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ESG na indústria passa pelo tratamento da água e efluentes

ESG na indústria passa pelo tratamento da água e efluentes

Artigo por Andreas Göhringer Por Andreas Göhringer * Muito se fala nos critérios ESG atualmente, mas como ir além do discurso e passar à prática numa perspectiva de longo prazo? Atender às necessidades e expectativas dos stakeholders nas três áreas – ambiental, social e governança – exige coragem para realizar um diagnóstico aprofundado de todas as operações e, na sequência, passar para um plano de ação que sane os possíveis gargalos da empresa. Claramente, é preciso investir para obter um raio-x realista de sua própria atividade. Gostaria de abordar uma área em que se faz necessária a aplicação de tais critérios com urgência no Brasil: o saneamento. Sabemos que o tratamento da água no Brasil e a adequação de efluentes industriais é uma emergência, e a crise hídrica apenas intensifica isso. Se pensarmos que a média de água potável perdida no Brasil em 2018 foi de 38,45% do total (de acordo com o Trata Brasil e Water.org), fica clara a necessidade de investimentos na infraestrutura do serviço de fornecimento de água. Destaco ainda a importância da manutenção de todo o sistema, pois medidores mais modernos e precisos podem estancar vazamentos e alertar para deficiência do processo. Os dados obtidos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico revelam que o ganho financeiro que o país teria com a redução de perda desse volume de água poderia chegar a R$ 30 bilhões até 2033. Como a sua empresa se encontra nesse quesito? Seja na atuação com o tratamento de água potável ou na recuperação de seus efluentes, necessário em indústrias de todo ramo, podemos dizer que a perda desse precioso recurso hoje é inadmissível, e equipamentos atualizados e modernos podem ser uma ótima ferramenta evitar o desperdício. O quesito ambiental, quando se fala em saneamento, é óbvio, mas o social também se faz presente. Afinal, 16% da população brasileira ainda vive sem água tratada, e 47%, ou seja, quase a metade, sem acesso à rede de esgoto. Como sua empresa se relaciona com o entorno de suas unidades fabris? Esse é um ponto que já foi abordado por muito tempo dentro de um viés assistencialista, mas que hoje exige medidas realistas e estruturais. A gestão das indústrias, ou sua governança interna e externa, também pode trazer insights de melhoria no tratamento da água e efluentes. Se pensarmos no transporte de fluidos, por exemplo, é crucial que ele seja realizado sem vazamentos, sem a corrosão dos equipamentos condutores e riscos de explosão. É preciso ter domínio de técnicas, é claro, mas também equipamentos próprios e calibrados, com manutenção em dia. As empresas que tiverem coragem de investir e mudar suas práticas em prol do planeta terão como recompensa a consciência limpa e a manutenção de sua competitividade. * Andreas Göhringer é Conselheiro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK-PR) e CEO da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle no Brasil.

Por Andreas Göhringer *

Muito se fala nos critérios ESG atualmente, mas como ir além do discurso e passar à prática numa perspectiva de longo prazo? Atender às necessidades e expectativas dos stakeholders nas três áreas – ambiental, social e governança – exige coragem para realizar um diagnóstico aprofundado de todas as operações e, na sequência, passar para um plano de ação que sane os possíveis gargalos da empresa. Claramente, é preciso investir para obter um raio-x realista de sua própria atividade.

Gostaria de abordar uma área em que se faz necessária a aplicação de tais critérios com urgência no Brasil: o saneamento. Sabemos que o tratamento da água no Brasil e a adequação de efluentes industriais é uma emergência, e a crise hídrica apenas intensifica isso. Se pensarmos que a média de água potável perdida no Brasil em 2018 foi de 38,45% do total (de acordo com o Trata Brasil e Water.org), fica clara a necessidade de investimentos na infraestrutura do serviço de fornecimento de água. Destaco ainda a importância da manutenção de todo o sistema, pois medidores mais modernos e precisos podem estancar vazamentos e alertar para deficiência do processo.

Os dados obtidos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico revelam que o ganho financeiro que o país teria com a redução de perda desse volume de água poderia chegar a R$ 30 bilhões até 2033.

Como a sua empresa se encontra nesse quesito? Seja na atuação com o tratamento de água potável ou na recuperação de seus efluentes, necessário em indústrias de todo ramo, podemos dizer que a perda desse precioso recurso hoje é inadmissível, e equipamentos atualizados e modernos podem ser uma ótima ferramenta evitar o desperdício.

O quesito ambiental, quando se fala em saneamento, é óbvio, mas o social também se faz presente. Afinal, 16% da população brasileira ainda vive sem água tratada, e 47%, ou seja, quase a metade, sem acesso à rede de esgoto. Como sua empresa se relaciona com o entorno de suas unidades fabris? Esse é um ponto que já foi abordado por muito tempo dentro de um viés assistencialista, mas que hoje exige medidas realistas e estruturais.

