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A Escassez de recursos hídricos na indústria brasileira

A Escassez de recursos hídricos na indústria brasileira

O setor industrial, que utiliza grandes volumes de água em processos produtivos, enfrenta custos crescentes com o aumento da demanda e a queda nos níveis dos principais reservatórios

A crise hídrica no Brasil tem se tornado um dos maiores desafios contemporâneos, afetando tanto comunidades quanto indústrias que dependem de recursos hídricos confiáveis. Secas prolongadas, mudanças climáticas e o uso inadequado da água têm exigido soluções inovadoras e sustentáveis, especialmente no setor industrial, onde a escassez de água impõe riscos os empregos, produção e competitividade.

O setor industrial, que utiliza grandes volumes de água em processos produtivos, enfrenta custos crescentes com o aumento da demanda e a queda nos níveis dos principais reservatórios. Mesmo com o Brasil possuindo uma das maiores reservas de água doce do mundo, a má gestão, poluição e distribuição desigual criam grandes desafios para as indústrias, especialmente em regiões afetadas pela estiagem. O desperdício de água e a falta de estratégias sustentáveis em muitos parques industriais agravam ainda mais o problema.

Reuso de Água, Soluções em Circuito Fechado e Dessalinização

Uma das principais soluções para enfrentar esse cenário é o reuso de água, que já se mostra essencial para garantir a continuidade operacional das indústrias. Tecnologias avançadas, como sistemas de membranas e ultrafiltração, permitem o tratamento eficiente dos efluentes, transformando a água descartada em um recurso reutilizável. Esses sistemas são a base para a criação de circuitos fechados de água, onde a água é continuamente reciclada dentro do processo produtivo, minimizando a dependência de fontes externas e reduzindo significativamente o impacto ambiental.

Além disso, em regiões costeiras ou em locais onde há pouca disponibilidade de água doce, os sistemas de dessalinização emergem como uma solução poderosa. Usando tecnologias de ponta, como a osmose reversa. A dessalinização converte água do mar ou de fontes salobras em água potável e utilizável para processos industriais ou fins potáveis. Essa alternativa permite que indústrias em áreas afetadas pela escassez severa de água possam garantir o abastecimento contínuo e seguro, sem comprometer seus níveis de produção.

Economia Circular e Eficiência Hídrica

Além do reuso de água e dessalinização, o conceito de economia circular é uma peça-chave para a sustentabilidade no setor industrial. Na economia circular, os recursos são continuamente reaproveitados, e o desperdício é minimizado ao máximo. No contexto da água, isso significa a otimização do uso, reciclagem e reuso, tornando cada gota um ativo valioso. Adotar essa abordagem não só mitiga os impactos ambientais, como também garante maior resiliência operacional em um cenário de crise hídrica.

Indústrias que implementam práticas de economia circular, reuso de água e dessalinização ganham competitividade ao otimizar seus processos produtivos e reduzir a dependência de recursos naturais. A redução no consumo de água, a dessalinização em regiões com baixa disponibilidade hídrica e a reciclagem contínua dentro das fábricas contribuem diretamente para as metas de ESG (Ambiental, Social e Governança), um compromisso cada vez mais indispensável para empresas que desejam prosperar em um mercado sustentável.

Desafios e Benefícios para o Setor Industrial

A escassez de água pode causar impactos severos na produção industrial, como aumento dos custos operacionais, perda de competitividade e, em casos extremos, interrupção das atividades. No entanto, empresas que investem em soluções de reuso, tratamento eficiente de efluentes, sistemas de circuito fechado e tecnologias de dessalinização não apenas protegem suas operações, mas também lideram uma transformação necessária para um futuro mais sustentável.

Essas tecnologias e práticas não são apenas uma resposta à crise hídrica, mas também um compromisso com a responsabilidade ambiental e a inovação sustentável. Ao integrar soluções circulares de água e dessalinização, as indústrias fortalecem suas operações, reduzem custos e demonstram alinhamento com as melhores práticas globais de sustentabilidade.

Utilizando tecnologia com propósito.

Enfrentar a escassez de recursos hídricos requer colaboração entre indústrias, governo e sociedade, além de um forte compromisso com a educação sobre o uso responsável da água. Tecnologias avançadas de tratamento de efluentes, reuso de água, dessalinização e economia circular são fundamentais para garantir que o setor industrial continue prosperando, mesmo em tempos de crise hídrica.

