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Desmitos do ESG

Desmitos do ESG

Artigo por Hugo Bethlem e Fábio Alperowitch

Por Hugo Bethlem* e Fábio Alperowitch**

Há cerca de dois anos o tema ESG (Environmental, Social and Governance) chegou na mídia. E conforme a onda sobre o tema se expandiu e ganhou ressonância em praticamente todas as empresas e em diferentes camadas da sociedade, alguns "profetas do atraso" passaram a prometer derrubar os mitos que envolvem o ESG. Pois bem: o debate sobre um tema é sempre bastante saudável, principalmente quando as lentes da discussão estão calibradas para o atual contexto do mundo e não para um passado que já não mais condiz com a realidade dos fatos e dos dados.

Os "profetas do atraso", para rebater o que vem pela frente, o futuro, fazem referência ao Milton Friedman (Nobel de economia em 1976 e professor na famosa escola de Chicago, falecido em 2006), que em 1970 publicou no New York Times um artigo de enorme repercussão, onde dizia que "a única responsabilidade social da empresa é maximizar os lucros (e retornos dos acionistas)".

A partir disso, consolidou-se como o pai do capitalismo de shareholders, ou seja, um sistema em que acredita que o único objetivo de uma empresa é contemplar seus acionistas. Considerando a época em que foi escrito, o artigo é compreensível na medida em que o acionista foi aquele que acreditou na empresa, financiou a companhia e correu todos os riscos para que a mesma prosperasse.

Contudo, no contexto atual, essa é uma doutrina já superada. O que Friedman não considerou é que a riqueza do acionista nunca poderia ser feita às custas da dor e miséria dos demais stakeholders de uma companhia. Isso não deve ser aceitável, por duas razões básicas: este modelo não é nem ético e nem sustentável ao longo prazo.

Infelizmente, Friedman influenciou a cultura corporativa de muitas empresas ao longo das últimas cinco décadas, causando dor e sofrimento a muitos stakeholders. Felizmente, no entanto, muitas e relevantes empresas, tanto no cenário internacional quanto doméstico, despertaram para o problema e têm feito uma rápida e poderosa transição.

Um sistema econômico que recompensa a maximização da riqueza sobre o bem-estar alheio e prioriza o individualismo sobre a interdependência não pode manter-se funcional em longo prazo.

É perfeitamente possível unir lucro e responsabilidade. E arriscamo-nos a dizer que boa parte das empresas mais admiradas e bem-sucedidas da atualidade já pensam desta maneira – inclusive, há pesquisas globais e com recorte nacional que mostram que as empresas só têm a ganhar adotando esse pensamento na prática.

Cada vez mais empresas têm percebido que, para seus negócios prosperarem, precisam ter um propósito, uma razão de ser, que deve responder à simples questão: "qual a dor da sociedade nosso negócio se propõe curar?". Se não há propósito, o negócio perde sua necessidade e passa a ser efêmero, sendo rapidamente substituído por concorrentes que, mais do que conquistar o bolso do cliente, conseguirão conquistar o coração deste cliente, fidelizando-o.

Analogamente, relações precarizadas com os fornecedores levam a descontinuidades na cadeia, sendo fundamental a preservação de uma equação econômica satisfatória para ambos. Da mesma forma, os colaboradores que não forem contemplados em ambientes mais acolhedores, inclusivos e que não sejam justamente remunerados, tendem a deixar a companhia na primeira oportunidade ou sequer se sentirão atraídos para nela trabalharem. Atrair e reter talentos é fundamental para a prosperidade financeira de um negócio, uma vez que as pessoas jurídicas são, em essência, um conjunto organizado de pessoas físicas.

Os "profetas do atraso" atacam o conceito ESG sem, de fato, compreendê-lo. Exatamente o mesmo equívoco cometido pelo aclamado professor Aswath Damodaran, que recentemente trouxe severas críticas ao ESG, inclusive comparando empresas que seguem tais princípios a igrejas (!!!). A falta total desta compreensão sobre os conceitos básicos do ESG deve servir de alerta: este debate precisa ser amplificado e qualificado, sob o risco de a incompreensão do mesmo esvaziá-lo.

Empresas não são igrejas ou ONGs. "Fazer o bem" não é e nem deve ser o objetivo social das empresas. Responsabilidade é uma ferramenta e não um fim em si mesmo.

O respeito na interação com os múltiplos stakeholders (clientes, fornecedores, colaboradores, meio-ambiente, governo, competidores, mídia, comunidades etc.), contemplando-os no processo decisório, é fundamental para o estabelecimento de relações duradouras e de parceria. Empresas precisam entender e se responsabilizar por suas externalidades. Trata-se de ética em seu senso mais fundamental.

ESG não é um produto, mas um processo. Assim, a busca de resultados econômicos positivos preservando a ética e transparência é fundamental, e são valores inegociáveis do ESG.

O acrônimo ESG leva os incautos a entenderem "as três letrinhas" como separadas, mas são indissociáveis. Não há responsabilidade social ou ambiental sem governança. Não há externalidade ambiental sem impacto social. Não há gestão que leve a resultados econômicos expressivos e duradouros sem processos consistentes e independentes. Não há processos consistentes e independentes que não considerem stakeholders.

O conceito de "capitalismo para Stakeholders" - que contrasta com o "capitalismo para shareholders", foi elaborado ainda nos anos 1960, protagonizado por Ed Freeman e Klaus Schwab. Nos anos 1970, tomou corpo no US Business Round Table (1972) e em 2019 teve redefinida a "responsabilidade social dos negócios", para além do acionista e sim para todos os stakeholders.

Uma empresa inserida no "capitalismo para shareholders", que olha exclusivamente para si própria, naturalmente não vê valor em seus respectivos stakeholders. Em longo prazo, a tendência é prevalecer esta mesma lógica no sentido inverso: os stakeholders também não verão valor nesta empresa, esvaziando-a.