A gestão das indústrias, ou sua governança interna e externa, também pode trazer insights de melhoria no tratamento da água e efluentes. Se pensarmos no transporte de fluidos, por exemplo, é crucial que ele seja realizado sem vazamentos, sem a corrosão dos equipamentos condutores e riscos de explosão. É preciso ter domínio de técnicas, é claro, mas também equipamentos próprios e calibrados, com manutenção em dia.

As empresas que tiverem coragem de investir e mudar suas práticas em prol do planeta terão como recompensa a consciência limpa e a manutenção de sua competitividade.


* Andreas Göhringer é Conselheiro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK-PR) e CEO da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle no Brasil.

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Saneamento: Qualidade e Sustentabilidade
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Saneamento: Qualidade e Sustentabilidade

Artigo por Luciana Rodrigues Oriqui* O Novo Marco do Saneamento, Lei n.o14.026, de 15 de julho de 2020, estabelece metas de universalização bastante desafiadoras a toda cadeia de abastecimento e infraestrutura, até o ano de 2033. O propósito é combater as inaceitáveis faltas de acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto, por uma parte considerável da população, que só em relação à água, corresponde a, aproximadamente, 35 milhões de brasileiros, mas o desafio estende-se também à minimização de perdas de água na distribuição. Um estudo do Trata Brasil de 2022 sobre o assunto, apontou que 60% do volume perdido nos sistemas de distribuição no Brasil, provêm de perdas físicas, por vazamentos, e que, se contidas, atenderiam, com folga, os milhões de brasileiros sem acesso à água tratada. Metas 2020 * 2033 (Universalização) Acesso à água potável 84,1% 99% Esgotamento sanitário 55,0% 90% Perdas de água na distribuição 40,1% 25% * informações disponibilizadas pelo SNIS Uma vez que em concessionárias de saneamento, os índices de perda de faturamento total, são praticamente equivalentes aos índices de perdas de água, é crescente a demanda pelo envolvimento de toda a cadeia de valor no comprometimento com de entregas de produtos e serviços de qualidade assegurada, que potencializem a melhoria de seus resultados financeiros, e atendimento às metas da universalização. Ademais, e de especial relevância, a mitigação de perdas de água é elementar para contenção das crises hídricas, cujos resultados na saúde pública, economia e ecossistemas, são avassaladores. Historicamente, investimentos em inovações e em garantias de qualidade, são indutores de sustentabilidade, transversais e impactam positivamente em incrementos no ciclo de vida dos produtos, na manutenção de recursos naturais, na otimização de recursos energéticos e na minimização na geração de resíduos. Sendo assim, também são fundamentais para o atendimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, práticas de economia circular e critérios ambientais, sociais e de governança corporativa, ASG (ou ESG: Environmental, Social and Governance). É preciso reduzir as desigualdades regionais de nosso país, e atender as metas de universalização do saneamento até 2033 só será possível com atuações multissetoriais, de significativos impactos na acessibilidade à água tratada e ao esgotamento sanitário, e que simultaneamente viabilizem estratégias de investimentos resilientes e orientadas a relações sustentáveis. Nessa trajetória, a presença de indicadores, especialmente os de ASG, capazes de monitorar resultados e promover ações que assegurem os objetivos traçados, criam valor ao negócio e acrescentam às organizações diferenciais competitivos nacionais e internacionais. A definição desses indicadores usualmente é derivada da análise de materialidade, cujos fundamentos vêm da apropriação de estudos de cenários e riscos, projeções de mídias, demandas de partes interessadas e impactos na organização. Entre os bons exemplos de resultados possíveis de monitoramento e da atuação responsável de toda a cadeia de valor, e com o devido acolhimento das necessidades locais, estão os projetos que envolvem os setores público, privado e o terceiro setor, em pelo menos 10 (dez) escolas municipais na região Nordeste brasileira. As soluções inovadoras e descentralizadas para coleta e tratamento de esgoto, envolveram esforços e investimentos em educação ambiental nas unidades, como fator de engajamento e, entre os benefícios esperados, destacam-se o aumento da frequência escolar e a reduções da insegurança alimentar, da incidência de doenças, do tempo despendido na busca por água e da evasão escolar. O saneamento dito inclusivo busca por esse tipo de solução, adaptada às características, desafios e demandas de cada região, que seja replicável e que contemple atuações envolvendo atores e comunidade locais. O direito de todo cidadão à água tratada e ao esgotamento sanitário é indiscutível, e o provimento de uma cultura de cuidados com bens tão primordiais, é fundamental para o sucesso e alcance das iniciativas. Como bem disse Jennifer Molwantwa, CEO da Water Research Comission, África do Sul, em apresentação na Brazil Water Week 2022, “Esgoto é dignidade e Água é vida”. * Luciana Rodrigues Oriqui é engenheira de alimentos, mestre e doutora em engenharia química, está à frente da diretoria de Relações Institucionais e Governamentais da Associação de Brasileira de Fabricantes de Materiais para Saneamento, ASFAMAS. Executiva bastante envolvida com a temática Qualidade, tem ampla experiência em regulações e práticas voltadas à sustentabilidade, especialmente com indicadores voltados à minimização de impactos ambientais, sociais e econômicos (ASG, ou ESG, em inglês).

