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ÁGUAS RESIDUAIS

CSIRO detecta presença do SARS-CoV2'

Pesquisadores da Universidade de Queensland (UQ), na Austrália, e da agência científica australiana CSIRO demonstraram a presença do SARS-CoV2, o vírus que causa a doença COVID-19, em águas residuais não tratadas na Austrália (esgoto). Um estudo de prova de conceito foi concluído ao usar amostras de águas residuais de duas estações de tratamento de águas residuais no sudeste de Queensland, representando populações que vivem na região de Brisbane. Pesquisadores da UQ e CSIRO descobriram fragmentos de RNA do SARS-CoV2 em esgoto não tratado que teria sido derramado no fluxo de águas residuais por pessoas infectadas com COVID-19. "Este é um grande desenvolvimento que permite a vigilância da propagação do vírus pelas comunidades australianas", disse o professor o diretor da Aliança para Ciências da Saúde Ambiental de Queensland da UQ, professor Kevin Thomas. Segundo o professor, o método validado foi desenvolvido com base em trabalhos de grupos de pesquisa na Holanda e nos Estados Unidos. O Ministro Federal da Saúde, Greg Hunt, disse: "O piloto de vigilância de águas residuais COVID-19 é extremamente encorajador e tem o potencial de fortalecer ainda mais a resposta da Austrália à pandemia global". "Um programa nacional com base neste trabalho poderia ser adicionado ao conjunto mais amplo de medidas que nosso governo pode usar na identificação e contenção do COVID-19". O diretor executivo da CSIRO, Dr. Larry Marshall, disse que o teste ajudaria a Austrália a gerenciar o COVID-19. "A esperança é que, eventualmente, seremos capazes de não apenas detectar as regiões geográficas onde o COVID-19 está presente, mas o número aproximado de pessoas infectadas - sem testar todos os indivíduos em um local. Isso dará ao público uma melhor noção de quão bem nós estamos contendo essa pandemia", afirmou Marshall. O diretor de ciências da terra e da água do CSIRO, Dr. Paul Bertsch, afirma que o projeto mostra capacidade australiana em fornecer dados oportunos de vigilância de águas residuais COVID-19. "Esses dados serão particularmente úteis para bacias hidrográficas com populações vulneráveis, onde os testes usando outros métodos podem não ser viáveis", disse Bertsch. A equipe deseja compartilhar os novos conhecimentos e métodos para desenvolver uma colaboração nacional. "Espera-se que esta pesquisa reúna uma colaboração nacional de autoridades governamentais, empresas de saneamento, universidades e outras organizações de pesquisa e laboratórios comerciais", disse o professor Thomas. O professor disse que a pesquisa utilizou amostragem e análises sistemáticas de águas residuais para o SARS-CoV-2, usando uma abordagem padronizada e coordenada com base em métodos analíticos refinados. "As amostras de águas residuais foram analisadas em busca de fragmentos específicos de ácido nucleico do vírus usando a análise RT-PCR, que é usada para identificar um fragmento genético do SARS-CoV2", disse ele. "A presença de SARS-CoV2 em amostras específicas de águas residuais foi então confirmada usando técnicas de sequenciamento".

Pesquisadores da Universidade de Queensland (UQ), na Austrália, e da agência científica australiana CSIRO demonstraram a presença do SARS-CoV2, o vírus que causa a doença COVID-19, em águas residuais não tratadas na Austrália (esgoto). Um estudo de prova de conceito foi concluído ao usar amostras de águas residuais de duas estações de tratamento de águas residuais no sudeste de Queensland, representando populações que vivem na região de Brisbane. 

Pesquisadores da UQ e CSIRO descobriram fragmentos de RNA do SARS-CoV2 em esgoto não tratado que teria sido derramado no fluxo de águas residuais por pessoas infectadas com COVID-19. "Este é um grande desenvolvimento que permite a vigilância da propagação do vírus pelas comunidades australianas", disse o professor o diretor da Aliança para Ciências da Saúde Ambiental de Queensland da UQ, professor Kevin Thomas. Segundo o professor, o método validado foi desenvolvido com base em trabalhos de grupos de pesquisa na Holanda e nos Estados Unidos. 

O Ministro Federal da Saúde, Greg Hunt, disse: "O piloto de vigilância de águas residuais COVID-19 é extremamente encorajador e tem o potencial de fortalecer ainda mais a resposta da Austrália à pandemia global". "Um programa nacional com base neste trabalho poderia ser adicionado ao conjunto mais amplo de medidas que nosso governo pode usar na identificação e contenção do COVID-19". 