Na época de Friedman, o objetivo das empresas era ser a "maior ou melhor" empresa "do" mundo - uma visão ultrapassada em que se tirava proveito de pessoas e destruía o meio-ambiente a fim de atender ao objetivo.

Tal visão tem sido substituída pela aspiração em ser a "melhor" empresa "para" o mundo que cuida e serve as pessoas protegendo nossos recursos naturais, dos quais todos nós dependemos para sobreviver. Inclusive, através disso, amplia-se o tamanho do mercado consumidor e seu poder de compra, em direto benefício econômico da própria companhia.

Em seu mais recente livro: "Empresas que curam", Raj Sisodia – professor em Babson College e cofundador do Conscious Capitalism, nos lembra que "boa parte dos negócios está infligindo uma serie de sofrimentos, como o psicológico às pessoas, o financeiro às empresas e o ambiental ao planeta. Não criamos negócios para, de forma consciente, ferir e agredir as pessoas e o planeta. Mas se não assumirmos um papel de curar, estaremos automaticamente assumindo um papel de ferir e agredir".

Convidamos os "profetas do atraso" a refletirem: qual a perspectiva econômica de uma empresa que opere nesta lógica?


* Hugo Bethlem é Chairman do ICCB (Instituto Capitalismo Consciente Brasil) e Chief Purpose Officer da BravoGRC.


** Fábio Alperowitch é Socio-diretor da FAMA Investimentos e Conselheiro Emérito do ICCB (Instituto Capitalismo Consciente Brasil)

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Artigo por Marco Oliveira * O conceito ESG, que aborda os aspectos Ambiental, Social e de Governança das empresas, tem tomado os espaços corporativos e ganhado muita atenção em eventos e palestras que mostram que, definir as operações como socialmente responsáveis, sustentáveis e corretamente gerenciadas, é urgente e essencial. Porém, podemos notar que há um uso descontrolado da sigla, principalmente por corporações que visam trabalhar a boa imagem em ações de marketing, mas que nem sempre as práticas existem de fato. Boas práticas ESG têm que estar no DNA da empresa. Não importa se ela é pequena, média ou grande. Para isso, é preciso estudar sobre o assunto, entender o que é para traçar um planejamento de como implementar essas ações de acordo com a sua estrutura de negócio. A verdade é que o conceito ESG já existia, apenas não tinha ganhado a representação da sigla. Várias empresas no mundo atuam há anos focadas em implementar projetos sociais e ambientais, afinal uma boa governança vai sempre olhar para os colaboradores e a comunidade. No entanto, ainda há muito do “fazer de conta que é ESG”, do “fazer de conta que a empresa se preocupa com questões socioambientais”. E isso, que pode, num primeiro momento, parecer uma ótima estratégia para a imagem da marca, na verdade acaba por prejudicar a reputação. Não há como “fazer de conta” que há transparência na governança corporativa. Ou você trata isso de maneira correta ou será fácil identificar que a sua companhia não possui uma boa estrutura, pois cada vez mais pessoas estão se apropriando de conteúdos para entender o tema e a importância desse assunto, entre elas os consumidores. Ou seja, se você tem uma empresa que polui, que tem um impacto social negativo, e não toma atitude para eliminar ou minimizar esses impactos, a margem e a marca serão prejudicadas, pois há sempre quem analisará estes quesitos para tomar sua decisão de consumo. Para comprovar a importância do tema, um estudo realizado pela agência de pesquisa norte-americana Union + Webster, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná, revelou que 87% da população brasileira prefere comprar produtos e serviços de empresas sustentáveis, e 70% dos entrevistados dizem que não se importam em pagar um pouco mais por isso. A nova geração está atenta quanto às práticas de ESG e ciente do quanto elas impactarão na forma de consumir e trabalhar. Aos empresários e empreendedores, oriento que a primeira ação realizada seja estudar, para entender o grau de complexidade e aplicação do ESG. A segunda coisa a fazer é um benchmarking, buscando as referências das melhores práticas de gestão. Após, veja como isso funcionará dentro do seu negócio e, se for necessário, contrate um especialista em ESG para verificar as possibilidades de melhorias e o que pode ser feito para aprimorar a governança. Acredito que, ao longo dos anos, a sigla passará por ajustes. Afinal, estamos num mundo de constantes e rápidas mudanças. Mas a relevância do tema continuará presente. Por isso, afirmo que ESG não é uma moda, uma tendência, muito menos uma estratégia de marketing. ESG é um conceito que deve ser compreendido e colocado em prática de verdade. Se não fizer isso agora, no futuro, sua marca certamente sofrerá com as cobranças e consequências das escolhas que você faz hoje. * Marco Oliveira é especialista em gestão estratégica de negócio com foco em Go-To-Market e sócio-fundador da O4B, empresa especializada em consultoria e soluções corporativas.

