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ÁGUA

BNP Paribas e BlackRock criam fundo

Com o objetivo de atrair investidores brasileiros para o negócio de água, as gestoras BNP Paribas e BlackRock lançaram, em evento exclusivo para clientes das duas empresas, o primeiro fundo de investimento vendido no mercado brasileiro com foco exclusivamente no mercado hídrico. O BNP Paribas BlackRock Estratégias ESG FIA IE foi desenvolvido por especialistas das duas gestoras e levou em consideração dois aspectos principais: ter uma parte da carteira alocada em um fundo de gestão ativa que fosse especializado no tema e que já tivesse um histórico; e equilibrar o risco do portfólio. O primeiro ponto foi decidido pela Impax Asset Management, especializada em oportunidades de investimentos que surjam na transição para uma economia global mais sustentável. A empresa administra o BNP Paribas Aqua Fund, que busca, ativamente, empresas de todo o mundo que tenham negócios no mercado de água, especialmente nas áreas de infraestrutura, tratamento e serviços. Lançado em 2008, o fundo com a temática hídrica rendeu, nos últimos cinco anos, 10,48% ao ano. Representante da Impax, Harry Boyle, disse que a área de investimentos no setor de agua é promissora, principalmente por dois aspectos. “O primeiro é o simples crescimento da população mundial, que deve atingir 11 bilhões de pessoas arte o final do século. Isto aumentará a disputa pela disponibilidade hídrica limitada e ainda com perspectiva de piora por conta do aquecimento global. Outro fator é que empresas do setor precisam melhorar muito sua infraestrutura”. Para Boyle, o equilíbrio da oferta e demanda, em parte pelo crescimento populacional, aliado às altas taxas de vazamento da indústria, só vai piorar. Por isso empresas na China, Europa e governos querem investir na área. Aproximadamente 55% do patrimônio do novo fundo investe diretamente em cotas do BNP Paribas Aqua Fund, enquanto o restante é aplicado no ETF da BlackRock IGSG (iShares Dow Jones Global Sustainability Screened UCITS), que replica a carteira do índice Dow Jones Sustainability World Enlarged Index. O novo fundo, então, investe em diversos ativos, dos quais 1/4 é destinado a companhias, como Microsoft, Visa, Nvidia, Nestlé, United Health, Taiwan Semiconductor Manufacturing, Mastercard, Roche, Adobe e Novartis. Em três anos, o fundo deu um retorno às companhias de 8,37% e em cinco anos, de 10,31%. Cindy Shimoide, responsável pela construção de carteiras da BlackRock para a América Latina, diz que a opção por este ETF dentre todos os que a BlackRock administra leva em consideração os seus critérios de sustentabilidade e sua diversificação, que reduz o risco da carteira do BNP Paribas Blackrock Estratégias ESG como um todo. “A escassez hídrica tem complicações financeiras. Empresas com unidade de produção em regiões de escassez podem enfrentar mais gastos no futuro, inclusive com seguros. Terão que se dedicar mais a reciclagem, conservação dos recursos e outros pontos que atendam às normas que devem ficar mais rigorosas no futuro”, explica a executiva. “Acreditamos que as empresas que podem gerenciar melhor recursos hídricos podem ser mais valorizadas no longo prazo”. Cindy comenta que o mercado imobiliário será diretamente impactado pela escassez de água num futuro. “Empresas mais resilientes podem ter um bônus em um processo de transição para um mundo mais sustentável. Quanto mais compreendemos, podemos ajudar os investidores a absorver as oportunidades que surjam”, completa Cindy. Por fim, ela explica que em simulações de estresse e volatilidade alta, na composição que está, o fundo BNP Paribas Blackrock Estratégias ESG tende a adicionar mais estabilidade e resiliência aos portfólios de grandes investidores. Segundo Cindy, o público-alvo do fundo é de investidores qualificados, que tenham ao menos R$ 1 milhão de investimentos financeiros. Por ser um tipo de investimento de longo prazo, as empresas esperam atrair também fundos de pensão e previdência. “A aplicação mínima é baixa, de R$ 5 mil, com aplicações adicionais de R$ 1 mil. A taxa de administração aqui no Brasil é de 0,9% e não será cobrada taxa de performance. O resgate e pagamento é feito em até 5 dias úteis”.

Com o objetivo de atrair investidores brasileiros para o negócio de água, as gestoras BNP Paribas e BlackRock lançaram, em evento exclusivo para clientes das duas empresas, o primeiro fundo de investimento vendido no mercado brasileiro com foco exclusivamente no mercado hídrico. 
 