23 de agosto, 2022
Não há dados sobre o descarte irregular de efluentes no Brasil
SANEAMENTO
Não há dados sobre o descarte irregular de efluentes no Brasil

Artigo por Diogo Taranto Por Diogo Taranto * O cenário de emissões de efluentes no País é turvo. Não temos um atlas completo, no âmbito privado, sobre o quanto empresas, indústrias, condomínios e centros comerciais descartam todos os dias, de forma irregular, milhões de litros dos mais diversos tipos de líquidos que causam impacto extremamente nocivo a rios, lagos, ao solo e aos lençóis freáticos. Não conhecer o tamanho e a geografia desse imenso problema é um alerta que aponta para o complexo desafio que temos pela frente: enfrentarmos a gestão da água como prioridade. Há, sim, alguns estudos que trazem sinais claros sobre pontos relacionados ao problema do saneamento e do acesso à água no país. O Instituto Trata Brasil realiza um trabalho sério e que contribui na definição de políticas públicas e tomadas de decisões sobre, por exemplo, quais os locais mais carentes de investimentos. Um dado relevante publicado pela ANA – Agência Nacional das Águas – estima que o consumo das indústrias corresponda a 7% do volume de água consumida no Brasil. A grande maioria dos estudos que temos disponíveis tratam de acesso e de disponibilidade hídrica. Ainda de acordo com o Trata Brasil, em um estudo divulgado esse ano, 35 milhões de pessoas não têm acesso à água potável e cerca de 100 milhões não têm serviço de coleta de esgoto no país. Tendo uma ideia de onde não há acesso a saneamento, têm-se referências sobre os locais mais propensos a ocorrer irregularidades. Mas os dados parecem ficar sem outras respostas fundamentais. Quais são as maiores indústrias poluidoras que descartam efluentes contaminados? Onde elas estão? Quais os principais setores industriais? Quais são os mais novos e nocivos componentes químicos, misturados à água, que são descartados? Qual a real característica da água captada dos mananciais? Por fim, por que as instituições de fiscalização não coíbem com eficácia este que é um crime ambiental? São respostas complexas mas que precisam ser buscadas. Sabe-se, por exemplo, que a indústria automotiva é umas das grandes consumidoras, mas as montadoras - todas com padrões globais - investem muito em tratamento de efluentes e reúso de água. O que já não ocorre tanto com as indústrias periféricas do setor, na qual encontramos ainda muitas irregulares. A indústria têxtil também necessita de muita água em seus processos. Grandes players precisam seguir rígidos padrões internacionais. Mas e os médios e pequenos negócios que utilizam de componentes tóxicos na tinturaria de tecidos? Não temos essa foto! Onde há abundância de recursos hídricos, como na região norte, nos arredores de Manaus (AM) e Belém (PA), e na região sul no estado de Santa Catarina, por exemplo, o reúso de água na indústria é quase inexistente, assim como são poucos os cases de tratamento legal de efluentes. Há uma triste razão muito clara que explica essa cultura tóxica da gestão de água no Brasil: é mais barato não tratar o efluente e descartá-lo de forma irregular! Lavam as mãos e viram de costas para a natureza e para os valores de ESG, cada vez mais latentes na sociedade atual. E fazem isso pois sabem que correm pouco risco de serem multados ou processados pelas autoridades. O efluente não tratado quase não deixa rastro, pois acaba se misturando com as águas do corpo receptor onde são lançados. É diferente do resíduo sólido, que é muito mais complicado de escondê-lo. É preciso que toda a sociedade esteja mobilizada para denunciar quem está irregular, e motivar o cumprimento das leis ambientais. O Brasil e as empresas de tratamento de águas e efluentes aqui instaladas têm acesso às mais modernas tecnologias que existem no mundo. Tecnologias de ponta, que são práticas confiáveis e que entregam qualidades muito superiores às requeridas pela legislação nacional, que, vale destacar, é considerada uma das mais restritas e exigentes do mundo. Um empreendimento que trata seus efluentes e atende às regulamentações não está somente cumprindo sua obrigação legal, mas estará contribuindo com a melhoria dos mananciais, a sustentabilidade e subsistências das gerações futuras. A pressão social tem que partir não apenas das autoridades, mas de sociedades de classes e de associações setoriais. É urgente o mapeamento do problema para que ele seja combatido de forma coesa e efetiva. De posse de um retrato real sobre os desafios gerados pela emissão de efluentes líquidos, é possível criar campanhas que incentivem quem está irregular a entrar no caminho correto para que não sofram possíveis punições. Vivemos um momento de crise hídrica que não será temporária, mesmo sendo otimista e imaginando que nos próximos anos os reservatórios irão recuperar parte de seu volume, a certeza é que haverá outros ciclos de escassez. O Novo Marco do Saneamento já começa a impulsionar melhorias e na medida em que os organismos públicos começam a investir pesado para se adequarem às exigências necessárias, o setor privado precisa caminhar junto. Mas não há tempo para aguardarmos um ajuste natural do mercado. É preciso entender o tamanho do desafio que temos pela frente no que tange o descarte ilegal de efluentes. Necessitamos de uma transparência límpida como a de águas cristalinas, que coloque no holofote aqueles que estão devolvendo para a natureza um imenso problema. Ignoram, com ingratidão, que foi ela que lhes deu o precioso insumo que garante a subsistência de seus negócios. Mas sempre é tempo de adotarmos a sustentabilidade como filosofia de vida. * Diogo Taranto é Diretor de Desenvolvimento de Negócios no Grupo Opersan, especializado em soluções ambientais para o tratamento de águas e efluentes.

