Crescimento desordenado amplia riscos de saúde pública e desigualdade social

O crescimento desordenado e a falta de acesso a saneamento básico no Brasil geram graves problemas de saúde pública, degradação ambiental e acentuam a desigualdade social.
Segundo dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento em 2025 mostram que mais de 32 milhões de brasileiros vivem sem acesso à água tratada, enquanto cerca de 90 milhões não possuem coleta de esgoto adequada. O levantamento aponta que municípios com menor cobertura sanitária, que crescem sem acesso completo aos serviços essenciais, aumentam problemas relacionados à saúde pública, degradação ambiental e desigualdade social.
A ausência de redes de esgoto, drenagem e abastecimento regular favorece o descarte irregular, contaminação do solo e aumento de doenças de veiculação hídrica. Além disso, a deficiência operacional compromete mobilidade, segurança e expansão urbana planejada, principalmente em regiões periféricas. A escassez de recursos técnicos também impacta diretamente a população mais exposta, que convive diariamente com limitações relacionadas à condições básicas e ao acesso adequado aos serviços essenciais. “Quando existe investimento em infraestrutura, toda a cidade sente os impactos positivos. Muitas famílias que vivem em regiões mais vulneráveis enfrentam dificuldades no dia a dia justamente pela falta desses serviços. Melhorar essa realidade significa oferecer mais dignidade, segurança e qualidade de vida para a população”, afirma Gamaliel dos Anjos, 52 anos, morador do bairro Alvinópolis, de Atibaia (SP).
Um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil em 2025 aponta que 49 dos 100 municípios mais populosos do país investem menos de R$ 100 por habitante em saneamento, valor abaixo da metade do patamar considerado necessário para universalização dos serviços básicos, o que compromete avanços de longo prazo e amplia diferenças entre regiões urbanas.
Áreas com ocupação irregular também concentram parte significativa desses impactos, pois crescem sem planejamento adequado e enfrentam maior exposição a enchentes, contaminação da água e instabilidade ambiental, fatores que afetam diretamente saúde, moradia e condições de vida da população. “A ausência de infraestrutura adequada cria um efeito em cadeia que vai muito além da questão operacional. Ela interfere no desenvolvimento urbano, amplia vulnerabilidades sociais e aumenta riscos ambientais e sanitários que poderiam ser evitados com planejamento e investimento contínuo. O saneamento básico não melhora apenas redes de atendimento, mas amplia oportunidades, protege a população e contribui para cidades mais preparadas para as próximas gerações”, afirma Mateus Banaco, diretor-geral da Atibaia Saneamento.