O BNP Paribas BlackRock Estratégias ESG FIA IE foi desenvolvido por especialistas das duas gestoras e levou em consideração dois aspectos principais: ter uma parte da carteira alocada em um fundo de gestão ativa que fosse especializado no tema e que já tivesse um histórico; e equilibrar o risco do portfólio. 
 
O primeiro ponto foi decidido pela Impax Asset Management, especializada em oportunidades de investimentos que surjam na transição para uma economia global mais sustentável. A empresa administra o BNP Paribas Aqua Fund, que busca, ativamente, empresas de todo o mundo que tenham negócios no mercado de água, especialmente nas áreas de infraestrutura, tratamento e serviços. Lançado em 2008, o fundo com a temática hídrica rendeu, nos últimos cinco anos, 10,48% ao ano. Representante da Impax, Harry Boyle, disse que a área de investimentos no setor de agua é promissora, principalmente por dois aspectos. “O primeiro é o simples crescimento da população mundial, que deve atingir 11 bilhões de pessoas arte o final do século. Isto aumentará a disputa pela disponibilidade hídrica limitada e ainda com perspectiva de piora por conta do aquecimento global. Outro fator é que empresas do setor precisam melhorar muito sua infraestrutura”. Para Boyle, o equilíbrio da oferta e demanda, em parte pelo crescimento populacional, aliado às altas taxas de vazamento da indústria, só vai piorar. Por isso empresas na China, Europa e governos querem investir na área. 
 
Aproximadamente 55% do patrimônio do novo fundo investe diretamente em cotas do BNP Paribas Aqua Fund, enquanto o restante é aplicado no ETF da BlackRock IGSG (iShares Dow Jones Global Sustainability Screened UCITS), que replica a carteira do índice Dow Jones Sustainability World Enlarged Index. O novo fundo, então, investe em diversos ativos, dos quais 1/4 é destinado a companhias, como Microsoft, Visa, Nvidia, Nestlé, United Health, Taiwan Semiconductor Manufacturing, Mastercard, Roche, Adobe e Novartis. Em três anos, o fundo deu um retorno às companhias de 8,37% e em cinco anos, de 10,31%. 
 
Cindy Shimoide, responsável pela construção de carteiras da BlackRock para a América Latina, diz que a opção por este ETF dentre todos os que a BlackRock administra leva em consideração os seus critérios de sustentabilidade e sua diversificação, que reduz o risco da carteira do BNP Paribas Blackrock Estratégias ESG como um todo. “A escassez hídrica tem complicações financeiras. Empresas com unidade de produção em regiões de escassez podem enfrentar mais gastos no futuro, inclusive com seguros. Terão que se dedicar mais a reciclagem, conservação dos recursos e outros pontos que atendam às normas que devem ficar mais rigorosas no futuro”, explica a executiva. “Acreditamos que as empresas que podem gerenciar melhor recursos hídricos podem ser mais valorizadas no longo prazo”. 
 
Cindy comenta que o mercado imobiliário será diretamente impactado pela escassez de água num futuro. “Empresas mais resilientes podem ter um bônus em um processo de transição para um mundo mais sustentável. Quanto mais compreendemos, podemos ajudar os investidores a absorver as oportunidades que surjam”, completa Cindy.
Por fim, ela explica que em simulações de estresse e volatilidade alta, na composição que está, o fundo BNP Paribas Blackrock Estratégias ESG tende a adicionar mais estabilidade e resiliência aos portfólios de grandes investidores. Segundo Cindy, o público-alvo do fundo é de investidores qualificados, que tenham ao menos R$ 1 milhão de investimentos financeiros. Por ser um tipo de investimento de longo prazo, as empresas esperam atrair também fundos de pensão e previdência. “A aplicação mínima é baixa, de R$ 5 mil, com aplicações adicionais de R$ 1 mil. A taxa de administração aqui no Brasil é de 0,9% e não será cobrada taxa de performance. O resgate e pagamento é feito em até 5 dias úteis”. 

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ARTIGO
ESG ou Sustentabilidade Empresarial?