O Brasil, embora rico em recursos hídricos, precisa implementar uma gestão mais eficaz e integrada para garantir que esses recursos estejam disponíveis de forma equitativa e sustentável. A inovação tecnológica, como os sistemas de dessalinização e reuso de água, é uma das ferramentas mais poderosas na construção de um futuro sustentável, não apenas para as indústrias, mas também para as comunidades e o meio ambiente. (Por André Ricardo Telles, CEO da Ecosan)

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Não há dados sobre o descarte irregular de efluentes no Brasil
SANEAMENTO
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Artigo por Diogo Taranto Por Diogo Taranto * O cenário de emissões de efluentes no País é turvo. Não temos um atlas completo, no âmbito privado, sobre o quanto empresas, indústrias, condomínios e centros comerciais descartam todos os dias, de forma irregular, milhões de litros dos mais diversos tipos de líquidos que causam impacto extremamente nocivo a rios, lagos, ao solo e aos lençóis freáticos. Não conhecer o tamanho e a geografia desse imenso problema é um alerta que aponta para o complexo desafio que temos pela frente: enfrentarmos a gestão da água como prioridade. Há, sim, alguns estudos que trazem sinais claros sobre pontos relacionados ao problema do saneamento e do acesso à água no país. O Instituto Trata Brasil realiza um trabalho sério e que contribui na definição de políticas públicas e tomadas de decisões sobre, por exemplo, quais os locais mais carentes de investimentos. Um dado relevante publicado pela ANA – Agência Nacional das Águas – estima que o consumo das indústrias corresponda a 7% do volume de água consumida no Brasil. A grande maioria dos estudos que temos disponíveis tratam de acesso e de disponibilidade hídrica. Ainda de acordo com o Trata Brasil, em um estudo divulgado esse ano, 35 milhões de pessoas não têm acesso à água potável e cerca de 100 milhões não têm serviço de coleta de esgoto no país. Tendo uma ideia de onde não há acesso a saneamento, têm-se referências sobre os locais mais propensos a ocorrer irregularidades. Mas os dados parecem ficar sem outras respostas fundamentais. Quais são as maiores indústrias poluidoras que descartam efluentes contaminados? Onde elas estão? Quais os principais setores industriais? Quais são os mais novos e nocivos componentes químicos, misturados à água, que são descartados? Qual a real característica da água captada dos mananciais? Por fim, por que as instituições de fiscalização não coíbem com eficácia este que é um crime ambiental? São respostas complexas mas que precisam ser buscadas. Sabe-se, por exemplo, que a indústria automotiva é umas das grandes consumidoras, mas as montadoras - todas com padrões globais - investem muito em tratamento de efluentes e reúso de água. O que já não ocorre tanto com as indústrias periféricas do setor, na qual encontramos ainda muitas irregulares. A indústria têxtil também necessita de muita água em seus processos. Grandes players precisam seguir rígidos padrões internacionais. Mas e os médios e pequenos negócios que utilizam de componentes tóxicos na tinturaria de tecidos? Não temos essa foto! Onde há abundância de recursos hídricos, como na região norte, nos arredores de Manaus (AM) e Belém (PA), e na região sul no estado de Santa Catarina, por exemplo, o reúso de água na indústria é quase inexistente, assim como são poucos os cases de tratamento legal de efluentes. Há uma triste razão muito clara que explica essa cultura tóxica da gestão de água no Brasil: é mais barato não tratar o efluente e descartá-lo de forma irregular! Lavam as mãos e viram de costas para a natureza e para os valores de ESG, cada vez mais latentes na sociedade atual. E fazem isso pois sabem que correm pouco risco de serem multados ou processados pelas autoridades. O efluente não tratado quase não deixa rastro, pois acaba se misturando com as águas do corpo receptor onde são lançados. É diferente do resíduo sólido, que é muito mais complicado de escondê-lo. É preciso que toda a sociedade esteja mobilizada para denunciar quem está irregular, e motivar o cumprimento das leis ambientais. O Brasil e as empresas de tratamento de águas e efluentes aqui instaladas têm acesso às mais modernas tecnologias que existem no mundo. Tecnologias de ponta, que são práticas confiáveis e que entregam qualidades muito superiores às requeridas pela legislação nacional, que, vale destacar, é considerada uma das mais restritas e exigentes do mundo. Um empreendimento que trata seus efluentes e atende às regulamentações não está somente cumprindo sua obrigação legal, mas estará contribuindo com a melhoria dos mananciais, a sustentabilidade e subsistências das gerações futuras. A pressão social tem que partir não apenas das autoridades, mas de sociedades de classes e de associações setoriais. É urgente o mapeamento do problema para que ele seja combatido de forma coesa e efetiva. De posse de um retrato real sobre os desafios gerados pela emissão de efluentes líquidos, é possível criar campanhas que incentivem quem está irregular a entrar no caminho correto para que não sofram possíveis punições. Vivemos um momento de crise hídrica que não será temporária, mesmo sendo otimista e imaginando que nos próximos anos os reservatórios irão recuperar parte de seu volume, a certeza é que haverá outros ciclos de escassez. O Novo Marco do Saneamento já começa a impulsionar melhorias e na medida em que os organismos públicos começam a investir pesado para se adequarem às exigências necessárias, o setor privado precisa caminhar junto. Mas não há tempo para aguardarmos um ajuste natural do mercado. É preciso entender o tamanho do desafio que temos pela frente no que tange o descarte ilegal de efluentes. Necessitamos de uma transparência límpida como a de águas cristalinas, que coloque no holofote aqueles que estão devolvendo para a natureza um imenso problema. Ignoram, com ingratidão, que foi ela que lhes deu o precioso insumo que garante a subsistência de seus negócios. Mas sempre é tempo de adotarmos a sustentabilidade como filosofia de vida. * Diogo Taranto é Diretor de Desenvolvimento de Negócios no Grupo Opersan, especializado em soluções ambientais para o tratamento de águas e efluentes.