10 de outubro, 2022
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Artigo por Markus Nakagawa Por Markus Nakagawa * Estes dois acrônimos são o que todos os investidores, empresários, empreendedores e executivos deveriam pensar o tempo todo. Sabemos que a visão financeira e a busca pelo lucro e crescimento eterno é o que domina o pensamento linear e cartesiano tradicional. Mas, em um mundo da indústria 4.0, impressão de casas em 3D, inteligência artificial, exoesqueletos, carros voadores, drones entregadores, enfim, também temos que inovar e ampliar a forma simplista de pensar. Quem sabe não pensarmos em 4D? Os ODS, para quem não conhece, são os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, que possuem 169 metas. Em 2015, os 193 Estados-Membros da ONU se reuniram e definiram quais eram os maiores problemas e desafios do mundo. Nestes ODS estão englobados objetivos não só ambientais, como a maioria das pessoas associam a sustentabilidade ao meio ambiente. Também entram as questões sociais, econômicas e parcerias. Por exemplo, tem o ODS número 8, que está ligado ao trabalho decente e ao crescimento econômico; e o número 9, à indústria, inovação e infraestrutura. E para cada um destes ODS é feito um recorte com as suas metas e desenvolvimento. Conheça mais em https://brasil.un.org/pt-br/sdgs . Muitos acham que os ODS são só para as questões governamentais ou do coletivo, porém várias empresas também estão no processo de realizar esses objetivos por meio dos seus produtos, serviços, processos, projetos e atividades. Essas empresas entenderam que nesse novo processo de ganha-ganha, quando é realizada uma ação para melhoria da meta do desenvolvimento sustentável, todos ganham. Lá no Fórum Econômico Mundial do ano passado, até chamaram esse pensamento da economia dos stakeholders , ou seja, que as empresas deveriam trabalhar não só para ter o lucro do acionista e para atender as demandas dos clientes e consumidores, mas também para entregar valor aos outros públicos de relacionamento, como os fornecedores, os empregados, a comunidade no entorno, o governo, a sociedade, entre outros. E desde o Fórum Econômico Mundial a questão do ESG (acrônimo para Enviromental, Social e Governance, em português Ambiental, Social e Governança) ficou mais forte. Tanto que, segundo a Bloomberg, o montante de recursos mundial, que está ligado de alguma forma a esta temática, representou cerca de US$ 38 trilhões em 2020 e, em 2025, deve chegar a US$ 53 trilhões, o que equivale a um terço dos ativos de investimentos. Para apresentar as atividades ligadas ao ESG nas organizações, a pesquisa da AMCHAM de 2021, com 178 lideranças de empresas no Brasil, 95% dos entrevistados afirmaram que as suas empresas possuem engajamento no ESG, sendo que 37% destes têm um engajamento em planejamento ativo e estão mapeando os pontos a serem desenvolvidos; 31% dizem já ter um engajamento integral e integrado ao negócio, colocando a sustentabilidade na gestão estratégica; 26% vêm construindo este engajamento adotando práticas para minimizar seus impactos socioambientais; e 89% dos entrevistados colocaram que já possuem algum nível de investimento direcionado para esse objetivo. O crescimento do interesse pela temática não é só das gigantescas empresas ou dos investidores, mas também das startups, segundo a ACE Cortex, área de inovação da ACE Startups, já são mais de 340 startups que se dedicam ao meio ambiente, questões sociais ou em melhorias de governança em empresas de grande porte, ou seja, o desenvolvimento de um mercado de produtos e serviços, se aprimorando para atender às demandas específicas de cada um dos indicadores do ESG das empresas. Por outro lado, no acrônimo ODS, tivemos um retrocesso acelerado no país, segundo a 5ª edição do Relatório Luz da Sociedade Civil de 2021. Este documento é desenvolvido por um Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, que reúne 57 organizações não governamentais, movimentos sociais, fóruns, redes, universidades, fundações e federações brasileiras. Este diagnóstico foi atestado por 106 especialistas em diversas áreas dos 17 ODS e as suas metas, colocando que “a destruição de direitos sociais, ambientais e econômicos, além de direitos civis e políticos, arduamente construídos nas últimas décadas, fica patente nas 92 metas (54,4%) em retrocesso; 27 (16%) estagnadas; 21 (12,4%) ameaçadas; 13 (7,7%) em progresso insuficiente; e 15 (8,9%) que não dispõem de informação. Este ano não há uma meta sequer com avanço satisfatório”. Assim entendemos que precisamos juntar e fazer com que os acrônimos andem em conjunto. Não só empresarialmente, mas para todos os stakeholders , pois no final do dia ou do ano estamos todos no mesmo “barco” ou no mesmo planeta com as mesmas demandas, desafios e problemas. * Markus Nakagawa é Professor e coordenador do CEDS/ESPM; autor premiado com o Jabuti 2019, palestrante e idealizador da Abraps e do Dias Mais Sustentáveis.

7 de setembro, 2021
ESG e as mudanças nas formas de consumo
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ESG e as mudanças nas formas de consumo

Artigo por Luiz Fernando Gerber Por Luiz Fernando Gerber * Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre ESG (sigla para Environmental, Social and Governance, ou em português, Meio Ambiente, Social e Governança). Na prática, o conceito de ESG visa pautar as ações de uma empresa considerando seus impactos em sustentabilidade. A questão ambiental envolve as boas práticas que a empresa adota para neutralizar emissões de CO2, preservar os recursos naturais envolvidos na cadeia produtiva, bem como a gestão de resíduos e efluentes. O social avalia as relações da organização com funcionários, comunidade e fornecedores. Por fim, a governança foca em ações de combate à corrupção e compliance. Estudos apontam que a sociedade também tem repensado suas atitudes em prol de um futuro sustentável. Uma pesquisa do IBM (Institute for Business Value) realizada com quase 15 mil pessoas em oito países, além do Brasil, aponta que os critérios ESG são uma forma de atrair candidatos para as empresas: 71% dos trabalhadores e pessoas buscando novas oportunidades afirmam que empresas ambientalmente sustentáveis são mais atraentes para se trabalhar. O estudo do IBM indica que 66% dos brasileiros estão dispostos a mudar seus hábitos de consumo para reduzir problemas ambientais. A agência de pesquisa norte-americana Union + Webster também sugere mudanças de comportamento. Para 87% dos consumidores brasileiros, é preferível comprar de empresas sustentáveis. Os dados mostram também que 24% da população brasileira é da geração Z (pessoas nascidas entre 1999 e 2019), representando o segundo maior mercado consumidor do Brasil, seguido dos millenials (nascidos entre 1981 e 1998). Essa transformação no comportamento de consumo acende um sinal amarelo para que as empresas adotem práticas sustentáveis se quiserem continuar atraentes para esse público. Impulsionada por essa geração mais engajada, a economia circular tem ganhado força. A OLX aponta que, entre os 39% dos brasileiros que já compraram produtos usados, 45% deles tiveram esse primeiro contato na pandemia. Em tempo de recessão, é preciso repensar os hábitos e apertar o cinto. O estudo ainda projeta que o mercado de “segunda mão” deva atingir US$ 64 bilhões nos próximos anos, ultrapassando o segmento de vendas tradicionais até 2024. A indústria da moda, por exemplo, é uma das mais poluentes do planeta, conforme aponta a Organização das Nações Unidas (ONU). Ela é responsável por algo entre 8% e 10% das emissões de gás carbônico, e é a segunda que mais consome água, gerando cerca de 20% de todo o esgoto e água despejados no ambiente. Com todos esses dados, fica evidente o importante movimento que está transformando as relações de consumo. Vale observar também que e-commerce, que já estava em alta, ganhou ainda mais força com o crescimento da migração para as compras via smartphones – uma pesquisa realizada pela Shopping Apps Report estima que 75% das vendas neste ano serão feitas nesta modalidade. Neste cenário, ganham força aplicativos que conectam pessoas que querem vender, comprar ou trocar produtos seminovos, além de colocar em contato prestadores de serviços que oferecem seus trabalhos em troca de produtos ou outros serviços. Cada vez mais as pessoas estão reconhecendo que seus hábitos de consumo têm grande impacto no meio ambiente, e que para alcançar um futuro sustentável, é fundamental consumir de forma consciente. * Luiz Fernando Gerber é CEO do Finpli, aplicativo que facilita a troca de produtos entre pessoas pela sua proximidade, usando um sistema de geolocalização.