Por Marcus Nakagawa * Não sei se é a minha bolha nas redes sociais, mas muitos dos meus contatos estão postando e escrevendo sobre este tal de ESG. Muitas empresas estão indo atrás deste termo e meus alunos e alunas começam a se confundir com as várias siglas e conceitos. Será que isso tem a ver com a sustentabilidade? É um outro tema que conversa com o Desenvolvimento Sustentável? Já temos que ir atrás de um outro curso ou indicador? Bom, primeiro vamos explicar que ESG é a sigla para Environmental, Social & Governance, o que traduzido daria ASG: Ambiental, Social e Governança. Interessante que, se você coloca este termo nos buscadores resulta em um monte de empresas da área financeira, fundos e bancos colocando a importância das questões ambientais e sociais como riscos aos negócios. Este termo apareceu na publicação “Who Cares Wins”, de 2004, do Pacto Global da ONU junto com o Banco Mundial. No último Fórum Econômico Mundial, no começo do ano, as questões ambientais e a emergência climática eram os principais tópicos de riscos apresentados a longo prazo. E, logo depois, aconteceu a pandemia, que subtraiu valores da maior parte das empresas e governos devido à falta de cuidado com a gestão dos animais silvestres e à governança global. Klaus Schwab, fundador em 1971, do evento que tem o objetivo de discutir práticas de gestão global, colocou que as empresas precisam gerar valor para os acionistas e também para os outros stakeholders ou públicos de relacionamento. Vimos isso bastante em tempos de pandemia, empresas de bebidas fazendo álcool em gel, empresas de roupas fazendo máscaras e muitas empresas e pessoas físicas no país fazendo doações para as reais necessidades da população. A pergunta é se isso continuará na retomada da crise pós pandemia. Sobre gerar valor para os vários stakeholders, Porter e Kramer, em um artigo de uma década atrás, colocaram a necessidade de se criar valor compartilhado para além dos acionistas e clientes/consumidores, também para os fornecedores, comunidades, colaboradores, meio ambiente, entre outros. Ou seja, a empresa não é uma ilha isolada que fica somente produzindo e vendendo para bater a meta prometida aos acionistas. Neste processo haverá muitos outros movimentos que impactarão negativamente ou positivamente o entorno e as pessoas que estão em contato. E aí, sim, estamos falando dos stakeholders, que podem oferecer riscos de um acidente no trabalho, de uma poluição no ar ou rio, de um fornecedor que tem práticas não aderentes aos Direitos Humanos, ou um funcionário que dá comissão para um político. Estes riscos ambientais e sociais precisam ser medidos, avaliados, controlados e melhorados. Para isso existem as políticas, os procedimentos, as regras, os códigos de condutas, certificações e o compliance nas empresas. Para apoiar e operacionalizar tudo isso temos as áreas de sustentabilidade, de qualidade, de saúde e segurança, de meio ambiente, de auditoria, de ética e compliance, entre os vários nomes para estas áreas. E tudo isso precisa ser “orquestrado” pelo C-level (a liderança empresarial) na governança desta empresa. A forma que a empresa seguirá as “regras e leis” que ela colocou será fundamental para a gestão inclusiva e sustentável. Mas tudo isso vale a pena também financeiramente? Sim! É isso que fundos como o ISE da B3 tem mostrado nestes 15 anos, com uma rentabilidade maior do que os fundos tradicionais. E mais do que isso: já tirou desta carteira de empresas com ESG várias delas que, no meio do caminho, tiveram problemas ambientais, sociais e éticos, mesmo que fossem muito representativas no âmbito total do fundo. A empresa XP criou uma área específica para este tipo de investimento e os bancos tradicionais possuem fundos éticos, sociais e ambientais desde o começo desta década. O maior fundo de pensão do mundo, o Fundo de Investimento em Pensão do Governo do Japão, também anunciou, no meio da pandemia, que está priorizando investimentos ESG e está utilizando indicadores e análises de riscos relacionadas às mudanças climáticas e as oportunidades que este desafio possa criar. No começo do ano, a maior gestora de recursos do mundo, a BlackRock, também apresentou a importância que estava dando para as questões de ESG. E agora, no final de outubro, a empresa, junto com a XP, lançaram o BlackRock Global Impact, que é um fundo formado por empresas globais com produtos e serviços pautados nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Ou seja, trabalhando com empresas que, efetivamente, estão buscando as melhorias necessárias no planeta e para as pessoas. Mas afinal, ESG é a mesma coisa que sustentabilidade? Sim, a ideia é a mesma. E muitos usam a mesma base de indicadores da área de sustentabilidade que estamos discutindo há mais de três décadas. Para corroborar ainda mais com esta semelhança entre os termos, o diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira, coloca que o ESG é um olhar do setor financeiro sobre as questões de sustentabilidade, as quais discutimos ao longo deste artigo. Entretanto, muito cuidado para quem quer implementar o ESG, pois não basta criar um produto ou uma linha de produtos mais verdes, sustentáveis ou somente apoiar um projeto social. Estamos falando aqui de gestão, governança, controles e avaliações. E inserir as questões ambientais e sociais no cerne da estratégia dos negócios e em todos os processos. Quando o mercado financeiro tornar este termo um mainstream, ou seja, um padrão para todas as empresas e negócios, e não somente algumas carteiras e fundos, o desenvolvimento sustentável ganhará ainda mais força. * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. Idealizador da plataforma Dias Mais Sustentáveis. Autor dos livros: Marketing para Ambientes Disruptivos; Administração por Competências; e 101 Dias com Ações Mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Prêmio Jabuti 2019).