22 de março, 2022
ESG na indústria passa pelo tratamento da água e efluentes
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Artigo por Andreas Göhringer Por Andreas Göhringer * Muito se fala nos critérios ESG atualmente, mas como ir além do discurso e passar à prática numa perspectiva de longo prazo? Atender às necessidades e expectativas dos stakeholders nas três áreas – ambiental, social e governança – exige coragem para realizar um diagnóstico aprofundado de todas as operações e, na sequência, passar para um plano de ação que sane os possíveis gargalos da empresa. Claramente, é preciso investir para obter um raio-x realista de sua própria atividade. Gostaria de abordar uma área em que se faz necessária a aplicação de tais critérios com urgência no Brasil: o saneamento. Sabemos que o tratamento da água no Brasil e a adequação de efluentes industriais é uma emergência, e a crise hídrica apenas intensifica isso. Se pensarmos que a média de água potável perdida no Brasil em 2018 foi de 38,45% do total (de acordo com o Trata Brasil e Water.org), fica clara a necessidade de investimentos na infraestrutura do serviço de fornecimento de água. Destaco ainda a importância da manutenção de todo o sistema, pois medidores mais modernos e precisos podem estancar vazamentos e alertar para deficiência do processo. Os dados obtidos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico revelam que o ganho financeiro que o país teria com a redução de perda desse volume de água poderia chegar a R$ 30 bilhões até 2033. Como a sua empresa se encontra nesse quesito? Seja na atuação com o tratamento de água potável ou na recuperação de seus efluentes, necessário em indústrias de todo ramo, podemos dizer que a perda desse precioso recurso hoje é inadmissível, e equipamentos atualizados e modernos podem ser uma ótima ferramenta evitar o desperdício. O quesito ambiental, quando se fala em saneamento, é óbvio, mas o social também se faz presente. Afinal, 16% da população brasileira ainda vive sem água tratada, e 47%, ou seja, quase a metade, sem acesso à rede de esgoto. Como sua empresa se relaciona com o entorno de suas unidades fabris? Esse é um ponto que já foi abordado por muito tempo dentro de um viés assistencialista, mas que hoje exige medidas realistas e estruturais. A gestão das indústrias, ou sua governança interna e externa, também pode trazer insights de melhoria no tratamento da água e efluentes. Se pensarmos no transporte de fluidos, por exemplo, é crucial que ele seja realizado sem vazamentos, sem a corrosão dos equipamentos condutores e riscos de explosão. É preciso ter domínio de técnicas, é claro, mas também equipamentos próprios e calibrados, com manutenção em dia. As empresas que tiverem coragem de investir e mudar suas práticas em prol do planeta terão como recompensa a consciência limpa e a manutenção de sua competitividade. * Andreas Göhringer é Conselheiro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK-PR) e CEO da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle no Brasil.

18 de novembro, 2021
Ciclo virtuoso do uso eficiente da água e da energia
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Ciclo virtuoso do uso eficiente da água e da energia

