Cetesb implanta 14 boias para conter proliferação de algas no Tietê

A Cetesb implementa 14 boias inteligentes no Rio Tietê para combater a proliferação de algas com ondas ultrassônicas e monitorar a qualidade da água.
Por meio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o Governo de São Paulo iniciou a operação de um sistema composto por 14 boias inteligentes no Córrego do Esgotão, braço do Rio Tietê, em Sabino, no noroeste paulista. O projeto-piloto faz parte do Programa IntegraTietê e utiliza tecnologia baseada em ondas ultrassônicas para reduzir a proliferação de algas responsáveis pela chamada "nata verde" e ampliar o monitoramento da qualidade da água. As boias instaladas emitem ondas de baixa potência, 24 horas por dia, em frequências específicas, que dificultam o desenvolvimento das algas ao impedir que elas permaneçam na superfície da água, onde recebem luz para realizar a fotossíntese.
Sem essa condição, as algas não se desenvolvem, afundam e se decompõem naturalmente, sem liberar toxinas e sem causar impactos à fauna, à flora ou às pessoas. O método dispensa o uso de produtos químicos. Desenvolvida na Holanda e utilizada em cerca de 60 países, a tecnologia recebeu investimento de aproximadamente R$ 9 milhões para implantação. Os equipamentos são alimentados por energia solar e contam com inteligência embarcada, capaz de ajustar automaticamente a frequência e a intensidade das ondas conforme as condições da água. O sistema também possui uma estação meteorológica que monitora chuva, vento e temperatura do ar.
A estrutura foi dimensionada para atuar em uma área de aproximadamente 960 mil m², o equivalente a mais de 130 campos de futebol, e cerca de 7 milhões de m³ de água, suficiente para abastecer 2.800 piscinas olímpicas. Distribuídas ao longo do Córrego do Esgotão, as boias formam uma rede de cobertura sobre o trecho que influencia a Praia Municipal, importante espaço de lazer e turismo da região.
Além de reduzir a proliferação de algas, os equipamentos funcionam como estações automáticas de monitoramento, uma vez que sensores acompanham continuamente parâmetros como temperatura da água, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, clorofila e ficocianina, permitindo à Cetesb acompanhar as condições ambientais e produzir informações que irão subsidiar estudos técnicos e políticas públicas. Moradores e visitantes também podem consultar gratuitamente as condições de balneabilidade da Praia Municipal pelo aplicativo Cetesb Mobile, disponível para Android e iOS, e pelo site da Companhia (https://appmonitoratiete.orbty.com.br/index.html). A plataforma informa se a água está própria ou imprópria para banho.
A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirma que a iniciativa integra um conjunto de investimentos do Estado de São Paulo voltados à recuperação dos rios paulistas e à melhoria da qualidade de vida da população. "A recuperação do Rio Tietê passa por um conjunto de ações integradas, como a ampliação do saneamento, o fortalecimento da fiscalização e o uso de novas tecnologias. Esse projeto representa mais um passo nesse caminho. Estamos investindo em soluções que ajudam a recuperar os nossos rios, beneficiam quem vive da pesca, fortalecem o turismo, garantem mais segurança para os banhistas e devolvem qualidade ambiental e dignidade às pessoas", destaca. Para o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, o projeto reforça a estratégia de modernização da Companhia, aliando tecnologia, monitoramento e inteligência ambiental. "A Cetesb vem investindo fortemente na modernização de seus processos de monitoramento e fiscalização, incorporando tecnologias que tornam a gestão ambiental mais eficiente e precisa. As boias inteligentes ampliam nossa capacidade de acompanhar a qualidade da água, geram dados para orientar a tomada de decisão e fortalecem as ações de fiscalização e recuperação do Rio Tietê”.
O município de Sabino foi escolhido para receber o projeto-piloto por registrar episódios recorrentes de florações de algas, contar com uma base consolidada de monitoramento ambiental e abrigar uma das principais praias de água doce da região. Os primeiros resultados deverão ser observados nos próximos meses. As informações produzidas pela operação servirão para avaliar o desempenho da tecnologia nas condições do Rio Tietê e poderão subsidiar futuras iniciativas em outros corpos d'água com características semelhantes. A chamada "nata verde" é consequência da eutrofização, processo provocado pelo excesso de nutrientes na água. O fenômeno tende a se intensificar em períodos de calor, estiagem e maior incidência de luz solar, favorecendo a multiplicação das algas. Além do impacto visual, as florações podem reduzir o oxigênio da água e comprometer a fauna aquática, além de afetar atividades como turismo, pesca, esportes náuticos e lazer.