7 de dezembro, 2020
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SUSTENTABILIDADE
Iguá cria instituto para saneamento

A Iguá Saneamento criou o Instituto Iguá de Sustentabilidade com o objetivo de contribuir para a universalização do saneamento no Brasil por meio da promoção da inovação e da educação para o desenvolvimento sustentável. A companhia pretende desenvolver um modelo de investimento social privado autossustentável e que crie condições para potencializar seus impactos, através da criação de um fundo setorial, inspirado nos conceitos de Venture Philanthropy. Também serão criados programas educacionais inovadores que possibilitem a valorização da água em todo o seu ciclo e criem incentivos para a mudança de comportamento do consumidor. O Instituto Iguá é uma associação sem fins lucrativos, de direito privado, que nasce de forma independente, atuando em sinergia com outras empresas, investidores e organizações da sociedade civil e governamentais O Instituto Iguá possui um Conselho de Administração, composto por acionistas e diretores da Iguá Saneamento e especialistas do setor, tais como Gesner Oliveira, ex-presidente da Sabesp e do Cade, e Ricardo Voltolini, diretor-presidente da consultoria Ideia Sustentável. Renata Ruggiero Moraes, executiva com 19 anos de experiência à frente de institutos e áreas corporativas de sustentabilidade, estará na presidência. “Nossa visão é voltada para a causa e a abordagem é multisetorial. A complexidade e a dimensão dos desafios socioambientais são tão grandes que nenhum ator conseguirá gerar impacto significativo atuando isoladamente”, explica Renata Moraes. A primeira ação do Instituto Iguá de Sustentabilidade é o programa “Aliança Água + Acesso”, iniciativa que integra 14 organizações no País com o objetivo de contribuir para ampliar o acesso à água tratada e ao saneamento em comunidades rurais de forma sustentável. O Instituto participará com apoio financeiro e técnico, além do envolvimento de equipes do Instituto Iguá e da Iguá Saneamento. Além disso, haverá a participação do instituto na Governança do programa, contribuindo com a mobilização para a causa e a atração de novos parceiros.

18 de fevereiro, 2019
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RECURSOS HÍDRICOS
Gestão integrada é debatida por organizações

No inicio de setembro foi realizado seminário promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) sobre um panorama da crise global de água. Representantes da Agência Nacional de Águas (ANA), da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa) e do Ministério das Cidades falaram sobre a situação brasileira e a necessidade de promover uma gestão integrada, a conservação e o uso eficiente dos recursos hídricos. O diretor de Gestão Estratégica do MCTIC, Johnny Santos, definiu como vital a gestão integrada dos recursos hídricos. “A história da humanidade está diretamente associada com a água, desde a ocupação do território, com o surgimento das cidades e os movimentos migratórios, até o desenvolvimento econômico e social dos povos, incluindo a questão sanitária”, disse. Santos destacou ainda que a água é um dos 12 temas prioritários da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (Encti), válida de 2016 a 2022, e serve de eixo para o fundo setorial CT-Hidro, destinado a financiar estudos e projetos com recursos hídricos, para aperfeiçoar diversos usos, de modo a assegurar à atual e às futuras gerações alto padrão de qualidade e utilização racional, com vistas ao desenvolvimento sustentável e à prevenção contra fenômenos hidrológicos críticos”. O superintendente de Operações e Eventos Críticos da ANA, Joaquim Gondim, abordou a necessidade de se estabelecer planos de segurança hídrica. “Na operação de sistemas, deve-se considerar o risco de ocorrência de eventos extremos: secas e inundações, além de acidentes”, apontou. “As condições estatísticas extremas podem ser evitadas por custos muito altos, mas é possível planejar estes cenários para se obter maior resiliência”. O superintendente cita ainda a importância em ampliar a capacidade de resposta das cidades diante dos eventos de seca, que, em suas palavras, tendem a ocorrer com maior frequência e em maior intensidade em decorrência da mudança do clima. Representante do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), o analista de infraestrutura Sergio Abreu, do Ministério das Cidades, tratou do programa Interáguas, “esforço brasileiro na tentativa de se buscar uma melhor articulação e coordenação de ações”. O SNIS possui uma base de dados sobre a prestação de serviços de água e esgoto, de manejo de resíduos sólidos urbanos e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas.