Artigo por Julio Molinari Por Julio Molinari * No último mês de junho, a Organização das Nações Unidas divulgou um relatório com alerta de que o aquecimento global está aumentando e pode fazer com que diversos lugares do planeta sofram com escassez de água e a seca. Para dar uma ideia mais concreta da criticidade da situação, Mami Mizutori, representante especial da ONU para redução de risco de desastres, alertou em entrevista que “a seca está prestes a se tornar a próxima pandemia e não existe vacina para curá-la”. O relatório da ONU traz números impactantes. Um deles é o de que secas causaram perdas econômicas de pelo menos US$ 124 bilhões e atingiram mais de 1,5 bilhão de pessoas entre 1998 e 2017. Além disso, cerca de 130 países podem enfrentar um risco maior de seca neste século, outras 23 nações correm riscos de ter escassez de água por causa do crescimento populacional e 38 países poderão ser afetados pelos dois problemas. Outras entidades trazem dados sobre este quadro. De acordo com o World Economic Outlook, pesquisa realizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a "crise da água" é classificada como o quinto maior risco que o mundo enfrentará nos próximos 10 anos. Além disso, estima-se que, em 2025, um terço da população mundial viverá em áreas de escassez e com problemas hídricos e que em cerca de metade de todos os estados-membros da União Europeia, mais de 20% da água potável é perdida devido a vazamentos. A preocupação com escassez de água no mundo não é uma questão nova, mas, como não poderia deixar de ser, segue recebendo muita atenção, ainda mais quando são divulgados dados como estes. Até mesmo em regiões onde a disponibilidade de água é maior, o assunto é muito sensível e relevante. Isso porque a falta de recursos hídricos poderia não apenas representar um gargalo para a rotina da população em termos de consumo, mas também comprometer o funcionamento das atividades econômicas se a matriz energética estiver baseada em usinas hidrelétricas. Este seria um cenário possível no Brasil, já que, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), 64,9% da energia elétrica gerada no País é hidráulica. Outro levantamento que a EPE mantém sobre consumo nacional de energia elétrica aponta que dentre os segmentos residencial, industrial, comercial e outros (rural, serviço público e iluminação pública), entre 1995 e 2018, a indústria sempre foi a que mais consumiu energia no Brasil. Neste contexto, a utilização de tecnologias já existentes, como equipamentos que controlam motores elétricos, se torna ainda mais estratégica e mesmo necessária. Um exemplo disso é a estimativa de redução em 8% do consumo de energia até 2040, com a adoção em larga escala de motores controlados por drives no setor industrial. Sendo a matriz energética brasileira baseada em geração hidrelétrica, fica claro que utilizar água e energia com mais eficiência não só indica um ciclo que se retroalimenta, mas também que é essencial para que a nossa economia possa produzir com a máxima competitividade possível. Isso porque, como se sabe, é mais dispendioso quando há necessidade de se aumentar o consumo de energia proveniente de termelétricas, repassando um custo operacional mais alto para o que é produzido e, portanto, para a população que consome. Outra situação que mostra um forte vínculo entre água e energia se dá justamente no setor de saneamento. A dependência mútua entre estes dois recursos e a crescente demanda global por eles têm um impacto enorme no crescimento econômico, na sustentabilidade global e no nosso futuro. Felizmente, já estão disponibilizadas a digitalização e tecnologias desenvolvidas para criar um setor de água neutro em energia, atuando em todos os estágios do ciclo da água, da produção e distribuição até o tratamento e bombeamento de efluentes. Um sistema de distribuição hídrica mais eficiente permite reduzir vazamentos de água automaticamente, o consumo energético e o desperdício. Dispor destas soluções é um trunfo muito importante ao se analisar números do setor. Ele é responsável por 4% do consumo energético global e acredita-se que esse número dobrará até 2040. Além disso, instalações de água e saneamento são as maiores consumidoras de energia de um município, representando de 30 a 50% da conta de eletricidade total das autoridades locais. Por fim, ao contornar o problema de escassez de água reduzindo o seu desperdício, um setor de saneamento neutro em energia também pode contribuir para reduzir as emissões de CO2 e, consequentemente, para evitar o agravamento das mudanças climáticas que, por sua vez, interferem nos ciclos de chuva e hídricos no mundo inteiro. Assim, vemos como, novamente, o uso eficiente de água e energia pode formar um ciclo virtuoso que se retroalimenta continuamente. * Julio Molinari é Presidente da Danfoss na América Latina

4 de agosto, 2021
Estiagem é sinal de alerta
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Estiagem é sinal de alerta

Por Leo Cesar Melo * A pior seca em 91 anos enfrentada por cinco estados brasileiros, entre eles São Paulo, de acordo com um comitê de órgãos do governo federal, fez com que fosse anunciado o alerta de emergência hídrica no país. Mas, além da falta de água nas torneiras de casa, do apontamento da estiagem como responsável pelo aumento da conta de luz e de colocar o país sob risco de apagão, acima de tudo é importante refletir sobre o mau uso que se faz da água. Há uma demanda crescente por esse bem natural e, com isso, uma degradação cada vez maior dos nossos recursos hídricos. Portanto, é indispensável que ações e novas técnicas de preservação ambiental, que possam reduzir ao máximo esses impactos, sejam tomadas urgentemente. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), até 2030 o planeta deve enfrentar um déficit de água de 40%. Uma das alternativas para reverter esse quadro é a captação e tratamento da água da chuva. Além de uma economia que pode chegar até 50% do consumo de água, tanto de uma residência como de uma indústria, a medida gera impactos positivos ao meio ambiente. Hoje, a engenharia oferece soluções para isso. Em um terminal portuário no Espírito Santo, por exemplo, projetamos e construímos uma Estação de Tratamento de Águas Pluviais (ETAP) em uma área de 110 hectares que já está operando com capacidade de 4 mil m³/h de tratamento. Isso equivale a quase duas piscinas olímpicas por hora. Projeto que pode ser adequado, de acordo com a necessidade de cada indústria, além de outros fatores. Cuidar da água está intimamente ligado à sustentabilidade, já que não há futuro sustentável se tivermos desabastecimento. Portanto, a afirmação "água é vida" resume bem o tom de conscientização que todos nós devemos ter. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis.