22 de março, 2022
Planejamento na indústria ajuda a frear queda do PIB
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Planejamento na indústria ajuda a frear queda do PIB

Artigo por Mateus Souza Por Mateus Souza * Apesar da previsão de PIB em queda no país, incluindo diversos setores industriais, percebo que alguns elementos ajudam a manter a competitividade e até mesmo crescer em momentos desafiadores como o que vivemos. Desde o início da pandemia, observei que o planejamento estratégico faz uma enorme diferença nos resultados finais corporativos. Isso significa pensar diferente e encontrar novos caminhos para a logística, entregar o produto certo num prazo aceitável, e, principalmente, ajudar o cliente a encontrar soluções que resolvam suas dores. Basicamente, crescer juntos. Não posso falar por todo o setor de máquinas e equipamentos, apesar de esse ser um segmento que cresce independentemente das estatísticas nacionais negativas, mas vejo que empresas que priorizaram a solução com prazos adequados estão colhendo frutos neste fim de 2021. Por falar nisso, você já se questionou sobre qual seu melhor cliente? Aquele que você já tem! Cuide dele. Outro segredo para o sucesso industrial na conjuntura em que vivemos é a pulverização da carteira, além da conquista de novos enclaves para a marca. Com isso, mesmo que o setor sofra retrações sazonais, ou ainda num cenário de recessão, é possível alcançar novos mercados. Biogás e saneamento permanecem como promessas para 2022 A demanda de alguns setores específicos no Brasil, alavancada por marcos regulatórios recentes, ajuda a indústria a respirar um pouco e manter esperanças em alta para o ano que vem. Estou falando do setor do biogás, estimulado pelas necessidades de investimento ambiental e que tem grande perspectiva de crescimento no Brasil. Também me refiro à cadeia de produção do cloro e hipoclorito, tão necessária neste momento de emergência sanitária e essencial para o tratamento de efluentes e da água. O saneamento nacional tende a receber grandes investimentos ao longo de toda a próxima década, e quem estiver preparado para fornecer equipamentos com tecnologia de ponta nessa área será beneficiado. Pelo Marco do Saneamento, esperamos que a distribuição de água potável e o tratamento de efluentes mantenham altos aportes e alcancem populações ainda desabastecidas. Com tudo isso, quero dizer que planejar e colocar em prática por meio de mecanismos de medição e controle do processo industrial é o melhor caminho. Mesmo que caiam os volumes de vendas em 2022, a estratégia de longo prazo dá fôlego para crescer. Criatividade rima com competitividade, e não podemos tirar o olho das necessidades do cliente num momento de incertezas como este. * Mateus Souza é Gerente geral de vendas da área industrial da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle para a área de Energia e Indústria.

14 de dezembro, 2021
Saneamento como alavanca de transformação
ESGOTO
Saneamento como alavanca de transformação

