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COVID-19

Vírus é identificado em esgoto

Segundo o projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos, com duração inicial de dez meses, o novo coronavírus foi detectado em oito entre 26 amostras (31%) na primeira semana dos trabalhos de campo. Das oito amostras positivas, três foram coletadas na sub-bacia do Ribeirão Arrudas e cinco na sub-bacia do Ribeirão do Onça (Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais). As coletas foram realizadas de 13 a 24 de abril de 2020. O projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos tem o objetivo de monitorar a presença do novo coronavírus nos efluentes de Belo Horizonte e Contagem (Minas Gerais), gerando dados para a sociedade e ajudando gestores na tomada de decisão. O trabalho é fruto de Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis - UFMG), em parceria com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA) e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). Com a continuidade dos estudos, o grupo pretende identificar tendências e alterações na ocorrência do vírus nas diferentes regiões analisadas, para entender a prevalência e a dinâmica de circulação do vírus. O estudo teve início com o monitoramento de 16 dos 24 pontos nos quais será realizada a coleta de amostras. A coleta completa, nos 24 pontos, passará a ser realizada a partir da primeira semana de maio. Os pesquisadores envolvidos no estudo reforçam que não há evidências da transmissão do vírus, ainda com potencial de causar a infecção da COVID-19, através das fezes (transmissão feco-oral) e que o objetivo da pesquisa é mapear os esgotos para indicar áreas com maior incidência da transmissão, por exemplo. Com os dados obtidos, será possível verificar a ocorrência do novo coronavírus por região, o que pode direcionar a adoção ou não de medidas de relaxamento consciente do isolamento social, além de permitir avisos com antecedência dos riscos de aumento de incidência da COVID-19 de forma regionalizada, embasando a tomada de decisão dos gestores públicos. “Como o estudo está sendo desenvolvido de forma regionalizada, buscando identificar a ocorrência do novo coronavírus em áreas com baixos e elevados índices de vulnerabilidade social, a expectativa é que este também possa contribuir, de forma indireta, para se estimar o número de pessoas infectadas em cada uma das regiões estudadas”, afirmam os pesquisadores, no primeiro Boletim. Os resultados preliminares da pesquisa serão divulgados na forma de mapas dinâmicos, que possibilitarão acompanhamento da evolução espacial e temporal da ocorrência do vírus. As coletas de amostras foram realizadas nas sub-bacias dos ribeirões Arrudas e Onça, que recebem os efluentes gerados por uma população urbana da ordem de 2,2 milhões de pessoas (cerca de 71% da população urbana de Belo Horizonte e Contagem). Do total de pontos monitorados, 22 são representativos do esgoto bruto gerado pela população e pelos hospitais de referência para o tratamento da COVID-19 nestas duas sub-bacias. Os outros dois pontos representam os efluentes das principais estações de tratamento de esgoto em cada sub-bacia. Os primeiros dados podem ser conferidos no boletim https://www.ana.gov.br/noticias/monitoramento-covid-esgotos-constata-presenca-do-coronavirus-em-primeiras-coletas/boletim-01_04-de-maio-de-2020_-monitoramento-covid-esgotos_final.pdf .

Segundo o projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos, com duração inicial de dez meses, o novo coronavírus foi detectado em oito entre 26 amostras (31%) na primeira semana dos trabalhos de campo. Das oito amostras positivas, três foram coletadas na sub-bacia do Ribeirão Arrudas e cinco na sub-bacia do Ribeirão do Onça (Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais). As coletas foram realizadas de 13 a 24 de abril de 2020. O projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos tem o objetivo de monitorar a presença do novo coronavírus nos efluentes de Belo Horizonte e Contagem (Minas Gerais), gerando dados para a sociedade e ajudando gestores na tomada de decisão.