O diretor executivo da CSIRO, Dr. Larry Marshall, disse que o teste ajudaria a Austrália a gerenciar o COVID-19. "A esperança é que, eventualmente, seremos capazes de não apenas detectar as regiões geográficas onde o COVID-19 está presente, mas o número aproximado de pessoas infectadas - sem testar todos os indivíduos em um local. Isso dará ao público uma melhor noção de quão bem nós estamos contendo essa pandemia", afirmou Marshall. 

O diretor de ciências da terra e da água do CSIRO, Dr. Paul Bertsch, afirma que o projeto mostra capacidade australiana em fornecer dados oportunos de vigilância de águas residuais COVID-19. "Esses dados serão particularmente úteis para bacias hidrográficas com populações vulneráveis, onde os testes usando outros métodos podem não ser viáveis", disse Bertsch.

A equipe deseja compartilhar os novos conhecimentos e métodos para desenvolver uma colaboração nacional. "Espera-se que esta pesquisa reúna uma colaboração nacional de autoridades governamentais, empresas de saneamento, universidades e outras organizações de pesquisa e laboratórios comerciais", disse o professor Thomas. O professor disse que a pesquisa utilizou amostragem e análises sistemáticas de águas residuais para o SARS-CoV-2, usando uma abordagem padronizada e coordenada com base em métodos analíticos refinados. "As amostras de águas residuais foram analisadas em busca de fragmentos específicos de ácido nucleico do vírus usando a análise RT-PCR, que é usada para identificar um fragmento genético do SARS-CoV2", disse ele. "A presença de SARS-CoV2 em amostras específicas de águas residuais foi então confirmada usando técnicas de sequenciamento".

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ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
Possibilidades para monitorar contaminantes

Um estudo internacional de pesquisadores liderados pelo Prof Matthew Currell, na RMIT – que inclui a ANSTO – e publicado na Water Research descobriu uma combinação de técnicas isotópicas e convencionais que pode distinguir entre várias fontes de contaminantes que impactam as águas subterrâneas em ambientes complexos. O estudo mostra um meio melhor de caracterizar a natureza e o tempo de como as águas residuais afetam as águas subterrâneas subjacentes, o que poderia ter implicações significativas para um melhor monitoramento, gestão e ação corretiva globalmente. O artigo mostrou que o monitoramento de rotina, isótopos estáveis e radioativos e contaminantes de preocupação emergente (CECs), forneceu informações precisas na identificação da fonte de poluentes em estação de tratamento de água localizada nas proximidades de terras agrícolas em Victoria, Austrália. O cientista de pesquisa ambiental Dr. Dioni Cendon, especialista em águas subterrâneas e coautor, supervisionou as medições dos isótopos estáveis e radioativos na ANSTO para o estudo e ajudou na interpretação de todos os dados. "Há uma necessidade de técnicas robustas e sensíveis que possam distinguir claramente entre a contaminação que pode vir de efluentes de águas residuais e outras fontes", disse Cendon. "Onde houver possível contaminação contemporânea e legada de vários pontos e condições hidrogeológicas complexas, o uso de um único traçador de água subterrânea pode não ser suficiente”. Além de validar a abordagem para delinear as fontes de contaminação, os dados sugeriram que as instalações de tratamento atuais e anteriores tiveram um impacto nas águas subterrâneas adjacentes e abaixo da estação de tratamento de águas residuais que fica em um local 100 km ao sul de Melbourne. A estação de tratamento de águas residuais está rodeada por terrenos agrícolas utilizados para horticultura e pecuária, onde existe uma vasta utilização de fertilizantes e sistemas de irrigação. Os sistemas de irrigação usam água subterrânea e água reciclada da estação de tratamento. O estudo descobriu que a qualidade da água subterrânea estava sendo afetada pelas águas residuais e fontes agrícolas. Medições de nutrientes nas águas subterrâneas sugeriram concentrações elevadas de nitratos e amônia, mas não foram capazes de distinguir entre as fontes. Os dados de isótopos radioativos indicaram que vazamentos recentes agiram como uma janela de 'recarga' das águas subterrâneas, vazando efluentes tratados ou parcialmente tratados para as águas subterrâneas subjacentes. “A gestão e o tratamento de águas residuais e resíduos sólidos em instalações em todo o mundo apresentam grandes desafios ambientais, que incluem impactos de contaminantes em preciosas fontes de água subterrânea, que estão se tornando mais importantes com os desafios climáticos”, disse Cendon. Recentemente, em uma pesquisa anterior do Prof Currell, o candidato William McCance da RMIT identificou a possibilidade de usar 'contaminantes de preocupação emergente' (CECs) como uma ferramenta para identificar a contaminação de águas residuais de outras fontes. Depois de considerar uma variedade de CECs de produtos farmacêuticos, produtos de higiene pessoal, ingredientes alimentícios e herbicidas, a equipe escolheu três com base em seus critérios de seleção: carbamazepina (um medicamento anticonvulsivante para epilepsia), simazina (um herbicida) e sulfametoxazol (um antibiótico). A proporção de dois contaminantes, carbamazepina e simazina, sugeriu que a composição do efluente mudou ao longo do tempo, o que pode ter resultado de melhorias na infraestrutura da estação de tratamento. “As estações de tratamento de águas residuais centralizadas ajudam a fornecer condições de vida sanitárias para mais de 5 bilhões de pessoas, mas isso vem junto com desafios ambientais. O monitoramento simples não é suficiente para entender os impactos potenciais. O uso de técnicas combinadas, conforme validado nesta pesquisa, pode ajudar a preservar importantes recursos hídricos subterrâneos e ambientes locais", disse Cendon.