Artigo por André Salcedo Por André Salcedo * O esgoto é o mais emblemático rejeito da cultura humana. Ironicamente, as letras que iniciam o termo concentram os pilares ESG - Environmental, Social and Governance. Uma coincidência adequada à importância do esgotamento sanitário para transformações econômicas, ambientais e sociais. Com apenas 54% da população brasileira com acesso à coleta de esgoto, abraçar a agenda do saneamento significaria reduzir danos ambientais e desigualdades sociais. Para isso são necessários investimentos e capacidade de execução além do que o Estado tem sido capaz de fornecer com a urgência que a situação pede. As perspectivas são positivas: novos projetos vêm se multiplicando, em especial pelo envolvimento do BNDES e da Caixa Econômica Federal na sua estruturação. E há um aumento relevante da participação e interesse de operadores privados e investidores após a aprovação do Novo Marco do Saneamento. O déficit do saneamento revela uma oportunidade de investimento no segmento de infraestrutura que mais reúne Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) da ONU. Dos 17 ODS, o setor é diretamente representado no objetivo 6 (Água potável e Saneamento), além de contribuir com outros onze temas ligados à saúde, educação, desenvolvimento socioeconômico sustentável e consumo consciente. A agenda ESG tem capital abundante disponível pelo mundo. Rumo à universalização, o setor demonstra o seu potencial transformador na redução do impacto ambiental decorrente da presença humana, no fortalecimento de padrões de governança e transparência, e gerando benefícios sociais. É inegável seu papel no combate às desigualdades e na promoção da dignidade. O saneamento reduz riscos de desenvolvimento das doenças de veiculação hídrica, responsáveis por 230 mil internações no Sistema Único de Saúde em 2018, segundo o DATASUS. Há ainda efeitos no desenvolvimento educacional e na renda da população. Estudos do Instituto Trata Brasil apontam que pessoas sem acesso à coleta de esgoto e água tratada têm renda 52,4% menor e impacto de 25% na escolaridade. Neste sentido, concessões como a do Rio de Janeiro, que trazem compromissos de universalizar o saneamento, conjugados com investimentos relevantes na recuperação ambiental e em áreas irregulares, contribuem em diversos sentidos para a redução de passivos ambientais históricos e de desigualdades sociais crônicas. O Novo Marco pavimenta o caminho para que o setor amplie sua transparência e a governança regulatória. Com o papel da Agência Nacional de Águas reformulado, espera-se maior uniformidade de critérios e segurança jurídica. Os últimos leilões demonstram alta capacidade de atração de capital de qualidade para o setor, que, por sua vez, trazem consigo políticas rígidas de conduta, conformidade, ética e transparência. O pilar ambiental está no cerne do saneamento. É sua função primeira garantir a qualidade da água, o tratamento adequado dos resíduos devolvidos à natureza e o uso eficiente dos recursos hídricos. Voltando ao Rio de Janeiro, a despoluição do sistema lagunar da Barra da Tijuca será uma das contribuições mais significativas que o setor pode garantir à capital carioca. Interromper o despejo de esgoto não tratado e atuar na recuperação do passivo ambiental é fundamental para a regeneração desses ecossistemas. Os investimentos no saneamento impulsionam as alavancas da preservação ambiental e do desenvolvimento socioeconômico. Potencial que deve atrair recursos na ordem de R$ 750 bilhões para viabilizar a universalização até 2033, segundo levantamento da Abcon, associação do setor. É um dos maiores investimentos ESG em escala global e caracteriza a força do setor na transformação do País. * André Salcedo é Diretor executivo de Transformação da Iguá Saneamento

22 de setembro, 2021
Ciclo virtuoso do uso eficiente da água e da energia
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Ciclo virtuoso do uso eficiente da água e da energia

Artigo por Julio Molinari Por Julio Molinari * No último mês de junho, a Organização das Nações Unidas divulgou um relatório com alerta de que o aquecimento global está aumentando e pode fazer com que diversos lugares do planeta sofram com escassez de água e a seca. Para dar uma ideia mais concreta da criticidade da situação, Mami Mizutori, representante especial da ONU para redução de risco de desastres, alertou em entrevista que “a seca está prestes a se tornar a próxima pandemia e não existe vacina para curá-la”. O relatório da ONU traz números impactantes. Um deles é o de que secas causaram perdas econômicas de pelo menos US$ 124 bilhões e atingiram mais de 1,5 bilhão de pessoas entre 1998 e 2017. Além disso, cerca de 130 países podem enfrentar um risco maior de seca neste século, outras 23 nações correm riscos de ter escassez de água por causa do crescimento populacional e 38 países poderão ser afetados pelos dois problemas. Outras entidades trazem dados sobre este quadro. De acordo com o World Economic Outlook, pesquisa realizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a "crise da água" é classificada como o quinto maior risco que o mundo enfrentará nos próximos 10 anos. Além disso, estima-se que, em 2025, um terço da população mundial viverá em áreas de escassez e com problemas hídricos e que em cerca de metade de todos os estados-membros da União Europeia, mais de 20% da água potável é perdida devido a vazamentos. A preocupação com escassez de água no mundo não é uma questão nova, mas, como não poderia deixar de ser, segue recebendo muita atenção, ainda mais quando são divulgados dados como estes. Até mesmo em regiões onde a disponibilidade de água é maior, o assunto é muito sensível e relevante. Isso porque a falta de recursos hídricos poderia não apenas representar um gargalo para a rotina da população em termos de consumo, mas também comprometer o funcionamento das atividades econômicas se a matriz energética estiver baseada em usinas hidrelétricas. Este seria um cenário possível no Brasil, já que, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), 64,9% da energia elétrica gerada no País é hidráulica. Outro levantamento que a EPE mantém sobre consumo nacional de energia elétrica aponta que dentre os segmentos residencial, industrial, comercial e outros (rural, serviço público e iluminação pública), entre 1995 e 2018, a indústria sempre foi a que mais consumiu energia no Brasil. Neste contexto, a utilização de tecnologias já existentes, como equipamentos que controlam motores elétricos, se torna ainda mais estratégica e mesmo necessária. Um exemplo disso é a estimativa de redução em 8% do consumo de energia até 2040, com a adoção em larga escala de motores controlados por drives no setor industrial. Sendo a matriz energética brasileira baseada em geração hidrelétrica, fica claro que utilizar água e energia com mais eficiência não só indica um ciclo que se retroalimenta, mas também que é essencial para que a nossa economia possa produzir com a máxima competitividade possível. Isso porque, como se sabe, é mais dispendioso quando há necessidade de se aumentar o consumo de energia proveniente de termelétricas, repassando um custo operacional mais alto para o que é produzido e, portanto, para a população que consome. Outra situação que mostra um forte vínculo entre água e energia se dá justamente no setor de saneamento. A dependência mútua entre estes dois recursos e a crescente demanda global por eles têm um impacto enorme no crescimento econômico, na sustentabilidade global e no nosso futuro. Felizmente, já estão disponibilizadas a digitalização e tecnologias desenvolvidas para criar um setor de água neutro em energia, atuando em todos os estágios do ciclo da água, da produção e distribuição até o tratamento e bombeamento de efluentes. Um sistema de distribuição hídrica mais eficiente permite reduzir vazamentos de água automaticamente, o consumo energético e o desperdício. Dispor destas soluções é um trunfo muito importante ao se analisar números do setor. Ele é responsável por 4% do consumo energético global e acredita-se que esse número dobrará até 2040. Além disso, instalações de água e saneamento são as maiores consumidoras de energia de um município, representando de 30 a 50% da conta de eletricidade total das autoridades locais. Por fim, ao contornar o problema de escassez de água reduzindo o seu desperdício, um setor de saneamento neutro em energia também pode contribuir para reduzir as emissões de CO2 e, consequentemente, para evitar o agravamento das mudanças climáticas que, por sua vez, interferem nos ciclos de chuva e hídricos no mundo inteiro. Assim, vemos como, novamente, o uso eficiente de água e energia pode formar um ciclo virtuoso que se retroalimenta continuamente. * Julio Molinari é Presidente da Danfoss na América Latina