O trabalho é fruto de Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis - UFMG), em parceria com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA) e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

Com a continuidade dos estudos, o grupo pretende identificar tendências e alterações na ocorrência do vírus nas diferentes regiões analisadas, para entender a prevalência e a dinâmica de circulação do vírus. O estudo teve início com o monitoramento de 16 dos 24 pontos nos quais será realizada a coleta de amostras. A coleta completa, nos 24 pontos, passará a ser realizada a partir da primeira semana de maio. Os pesquisadores envolvidos no estudo reforçam que não há evidências da transmissão do vírus, ainda com potencial de causar a infecção da COVID-19, através das fezes (transmissão feco-oral) e que o objetivo da pesquisa é mapear os esgotos para indicar áreas com maior incidência da transmissão, por exemplo.

Com os dados obtidos, será possível verificar a ocorrência do novo coronavírus por região, o que pode direcionar a adoção ou não de medidas de relaxamento consciente do isolamento social, além de permitir avisos com antecedência dos riscos de aumento de incidência da COVID-19 de forma regionalizada, embasando a tomada de decisão dos gestores públicos. “Como o estudo está sendo desenvolvido de forma regionalizada, buscando identificar a ocorrência do novo coronavírus em áreas com baixos e elevados índices de vulnerabilidade social, a expectativa é que este também possa contribuir, de forma indireta, para se estimar o número de pessoas infectadas em cada uma das regiões estudadas”, afirmam os pesquisadores, no primeiro Boletim.

Os resultados preliminares da pesquisa serão divulgados na forma de mapas dinâmicos, que possibilitarão acompanhamento da evolução espacial e temporal da ocorrência do vírus. As coletas de amostras foram realizadas nas sub-bacias dos ribeirões Arrudas e Onça, que recebem os efluentes gerados por uma população urbana da ordem de 2,2 milhões de pessoas (cerca de 71% da população urbana de Belo Horizonte e Contagem). Do total de pontos monitorados, 22 são representativos do esgoto bruto gerado pela população e pelos hospitais de referência para o tratamento da COVID-19 nestas duas sub-bacias. Os outros dois pontos representam os efluentes das principais estações de tratamento de esgoto em cada sub-bacia. Os primeiros dados podem ser conferidos no boletim https://www.ana.gov.br/noticias/monitoramento-covid-esgotos-constata-presenca-do-coronavirus-em-primeiras-coletas/boletim-01_04-de-maio-de-2020_-monitoramento-covid-esgotos_final.pdf.

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SANEAMENTO
Riscos de doenças em municípios menores

O Instituto Trata Brasil acaba de lançar a ampliação da plataforma ‘Painel Saneamento Brasil’ com indicadores de 2019 de 251 novos municípios entre 50 mil e 140 mil habitantes. Segundo o instituto, o ano de 2020 será marcado pela COVID-19, mas, em uma escala local, por um novo momento após a aprovação do novo Marco Legal do Saneamento. Segundo números oficiais do Ministério do Desenvolvimento Regional, de 2018, o Brasil possui aproximadamente 35 milhões de brasileiros sem acesso à água potável (equivalente à população do Canadá), mesmo para lavar as mãos e se proteger da COVID-19. Em relação ao esgotamento, há mais de 100 milhões de pessoas sem o serviço (equivalente a 2 vezes a população da Espanha); apenas 46% dos esgotos gerados são tratados. Isto significa que o Brasil despeja diariamente cerca de 5.700 piscinas olímpicas de esgoto na natureza. As perdas nas redes de distribuição estão acima dos 38%, índice pior que há oito anos. Neste momento, reta final de 2020, o Trata Brasil completa a plataforma com mais 251 novos municípios situados em 21 estados, nas cinco regiões. Com isto, o instituto chega a 839 maiores localidades do Brasil, especialmente as cidades acima de 50 mil habitantes que, juntas, contemplam mais de 70% da população, ou seja, mais de 145 milhões de habitantes. Segundo o Trata Brasil, 76,6% desta população tinha acesso à água tratada e apenas 32,1% aos serviços de coleta de esgoto. Significa que nessas localidades ainda havia quase 2,5 milhões de pessoas sem água tratada e 7,2 milhões sem coleta de esgoto. O volume de água consumida nessas cidades alcançou 403,857 milhões de m³ e o volume de esgoto tratado 94,518 milhões de m³. Isto mostra que apenas 23,4% dos esgotos gerados foram tratados, ou seja, ¾ do esgoto retornou ao meio ambiente sem qualquer tipo de tratamento, o que equivale a descartar, por ano, 124 mil piscinas olímpicas de esgoto. Essas carências também se refletiram nos indicadores socioeconômicos desses novos municípios. Foram 6,7 mil internações por doenças de veiculação hídrica em 2018, ou seja, uma incidência de 6,26 casos por 10 mil habitantes. “Temos como missão cada vez informar a mais brasileiros sobre as carências de saneamento onde vivem. No início nos preocupávamos mais com as grandes cidades, as capitais, mas os novos números mostram que o déficit é ainda maior nos municípios menores, e isso aumenta os riscos a essa população”, disse Édison Carlos, presidente-executivo do Instituto Trata Brasil. Os índices de coleta e tratamento de esgotos são baixos e isso se reflete diretamente na qualidade de vida das pessoas e do meio ambiente.