14 de setembro, 2020
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ESGOTO
Parceria quer identificar SARS-CoV-2 em Macaé

A BRK Ambiental, a Vitaltec Engenharia e o Instituto SENAI de Inovação em Química Verde (ISI QV), ligado à Firjan SENAI, assinaram parceria inédita para viabilizar políticas de combate ao novo coronavírus. O objetivo é desenvolver método inédito para a avaliação da presença do material genético do vírus SARS-CoV-2 no esgoto que chega às estações de tratamento em Macaé (RJ). O projeto é financiado pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) e conta com o apoio da prefeitura Municipal, que colocará à disposição as equipes técnicas das secretarias de Saúde, Saneamento e de Meio Ambiente. A tecnologia utiliza um novo sistema de ultrafiltração, produzido com uma nova membrana feita de polímero, combinada com a técnica de RT-PCR em tempo real. A metodologia otimizada será capaz de detectar com precisão a presença muito pequena do material genético do vírus causador da COVID-19 nas amostras. Os resultados gerados por este método poderão atuar como um indicador da densidade de pacientes positivos na região. "Pesquisas ao redor do mundo já identificaram a presença do vírus no esgoto de grandes centros urbanos. No entanto, foram usados métodos diferentes para esta avaliação e as amostras são geralmente complexas, o que pode gerar sérias imprecisões quanto aos dados obtidos. Com a adoção de um método-padrão, inédito no país, temos condições de tornar as análises mais precisas e ter uma real visão da propagação da doença em uma região", explica o pesquisador do Instituto SENAI de Inovação em Química Verde, Alex Queiroz. Para validar o método proposto serão coletados materiais em pontos estratégicos do município de Macaé e a expectativa é de que os resultados permitam estimar o real nível de contaminação na cidade, considerando que uma parcela dos pacientes com Covid-19 pode não apresentar sintomas evidentes, porém são capazes de transmitir o vírus para outras pessoas. "Com este projeto, estamos investindo no desenvolvimento de uma ferramenta que poderá ser de extrema utilidade para as políticas de combate ao coronavírus. Os resultados vão servir como uma base de informações para o monitoramento do avanço da pandemia em Macaé", comenta Sinval Andrade, diretor da BRK Ambiental no Rio de Janeiro. Dentre os participantes do projeto, a BRK responderá pelo suporte tecnológico em relação aos processos de tratamento de esgoto; o Instituto SENAI de Inovação em Química Verde realizará os ensaios laboratoriais; a Vitaltec Engenharia vai desenvolver o sistema de ultrafiltração e a prefeitura de Macaé vai promover apoio logístico e institucional. "A necessidade de mais informações acerca da doença é um novo desafio para a humanidade. E a parceria para o levantamento de dados tão relevantes se alia às demais ferramentas que estamos utilizando no município, como os testes em massa, para fazermos o melhor no combate a esta doença", reforça o prefeito de Macaé, Dr. Aluizio.

10 de agosto, 2020
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ARTIGO
Por que a COVID-19 mostrou que o saneamento universal é mais que uma questão de saúde pública