2 de setembro, 2021
Uma jornada em busca do ESG
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Uma jornada em busca do ESG

Por Francisco Perez * Muito tem se falado sobre os crescentes desafios ambientais e sociais que a humanidade está enfrentando. São frequentes os alertas sobre as consequências desses desafios para a economia mundial, como mudança climática, escassez de recursos, perda da biodiversidade, desmatamento, pobreza, desigualdade e desrespeito aos direitos humanos. A importância desses temas é inegável. Ao redor do mundo, países, empresas e indivíduos participam de uma corrida saudável em busca de uma relação entre humanidade e planeta que seja sustentável a longo prazo. Em 2015, o relatório ‘O dever fiduciário no século XXI’, elaborado pela iniciativa PRI (Principles for Responsible Investments – Princípios para Investimentos Responsáveis), da ONU, corroborou entendimento de um parecer jurídico emitido em 2005, da própria entidade, e esclareceu que “é uma quebra do dever fiduciário não considerar geradores de valor de longo prazo, inclusive questões ambientais, sociais e de governança (ESG) na gestão de recursos”. Esse posicionamento tem impulsionado instituições financeiras e gestores de recursos a embarcarem na jornada por uma sociedade mais responsável e sustentável. No Brasil, já podemos observar diversas iniciativas implementadas por instituições financeiras tradicionais que vêm repensando suas políticas e produtos para estarem alinhadas às diretrizes ESG. Isso, sem dúvida, representa um ganho muito importante e já se reflete na cadeia financeira. A prova disso é que a maioria das fintechs criadas atualmente trazem, entre suas principais preocupações, dar respostas às questões ambientais, sociais e de governança. Um levantamento recente, realizado pela empresa de pesquisa sobre investimentos Morningstar, mostrou que foram criados 85 produtos considerados sustentáveis no ano passado, tendo um aumento significativo quando comparamos com 2019, quando foram originados apenas seis. O valor captado foi igualmente expressivo, totalizando R$ 2,5 bilhões. Apesar destes números serem animadores, não podemos negar que ainda existe um longo percurso a ser trilhado para que estas práticas sustentáveis estejam, de fato, difundidas no mercado. Além disso, é importante considerar que a maioria de nós não age de forma irresponsável ou insustentável voluntariamente, mas sim por falta de alternativa, conhecimento ou ambos. Por isso, precisamos praticar a inclusão, sobre a qual tanto se discute nos últimos anos, e abraçar países, empresas e indivíduos aos quais ainda não foram permitidos adquirir o conhecimento ou alcançar o estágio de maturação necessário para adotarem as melhores políticas e exercerem as práticas mais eficazes para que a existência da humanidade neste planeta possa ser chamada de sustentável. Que sejam bem-vindas todas as iniciativas nesse sentido e que sejamos tolerantes com os diferentes estágios de entendimento e as dificuldades daqueles que se propõem a iniciar a jornada, mas ainda não encontraram o caminho. Aprendamos com o exemplo das iniciativas de inovação aberta que proliferaram entre as organizações na última década e encontraram na colaboração a fórmula para inovar, se reinventar e sobreviver. Colaboremos também todos nós, governos, empresas e indivíduos, para que novas formas de organização da sociedade e condução dos negócios floresçam e permitam que encontremos mais justiça e menos desigualdade num planeta mais saudável. Governos, criem medidas que penalizem as práticas não sustentáveis e incentivem as mais responsáveis por parte de empresas e indivíduos. Empresas, exerçam relações mais humanas com a sociedade, representada por empregados, fornecedores, clientes, governos e comunidades. Indivíduos, assumam responsabilidades nos papéis de cidadãos, consumidores, investidores e educadores. * Francisco Perez é Diretor de Novos Negócios do Banco Alfa.