4 de agosto, 2021
O que a tecnologia tem a ver com esgoto e qualidade de vida?
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O que a tecnologia tem a ver com esgoto e qualidade de vida?

Por Mateus Souza * Neste mês do meio ambiente, considero lamentável que grande parcela da população brasileira ainda não tenha acesso a água potável e encanamento sanitário. Sabemos que esse fato está diretamente associado aos indicadores de saúde e qualidade de vida. Mas o Brasil integra estatísticas divulgadas pela ONU dando conta de que, em todo o mundo, 2,4 bilhões de pessoas não possuem instalações sanitárias adequadas. E 46,3% dos brasileiros não contam com esgoto tratado, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Você poderia perguntar o que um engenheiro especialista em tecnologias de automação tem a ver com isso. Tudo, eu diria! O caminho para a modernização das instalações brasileiras passa, obviamente, pela legislação. E nesse quesito temos o Novo Marco do Saneamento, que, apesar das contestações judiciais por parte de empresas estatais, é a base para possibilitar novos investimentos onde hoje o poder público não chega. Mas a ampliação do acesso a água encanada e esgoto tratado também passa pela tecnologia, e essa está disponível no Brasil, felizmente. O uso de válvulas que impedem vazamentos e duram mais é uma das principais recomendações que eu daria a qualquer empreiteiro que pretenda investir em redes de água e esgoto hoje. Isso porque elas compensam ao exigir menos manutenção, e já vêm revestidas com materiais próprios contra a corrosão de químicos ou outros agentes agressores desses fluidos. “Modernidade” no esgoto? Sim, você leu bem. São necessários níveis de estanqueidade, ou seja, zero vazamentos, e baixíssimo nível de manutenção para que o investimento compense. E isso se consegue com técnicas e equipamentos adequados. O acionamento dessas válvulas pode ser feito de maneira remota e automatizada, sem precisar deslocar-se rio abaixo, por exemplo: essa é uma das possibilidades trazidas pela tecnologia num cenário de comunidades afastadas. Com essas facilidades à disposição, vejo muitas empresas crescendo, e dobrando as expectativas de faturamento dentro desse contexto: bons equipamentos, com preço justo, instalados onde há maior demanda. Vejo também ampliações em plantas já existentes de tratamento de água. Estamos num momento tenso em que os grandes investimentos planejados dentro do contexto do Novo Marco Regulatório do Saneamento são colocados em xeque. Mesmo assim, até 2033, o objetivo é provocar a maior entrada de investimento privado nos serviços de saneamento brasileiros. Com vontade política e equipamento adequado, podemos ver essa meta tornar-se realidade – e mudar a vida de muita gente. * Mateus Souza é Gerente geral de vendas da área industrial da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle para a área de Energia e Indústria.