Por Daniel Neves * A situação das moradias inadequadas é uma preocupação social de longa data. Com a pandemia causada pela Covid-19, a necessidade de uma infraestrutura que ofereça suporte a toda a população tornou essa questão ainda mais evidente. As recomendações de higienização, fundamentais no combate ao contágio, encontram um grande obstáculo em sua acessibilidade: a falta de saneamento básico para toda a população. Importante lembrar aqui que saneamento básico é o nome dado ao conjunto de medidas e serviços necessários à adaptação de um ambiente para a obtenção de condições saudáveis para a vida humana e o bem-estar social. Estão nesse conjunto a infraestrutura para abastecimento de água, o esgotamento sanitário, o manejo de resíduos sólidos (da logística à destinação), a coleta de lixo, a limpeza urbana e o escoamento de águas pluviais. No Brasil, a questão é regulamentada pela Lei nº. 11.445/2007 , que descreve essas ações como direitos dos cidadãos e uma garantia a todos. Na prática, porém, esses direitos são de apenas uma parte deles, já que somente metade da população tem acesso a esses serviços, segundo dados do Trata Brasil, sendo que mais de 35 milhões sequer têm acesso à água potável. Nos grandes centros urbanos, as regiões periféricas sofrem constantemente com interrupções no fornecimento, com água sem o tratamento adequado ou com lacunas no planejamento da coleta de lixo e das redes de esgoto, o que causa contaminação das áreas habitadas. A população dessas regiões, não raro, convive com esgotos a céu aberto e é a mais afetadas por surtos de dengue, zika, cólera e muitas outras doenças que proliferam em ambientes com infraestrutura e higiene precárias. Como isso impacta a expansão da pandemia? A primeira recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o combate à Covid-19 é a lavagem frequente das mãos e a higienização de ambientes comuns. Como fazer isso quando há escassez de água? Outro ponto importante é o contato com secreções corporais, como saliva e suor. Como garantir isso em casas com um único banheiro ou, no caso de 1,5 milhão de domicílios do país, sem banheiro algum? No caso da destinação do esgoto, a situação é ainda mais delicada. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que somente 68,3% das residências possuem acesso adequado à rede geral de esgotos. Milhões de brasileiros enfrentam uma realidade em que a higienização adequada é prejudicada pela própria falta de escoamento adequado para a produção de resíduos de suas residências. Uma realidade é preocupante é a presença do novo coronavírus no esgoto. Uma pesquisa realizada pela ANA (Agência Nacional de Águas), juntamente com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e com a Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais, encontrou o coronavírus em bacias de rios que recebem escoamento de esgoto. A bacia do Rio Onça, que corta a cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, teve a presença do vírus em 100% de suas amostras. Conter a proliferação de um vírus que contamina as águas que servem para limpar e alimentar não deve ser a única preocupação na garantia do acesso ao saneamento. Lidar com essa situação é uma preocupação mundial e que vai muito além da instalação de redes de esgoto, já que engloba toda a lógica de planejamento urbano, debate que ganhou ainda mais relevância durante a pandemia e exige ações de curto prazo para sua resolução. Um dos passos mais importantes é transformar um direito em uma realidade prática e empírica. E o marco do saneamento, aprovado pelo Senado na última semana, representa uma resposta significativa à mais que necessária mudança nas vidas de milhões de brasileiros. Apesar da ampla controvérsia relacionada à aprovação, da rapidez com que foi aprovada a matéria desde a retomada do debate e da abertura de licitações para prestação dos serviços (que não serão mais, por definição, prestados por órgãos públicos), o marco determina dois fatores imprescindíveis para a resolução de qualquer projeto que se pretende tornar material: uma data e um orçamento. O prazo de 12 anos parece ousado quando consideramos um problema que carece de solução há décadas, mas representa uma meta praticável, segundo os estudos apresentados pelo relator do projeto, a um custo estimado de R$ 700 bilhões de reais que, espera-se, deverá ser ampliado apenas em casos extremos de inviabilidade financeira comprovada. Além dos 5 milhões de empregos, segundo estimativas do próprio Senado, que deverão ser gerados pela universalização do saneamento no país, o projeto deverá ter impactos econômicos que vão além de setores como a construção civil e de serviços, devendo afetar positivamente a indústria, o comércio e, até mesmo, o turismo. Mesmo com todo o otimismo acerca do marco, e suas polêmicas, há ainda uma questão premente: por que foram necessários tantos anos e uma pandemia para firmar um compromisso de acesso a um direito básico para 99% da população, no caso de água limpa, e a 90%, no caso do tratamento de esgoto? A aprovação de um projeto de lei e sua execução pelo “fazer valer” são elementos que têm um peso relevante em qualquer mudança de paradigma, mas eles tendem a encontrar a luz do dia após pressão social ou ampla defesa de interesses de setores importantes da sociedade. Ao longo das últimas décadas, a questão do saneamento contou com contribuições mais que necessárias por parte da sociedade civil para tornar um projeto como o marco uma realidade, mas careceu da adequada articulação do setor privado em sua defesa. O diálogo aproximativo entre lideranças, sejam políticas, sociais ou empresariais, é o que se mostrou como base para realizar transformações sociais de larga escala, não apenas no Brasil, mas em muitos outros países. Tal aproximação não deve ocorrer como fruto apenas dos interesses dos grupos que essas lideranças representam, mas do propósito ao qual servem. Toda transformação começa com um esforço coletivo. Agora, temos uma meta e um compromisso institucional como nação na garantia do saneamento universal. Precisamos assumir nossos compromissos como organizações e lideranças responsáveis por tornar essa, e muitas outras metas sociais importantes, uma realidade. * Daniel Neves é diretor-geral da Wavin no Brasil