2 de julho, 2021
A crise hídrica deveria ser um problema do passado
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A crise hídrica deveria ser um problema do passado

Por Giovanino Di Niro * O Brasil enfrenta há vários anos problemas graves em relação aos níveis de água nos reservatórios e, consequentemente, no abastecimento à população desse bem que é vital não só para a saúde das pessoas como também para a economia. Muitos se lembram do período de racionamento de água com que a região Sudeste teve que lidar em 2015. Desde então, pouco se fez em relação a investimentos no setor para melhorar a gestão desse recurso natural, e o país enfrenta agora, apenas seis anos depois, o que é considerada a pior crise hídrica de sua história. Essa situação é ainda mais inaceitável se pensarmos que o Brasil detém a maior reserva de água superficial do mundo, além de grandes reservatórios de água subterrânea, com destaque para o Aquífero Guarani. É verdade que as mudanças climáticas têm impacto na queda dos volumes destinados à população nos últimos anos, mas o problema principal é a grande quantidade de água desperdiçada durante a sua distribuição. Segundo dados do Instituto Trata Brasil publicados recentemente, tendo 2019 como ano base para o estudo, o país atingiu 39,2% de perdas de água na distribuição, volume que corresponde a 7,5 mil piscinas olímpicas de água tratada que é desperdiçada diariamente. Esse total equivale ainda a sete vezes o volume do Sistema Cantareira, o maior conjunto de reservatórios para abastecimento do Estado de São Paulo, e quantidade suficiente para abastecer mais de 63 milhões de brasileiros durante um ano. Ainda de acordo com o Instituto, o índice de perdas de água na distribuição no país era de 36,9% em 2012, ou seja, de lá pra cá o sistema, que já era precário, piorou ainda mais. Para reverter esse quadro, o Brasil tem um enorme desafio para os próximos anos, já que tem como meta garantir água potável para 99% da população, segundo foi estabelecido no Novo Marco do Saneamento Básico aprovado no ano passado. Atualmente, esse índice está em 83,6%, o que resulta em quase 35 milhões de brasileiros sem acesso a esse serviço básico, segundo o Trata Brasil. É por isso que será inevitável o investimento na digitalização do sistema hídrico para que haja uma gestão inteligente visando à redução de perdas de água. Motivos não faltam para a implementação de novas tecnologias e soluções que já estão disponíveis no mercado brasileiro. Ao digitalizar o sistema de distribuição com a instalação de medidores ao longo das tubulações, o gerenciamento passa a ser realizado por meio de dados em nuvem. Dessa forma, além de otimizar a gestão por meio de plataformas de inteligência operacional, todo o monitoramento de uma região ou cidade passa a ser feito em uma única sala de controle, onde estarão disponíveis todas as informações em relação ao fluxo de distribuição da água. A partir dessa análise de dados, fica fácil detectar locais de rompimento da tubulação para que medidas sejam tomadas em relação à redistribuição da água até que o reparo do problema seja realizado. Entre as tecnologias disponibilizadas pela Siemens por meio do portfólio SIWA, por exemplo, há uma voltada para detecção do local de rompimento da tubulação, com precisão que varia de 20 a 50 metros. A partir dos dados em nuvem, há soluções também que auxiliam as empresas a atuarem de maneira preditiva a partir da detecção de locais propícios para a ocorrência do rompimento de uma tubulação, evitando assim perdas de água, e reduzindo custos com manutenções desnecessárias do sistema. Para o grande desafio que o Brasil tem pela frente na área de saneamento, o uso de novas tecnologias será fundamental para se reduzir os grandes volumes de água que são desperdiçados. No país que tem a maior reserva de água doce do mundo e com as soluções disponíveis hoje no mercado, problemas no fornecimento desse bem à população deveriam ser coisa do passado. Mas sem a digitalização do sistema de distribuição de água, as crises hídricas como a que estamos passando mais uma vez neste ano continuarão sendo corriqueiras. * Giovanino Di Niro é Gerente Executivo de Saneamento e Digitalização da Siemens

25 de junho, 2021
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O valor da água: conheça a tecnologia por trás de sua reutilização na indústria