22 de julho, 2021
Tecnologia como viabilizadora das práticas ESG
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Tecnologia como viabilizadora das práticas ESG

Por Marcello Albuquerque e Osvaldo Fabbro * A sigla ESG define a preocupação das empresas em três esferas: Environmental, Social and Corporate Governance (Governança Ambiental, Social e Corporativa, em português). O termo, cunhado no relatório da ONU “Who Cares Wins” em 2004, representa uma tendência que vem ganhando força no mercado desde iniciativas como o Eco92 e se torna cada vez mais crítico para um mercado que busca investir em companhias que possuem práticas para preservar os recursos ambientais, sociais e econômicos, e pode ter a tecnologia como sua aliada. O ESG ilustra o compromisso com práticas mais sustentáveis e é uma tendência que invadiu as discussões do board das companhias. Uma pesquisa da Global Network of Directors Institutes (GNDI) sobre os reflexos da pandemia nos conselhos de administração e tendências globais mostra a importância das práticas, que foram impulsionadas por conta da Covid. O estudo apontou o ESG como a questão de maior impacto, seguida do reposicionamento dos negócios e maior competição por talentos. Mas o que tecnologia tem a ver com as práticas ESG? A resposta é simples: ela é uma viabilizadora! Mais do que realizar estas iniciativas, é preciso comprová-las com indicadores de resultados e quantificação dessas ações, além de métricas de aumento das demandas, que tende a crescer ano após ano. O volume dessas ações e as exigências se tornam tão grandes que apenas com uso intensivo da tecnologia é possível reportar o quão bem ou mal a sua empresa está no mercado. A tecnologia pode ser utilizada tanto na frente de estruturação dos processos e procedimentos envolvidos quanto na frente de monitoramento destas atividades, com KPIs auditáveis. Com um trabalho consultivo e um olhar holístico e sistemático dos processos da empresa, é possível desenhar planos de ações para realizar as práticas ESG e identificar em quais áreas precisam ser atacadas do ponto de vista de sustentabilidade de negócio, impacto ambiental, social e de governança. A veracidade dessas ações só pode ser autenticada a partir do rastreamento dessas iniciativas, com o uso, por exemplo, de IoT, Blockchain, Data Analytics, entre outras soluções, que devem ser adotadas e customizadas conforme a demanda da empresa. Há diversas atividades que exemplificam o uso da tecnologia com foco nas práticas ESG, como: solução de crachás inteligentes que podem auxiliar na integridade do funcionário; privacidade de dados do paciente no hospital; rastreabilidade da cadeia de descarte de resíduos contaminados; eficiência de processos e melhor utilização de equipamentos a fim de diminuir o impacto no meio ambiente; programas de investimento em microempresas; entre outras possibilidades. Além disso, a implementação de práticas de ESG exige uma governança sistemática e harmônica dentro do negócio e para conseguir isso, de forma auditável, é preciso ter integração de diferentes sistemas. Desta maneira, é possível comprovar a adesão a processos sustentáveis, que é o grande valor buscado pelas empresas que estão preocupadas com o tema. Todas essas soluções que viabilizam as práticas precisam ser construídas a quatro mãos com empresas e integradores tecnológicos e, assim, conseguir desenvolver sistemas capazes de reduzir impactos ambientais e sociais, aprimorar a governança e permitir o monitoramento dos KPIs. Essa tendência, que está começando a eclodir no país, também vem se tornando requisito para sobrevivência no mercado, que pode ser desenvolvida com parceiros que utilizam a disponibilidade tecnológica atual para esse fim - que conseguem desenhar, implementar e operar este tipo de solução, de acordo com a necessidade de cada tipo de negócio. * Marcello Albuquerque e Osvaldo Fabbro são Diretores de Consultoria da Logicalis

6 de julho, 2021
O ESG já é uma realidade no Brasil?
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O ESG já é uma realidade no Brasil?

Por Marcus Nakagawa * A Cúpula do Clima, realizada no final de abril e liderada pelo presidente norte americano Joe Biden, fez com que vários países se posicionassem sobre as questões da emergência climática e a busca por uma “descarbonização” das suas matrizes energéticas, atividades comerciais e melhoras nas políticas ambientais. Líderes mundiais apresentaram as suas metas das agendas climáticas e a importância do tema para a criação de empregos, novas tecnologias e a busca da tal “economia verde”. Esta reunião, que durou dois dias, foi uma preparação para a COP-26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Glasgow, na Escócia, em novembro deste ano. É neste encontro oficial das Nações Unidas que os países, oficialmente, se comprometem e fazem os acordos geopolíticos perante outros países, empresas, ONGs, jornalistas, entre outros. Todo este movimento acaba repercutindo nas empresas, nos investidores e nos negócios, principalmente no tema que tanto povoa a minha “bolha” digital, o tal do ESG. Para aqueles que ainda não estão acostumados com a sigla, o termo tem a ver com uma gestão mais sustentável, fazendo com que a empresa pense não somente na questão financeira do negócio, mas também em todos os indicadores e resultados ligados ao ambiental (Environmental), social (Social) e à governança (Governance). O número de fundos ESG em 2020 disponível para investidores americanos cresceu para quase 400 – um aumento de 30% em relação a 2019 e um aumento de quase quatro vezes em uma década, de acordo com a Morningstar, uma grande e independente empresa de pesquisas de investimentos. Inclusive, em novembro de 2020, esta empresa, formalmente, integrou o ESG em suas análises de ações, fundos e gestores de ativos. No Brasil, segundo a pesquisa “A evolução do ESG no Brasil”, da Rede Brasil do Pacto Global e da Stilingue, de abril de 2021, 78% da geração dos Millennials e 84% da geração Z declaram optar por este tipo de investimento. E no ano de 2020 a discussão deste tema cresceu sete vezes mais, em relação ao ano anterior. Mas será que é só uma discussão das redes? Parece que não, pois a pesquisa mostra ainda que 84% dos representantes do setor empresarial afirmaram que aumentou o interesse em 2020 em relação a entender mais sobre esta agenda e sobre os critérios ESG. Nas respostas das 308 empresas que fazem parte da Rede Brasil do Pacto Global, foi constatado que as empresas estão atuando com vários tópicos e indicadores do ESG, sendo que as cinco iniciativas mais atuantes nas empresas atualmente são: 79% criação de mecanismos de compliance e governança; 76% na gestão de resíduos, reciclagem e reaproveitamento; 68% na criação de comitês e órgãos de governança buscando a integridade da organização; 61% de apoio à Covid-19; e 60% no apoio às comunidades no entorno. O interesse para entrar em fundos e índices de sustentabilidade corporativa também aumentou. Segundo o Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE da B3, o número de empresas inscritas para fazer parte desta carteira foi 69% maior em 2020, comparado ao ano de 2019. Mostrando a importância deste que é o quarto índice de sustentabilidade corporativa criado no mundo, e o primeiro no Brasil, que levanta os critérios de eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa em cada uma das empresas. Desde 2005 até dezembro de 2020, o ISE apresentou uma rentabilidade de +315% contra +272% da Ibovespa. Ainda sobre os fundos, de acordo com o levantamento na Morningstar e Capital Reset, os fundos ESG no Brasil captaram R$ 2,5 bilhões em 2020, sendo que mais da metade deles havia sido criada nos últimos 12 meses. E este ecossistema está crescendo, pois no ESG Tech Report da Distrito, de maio de 2021, são apresentadas as várias empresas de tecnologia que estão trabalhando com os temas de ESG, mostrando que já começa a ser formada uma rede de serviços, apoio e funcionalidades para uma melhor gestão e reporte das questões de governança, ambiental e social das empresas. Mas as empresas estão colocando o ESG no seu dia-a-dia? A resposta é sim, desde que eu trabalhava nas grandes empresas, as ações ligadas à temática estavam acontecendo, talvez menos mensuradas e relatadas naquela época, quase uma década atrás. Empresas, como a Vivo, que acabou de lançar o seu relatório de sustentabilidade 2020, conta todos os pontos de ESG nas mais de 100 páginas de relatos. Ou a Klabin que, além das várias ações que realiza, criou indicadores específicos atrelados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, os KODS – Objetivos Klabin para o Desenvolvimento Sustentável. Estas e muitas outras empresas estão inserindo a temática diariamente nos objetivos, metas, processos e com melhorias constantes. Nossos colegas profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão arduamente trabalhando para a implantação do ESG na prática. É um processo de aprendizado constante, uma nova forma de gerir os negócios, não pensando somente na lucratividade a qualquer preço e a qualquer custo. Até o tradicional bônus das metas está sendo alterado. Como exemplo disso temos a Duratex, que atrelará 10% da remuneração variável de executivos às metas ESG da empresa. Estes são os novos tempos pós-pandemia, em que precisaremos mudar de vez o tradicional mindset com somente um foco e de processos lineares. Empresas, mais ESG, por favor! * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida .

24 de junho, 2021
ESG no Compliance Ambiental
ARTIGO
ESG no Compliance Ambiental

Por Eduardo Tardelli * ESG e Compliance. Aí estão duas palavras bastante usadas de uns anos para cá, mas você sabe exatamente o que significam? ESG é a sigla de Environme ntal, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança, em tradução livre), ou seja, significa um conjunto de práticas ambientais, sociais e de governança realizadas por empresas para cuidar do meio ambiente, ter responsabilidade social. Compliance, por sua vez, envolve práticas, controles e soluções que têm como objetivo o cumprimento das leis e normas para o empreendimento em questão. Um dos aspectos mais importantes do compliance é a criação de uma cultura na empresa para que todos os funcionários tenham atitudes éticas e de acordo com os princípios e valores que são fundamentais para a empresa. O compliance ambiental é completamente focado nos aspectos relacionados à gestão de resíduos, efluentes e na relação com o meio ambiente e as pessoas, ou seja, o compliance ambiental complementa em muitos aspectos o ESG. A legislação ambiental no Brasil é bastante complexa e abrange todas as atividades de uma empresa: desde a extração da matéria prima até o consumidor final - mas em alguns casos vai além e engloba o papel da logística reversa: do consumidor até a indústria para que o material tenha uma destinação sem impacto ambiental. Do ponto de vista jurídico, isso é gigante e extremamente complexo. O compliance ambiental vem para garantir que todas as normas que envolvem os processos sejam cumpridas com o objetivo maior de evitar problemas futuros. A preservação do meio ambiente está em alta (talvez nem tanto quanto deveria) tanto na sociedade quanto no meio empresarial e por isso aquelas empresas que não estiverem preocupadas com isso vão ficar para trás. Não se trata apenas de realizar ações específicas, mas sim de uma política contínua. Compliance ambiental é mais do que apenas ter cestos de lixo reciclável, mas sim ensinar o colaborador que ele deve reciclar o lixo dele, pelo menos durante o expediente. Quando há uma preocupação verdadeira por parte da empresa, esse aspecto estará tão enraizado no colaborador que não ficará apenas durante o expediente. Ele vai levar essa preocupação para casa e influenciar as pessoas a sua volta, realizando uma verdadeira corrente do bem. É mais do que parar com os copos descartáveis, é optar por equipamentos com baixo impacto ambiental, priorizar itens mais duráveis e diminuir a pegada ambiental da cadeia produtiva. É mais do que compliance, é plantar uma sementinha para uma mudança social. Você e sua empresa estão prontos para isso? * Eduardo Tardelli é CEO da upLexis, empresa de software que desenvolve soluções de busca e estruturação de informações extraídas de grandes volumes de dados (Big Data) da internet e outras bases de conhecimento.

29 de maio, 2021
Saneamento Ambiental Logo
ARTIGO
Mudança para o paradigma empresarial da sustentabilidade

