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Carnaval é alegria. Saneamento é estrutura.

Carnaval é alegria. Saneamento é estrutura.

Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, cerca de 84% dos brasileiros têm acesso à água, mas apenas 56% contam com coleta de esgoto, e pouco mais de 50% do esgoto é tratado.

Por Ana Rizzo *

O Carnaval é a maior manifestação cultural do Brasil. É rua, é corpo, é calor, é água, é encontro. Milhões de pessoas ocupam o espaço público ao mesmo tempo e isso só funciona quando a cidade está preparada.

Na prática, o Carnaval é um grande teste de estresse urbano, ao vivo e sem margem para improviso. A população flutuante cresce, o consumo de água dispara, a geração de resíduos aumenta, as redes de esgoto operam no limite e a drenagem precisa dar conta das chuvas de verão. Nada disso é detalhe. Tudo isso é infraestrutura.

Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, cerca de 84% dos brasileiros têm acesso à água, mas apenas 56% contam com coleta de esgoto, e pouco mais de 50% do esgoto é tratado. Isso significa que mais de 90 milhões de pessoas ainda vivem sem coleta adequada, uma fragilidade estrutural que fica ainda mais visível em grandes eventos.

Dados recentes do Instituto Trata Brasil mostram que a falta de saneamento gera um custo anual elevado, com despesas apenas em internações por doenças de veiculação hídrica superando a marca de R$ 170 milhões (dados de 2024, divulgados e 2025)

Para a festa acontecer com dignidade, é preciso água para abastecer e limpar, esgoto para absorver o aumento real de uso, drenagem eficiente para evitar alagamentos, gestão de resíduos para que alegria não vire sujeira, e vigilância sanitária ativa, porque aglomeração sem estrutura é o caminho mais curto para surtos.

Carnaval não é só festa.
É operação urbana.
É logística.
É planejamento.

E é aí que o saneamento aparece como protagonista silencioso: quando funciona, ninguém percebe; quando falha, todo mundo sente.

A cultura ocupa as ruas, mas é o saneamento que sustenta as ruas.

O Carnaval escancara uma verdade simples: cidades resilientes se constroem com investimento contínuo, planejamento integrado e operação eficiente. O Brasil tem o compromisso de universalizar água e esgoto até 2033, o que exige centenas de bilhões em investimentos. Cada bloco que passa reforça a urgência dessa agenda.

No fim, a pergunta é direta: a cidade está pronta para receber o Brasil na sua melhor versão?

Porque quando a estrutura funciona, a cultura floresce.
Quando a água chega, a festa acontece.
Quando o esgoto é tratado, a saúde agradece.

Carnaval é alegria.
E saneamento é um dos fatores que garantem que essa alegria não vire crise.

*Ana Rizzo é relações públicas, atua no setor de infraestrutura com foco no saneamento básico.

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