Por Mateus Souza * Nunca a sociedade valorizou tanto a água quanto nesta estiagem prolongada. Mas muitos desconhecem as técnicas envolvidas em seu tratamento no contexto industrial, de forma a aproveitar cada gota e devolver esse recurso tão precioso de volta à cadeia produtiva. O fato é que cada unidade fabril requer diferentes aplicações da água, com requisitos muito específicos, por exemplo, em relação aos equipamentos que a utilizam para resfriamento ou na forma de vapor. Eles precisam ser muito bem definidos para oferecer uma configuração adequada e garantir uma escolha correta, por exemplo, das válvulas do sistema, com dimensionamentos customizados e próprios para os parâmetros de operação (pressão, temperatura e fluido). A partir de minha experiência com esses equipamentos, gostaria de destacar abaixo as principais situações de tratamento da água permitidos hoje pela tecnologia. Água potável Em geral recuperada de águas subterrâneas, ela requer diferentes ações para ser efetivamente considerada potável. As principais providências incluem a precipitação ou floculação de partículas suspensas; absorção de substâncias orgânicas dissolvidas com uso de carvão ativado; ultrafiltração; esterilização com adição de cloro ou por meio da radiação de luz UV, entre outros. Na sequência, listo algumas dessas técnicas de limpeza: Ultrafiltração A água a ser tratada é conduzida com pressão reduzida (< 1 bar) por meio de diafragmas com poros de aproximadamente 0,01 μm. Além da retenção de minúsculas substâncias sólidas, opacidades, pólens e bactérias, e, parcialmente, retenção de vírus. Pelo diafragma passam apenas a água, os ingredientes solúveis, como endurecedores ou substâncias minerais, além das moléculas menores. Trocador iônico Em determinadas regiões, as águas subterrâneas podem conter grandes concentrações de íons alcalinos-terrosos, vários tipos de ácido carbônico e sulfatos. Para a desmineralização parcial, a água potável passa pelo leito misturador do trocador iônico, o que reduz os níveis de nitrato, sulfato, cloreto, carboneto de hidrogênio (HCO3-) e os endurecedores cálcio e magnésio. O ácido carbônico, formado pela reação desses produtos, pode ser removido em uma torre de água purificada, conectada a jusante. Nesse caso, as válvulas borboleta são as mais adequadas. Descontaminação por Ultravioleta Antes de chegar às residências, a água ainda pode passar por descontaminação por meio de radiação UVC, processo físico em que os microrganismos que ainda estão presentes na água são neutralizados, o que impede sua proliferação. Além do tratamento de água potável, existem outras qualidades de água a serem tratadas no contexto da indústria: Água residual industrial Esse é um tratamento bastante complexo, pois cada água residual apresenta uma característica própria, e o produto final também tem determinações específicas. Para customizar o resultado desejado, são necessárias válvulas versáteis e controladores de processo que possibilitem atendimento individual ao fluido de operação e todo o processo. Recuperação de águas de processamento Seja para alimentar caldeiras para a produção de vapor, refrigerar centrais elétricas ou como líquido básico na indústria farmacêutica, para ser usada na indústria a água precisa ser distribuída, bloqueada e dosada. Para isso, usa-se válvulas ou válvulas de bloco multivias bastante complexas. Recuperação de água purificada e de alta pureza A pureza dos fluidos de processo é decisiva em muitos segmentos, para se obter a devida qualidade do produto final. Na indústria de semicondutores, por exemplo, a preparação de água de alta pureza da melhor qualidade é uma vantagem competitiva. E para que alcancem a qualidade necessária, os componentes do sistema também devem atingir certos requisitos. Aqui, recomendo o uso de equipamentos resistentes fabricados com fluoro plásticos. Dessalinização da água do mar Por fim, essa técnica deverá atender uma demanda das próximas décadas, e não somente nos países industriais, por conta da escassez crescente da água. Um método eficiente é a recuperação de água potável por meio da dessalinização da água do mar. * Mateus Souza é Gerente geral de vendas da área industrial da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle para a área de Energia e Indústria.

9 de novembro, 2020
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ÁGUA
A indústria como parte da solução