3 de agosto, 2020
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COVID-19
Espanha monitora vírus em rede de esgoto

Com a constatação de que o vírus da COVID-19 é eliminado nas fezes dos pacientes infectados, uma equipe de especialistas da Universidade de Barcelona, liderada pelo Dr. Albert Bosch, em parceria com a Suez - companhia que administra as redes de água e esgoto das regiões da Catalunha, Múrcia e Valência - desenvolveu uma solução denominada COVID-19 City Sentinel. A solução monitora águas residuais e quantifica a presença do vírus SARS-CoV-2. Uma ferramenta que combina um plano de amostragem adaptado, análise rápida de RT-qPCR e acesso a um observatório digital já está implementada e em operação nestas regiões para monitorar a evolução do vírus nas águas residuais e antecipar o surgimento de possíveis novos surtos na população. Por meio deste sistema de vigilância, será possível monitorar ainda mais localidades no território espanhol já em um curto espaço de tempo. Essa plataforma permite ao gestor público visualizar graficamente os dados, por meio de um mapa dinâmico do município, com uma setorização por áreas de influência que facilita o rastreamento da origem do SARS-CoV-2, além de servir como um observatório único de informações agregadas, combinando os resultados analíticos com os indicadores de evolução da saúde no município. Também permite que as administrações públicas e de saúde prestem mais atenção a instalações e edifícios críticos e de alto risco, como residências, hospitais ou centros de saúde, bem como a edifícios exclusivos com alta ocupação. A Suez disponibiliza a experiência e o conhecimento das redes de esgoto para setorizar o município em áreas de influência que ajudam a rastrear a origem do SARS-CoV-2 quando é detectado. "A vigilância do SARS-CoV-2 no esgoto doméstico pode permitir-nos avançar para os casos de COVID-19 no intuito de adotar medidas efetivas imediatas contra uma possível nova onda de infecções", explica o Dr. Albert Bosch. "A Suez disponibiliza aos gestores públicos e à rede de negócios o observatório digital SARS-CoV-2 mais relevante sobre águas residuais, combinando seu conhecimento em operações avançadas de rede e em técnicas de detecção rápida de patógenos, com dados e anos de experiência em vigilância epidemiológica", destaca o CEO da Suez Espanha, Manuel Cermerón. Segundo Federico Lagreca, diretor comercial da Suez para o Brasil, seria perfeitamente possível a implantação operacional dessa tecnologia. No entanto, o maior entrave ainda é o mais básico: onde a epidemia mais avança é nos locais onde há mais carência de saneamento. "Este é mais um exemplo do quanto o saneamento básico é fundamental como um elemento estruturante de saúde pública. Se tivéssemos no Brasil um acesso universalizado como nos países mais desenvolvidos, seria possível monitorar a partir de agora o surgimento de novas ondas, e mais, indicando por meio das redes o local onde o surto está iniciando", diz Lagreca.

20 de julho, 2020
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ÁGUA&ESGOTO
Presença do novo coronavírus não significa a transmissão da doença