12 de outubro, 2020
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ESGOTO
Parceria quer identificar SARS-CoV-2 em Macaé

A BRK Ambiental, a Vitaltec Engenharia e o Instituto SENAI de Inovação em Química Verde (ISI QV), ligado à Firjan SENAI, assinaram parceria inédita para viabilizar políticas de combate ao novo coronavírus. O objetivo é desenvolver método inédito para a avaliação da presença do material genético do vírus SARS-CoV-2 no esgoto que chega às estações de tratamento em Macaé (RJ). O projeto é financiado pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) e conta com o apoio da prefeitura Municipal, que colocará à disposição as equipes técnicas das secretarias de Saúde, Saneamento e de Meio Ambiente. A tecnologia utiliza um novo sistema de ultrafiltração, produzido com uma nova membrana feita de polímero, combinada com a técnica de RT-PCR em tempo real. A metodologia otimizada será capaz de detectar com precisão a presença muito pequena do material genético do vírus causador da COVID-19 nas amostras. Os resultados gerados por este método poderão atuar como um indicador da densidade de pacientes positivos na região. "Pesquisas ao redor do mundo já identificaram a presença do vírus no esgoto de grandes centros urbanos. No entanto, foram usados métodos diferentes para esta avaliação e as amostras são geralmente complexas, o que pode gerar sérias imprecisões quanto aos dados obtidos. Com a adoção de um método-padrão, inédito no país, temos condições de tornar as análises mais precisas e ter uma real visão da propagação da doença em uma região", explica o pesquisador do Instituto SENAI de Inovação em Química Verde, Alex Queiroz. Para validar o método proposto serão coletados materiais em pontos estratégicos do município de Macaé e a expectativa é de que os resultados permitam estimar o real nível de contaminação na cidade, considerando que uma parcela dos pacientes com Covid-19 pode não apresentar sintomas evidentes, porém são capazes de transmitir o vírus para outras pessoas. "Com este projeto, estamos investindo no desenvolvimento de uma ferramenta que poderá ser de extrema utilidade para as políticas de combate ao coronavírus. Os resultados vão servir como uma base de informações para o monitoramento do avanço da pandemia em Macaé", comenta Sinval Andrade, diretor da BRK Ambiental no Rio de Janeiro. Dentre os participantes do projeto, a BRK responderá pelo suporte tecnológico em relação aos processos de tratamento de esgoto; o Instituto SENAI de Inovação em Química Verde realizará os ensaios laboratoriais; a Vitaltec Engenharia vai desenvolver o sistema de ultrafiltração e a prefeitura de Macaé vai promover apoio logístico e institucional. "A necessidade de mais informações acerca da doença é um novo desafio para a humanidade. E a parceria para o levantamento de dados tão relevantes se alia às demais ferramentas que estamos utilizando no município, como os testes em massa, para fazermos o melhor no combate a esta doença", reforça o prefeito de Macaé, Dr. Aluizio.