Por Jorge Soto* De acordo com o Fórum Econômico Mundial, a crise hídrica é o risco mais impactante que o mundo enfrenta. Enquanto alguns lugares, como a Somália, sofrem com longos períodos de seca, em outros, como no Sul no Brasil, o excesso de chuva causa estragos de grandes proporções. Essas grandes variações acontecem até dentro do mesmo país e em todos os casos há consequências importantes no desenvolvimento socioeconômico. E as mudanças climáticas já estão agravando essa situação. Nós estamos preparados para cenários cada vez mais imprevisíveis e extremos? Há anos a gestão da água é um assunto prioritário para a ONU (Organização das Nações Unidas), mas hoje o tema também está nas agendas de discussões de um número significativo de companhias em todo mundo. Isso porque está claro que sociedade, governo e empresas devem atuar em conjunto para desenvolver políticas que melhorem, em todas as esferas, a eficiência e a produtividade desse recurso natural insubstituível. Se tradicionalmente a gestão da água industrial estava focada apenas em reduzir custos e melhorar a eficiência – cerca de dois terços das maiores companhias globais reportaram estar sujeitas a riscos relacionados ao recurso –, atualmente empresas ambientalmente responsáveis já perceberam que tal estratégia é um componente crítico para o desenvolvimento sustentável. Não querem e não podem competir com a comunidade. Pelo contrário, têm que se engajar na solução do problema. Da porta para dentro das indústrias, além de entender como a água é utilizada e o destino dado aos efluentes, a gestão hídrica deve analisar e otimizar todos os recursos de uma unidade produtiva e levar em conta fatores externos, como as mudanças climáticas. Ou seja, é uma questão estratégica e deve ser incorporada à estratégia de negócios. As empresas precisam identificar riscos e oportunidades associados ao uso desse recurso olhando para o curto, médio e longo prazo. Crescimento da população nas cidades, excesso ou falta de chuva, a integração regional olhando a situação das bacias, mudanças de padrão de uso de solo, são questões que estão em crescimento e devem motivar as empresas a fortalecer o assunto. Por outro lado, onde há um grande desafio há também uma vastidão de oportunidades. Muitas iniciativas interessantes e possíveis de replicar já são realidade e muitas outras podem ser desenvolvidas por meio da inovação. No ABC Paulista, por exemplo, o Projeto Aquapolo é o resultado de uma parceria público-privada que pode fornecer até mil litros por segundo de água de reúso, a partir do tratamento de esgoto doméstico, para outras empresas do Polo Petroquímico de Mauá. Os benefícios vão além da economia de água potável, uma vez que ao tratar esgoto vários problemas ambientais e de saúde pública são minimizados. Há um ganho social claro. Mas também as indústrias da região ganharam, por reduzir o risco de desabastecimento. Outra demonstração dos esforços empreendidos por companhias é o engajamento, ao lado das comunidades, na busca de solução de problemas. No Brasil, o Movimento pela Redução de Perdas de Água na Distribuição – uma iniciativa da Rede Brasileira do Pacto Global da ONU e liderado pela Braskem e pela Sanasa – tem como objetivo debater amplamente a respeito das perdas de água nos sistemas de distribuição, com a participação de governos, sociedade civil e setor privado. Além disso, há iniciativas como o CEO Water Mandate, da ONU, que mobiliza líderes empresariais de todo mundo em busca de avanços no gerenciamento da água e do saneamento; a Comissão Técnica para Água, do Cebds (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável); e o Instituto Trata Brasil. As soluções para os problemas socioambientais continuarão sendo discutidas ao redor do mundo. A ONU acabou de propor a nova agenda para 2030, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Não há dúvidas de que as indústrias têm um papel fundamental na entrega de soluções para esse desenvolvimento que tanto almejamos. Para tal devemos continuar a fazer nosso dever de casa, minimizando os eventuais impactos negativos e potencializando os impactos positivos nas três dimensões da sustentabilidade: econômica, social e ambiental. * Jorge Soto é Diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem

22 de março, 2016
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CRISE HÍDRICA
Para a ANA, faltou planejamento