11 de junho, 2021
O meio ambiente grita pelo uso mais racional da água e energia
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O meio ambiente grita pelo uso mais racional da água e energia

Por Marco Dutra * Conhecido pela abundância dos recursos hídricos, o Brasil tem vivido períodos de escassez. O país enfrenta uma situação crítica com o menor nível de chuvas dos últimos 91 anos, com reflexos na retomada da economia e em outros setores importantes, a exemplo do elétrico e da agricultura. As transformações no meio ambiente, impulsionadas pelo avanço da globalização, têm causado inúmeras mudanças climáticas, ocasionando em baixas precipitações pluviométricas, aumento das estiagens e secas, assim como os desastres provocados pela natureza. No Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado dia 5 de junho, somos convocados a reduzir o nosso consumo para mitigar a possibilidade de racionamento. O que nos faz lembrar da finitude dos recursos naturais - motivo que por si só reforça o uso mais racional da água e da energia. Só a mudança de hábitos dos brasileiros pode mudar esse cenário, inclusive na decisão de compra do consumidor, por meio da escolha de produtos eficientes que geram redução de consumo e despesas. É evidente e primordial que os setores da economia incrementem investimentos na área socioambiental e de governança (ESG). De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o setor agrícola consome 70% de água, a indústria 22% e o uso residencial 8%. Segundo o boletim anual de mercado da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL), divulgado neste ano, 32% de toda a energia do País é consumida por grandes indústrias, comércios e empresas ligadas em média e alta tensão, que precisam urgentemente mudar sua matriz de energia por fontes renováveis, bem como buscar soluções em máquinas e equipamentos mais econômicos. As instituições, juntamente com a população, precisam se empenhar para evitar desperdícios. A ONU (Organização das Nações Unidas) prevê que, em 2030, a sociedade precisará de 40% a mais de água e 50% a mais de energia. A responsabilidade por um mundo mais sustentável, em prol das gerações futuras, é dever de todos. Menos gastos dos recursos hídricos podem produzir mais riqueza na economia. É o que afirma um estudo elaborado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA). Na contramão do mundo, o país desperdiça 39,3% de água potável, devido a perdas no sistema de distribuição, conforme o levantamento divulgado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2019). Já a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2017 do IBGE revela também que o consumo pelo brasileiro supera a média mundial em 30 litros. Assumir a agenda da sustentabilidade é se comprometer com a economia e com o planeta. Seja a diferença! * Marco Dutra é Diretor da Kärcher no Brasil

10 de junho, 2021
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ARTIGO
O valor da água: conheça a tecnologia por trás de sua reutilização na indústria

Por Mateus Souza * Nunca a sociedade valorizou tanto a água quanto nesta estiagem prolongada. Mas muitos desconhecem as técnicas envolvidas em seu tratamento no contexto industrial, de forma a aproveitar cada gota e devolver esse recurso tão precioso de volta à cadeia produtiva. O fato é que cada unidade fabril requer diferentes aplicações da água, com requisitos muito específicos, por exemplo, em relação aos equipamentos que a utilizam para resfriamento ou na forma de vapor. Eles precisam ser muito bem definidos para oferecer uma configuração adequada e garantir uma escolha correta, por exemplo, das válvulas do sistema, com dimensionamentos customizados e próprios para os parâmetros de operação (pressão, temperatura e fluido). A partir de minha experiência com esses equipamentos, gostaria de destacar abaixo as principais situações de tratamento da água permitidos hoje pela tecnologia. Água potável Em geral recuperada de águas subterrâneas, ela requer diferentes ações para ser efetivamente considerada potável. As principais providências incluem a precipitação ou floculação de partículas suspensas; absorção de substâncias orgânicas dissolvidas com uso de carvão ativado; ultrafiltração; esterilização com adição de cloro ou por meio da radiação de luz UV, entre outros. Na sequência, listo algumas dessas técnicas de limpeza: Ultrafiltração A água a ser tratada é conduzida com pressão reduzida (< 1 bar) por meio de diafragmas com poros de aproximadamente 0,01 μm. Além da retenção de minúsculas substâncias sólidas, opacidades, pólens e bactérias, e, parcialmente, retenção de vírus. Pelo diafragma passam apenas a água, os ingredientes solúveis, como endurecedores ou substâncias minerais, além das moléculas menores. Trocador iônico Em determinadas regiões, as águas subterrâneas podem conter grandes concentrações de íons alcalinos-terrosos, vários tipos de ácido carbônico e sulfatos. Para a desmineralização parcial, a água potável passa pelo leito misturador do trocador iônico, o que reduz os níveis de nitrato, sulfato, cloreto, carboneto de hidrogênio (HCO3-) e os endurecedores cálcio e magnésio. O ácido carbônico, formado pela reação desses produtos, pode ser removido em uma torre de água purificada, conectada a jusante. Nesse caso, as válvulas borboleta são as mais adequadas. Descontaminação por Ultravioleta Antes de chegar às residências, a água ainda pode passar por descontaminação por meio de radiação UVC, processo físico em que os microrganismos que ainda estão presentes na água são neutralizados, o que impede sua proliferação. Além do tratamento de água potável, existem outras qualidades de água a serem tratadas no contexto da indústria: Água residual industrial Esse é um tratamento bastante complexo, pois cada água residual apresenta uma característica própria, e o produto final também tem determinações específicas. Para customizar o resultado desejado, são necessárias válvulas versáteis e controladores de processo que possibilitem atendimento individual ao fluido de operação e todo o processo. Recuperação de águas de processamento Seja para alimentar caldeiras para a produção de vapor, refrigerar centrais elétricas ou como líquido básico na indústria farmacêutica, para ser usada na indústria a água precisa ser distribuída, bloqueada e dosada. Para isso, usa-se válvulas ou válvulas de bloco multivias bastante complexas. Recuperação de água purificada e de alta pureza A pureza dos fluidos de processo é decisiva em muitos segmentos, para se obter a devida qualidade do produto final. Na indústria de semicondutores, por exemplo, a preparação de água de alta pureza da melhor qualidade é uma vantagem competitiva. E para que alcancem a qualidade necessária, os componentes do sistema também devem atingir certos requisitos. Aqui, recomendo o uso de equipamentos resistentes fabricados com fluoro plásticos. Dessalinização da água do mar Por fim, essa técnica deverá atender uma demanda das próximas décadas, e não somente nos países industriais, por conta da escassez crescente da água. Um método eficiente é a recuperação de água potável por meio da dessalinização da água do mar. * Mateus Souza é Gerente geral de vendas da área industrial da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle para a área de Energia e Indústria.