10 de agosto, 2020
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COVID-19
Espanha monitora vírus em rede de esgoto

Com a constatação de que o vírus da COVID-19 é eliminado nas fezes dos pacientes infectados, uma equipe de especialistas da Universidade de Barcelona, liderada pelo Dr. Albert Bosch, em parceria com a Suez - companhia que administra as redes de água e esgoto das regiões da Catalunha, Múrcia e Valência - desenvolveu uma solução denominada COVID-19 City Sentinel. A solução monitora águas residuais e quantifica a presença do vírus SARS-CoV-2. Uma ferramenta que combina um plano de amostragem adaptado, análise rápida de RT-qPCR e acesso a um observatório digital já está implementada e em operação nestas regiões para monitorar a evolução do vírus nas águas residuais e antecipar o surgimento de possíveis novos surtos na população. Por meio deste sistema de vigilância, será possível monitorar ainda mais localidades no território espanhol já em um curto espaço de tempo. Essa plataforma permite ao gestor público visualizar graficamente os dados, por meio de um mapa dinâmico do município, com uma setorização por áreas de influência que facilita o rastreamento da origem do SARS-CoV-2, além de servir como um observatório único de informações agregadas, combinando os resultados analíticos com os indicadores de evolução da saúde no município. Também permite que as administrações públicas e de saúde prestem mais atenção a instalações e edifícios críticos e de alto risco, como residências, hospitais ou centros de saúde, bem como a edifícios exclusivos com alta ocupação. A Suez disponibiliza a experiência e o conhecimento das redes de esgoto para setorizar o município em áreas de influência que ajudam a rastrear a origem do SARS-CoV-2 quando é detectado. "A vigilância do SARS-CoV-2 no esgoto doméstico pode permitir-nos avançar para os casos de COVID-19 no intuito de adotar medidas efetivas imediatas contra uma possível nova onda de infecções", explica o Dr. Albert Bosch. "A Suez disponibiliza aos gestores públicos e à rede de negócios o observatório digital SARS-CoV-2 mais relevante sobre águas residuais, combinando seu conhecimento em operações avançadas de rede e em técnicas de detecção rápida de patógenos, com dados e anos de experiência em vigilância epidemiológica", destaca o CEO da Suez Espanha, Manuel Cermerón. Segundo Federico Lagreca, diretor comercial da Suez para o Brasil, seria perfeitamente possível a implantação operacional dessa tecnologia. No entanto, o maior entrave ainda é o mais básico: onde a epidemia mais avança é nos locais onde há mais carência de saneamento. "Este é mais um exemplo do quanto o saneamento básico é fundamental como um elemento estruturante de saúde pública. Se tivéssemos no Brasil um acesso universalizado como nos países mais desenvolvidos, seria possível monitorar a partir de agora o surgimento de novas ondas, e mais, indicando por meio das redes o local onde o surto está iniciando", diz Lagreca.

20 de julho, 2020
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ÁGUA&ESGOTO
Presença do novo coronavírus não significa a transmissão da doença