Por Léo Heller * Artigo publicado na revista médica The Lancet por Willemijn Lodder e Ana María de Roda Husman, do Centro de Controle de Doenças Infecciosas da Holanda, indicou a presença de RNA do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no esgoto de cidades como Paris e Amsterdã e nas fezes de doentes pela Covid-19. Apesar de a descoberta ter causado preocupação, especialistas ligados ao Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento - ONDAS apontam que a presença de vestígios do vírus no esgoto não significa necessariamente que a Covid-19 seja transmitida dessa maneira e lembram que o vírus não se reproduz na natureza sem um hospedeiro. Até o momento, não existe relato de transmissão do novo coronavírus por água ou esgoto, o que demonstra, de acordo com esses especialistas, a necessidade de uma análise abrangente e mais sutil para testar a hipótese de possível transmissão fecal-oral da Covid-19. É o que afirma o Prof. Dr. Léo Heller, relator especial da ONU para os Direitos Humanos à Água e ao Esgotamento Sanitário e conselheiro do ONDAS, em artigo produzido em conjunto com mais dois pesquisadores brasileiros e publicado no Science of The Total Environment, v.729, 2020. (para ler a versão traduzida, clique aqui) . No artigo, os autores argumentam que a dinâmica ambiental e a persistência da infectividade viral devem ser consideradas na proposta de um marco analítico para testar a hipótese fecal-oral, desvelando as diferentes rotas ambientais das fezes até a boca de uma pessoa suscetível. Também alertam que esse marco não deve ser visto como uma confirmação da hipótese. Por fim, concluem os autores: "considerando que 2,2 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso à água gerenciada de forma segura e 4,2 bilhões a saneamento gerenciado de forma segura, a possível contenção do COVID-19 por meio do acesso a esses serviços é, por si só, uma justificativa para estabelecer medidas imediatas para mitigar a exposição de pessoas que vivem nas situações mais vulneráveis a doenças de transmissão feco-oral". Presença na água A estrutura morfológica e química do SARS-CoV-2 é similar a outros coronavírus já conhecidos e a própria Organização Mundial da Saúde -OMS admite a similaridade entre eles em termos de persistência na água e de resistência à inativação por desinfecção, mas afirma também que, embora possível, não há evidências da persistência de quaisquer coronavírus em água. O engenheiro sanitarista Alex Moura de Souza Aguiar e o Prof. Dr. Rafael Kopschitz Xavier Bastos reforçam que, até agora, não há quaisquer evidências que a transmissão possa ocorrer por consumo de água tratada. "O SARS-CoV-2 é um vírus envelopado, envolto por uma membrana lipídica externa frágil, tornando-o suscetível à ação de oxidação da radiação do sol, do cloro ou de outro desinfetante empregado no tratamento da água. Dessa forma, tudo indica que o tratamento convencional da água seja suficiente para a remoção/inativação efetiva do SARS-CoV-2, principalmente a etapa da desinfecção com cloro, que é o desinfetante mais comumente utilizado no Brasil", explica Alex Moura. Esgoto pode servir para descobrir circulação do vírus A importância dos estudos sobre a presença do novo coronavírus no esgoto e na água, para além dos riscos de transmissão, é instrumento importante que pode servir como fonte de dados para descobrir se o vírus está circulando entre a população e em quais regiões, por exemplo. Os especialistas afirmam que isso poderá servir como uma ferramenta epidemiológica barata e não invasiva para alertar contra surtos da doença. O INCT - Etes Sustentáveis está desenvolvendo pesquisa com este objetivo em Belo Horizonte. A página do ONDAS - Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento vem divulgando sistematicamente artigos relevantes de especialistas abordando os nexos entre os direitos humanos à água e ao saneamento e a atual pandemia, com foco nos segmentos mais vulneráveis da população. * Léo Heller, relator da ONU e conselheiro do ONDAS

25 de maio, 2020
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COVID-19
Vírus é identificado em esgoto

Segundo o projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos, com duração inicial de dez meses, o novo coronavírus foi detectado em oito entre 26 amostras (31%) na primeira semana dos trabalhos de campo. Das oito amostras positivas, três foram coletadas na sub-bacia do Ribeirão Arrudas e cinco na sub-bacia do Ribeirão do Onça (Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais). As coletas foram realizadas de 13 a 24 de abril de 2020. O projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos tem o objetivo de monitorar a presença do novo coronavírus nos efluentes de Belo Horizonte e Contagem (Minas Gerais), gerando dados para a sociedade e ajudando gestores na tomada de decisão. O trabalho é fruto de Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis - UFMG), em parceria com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA) e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). Com a continuidade dos estudos, o grupo pretende identificar tendências e alterações na ocorrência do vírus nas diferentes regiões analisadas, para entender a prevalência e a dinâmica de circulação do vírus. O estudo teve início com o monitoramento de 16 dos 24 pontos nos quais será realizada a coleta de amostras. A coleta completa, nos 24 pontos, passará a ser realizada a partir da primeira semana de maio. Os pesquisadores envolvidos no estudo reforçam que não há evidências da transmissão do vírus, ainda com potencial de causar a infecção da COVID-19, através das fezes (transmissão feco-oral) e que o objetivo da pesquisa é mapear os esgotos para indicar áreas com maior incidência da transmissão, por exemplo. Com os dados obtidos, será possível verificar a ocorrência do novo coronavírus por região, o que pode direcionar a adoção ou não de medidas de relaxamento consciente do isolamento social, além de permitir avisos com antecedência dos riscos de aumento de incidência da COVID-19 de forma regionalizada, embasando a tomada de decisão dos gestores públicos. “Como o estudo está sendo desenvolvido de forma regionalizada, buscando identificar a ocorrência do novo coronavírus em áreas com baixos e elevados índices de vulnerabilidade social, a expectativa é que este também possa contribuir, de forma indireta, para se estimar o número de pessoas infectadas em cada uma das regiões estudadas”, afirmam os pesquisadores, no primeiro Boletim. Os resultados preliminares da pesquisa serão divulgados na forma de mapas dinâmicos, que possibilitarão acompanhamento da evolução espacial e temporal da ocorrência do vírus. As coletas de amostras foram realizadas nas sub-bacias dos ribeirões Arrudas e Onça, que recebem os efluentes gerados por uma população urbana da ordem de 2,2 milhões de pessoas (cerca de 71% da população urbana de Belo Horizonte e Contagem). Do total de pontos monitorados, 22 são representativos do esgoto bruto gerado pela população e pelos hospitais de referência para o tratamento da COVID-19 nestas duas sub-bacias. Os outros dois pontos representam os efluentes das principais estações de tratamento de esgoto em cada sub-bacia. Os primeiros dados podem ser conferidos no boletim https://www.ana.gov.br/noticias/monitoramento-covid-esgotos-constata-presenca-do-coronavirus-em-primeiras-coletas/boletim-01_04-de-maio-de-2020_-monitoramento-covid-esgotos_final.pdf .

