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ESCASSEZ HÍDRICA

2021 deve ser um dos anos mais secos da história

2021 deve ser um dos anos mais secos da história

Na bacia do rio Paraguai, a precipitação no ano hidrológico é a mínima desde 2000/2001, sendo 34% abaixo da média.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) debateu os impactos da estiagem no Sudeste e Centro-Oeste brasileiro em 2021. As estações hidrometeorológicas operadas pelo SGB-CPRM nas bacias dos rios Grande, Paranaíba e Tocantins, representam 80,86% da capacidade de armazenamento de energia do subsistema Sudeste/Centro-Oeste.

No Sudeste, as bacias analisadas foram as dos rios São Francisco, Jequitinhonha, Mucuri e São Mateus, Doce, Itapemirim, Itabapoana, Paraíba do Sul, Grande e Paranaíba. Dos 51 pontos monitorados, 20 já atingiram a vazão mínima em julho. Durante a segunda quinzena do mesmo mês, o rio Verde Grande secou na cidade de Jaíba (MG). Nas próximas semanas, a previsão é que outros 13 pontos possam atingir a vazão mínima de referência. A vazão mínima de referência é baseada na vazão de outorga dos Estados ou União para concessão de direito de uso de recursos hídricos. A estiagem de 2021, associada aos déficits dos anos anteriores, vem gerando problemas de armazenamento nos reservatórios, geração de energia, navegação e ameaças ao abastecimento público de água.

Pelo segundo ano consecutivo, o rio Paraguai registra nível de água significativamente inferior ao da média. O município de Cáceres (MT) está atingindo os menores valores mínimos considerando toda sua série histórica de dados (com registros desde 1965). A previsão para a cota mínima ao final do período seco é que o rio Paraguai oscile próximo ao nível de -40 cm em Ladário. O nível continua na zona de atenção para mínimas nas demais estações. Na bacia do rio Tocantins, as vazões em julho ficaram abaixo da média histórica registrada em todas as estações indicadoras. As mais críticas são Travessão, no Rio Vermelho, no município de Matrinchã em Goiás, e Barreira da Cruz, no Rio Javaés, no município de Pium, Tocantins.

A precipitação no ano hidrológico atual (período que vai de outubro a setembro) está acima da média apenas na área de drenagem da Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa, localizada na Bacia do Alto Tocantins, em Goiás. As chuvas estão cerca de 7% inferiores à média nas áreas de drenagem da Serra da Mesa e Emborcação.

A área mais seca é a da Usina Hidrelétrica Nova Ponte, localizada no rio Araguari (MG), onde a precipitação no ano hidrológico está mais de 20% inferior à média, embora Nova Ponte, Furnas e Emborcação também estejam abaixo da média. Por praticamente toda a extensão das bacias analisadas, o total acumulado de outubro a junho de 2021 foi menor do que a média histórica.

Em Goiás, Tocantins e leste de Mato Grosso, nos rios Manuel Alves, Araguaia, Caiapó, Claro, a precipitação acumulada de todo o ano hidrológico não só ficou abaixo da média de vinte anos para toda a bacia, mas é a mais baixa de toda a série. Em relação à bacia do rio Paraguai, a precipitação no ano hidrológico também é a mínima desde 2000/2001, sendo 34% abaixo da média. O SGB-CPRM prevê que este ano hidrológico deva apresentar vazões inferiores a outros anos, e sendo caracterizado como um dos mais secos da série histórica em diversas localidades monitoradas. Em comparação com os anos hidrológicos anteriores, a precipitação em 2020/2021 não é a menor dos últimos oito anos, pois os períodos 2018/2019 e 2019/2020 foram similares ou superiores à média, enquanto que os anos hidrológicos entre 2013/2014 e 2017/2018 foram similares ou inferiores à média. No entanto, a estiagem deste ano está associada aos déficits dos anos anteriores, causando o agravamento do risco hídrico.

Água subterrânea

A água subterrânea que abastece parcial ou totalmente mais da metade da população brasileira por meio da Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas (Rimas), operada pelo SGB-CPRM, tem 72 poços na região Sudeste e 36 na região Centro-Oeste, totalizando 108 perfurações na área afetada pela crise hídrica. O pesquisador do SGB-CPRM João Diniz diz que as vantagens da água subterrânea são que seu uso demanda baixos investimentos e tem baixo impacto ambiental, além da boa qualidade físico-química. Além disso, as águas subterrâneas são mais resilientes às variações climáticas e evaporação do que as águas superficiais, garantindo um abastecimento de água mais seguro.

Os depósitos de água subterrânea ocorrem em áreas de bacias sedimentares, como a do rio Paraná, que abarca o Aquífero Guarani. As áreas afetadas pela crise hídrica têm 17 bacias sedimentares, mas a maioria dessas bacias não abrangem a região metropolitana. Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal não são ricos em águas subterrâneas porque não têm área em bacias sedimentares; entretanto, metade da população em Brasília (DF) é abastecida dessa forma. O SGB-CPRM calculou a disponibilidade hídrica em cada um dos 2.533 municípios existentes nos estados afetados pela seca. Considerando o elevado valor de 100 litros por habitante por dia, os resultados foram animadores, de acordo com Diniz.

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