Por Léo Heller * Artigo publicado na revista médica The Lancet por Willemijn Lodder e Ana María de Roda Husman, do Centro de Controle de Doenças Infecciosas da Holanda, indicou a presença de RNA do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no esgoto de cidades como Paris e Amsterdã e nas fezes de doentes pela Covid-19. Apesar de a descoberta ter causado preocupação, especialistas ligados ao Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento - ONDAS apontam que a presença de vestígios do vírus no esgoto não significa necessariamente que a Covid-19 seja transmitida dessa maneira e lembram que o vírus não se reproduz na natureza sem um hospedeiro. Até o momento, não existe relato de transmissão do novo coronavírus por água ou esgoto, o que demonstra, de acordo com esses especialistas, a necessidade de uma análise abrangente e mais sutil para testar a hipótese de possível transmissão fecal-oral da Covid-19. É o que afirma o Prof. Dr. Léo Heller, relator especial da ONU para os Direitos Humanos à Água e ao Esgotamento Sanitário e conselheiro do ONDAS, em artigo produzido em conjunto com mais dois pesquisadores brasileiros e publicado no Science of The Total Environment, v.729, 2020. (para ler a versão traduzida, clique aqui) . No artigo, os autores argumentam que a dinâmica ambiental e a persistência da infectividade viral devem ser consideradas na proposta de um marco analítico para testar a hipótese fecal-oral, desvelando as diferentes rotas ambientais das fezes até a boca de uma pessoa suscetível. Também alertam que esse marco não deve ser visto como uma confirmação da hipótese. Por fim, concluem os autores: "considerando que 2,2 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso à água gerenciada de forma segura e 4,2 bilhões a saneamento gerenciado de forma segura, a possível contenção do COVID-19 por meio do acesso a esses serviços é, por si só, uma justificativa para estabelecer medidas imediatas para mitigar a exposição de pessoas que vivem nas situações mais vulneráveis a doenças de transmissão feco-oral". Presença na água A estrutura morfológica e química do SARS-CoV-2 é similar a outros coronavírus já conhecidos e a própria Organização Mundial da Saúde -OMS admite a similaridade entre eles em termos de persistência na água e de resistência à inativação por desinfecção, mas afirma também que, embora possível, não há evidências da persistência de quaisquer coronavírus em água. O engenheiro sanitarista Alex Moura de Souza Aguiar e o Prof. Dr. Rafael Kopschitz Xavier Bastos reforçam que, até agora, não há quaisquer evidências que a transmissão possa ocorrer por consumo de água tratada. "O SARS-CoV-2 é um vírus envelopado, envolto por uma membrana lipídica externa frágil, tornando-o suscetível à ação de oxidação da radiação do sol, do cloro ou de outro desinfetante empregado no tratamento da água. Dessa forma, tudo indica que o tratamento convencional da água seja suficiente para a remoção/inativação efetiva do SARS-CoV-2, principalmente a etapa da desinfecção com cloro, que é o desinfetante mais comumente utilizado no Brasil", explica Alex Moura. Esgoto pode servir para descobrir circulação do vírus A importância dos estudos sobre a presença do novo coronavírus no esgoto e na água, para além dos riscos de transmissão, é instrumento importante que pode servir como fonte de dados para descobrir se o vírus está circulando entre a população e em quais regiões, por exemplo. Os especialistas afirmam que isso poderá servir como uma ferramenta epidemiológica barata e não invasiva para alertar contra surtos da doença. O INCT - Etes Sustentáveis está desenvolvendo pesquisa com este objetivo em Belo Horizonte. A página do ONDAS - Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento vem divulgando sistematicamente artigos relevantes de especialistas abordando os nexos entre os direitos humanos à água e ao saneamento e a atual pandemia, com foco nos segmentos mais vulneráveis da população. * Léo Heller, relator da ONU e conselheiro do ONDAS

25 de maio, 2020
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ÁGUAS RESIDUAIS
CSIRO detecta presença do SARS-CoV2'