12 de maio, 2020
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LÍTIO
Austrália pode reciclar e reutilizar baterias

De acordo com o relatório "Reciclagem de baterias de lítio na Austrália" do CSIRO, o país da Oceania pode se tornar o líder em reutilização e reciclagem de baterias de lítio-íon. O estudo aponta que este tipo de lixo cresce 20% ao ano mundialmente. O levantamento aborda a crescente demanda por tecnologia de lítio, atualmente usada em grandes quantidades em dispositivos eletrônicos e domésticos. As baixas taxas de reciclagem de baterias podem ser superadas através de uma melhor compreensão da importância da reciclagem, melhores processos de coleta e da implementação de formas de reciclagem eficientes. Hoje em dia apenas 2% das 3.300 toneladas anuais de resíduos de baterias de íons de lítio da Austrália são reciclados. Com a taxa de crescimento de 20% anual, esta quantidade pode ultrapassar 100 mil toneladas até 2036, mas caso seja reciclado, 95% dos componentes podem ser transformados em baterias novas ou usados em outras indústrias. Como efeito de comparação, das 150 mil toneladas de baterias de chumbo-ácido vendidas em 2010, 98% foram recicladas. A maior parte dos resíduos de baterias da Austrália é embarcada para o exterior, e os resíduos deixados em aterros sanitários, levando a possíveis incêndios, contaminação ambiental e riscos à saúde humana. A pesquisa da CSIRO apoia esforços de reciclagem, com pesquisas em andamento sobre processos de recuperação de metais e materiais, desenvolvimento de novos materiais de bateria e suporte para a economia circular em torno do reaproveitamento e reciclagem de baterias. "Como líder mundial na adoção de sistemas solares e de baterias, devemos administrar com responsabilidade nosso uso de tecnologia de lítio-íon para apoiar nosso futuro de energia limpa; a CSIRO estabeleceu um caminho para isso", disse o líder da pesquisa de baterias CSIRO, Dr. Anand. Bhatt. O especialista afirma ainda que a Austrália pode extrair valor adicional dos materiais existentes, minimizar o impacto no meio ambiente e também catalisar uma nova indústria na reutilização / reciclagem de íons de lítio. O Dr. Bhatt e sua equipe estão trabalhando com a indústria para desenvolver processos que possam apoiar a transição para a reciclagem doméstica de baterias de íons de lítio. "O desenvolvimento de processos para efetivamente e eficientemente reciclar essas baterias pode gerar uma nova indústria na Austrália. Além disso, a reciclagem efetiva de baterias de lítio pode compensar as preocupações atuais em torno da segurança do lítio", disse Bhatt. A CEO da Iniciativa de Reciclagem de Bateria da Austrália, Libby Chaplin, disse que o relatório chegou em um momento crítico. "Estamos correndo para um mundo onde as baterias de lítio são uma parte muito importante de nosso suprimento de energia, mas ainda temos algum trabalho real a fazer para garantir que possamos reciclar o produto final assim que ele chegar ao seu uso por data". Disse Libby. “O documento da CSIRO fornece informações críticas em um momento oportuno, dadas as discussões sobre como moldar um esquema de gerenciamento de produtos para o setor de armazenamento de energia”. O relatório também descobriu que a pesquisa, o governo e a indústria devem trabalhar de perto para desenvolver padrões e soluções de melhores práticas para essa questão.