12 de setembro, 2017
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SANEAMENTO
4º Fórum Internacional Habitat do Cidadão debate crise hídrica

A 4ª edição do Fórum Internacional Habitat do Cidadão, realizado pelo Instituto Besc de Humanidades e Economia, aconteceu dia 1º de outubro, na cidade do Rio de Janeiro. Um dos temas em destaque foi o saneamento, no painel “Gestão, operação e capacitação para enfrentar os desafios do saneamento e a crise hídrica”. O evento reuniu nomes de referência no setor, como Edison Carlos, Presidente do Instituto Trata Brasil e moderador da mesa. O Fórum teve as apresentações de Newton Azevedo, Governador do Conselho Mundial da Água e conselheiro da ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e indústria de Base); Guilherme Albuquerque, Gerente do Departamento de Saneamento Ambiental do BNDES, e Flavio Crivellari, Diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Aegea, além da participação do especialista em excelência, Gustavo Utescher, Gerente de capitação e premiação da Fundação Nacional de Qualidade – FNQ. Crivellari defendeu as PPPs para o desenvolvimento do saneamento básico no Brasil. “Fazem parte do DNA da Aegea, uma das maiores do setor, uma forte governança corporativa, o uso de tecnologia, a gestão focada em eficiência e o diálogo com a sociedade”. O Diretor financeiro destacou ainda a importância da governança na atração de capital e listou o portfólio variado de aportes que a companhia recebeu recentemente, provenientes de instituições brasileiras e internacionais. Já entre os casos de sucesso nas operações, falou da queda de 56% para 19% do índice de perda de água em Campo Grande, onde atua a Águas Guariroba, primeira concessionária do grupo. O Gerente do Departamento de Saneamento Ambiental do BNDES, Guilherme Albuquerque, disse que o patamar de investimentos no setor pouco se alterou nos últimos quatros anos, e ainda está abaixo do necessário para universalização dos serviços. Albuquerque disse “de que cerca de 50% do investimento no setor é proveniente de somente quatro prestadores, o que demonstra a carência de investimento na maior parte do território nacional, bem como a baixa participação do setor privado”. Apesar de não ter atuação específica no setor de saneamento, Utescher, da FNQ, tratou do elemento que foi considerado essencial por todos os palestrantes: a gestão eficiente. O especialista citou as bases do MEG – Modelo de Excelência de Gestão e mostrou casos de sucesso de empresas que adotaram as premissas. De acordo com a Fundação, na Indústria as usuárias do MEG mantêm desempenho acima da média do setor nos últimos 12 anos, com EBITDA, em 2012, de 23,6% para as usuárias, contra 12,5% do setor. Para ilustrar o conteúdo abordado por Utescher, Edison Carlos, do Trata Brasil, comentou que várias cidades do Norte e Nordeste apresentam atualmente índices de perdas de água da ordem de 70%, conforme dados divulgados pelo instituto com base no SNIS (Sistema Nacional de Informação sobre o Saneamento). O líder do Conselho Mundial da Água no Brasil, Newton Azevedo, apontou que 70% da água é utilizada pela agricultura, 20% pela indústria e 10% pela população. “São necessários quatro elementos para vencer os desafios atuais, mas que devem ser aplicados em conjunto - planejamento integrado, gestão, tecnologia e investimento”. Neste sentido, Azevedo alertou para a necessidade de resolver o déficit de companhias públicas, Ele também citou avanços na tecnologia de dessanilização, apontando-a como uma alternativa viável para o Nordeste e as cidades no nível do mar. Para concluir, Azevedo defendeu a criação de um Ministério da Água para cuidar do tema de forma integrada e abrangente e promover as mudanças necessárias.

8 de outubro, 2015