Por Marcus Nakagawa * Nas aulas que estamos on-line e ao vivo na graduação, temos discutido muitos conceitos, exemplos bons e ruins das empresas, notícias da semana e atualidades. Os alunos e alunas estão muito instigados e engajados com as temáticas da sustentabilidade, comprovando as pesquisas de 2020 da Globescan e do Instituto Akatu, que mostram que na geração Z cerca de 45% dos entrevistados tinham considerado recompensar uma empresa socialmente responsável e 57% mudaram as suas opções de compras no ano passado. Sendo que estes números vêm crescendo nos últimos anos. Nessa pesquisa, ainda, 81% do total de todos os entrevistados colocam atitudes positivas para a natureza, entendendo que “o que é bom para mim, nem sempre é bom para o meio ambiente”. Em uma das aulas, uma aluna questionou que não entendia como as empresas que estão nascendo, as startups e esses novos empreendedores, já não colocavam os temas da sustentabilidade no negócio e na estratégia do seu nascedouro. “Fico inconformada como as temáticas eram só consideradas muitas vezes “marketing” da empresa, virando um greenwashing, socialwashing ou diversitywashing”. Termos que usamos para dizer que pode ser uma ação de sustentabilidade, mas descolada da realidade da empresa ou, simplesmente, uma mentira. Uma “tinta” verde, ou com várias cores do arco-íris no produto, somente para vender mais, sem lastro, sem estratégia ou estofo para as questões do desenvolvimento sustentável. No mundo financeiro, inclusive, agora a moda é o ESG ou ASG, que é o ambiental, social e a governança, que já escrevi em outros artigos. Inclusive com grandes eventos digitais de grandes bancos, mostrando e trazendo especialistas para ensinar o que é este termo, e como aplicá-lo no dia a dia da empresa. Ficamos muito felizes com isso! Mas, com todas essas provocações, gostaria de voltar e ressaltar uma palavra do título deste artigo: paradigma. O significado, segundo o dicionário Michaelis, é algo que serve de exemplo ou modelo; padrão. Alguns sinônimos dessa palavra são: padrão, regra, norma, referência, modelo, exemplo, entre outros. Assim, gostaria de confirmar o que a minha aluna questionou, e que eu e muitos colegas da área estamos debatendo e engajando, há mais de 25 anos no mundo corporativo do País. Esse, inclusive, foi até um dos gatilhos, para a idealização e fundação da Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (Abraps), para levar a necessidade desse modelo para todas as empresas, organizações e governo. Esse paradigma da sustentabilidade empresarial tem que ser colocado no nascedouro, no apogeu e no final das empresas, nos seus produtos e serviços, nos seus processos, nos seus indicadores, ou seja, permear toda a empresa. Desde os seus departamentos, times e bonificação. Pois é: o financeiro talvez seja uma das únicas áreas, ou tema, envolvido em todos os processos, contatos e pessoas. Sim, a parte em que transformamos horas de trabalho em dinheiro, aquele que define o quanto vamos contratar, comprar, devolver, emprestar, lucrar, consertar, fundir, demitir... Ufa, tudo está em torno deste tema. Não estou diminuindo a sua importância, mas, precisamos usar o aprendizado desse paradigma para construirmos um novo. Será que num mundo cada vez mais polarizado, em que temos que escolher um lado ou uma direção, conseguimos desenvolver nosso cérebro e percepção para enxergarmos de uma forma tridimensional ou quadrimensional? Será que as empresas conseguirão entregar valor não unicamente para os acionistas, mas também para todos os outros stakeholders? Será que essas novas empresas já nascerão pensando também nas questões sociais, ambientais e de governança, além do único e tradicional lucro? Sim, é um paradigma a ser trabalhado, pois temos que trocar o tradicional pensamento linear do Fordismo para um pensamento circular da Ellen MacArthur, um pensamento sistêmico da teoria geral de sistemas, ou do ecossistema do que estudamos em nossas aulas de biologia. Acredito que o nosso cérebro consegue se desenvolver, sim, e aumentar a capacidade de trabalhar com esse novo paradigma. Pois, assim como as pesquisas mostram, o mundo financeiro está comunicando, meus alunos e alunas estão questionando, e os profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão trabalhando, o mundo corporativo está mudando o seu paradigma. E o que você está mudando na sua empresa ou no seu departamento? * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; idealizador da Plataforma Dias Mais Sustentáveis; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

22 de março, 2021
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ESG
Ecolab vai usar Métricas de Capitalismo Responsável

A Ecolab comprometeu-se a utilizar as Métricas do Capitalismo Responsável (ou de Partes Interessadas), divulgadas pelo Fórum Econômico Mundial e seu Conselho Internacional de Negócios, para melhorar ainda mais o seu desempenho ambiental, social e de governança (ESG). As Métricas do Capitalismo Responsável são um conjunto de 21 indicadores, projetados para serem incluídos nas atualizações financeiras regulares, que dirão aos investidores, acionistas, consumidores e funcionários como uma empresa está se saindo em questões como mudanças climáticas, biodiversidade, diversidade no local de trabalho e boa governança. “Para que os negócios tenham sucesso a longo prazo, além de gerar valor econômico, precisamos focar, simultaneamente, no bem-estar de nossas pessoas, na saúde de nossas comunidades, no meio ambiente e no uso dos recursos naturais”, explica o CEO da Ecolab, Christophe Beck. O executivo é um dos 61 líderes de negócios a se comprometerem com as métricas. “Nós nos esforçamos para sermos líderes nessas áreas, e as Métricas do Capitalismo Responsável fortalecerão ainda mais o ESG, o desenvolvimento de melhores práticas, a tomada de decisão com responsabilidade, além de impulsionar um maior impacto para o benefício de todos”. O Fórum Econômico Mundial, em colaboração com o Bank of America, Deloitte, EY, KPMG e PwC, fez a curadoria das 21 métricas principais e 34 expandidas, nos últimos dois anos, com o apoio de mais de 140 partes interessadas. As métricas foram construídas em torno dos padrões existentes e são apoiadas por várias organizações líderes de relatórios ESG, como uma forma consistente de ajudar a monitorar o progresso em sustentabilidade e aumentar a transparência e responsabilidade pelo valor compartilhado, e sustentável, que as empresas criam. As métricas incluem divulgações não financeiras, como as emissões de gases de efeito estufa, igualdade salarial, diversidade do conselho, entre outras. “O Capitalismo Responsável (ou das Partes Interessadas) se tornou realmente popular”, disse Klaus Schwab, Fundador e Presidente Executivo do Fórum Econômico Mundial. “Os compromissos públicos das empresas, em relatar não apenas questões financeiras, mas também seus impactos ESG são um passo importante para uma economia global que trabalha para o progresso, para as pessoas e para o planeta”. Para obter mais informações sobre as Métricas do Capitalismo Responsável (ou das Partes Interessadas) do Fórum Econômico Mundial, visite www.weforum.org/stakeholdercapitalism .