28 de julho, 2018
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OCEANOS
CSIRO realiza pesquisa de poluição marinha

O CSIRO está realizando pesquisa de poluição marinha com países de todo o mundo para ajudá-los a avaliar e reduzir a quantidade de lixo que entra nos oceanos. Alguns dos 20 maiores poluidores do mundo participarão do projeto, incluindo China, Bangladesh, Indonésia, Vietnã e Estados Unidos, além de outros países, como Austrália, Coréia do Sul e Taiwan. "Até agora, temos contado com estimativas de dados do Banco Mundial, então esta será a primeira vez que alguém reunirá um grupo de países para ver exatamente a quantidade de lixo que se despeja nos oceanos", disse a cientista sênior do CSIRO, Denise Hardesty. Com o projeto poderão ser localizados os pontos de acesso de lixo ao observar como as pessoas, o vento, o solo e a água das tempestades se movem para o oceano. No início de junho houve encontro com representantes de cinco países parceiros na Coreia do Sul para o primeiro workshop de treinamento do projeto. O Dr. Sunwook Hong, da Rede do Leste da Ásia Oriental, liderará o envolvimento da Coréia do Sul no projeto e disse que tomar uma abordagem global era essencial para enfrentar o problema. "Ao coordenar nossa abordagem, poderemos conseguir algumas vitórias rápidas e saber onde estabelecer nossas metas para objetivos em mais longo prazo", disse o Dr. Hong. O lixo despejado nos oceanos, além de causar danos marinhos e ambientais, pode fazer com que drenos de águas pluviais sejam bloqueados, levando a inundações localizadas significativas e graves riscos para a saúde das pessoas locais. O projeto segue anos de pesquisa de detritos marinhos liderados por Denise e sua equipe, que publicou conclusões significativas, incluindo a quantificação da quantidade de lixo em todo o litoral australiano e relatando o número de aves marinhas e outros animais selvagens comendo plástico.

14 de junho, 2017
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REÚSO
Tecnologias disponíveis ainda são caras

Segundo o pesquisador do Laboratório de Instalações Prediais e Saneamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Luciano Zanella, atualmente há diversas tecnologias para transformar a qualidade da água de toda e qualquer forma. “O problema é que, quanto mais radical a mudança, mais cara ela é, não só em termos de instalação, mas de operação e manutenção. Para garantir a transformação de uma água residual em água potável, por exemplo, é necessário manter três ou quatro sistemas em operação, para aumentar a segurança e reduzir a probabilidade de falhas”, explica. A viabilidade financeira é um dos pontos cruciais para o reuso das águas e aproveitamento de subprodutos resultantes do tratamento de esgoto no Brasil, diz Zanella. Segundo o pesquisador, o uso de recursos do meio ambiente pode ser poupado por meio de alternativas tecnológicas que mantêm as águas disponíveis para uso por mais tempo, como os sistemas de reúso, e já são realidade por serem economicamente vantajosas para os envolvidos. “As águas residuais, de acordo com a legislação, precisam receber um tratamento adequado antes de serem lançadas novamente no meio ambiente. É lei. No caso do reúso, essas águas receberiam tratamentos além do convencional, dependendo da finalidade para a qual serão utilizadas”, detalha o pesquisador. “Hoje, é vantajoso para muitas indústrias fazer o próprio tratamento da água para utilizá-la para determinadas atividades como lavagens, por exemplo, ou mesmo comprá-la de empresas com estações de reúso. Além de ganharem em marketing ambiental, é mais barato do que comprar o mesmo volume de água potável”. Na indústria, os usos são variados e dependem do tipo, porte e setor ao qual o empreendimento pertence, enquanto no uso comercial e doméstico, as alternativas para o reúso de águas residuais estão ficando cada vez mais populares nas grandes cidades. O uso de esgotos tratados em concomitância com águas de chuva em descargas sanitárias é uma das medidas financeiramente rentáveis para shoppings centers; em alguns condomínios residenciais, parte do esgoto (geralmente aquele intitulado de águas cinza) é tratado e utilizado para o mesmo fim. Contudo, o ponto alto do reúso para o pesquisador está começando a dar seus primeiros passos no País agora. “A tendência dos últimos anos é não encarar a água residual como algo a ser tratado e lançado de volta no meio ambiente, apenas. No tratamento desse tipo de efluente, é possível encontrar água, nutrientes, matéria orgânica e até mesmo gases para a geração de energia. O esgoto é uma fonte de subprodutos, cujo aproveitamento depende da viabilização financeira do tipo de tratamento necessário para obtê-los”. “Compramos substâncias que temos à mão e jogamos fora. Hoje, aqui mesmo no IPT, existem pesquisas de recuperação de compostos de nitrogênio e fósforo a partir da urina. Fora do País, muitos lugares já contam com a extração desses nutrientes durante o tratamento do esgoto, destinados à irrigação de culturas na agricultura”, conta o pesquisador. “Isso é uma evolução no reúso: o aproveitamento de insumos que estariam sendo despejados no meio ambiente. Mas é importante dizer que, caso a caso, é preciso estudar a viabilidade técnica e econômica de manutenção e operação para implementação de cada tratamento específico, para que essas alternativas sejam de fato eficazes”, finaliza.

4 de abril, 2017