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MANGUEZAIS

Zoólogo critica falta de monitoramento

Zoólogo critica falta de monitoramento

"Poluir é fácil e rápido. A descontaminação demora muito tempo e é cara. A tendência é piorar."

"Poluir é fácil e rápido. A descontaminação demora muito tempo e é cara. A tendência é piorar. Falta investimento em estudo e monitoramento”. A afirmação é do professor de Zoologia dos Invertebrados da Unesp Campus do Litoral Paulista, em São Vicente, Marcelo Pinheiro. O professor revela que a contaminação dos caranguejos-uçá por metais pesados, em manguezais da Baixada Santista, ficará pior após incidente no terminal da Ultracargo, na Alemoa, em Santos. O incêndio provocou a contaminação da água do canal do estuário e pode ser a causa da morte de milhares. “O problema maior é a contaminação. A falta de oxigênio (que provocou a mortandade) é decorrente da mistura do produto químico misturado na água do estuário para resfriar os tanques. Não tenho conhecimento se houve tratamento ou barreira para que eles não fossem lançados. O volume é de bilhões de litros de água”, explicou o professor. Segundo o pesquisador, os animais herbívoros — que se alimentam da vegetação — como o caranguejo-uçá, por exemplo, também sofrerão as consequências da poluição. “Os caranguejos são mais resistentes aos poluentes, mas se a vegetação absorver a contaminação eles vão comer e, futuramente, poderemos verificar mortandade e também a escassez de algumas espécies. Se formos ao manguezal e fizermos testes sanguíneos nesses animais com certeza já terá alteração”, destacou Pinheiro.

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MANGUEZAIS
Rede de farmácias promove reflorestamento

A rede de farmácias Pague Menos realizará reflorestamento de áreas de manguezal do Rio Pacoti, na região de Fortaleza (CE) entre os dias 23 e 25 de outubro. O plantio de mudas terá a parceria da ONG Ecomuseu Natural do Mangue. Aprovada pela SEMA (Secretaria do Meio Ambiente), a ação faz parte da Campanha Cidade Verde 2020. A iniciativa é resultado das vendas dos produtos identificados com o selo “Produto Cidade Verde”, disponíveis em todas as lojas da rede entre agosto e setembro. Parte do lucro obtido na venda dos itens participantes da campanha é destinado ao Ecomuseu, para obtenção e plantio das mudas. A ONG promove o reflorestamento das áreas de manguezais em diversas regiões do estado do Ceará e ações educativas sobre a preservação desse ecossistema. Para incentivar ações em prol do meio ambiente, a Pague Menos distribui aos clientes sementes para plantar sua própria muda em casa para àqueles que compram por meio do delivery em lojas selecionadas. A lista completa de unidades da rede disponibilizando as sementes pode ser encontrada no site https://cidadeverde.paguemenos.com.br/ . Essa é 9ª edição da campanha que já plantou sementes em mais de 35 cidades em todas as regiões do Brasil, e ainda conta com a participação de diversas marcas ao longo desses anos. Na edição de 2012, a Pague Menos colocou o Brasil no Guinness World Records, com a plantação de mais de 65 mil mudas em Fortaleza em apenas 1 hora. “Nós temos como lema ‘Viver Plenamente’ e esse conceito também deve abranger o cuidado com o meio ambiente, que é parte integrante do nosso bem-estar”, explica Patrícia Matias, coordenadora de Marketing da Pague Menos. “A sustentabilidade já faz parte do nosso negócio diariamente, seja por meio do uso de energia solar, de sacolas biodegradáveis e até mesmo com o descarte correto de medicamentos. O cuidado com o meio ambiente é fundamental em nossa companhia. E a campanha Cidade Verde é uma maneira de fazer com que os nossos clientes também façam parte dessa missão de tornar o nosso país ainda mais sustentável”.