Pesquisadores da Universidade de Queensland (UQ), na Austrália, e da agência científica australiana CSIRO demonstraram a presença do SARS-CoV2, o vírus que causa a doença COVID-19, em águas residuais não tratadas na Austrália (esgoto). Um estudo de prova de conceito foi concluído ao usar amostras de águas residuais de duas estações de tratamento de águas residuais no sudeste de Queensland, representando populações que vivem na região de Brisbane. Pesquisadores da UQ e CSIRO descobriram fragmentos de RNA do SARS-CoV2 em esgoto não tratado que teria sido derramado no fluxo de águas residuais por pessoas infectadas com COVID-19. "Este é um grande desenvolvimento que permite a vigilância da propagação do vírus pelas comunidades australianas", disse o professor o diretor da Aliança para Ciências da Saúde Ambiental de Queensland da UQ, professor Kevin Thomas. Segundo o professor, o método validado foi desenvolvido com base em trabalhos de grupos de pesquisa na Holanda e nos Estados Unidos. O Ministro Federal da Saúde, Greg Hunt, disse: "O piloto de vigilância de águas residuais COVID-19 é extremamente encorajador e tem o potencial de fortalecer ainda mais a resposta da Austrália à pandemia global". "Um programa nacional com base neste trabalho poderia ser adicionado ao conjunto mais amplo de medidas que nosso governo pode usar na identificação e contenção do COVID-19". O diretor executivo da CSIRO, Dr. Larry Marshall, disse que o teste ajudaria a Austrália a gerenciar o COVID-19. "A esperança é que, eventualmente, seremos capazes de não apenas detectar as regiões geográficas onde o COVID-19 está presente, mas o número aproximado de pessoas infectadas - sem testar todos os indivíduos em um local. Isso dará ao público uma melhor noção de quão bem nós estamos contendo essa pandemia", afirmou Marshall. O diretor de ciências da terra e da água do CSIRO, Dr. Paul Bertsch, afirma que o projeto mostra capacidade australiana em fornecer dados oportunos de vigilância de águas residuais COVID-19. "Esses dados serão particularmente úteis para bacias hidrográficas com populações vulneráveis, onde os testes usando outros métodos podem não ser viáveis", disse Bertsch. A equipe deseja compartilhar os novos conhecimentos e métodos para desenvolver uma colaboração nacional. "Espera-se que esta pesquisa reúna uma colaboração nacional de autoridades governamentais, empresas de saneamento, universidades e outras organizações de pesquisa e laboratórios comerciais", disse o professor Thomas. O professor disse que a pesquisa utilizou amostragem e análises sistemáticas de águas residuais para o SARS-CoV-2, usando uma abordagem padronizada e coordenada com base em métodos analíticos refinados. "As amostras de águas residuais foram analisadas em busca de fragmentos específicos de ácido nucleico do vírus usando a análise RT-PCR, que é usada para identificar um fragmento genético do SARS-CoV2", disse ele. "A presença de SARS-CoV2 em amostras específicas de águas residuais foi então confirmada usando técnicas de sequenciamento".

27 de abril, 2020
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ATIBAIA
Rodízio de funcionários para manter serviço

A Atibaia Saneamento mantém uma PPP com a SAAE no município para os serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto. Como um serviço essencial à sociedade mesmo em tempos de pandemia do coronavírus, a companhia mantém um rodízio diário de funcionários para execução de atividades, como desobstruções de rede e limpezas de ramais, além de outros que se encontram operando as ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto) e realizando as análises para garantir o tratamento e a destinação adequada dos efluentes. Habitualmente, os funcionários já adotavam uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s), porém a prática foi intensificada e foi adicionado o álcool gel como item indispensável para a higiene das mãos e equipamentos. “Quando mantemos ativos os serviços de saneamento básico como coleta e tratamento de esgoto, garantimos um risco a menos para a saúde da população. É um privilégio para mim e meus amigos de trabalho sabermos que estamos contribuindo ativamente para que o coronavírus seja contido na cidade”, contou Cleberson Felix dos Santos, que há três anos trabalha como encarregado operacional na Atibaia Saneamento. “Utilizamos todos os EPIs adequados para desempenhar as atividades com segurança e responsabilidade. Sabemos que o saneamento básico traz dignidade para o ser humano e melhora a qualidade de vida do cidadão”, disse Santos. A gerente operacional da Atibaia Saneamento, Indiara Jogas, afirma que o momento é de cautela e a recomendação da OMS é de que as pessoas reforcem a higiene pessoal e lavem frequentemente as mãos com água e sabão. “Na linha de frente da Atibaia Saneamento, temos verdadeiros heróis nas ruas e nas ETEs. Agradecemos o esforço de toda a nossa equipe que segue comprometida em manter a continuidade da prestação dos nossos serviços”. De acordo com o diretor operacional da Atibaia Saneamento, Eduardo Caldeira, a população pode contar com os serviços da empresa. “Estamos com nossas equipes nas ruas desempenhando todos os serviços essenciais para o bom funcionamento do sistema de esgotamento sanitário do município, considerando que, para combater esse vírus, é imprescindível manter não só a higiene pessoal, mas também a coletiva”, alertou o diretor. A companhia adotou algumas medidas para resguardar e garantir a segurança dos colaboradores que estarão nessa linha de frente. “Elaboramos um Plano de Contingência com base nas orientações da OMS e do MS e treinamos nossos colaboradores sobre a importância de cada ação abordada no Plano como a constante higienização das mãos e das ferramentas, o distanciamento social e o uso dos EPIs, como máscaras de proteção e luvas, durante a execução de serviços que exijam maior exposição, como as desobstruções de rede e coleta de efluentes”, explicou Eduardo.

