a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), as edificações e a iluminação pública de Entre Rios do Oeste, município situado na região Oeste do Paraná, utilizarão energia gerada a partir de resíduos da suinocultura e avicultura. Na primeira fase do projeto, que terá início em janeiro de 2016, serão investidos R$ 17 milhões para dotar 19 propriedades rurais de biodigestores, que armazenarão os dejetos. Por meio do processo de biogestão, é produzido biogás, que é canalizado para uma central termelétrica com potência instalada de 480 kilowatts (kW). A infraestrutura contará com 22 km de biogasodutos. O sistema é semelhante ao já empregado pela Itaipu, CIBiogás e outros parceiros em um projeto que une 34 produtores da microbacia do rio Ajuricaba, em Marechal Cândido Rondon. Porém, enquanto em Rondon a produção diária é de 800 m³ de gás, em Entre Rios a produção nesta fase inicial será de 5 mil m³, com capacidade para chegar a até 17 mil m³ nas etapas posteriores. O comunicado oficial garante que os 480 kW desta fase inicial serão suficientes para suprir toda a demanda da prefeitura, abrangendo edificações públicas (como escolas, postos de saúde e repartições), iluminação pública e outros serviços que demandam energia, como poços artesianos. Os produtores rurais serão remunerados proporcionalmente à energia gerada. “Neste mês, a conta de luz da prefeitura é de 82 mil reais”, informou o prefeito. “Nossa expectativa é que o projeto comece a dar resultados já em 2016”, completou. Com uma população de 4 mil pessoas e um plantel de aproximadamente 130 mil suínos, Entre Rios está transformando um enorme passivo ambiental em fator de desenvolvimento. Jorge Samek, diretor-geral brasileiro da Itaipu, explica que “o gás metano (resultado da decomposição dos dejetos) é venenoso para a atmosfera. Ao transformá-lo em energia, estamos transformando um problema em solução e viabilizando, do ponto de vista ecológico, um aumento na produção. Ou seja, com esse sistema, é possível produzir mais e gerar mais emprego e renda, sem prejudicar o meio ambiente”. O projeto poderá ser replicado em outras regiões do Paraná, dando mais sustentabilidade à produção pecuária estadual.

15 de dezembro, 2015