1 de fevereiro, 2021
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ARTIGO
ESG ou Sustentabilidade Empresarial?

Por Marcus Nakagawa * Não sei se é a minha bolha nas redes sociais, mas muitos dos meus contatos estão postando e escrevendo sobre este tal de ESG. Muitas empresas estão indo atrás deste termo e meus alunos e alunas começam a se confundir com as várias siglas e conceitos. Será que isso tem a ver com a sustentabilidade? É um outro tema que conversa com o Desenvolvimento Sustentável? Já temos que ir atrás de um outro curso ou indicador? Bom, primeiro vamos explicar que ESG é a sigla para Environmental, Social & Governance, o que traduzido daria ASG: Ambiental, Social e Governança. Interessante que, se você coloca este termo nos buscadores resulta em um monte de empresas da área financeira, fundos e bancos colocando a importância das questões ambientais e sociais como riscos aos negócios. Este termo apareceu na publicação “Who Cares Wins”, de 2004, do Pacto Global da ONU junto com o Banco Mundial. No último Fórum Econômico Mundial, no começo do ano, as questões ambientais e a emergência climática eram os principais tópicos de riscos apresentados a longo prazo. E, logo depois, aconteceu a pandemia, que subtraiu valores da maior parte das empresas e governos devido à falta de cuidado com a gestão dos animais silvestres e à governança global. Klaus Schwab, fundador em 1971, do evento que tem o objetivo de discutir práticas de gestão global, colocou que as empresas precisam gerar valor para os acionistas e também para os outros stakeholders ou públicos de relacionamento. Vimos isso bastante em tempos de pandemia, empresas de bebidas fazendo álcool em gel, empresas de roupas fazendo máscaras e muitas empresas e pessoas físicas no país fazendo doações para as reais necessidades da população. A pergunta é se isso continuará na retomada da crise pós pandemia. Sobre gerar valor para os vários stakeholders, Porter e Kramer, em um artigo de uma década atrás, colocaram a necessidade de se criar valor compartilhado para além dos acionistas e clientes/consumidores, também para os fornecedores, comunidades, colaboradores, meio ambiente, entre outros. Ou seja, a empresa não é uma ilha isolada que fica somente produzindo e vendendo para bater a meta prometida aos acionistas. Neste processo haverá muitos outros movimentos que impactarão negativamente ou positivamente o entorno e as pessoas que estão em contato. E aí, sim, estamos falando dos stakeholders, que podem oferecer riscos de um acidente no trabalho, de uma poluição no ar ou rio, de um fornecedor que tem práticas não aderentes aos Direitos Humanos, ou um funcionário que dá comissão para um político. Estes riscos ambientais e sociais precisam ser medidos, avaliados, controlados e melhorados. Para isso existem as políticas, os procedimentos, as regras, os códigos de condutas, certificações e o compliance nas empresas. Para apoiar e operacionalizar tudo isso temos as áreas de sustentabilidade, de qualidade, de saúde e segurança, de meio ambiente, de auditoria, de ética e compliance, entre os vários nomes para estas áreas. E tudo isso precisa ser “orquestrado” pelo C-level (a liderança empresarial) na governança desta empresa. A forma que a empresa seguirá as “regras e leis” que ela colocou será fundamental para a gestão inclusiva e sustentável. Mas tudo isso vale a pena também financeiramente? Sim! É isso que fundos como o ISE da B3 tem mostrado nestes 15 anos, com uma rentabilidade maior do que os fundos tradicionais. E mais do que isso: já tirou desta carteira de empresas com ESG várias delas que, no meio do caminho, tiveram problemas ambientais, sociais e éticos, mesmo que fossem muito representativas no âmbito total do fundo. A empresa XP criou uma área específica para este tipo de investimento e os bancos tradicionais possuem fundos éticos, sociais e ambientais desde o começo desta década. O maior fundo de pensão do mundo, o Fundo de Investimento em Pensão do Governo do Japão, também anunciou, no meio da pandemia, que está priorizando investimentos ESG e está utilizando indicadores e análises de riscos relacionadas às mudanças climáticas e as oportunidades que este desafio possa criar. No começo do ano, a maior gestora de recursos do mundo, a BlackRock, também apresentou a importância que estava dando para as questões de ESG. E agora, no final de outubro, a empresa, junto com a XP, lançaram o BlackRock Global Impact, que é um fundo formado por empresas globais com produtos e serviços pautados nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Ou seja, trabalhando com empresas que, efetivamente, estão buscando as melhorias necessárias no planeta e para as pessoas. Mas afinal, ESG é a mesma coisa que sustentabilidade? Sim, a ideia é a mesma. E muitos usam a mesma base de indicadores da área de sustentabilidade que estamos discutindo há mais de três décadas. Para corroborar ainda mais com esta semelhança entre os termos, o diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira, coloca que o ESG é um olhar do setor financeiro sobre as questões de sustentabilidade, as quais discutimos ao longo deste artigo. Entretanto, muito cuidado para quem quer implementar o ESG, pois não basta criar um produto ou uma linha de produtos mais verdes, sustentáveis ou somente apoiar um projeto social. Estamos falando aqui de gestão, governança, controles e avaliações. E inserir as questões ambientais e sociais no cerne da estratégia dos negócios e em todos os processos. Quando o mercado financeiro tornar este termo um mainstream, ou seja, um padrão para todas as empresas e negócios, e não somente algumas carteiras e fundos, o desenvolvimento sustentável ganhará ainda mais força. * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. Idealizador da plataforma Dias Mais Sustentáveis. Autor dos livros: Marketing para Ambientes Disruptivos; Administração por Competências; e 101 Dias com Ações Mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Prêmio Jabuti 2019).

7 de dezembro, 2020