13 de abril, 2020
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CORONAVÍRUS
Abes orienta sobre gestão dos resíduos

A limpeza urbana e o manejo dos resíduos sólidos, com coleta regular e disposição em aterros sanitários, são serviços essenciais para garantir a saúde da população. Entretanto, na atual situação de pandemia do Covid-19, é essencial proteger a saúde dos trabalhadores do setor. Para esclarecer sobre o assunto, a ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental) elaborou um Informe Técnico com orientações para os gestores municipais, empresas prestadoras de serviços, garis e cooperativas de catadores. Estudos internacionais mostram que o Coronavírus é bastante persistente em materiais como plástico (5 dias), papel (4-5 dias), vidro (4 dias), madeira (4 dias), aço (2 dias), luvas cirúrgicas (8 horas), alumínio (2-8 horas), entre outros. Portanto, é fundamental neste momento manter um serviço de coleta regular dos resíduos, assim como a limpeza das ruas. Já a coleta seletiva, transporte e de manejo nas Instalações de Recuperação dos Resíduos tornam-se inviáveis neste período, devido aos riscos que apresentam e devem ser paralisados. Para garantir o sustento dos catadores, a ABES recomenda que os governos locais instituam um Auxílio Social Temporário para essas pessoas. Como responsabilidade das empresas contratadas, a ABES recomenda a identificação, avaliação e proteção dos riscos dos seus profissionais; a utilização de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e EPCs (Equipamentos de Proteção Coletiva); a implantação de um programa de educação e treinamento; a higienização constante do ambiente de trabalho, equipamentos e veículos; a limpeza de ruas com sistemas de umedecimento ou mecanizada; a disponibilização de álcool gel e sabão para lavagem das mãos em todos os ambientes de trabalho; e a liberação do trabalho do pessoal do grupo de risco; entre outras ações. Para os cidadãos, a ABES orienta que os resíduos produzidos pelo paciente em isolamento no domicílio e por quem lhe prestar assistência, em caso suspeito ou confirmado de infecção por Covid-19, devem ser: separados e colocados em sacos de lixo resistentes e descartáveis; fechados com lacre ou nó e utilizados em até 2/3 de sua capacidade e acondicionado em outro saco limpo, resistente e descartável, de modo a não causar problemas para o trabalhador da coleta e nem para o meio ambiente. De acordo com a ABES, tomados os cuidados descritos, esses resíduos podem ser encaminhados normalmente para a coleta de resíduos urbanos. A ABES alerta ainda que se o paciente estiver em condomínio, é necessário informar ao síndico ou responsável as medidas de segurança e higiene do coletor ou funcionário destinado à função. O ideal é que esses resíduos sejam descartados em sacos plásticos vermelhos. A ABES espera, com a publicação do Informe Técnico, ampliar a colaboração na redução do impacto da pandemia do Coronavírus: protegendo a população; melhorando as condições de trabalho e higiene dos profissionais; e garantindo renda para os trabalhadores da limpeza que tiverem suas atividades interrompidas. O documento foi elaborado por integrantes da Comissão de Estudos Especiais de Resíduos de Serviços de Saúde da Associação Brasileira de Normas Técnicas (CEE 129 ABNT) e pelas Câmaras Temáticas Nacionais da ABES de Resíduos Sólidos, Saúde Ambiental e Comunicação.

6 de abril, 2020