Em apresentação na sede da Abiquim, em São Paulo, o Diretor-Presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, disse que, dentre os fatores que provocaram a atual crise hídrica que atinge a região Sudeste estão a seca inédita e a ausência de planejamento e preparação para uma seca deste tipo e a regulação para o setor, questões que foram muito pouco debatidas em 2014, em função do ano eleitoral. Ele fez tais afirmações durante o “Seminário Gestão Hídrica e a Indústria Química”, promovido pela Abiquim para discutir a utilização dos recursos hídricos pela indústria química e ações de melhoria no uso da água no atual momento de crise hídrica. No atual momento, disse Andreu, a crise hídrica é determinada pela consolidação do El Niño; grande volume de chuvas (acima da média) no Norte e Sul do País, manutenção da seca no Nordeste. Há uma preocupação em especial com o Semi-Árido, já que os reservatórios estão baixos (Sobradinho, 25% e a maior parte abaixo dos 20%). Segundo Andreu, o estado mais avançado em gestão hídrica na região é o Ceará. “Estamos preocupados com essa situação e temos que acompanhá-la”. A obra de transposição do rio São Francisco também é citada como prioridade, senão a situação no Nordeste tende a se agravar com o decorrer dos anos. Para São Paulo, a tendência é a manutenção do quadro atual para 2015 e 2016; o mesmo cenário constata-se em Minas Gerais, mas com o agravamento de que não há tanta participação voluntária da população em ações contra redução de perdas de água, como é constatado em São Paulo. No Sudeste, a situação menos preocupante a do Espírito Santo. O Sul tem estabilidade, com pequenos reservatórios e chuvas regulares. Em sua conclusão, Andreu comenta sobre os aprendizados que podemos ter sobre a crise hídrica. Apesar de rico em seus recursos hídricos, o Brasil apresenta uma fragilidade, a necessidade de se construir novos reservatórios, cuidados para se gastar águas subterrâneas – na opinião do Diretor da ANA esses estoques têm que ser tratados como estratégicos - , um padrão de consumo muito elevado pela indústria, a tarifa de água tem que ser cara, além de se definir uma solução para a questão do domínio duplo (Federal e Estadual) de certas bacias hidrográficas. O uso múltiplo da água também precisa ser revisto. Sobre a regulação dos recursos hídricos, ele comentou que se avançou muito, mas que é necessário criar regulação socialmente aceita em níveis intermediários, que vão desde a outorga até a regulação. Entre as alternativas, Andreu disse que reuso direto é uma opção impossível no Brasil. O reuso indireto e com regulação e a dessalinização, que têm custo mais baixo, são soluções viáveis. A respeito da outorga do Cantareira, é esperada uma renovação para outubro deste ano. Mas, para esta renovação passar a vigorar o Cantareira tem que atingir 20% do volume útil em 2015. A ANA tem um acordo com o DAEE para esta renovação. O Diretor de Meio Ambiente da FIESP, Nelson Pereira dos Reis, disse que a principal causa da crise hídrica é a falta de planejamento. O Polo de Paulínia foi afetado com paradas de produção, problemas de renovação de licença ambiental. Na região do PCJ, Reis comentou que outorgas estão suspensas desde 2014 e que houve queda de 30% na captação de água. Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), há o rodízio na rede pública. A FIESP lançou em 2014 a cartilha “Cuide desse bem. Evite o desperdício” para conscientizar a população sobre a importância de não ter desperdício de água, além de distribuir 1,5 milhão de cartelas com 4 redutores de vazão cada e negociações com a ANA e DAEE para implantar medidas de racionamento na indústria. Pereira comenta que “os recursos obtidos com a cobrança da água devem ser voltados para o desenvolvimento de projetos e retornar para investimentos na própria bacia”. Jorge Peron, Especialista de Meio Ambiente da FIRJAN (Rio de Janeiro), disse que o atual problema do Rio é grave, já que o estado possui apenas um único manancial – rio Paraíba do Sul – que abastece 23 milhões de pessoas em 184 municípios. Cerca de 57% das indústrias fluminenses já desenvolvem ações de redução de água, segundo Peron. No Rio, para Peron, é necessário rever a metodologia sobra cobranças e valores atualmente aplicados pelo estado. Para o especialista também se deve separar planos para saneamento e planos para recursos hídricos. “Deixar tudo em um mesmo lugar é errado”. O Presidente do CBHRNI - Comitê de Bacias Hidrográficas do Recôncavo Norte e Inhambupe/BA, Sérgio Bastos, disse que os planos são de ampliar o volume de captação em 4,56 m3/s até 2040 com investimentos em infraestrutura nos próximos cinco anos. Entre as obras estão à construção de novos poços, novas barragens, redução de perdas, obras de saneamento e aumentar o volume de Pedra do Cavalo. Apenas o Pólo de Camaçari consome 8 milhões m3/h. Para Camaçari, o CBHRNI desenvolve ações em parceria com o Governo Estadual, proposta para mudança na lei de recursos hídricos entre outros. Entre os estudos previstos estão : Aquífero São Sebastião (meta para 2018); avaliação de novas tecnologias; Plano da bacia do Recôncavo Norte (meta para 2016) e análise das questões das mudanças climáticas. Bastos disse que no final de 2015 deve começar a cobrança pela água no Recôncavo e melhorias nas redes de monitoramento. Pela FIERGS, o Especialista em Meio Ambiente Tiago Pereira comentou que o Rio Grande do Sul possui as Regiões Hidrográficas do Guaíba, Litorâneas e do Uruguai. O estado tem ao todo 25 bacias e a do Guaíba atende o maior número de indústrias. Pereira disse que o problema do estado não é da quantidade de água, mas da qualidade da água, já que o Rio Grande do Sul tem três rios em situação crítica (Rio dos Sinos, Rio do caí e Rio Gravataí). “Tem que ter a cobrança pela água. A cobrança impõe uma racionalização do uso” concluiu Pereira, da FIERGS. O Deputado Federal Evair de Melo (PV-ES) declarou que deve haver um debate maior que permita responsabilizar o uso da água. O deputado é a favor da tarifa, mas tem que ver como será cobrada. “Ela pode ser tanto federal, como estadual, não importa, mas é necessário um valor para a água que utilizamos para tudo em nossa vida”. No período da tarde foi apresentado o Modelo de Plano de Contingência para escassez de recursos hídricos, por Luiz Oliveira, Líder América latina de Conformidade Operacional da Dow. O documento serve para ser utilizado como elaboração de um plano no segmento químico industrial, sendo adequado a cada unidade de negócio ou unidade produtiva. Os níveis de contingência devem ser definidos por cada unidade produtiva, ou seja, com base no perfil hidrológico atual da bacia hidrográfica onde a fábrica esteja instalada. Os níveis são divididos em: Verde – O uso pleno dos recursos hídricos está assegurado, ou seja, a unidade produtiva não está sendo afetada; Amarela – As fontes hídricas que suprem a unidade industrial se encontram em condição que sinaliza que o uso dos recursos hídricos pode ser restringido, ou seja, o risco de parada de processos produtivos devido à escassez da água é provável; Laranja – As fontes hídricas que suprem a industrial unidade se encontram em uma condição que há restrições no uso de recursos hídricos, o que indica parada de processos produtivos devido à escassez iminente: Vermelho – O volume de água das fontes hídricas é insuficiente para atender a unidade industrial instalada. A unidade industrial é que definirá o nível em que se encontra, com base em redes de informações com representantes de bacias e Secretarias de Meio Ambiente do Estado e do município. As entidades representantes de indústrias podem funcionar como interlocutoras para um melhor diagnóstico das bacias hidrográficas, ajudando assim a definir o nível da unidade produtiva.

8 de julho, 2015