12 de outubro, 2020
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LITORAL BRASILEIRO
Manchas de óleo completam um ano

Entre o final de agosto e início de setembro de 2019 apareceram no litoral nordestino brasileiro manchas de óleo que atingiram mais de três mil km da costa. Grande parte do material poluente foi retirada, mas, mesmo assim, especialistas indicam que há riscos ainda para os ecossistemas marinhos. “Embora a imagem degradante das manchas aparentemente tenha sido resolvida, o óleo ainda está lá, gerando impactos pouco visíveis ao olhar comum”, alerta o membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e pesquisador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), Alexander Turra. Segundo o especialista, parte do óleo se acumulou no fundo do mar, misturando-se com os sedimentos e formando grumos pegajosos de poucos centímetros que, de tempos em tempos, são lançados nas praias por meio de tempestades e ressacas e seguem liberando compostos químicos no ambiente. Em junho de 2020, nove meses após o evento, o material poluente ressurgiu na costa de estados como Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A investigação conduzida pela Marinha do Brasil levantou hipóteses de derramamento acidental, intencional, operação ship to ship ou naufrágio de um navio petroleiro, mas a origem permanece desconhecida. O inquérito concluído apontou que o derramamento de óleo ocorreu a 700 km da costa e viajou submerso por 40 dias. O ecólogo e coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Robson Capretz, realça a necessidade de monitoramento das águas, considerando a importância do oceano para a manutenção da vida no planeta. “O oceano é responsável pela estabilidade do clima, pela produção de alimentos e estocagem de carbono, além de movimentar a economia, envolvendo setores como transporte, recursos minerais, energia e turismo. Os ambientes marinhos também são fonte de renda e berço de culturas e tradições de populações tradicionais”, destaca. “É preciso que seja desenvolvida tecnologia para identificar e monitorar em tempo real manchas que se aproximam da costa pela superfície ou abaixo dela e todos os navios que passem ao longo da costa brasileira – em especial os navios-tanque. Também é preciso definir procedimentos e indicadores prévios de alerta, como o desligamento do transponder de um navio ou padrão suspeito de navegação, de forma a permitir ação rápida da Marinha”, aponta Turra. No vazamento de 2019, foram afetadas 906 localidades em 127 municípios de 11 estados. O governo federal desembolsou R$ 172 milhões para conter o avanço das manchas e coletar os resíduos. À época, a Marinha do Brasil mobilizou 54 organizações militares, 2.700 membros das forças armadas, 16 navios, duas aeronaves, além de embarcações e viaturas pertencentes às diversas capitanias dos portos, delegacias e agências sediadas ao longo do litoral.

8 de setembro, 2020
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OCEANOS
MMA prepara Plano para combater lixo

Entre os dias 6 e 8 de novembro, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) realizou seminário para debater propostas de combate ao lixo descartado em oceanos. Especialistas e ambientalistas trocaram ideias com o objetivo de conter a poluição das águas e reduzir os impactos ambientais provocados por essa ação. O seminário foi o primeiro passo do processo de elaboração do Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar que o governo federal está preparando – um compromisso assumido durante a Conferência dos Oceanos, realizada em Nova Iorque, em junho deste ano. Entre uma variedade imensa de material descartado nos oceanos, o principal vilão é o plástico. Cerca de oito milhões de toneladas do material são jogadas anualmente no mar em todo o mundo. “Considerando que o tempo de decomposição do plástico é de aproximadamente 400 anos, com essa poluição se repetindo a cada ano, estamos causando um estrago praticamente irreversível ao meio ambiente. Se não pararmos já com isso, vamos liquidar de vez com a vida marinha”, diz o biólogo João Alberto Paschoa dos Santos, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT, MS). Segundo pesquisa realizada há dois anos pela revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, constatou-se que, caso a poluição marinha não diminua até 2050, 99% das aves marinhas terão pedaços de plástico no organismo. Na época da publicação da pesquisa, 90% já eram vítimas dessa poluição ao meio ambiente. A tartaruga marinha é outra vítima frequente do plástico. “Muitas morrem por se alimentar desse material. Pensam que é água-viva, o seu alimento natural. Entre algumas espécies, como a tartaruga verde, por exemplo, a probabilidade de ingestão de plástico nos últimos 25 anos quase dobrou”, explica o biólogo. O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, chamou a atenção da necessidade do engajamento da sociedade civil e da iniciativa nesse processo, e ressaltou que a questão do lixo no mar será tratada como prioridade pela pasta. “É o que realmente esperamos e o que realmente se faz urgente. Nosso país representa uma das maiores zonas costeiras em escala mundial, com mais de oito mil quilômetros de faixa litorânea, onde fomos contemplados com um bioma riquíssimo. Nossos mares não podem mais sofrer os efeitos e os impactos ambientais dessa prática irresponsável”, conclui o membro do CRBio-01.

24 de novembro, 2017