9 de novembro, 2020
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ÁGUA
A indústria como parte da solução

Por Jorge Soto* De acordo com o Fórum Econômico Mundial, a crise hídrica é o risco mais impactante que o mundo enfrenta. Enquanto alguns lugares, como a Somália, sofrem com longos períodos de seca, em outros, como no Sul no Brasil, o excesso de chuva causa estragos de grandes proporções. Essas grandes variações acontecem até dentro do mesmo país e em todos os casos há consequências importantes no desenvolvimento socioeconômico. E as mudanças climáticas já estão agravando essa situação. Nós estamos preparados para cenários cada vez mais imprevisíveis e extremos? Há anos a gestão da água é um assunto prioritário para a ONU (Organização das Nações Unidas), mas hoje o tema também está nas agendas de discussões de um número significativo de companhias em todo mundo. Isso porque está claro que sociedade, governo e empresas devem atuar em conjunto para desenvolver políticas que melhorem, em todas as esferas, a eficiência e a produtividade desse recurso natural insubstituível. Se tradicionalmente a gestão da água industrial estava focada apenas em reduzir custos e melhorar a eficiência – cerca de dois terços das maiores companhias globais reportaram estar sujeitas a riscos relacionados ao recurso –, atualmente empresas ambientalmente responsáveis já perceberam que tal estratégia é um componente crítico para o desenvolvimento sustentável. Não querem e não podem competir com a comunidade. Pelo contrário, têm que se engajar na solução do problema. Da porta para dentro das indústrias, além de entender como a água é utilizada e o destino dado aos efluentes, a gestão hídrica deve analisar e otimizar todos os recursos de uma unidade produtiva e levar em conta fatores externos, como as mudanças climáticas. Ou seja, é uma questão estratégica e deve ser incorporada à estratégia de negócios. As empresas precisam identificar riscos e oportunidades associados ao uso desse recurso olhando para o curto, médio e longo prazo. Crescimento da população nas cidades, excesso ou falta de chuva, a integração regional olhando a situação das bacias, mudanças de padrão de uso de solo, são questões que estão em crescimento e devem motivar as empresas a fortalecer o assunto. Por outro lado, onde há um grande desafio há também uma vastidão de oportunidades. Muitas iniciativas interessantes e possíveis de replicar já são realidade e muitas outras podem ser desenvolvidas por meio da inovação. No ABC Paulista, por exemplo, o Projeto Aquapolo é o resultado de uma parceria público-privada que pode fornecer até mil litros por segundo de água de reúso, a partir do tratamento de esgoto doméstico, para outras empresas do Polo Petroquímico de Mauá. Os benefícios vão além da economia de água potável, uma vez que ao tratar esgoto vários problemas ambientais e de saúde pública são minimizados. Há um ganho social claro. Mas também as indústrias da região ganharam, por reduzir o risco de desabastecimento. Outra demonstração dos esforços empreendidos por companhias é o engajamento, ao lado das comunidades, na busca de solução de problemas. No Brasil, o Movimento pela Redução de Perdas de Água na Distribuição – uma iniciativa da Rede Brasileira do Pacto Global da ONU e liderado pela Braskem e pela Sanasa – tem como objetivo debater amplamente a respeito das perdas de água nos sistemas de distribuição, com a participação de governos, sociedade civil e setor privado. Além disso, há iniciativas como o CEO Water Mandate, da ONU, que mobiliza líderes empresariais de todo mundo em busca de avanços no gerenciamento da água e do saneamento; a Comissão Técnica para Água, do Cebds (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável); e o Instituto Trata Brasil. As soluções para os problemas socioambientais continuarão sendo discutidas ao redor do mundo. A ONU acabou de propor a nova agenda para 2030, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Não há dúvidas de que as indústrias têm um papel fundamental na entrega de soluções para esse desenvolvimento que tanto almejamos. Para tal devemos continuar a fazer nosso dever de casa, minimizando os eventuais impactos negativos e potencializando os impactos positivos nas três dimensões da sustentabilidade: econômica, social e ambiental. * Jorge Soto é Diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem

22 de março, 2016