QUEIMADAS

Especialistas debatem focos na Amazônia

Especialistas debatem focos na Amazônia

Comissão Externa da Câmara dos Deputados iniciou uma série de audiências virtuais com foco no diagnóstico dos incêndios florestais brasileiros.

A Comissão Externa da Câmara dos Deputados iniciou pela Amazônia uma série de audiências virtuais com foco no diagnóstico dos incêndios florestais brasileiros. Segundo os especialistas, o fortalecimento dos órgãos de fiscalização ambiental, investimento e trabalho coordenado estão entre as soluções para o combate à devastação da Amazônia. No primeiro encontro foi abordado o tema Queimadas nos Biomas Brasileiros.

A Amazônia bateu recorde de queimadas em 2015, 2017 e 2019, mas em março de 2021 registrou o pior mês da série histórica de alertas de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A medição do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) apontou 367 km² de devastação, 12% a mais do que em março de 2020.

O coordenador de Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, afirmou que o País conta com instrumentos para enfrentar o problema, mas esbarra em falta de recursos e coordenação. “Sabemos como resolver porque o País tem todos os elementos para isso, sejam intelectuais, técnicos e científicos. Falta uma coordenação e a garantia de recursos e de estabilidade das instituições para que uma necessidade nacional seja realmente implementada”. O especialista deu como exemplo bem-sucedido a extinta Operação Verde-Brasil, que mobilizou vários órgãos federais e as Forças Armadas em 2019 no combate a 1.835 focos de incêndio e na aplicação de R$ 142 milhões em multas na Amazônia Legal.

A professora do Laboratório de Geoprocessamento Aplicado ao Meio Ambiente na Universidade Federal do Acre, Sonaira da Silva, apresentou o diagnóstico das queimadas no bioma amazônico e rebateu a tese de que o fogo estaria associado a pequenos assentamentos e a comunidades indígenas. “O fogo na Amazônia é antrópico, e a maior parte das queimadas que têm ocorrido são maiores do que cinco hectares. Os incêndios florestais inclusive podem gerar danos tão severos nas florestas que podem transformá-las em cemitério de árvores: principalmente as florestas sobre areia branca, como a campinaranas”, afirmou.

Os incêndios florestais impactam também a saúde das pessoas. Em 2020, várias cidades do Acre ficaram por mais de 50 dias com o nível da qualidade do ar muito abaixo do recomendável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em virtude da fumaça que se espalhou pelo estado. A diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, lembrou que, nos últimos 20 anos, o bioma foi o segundo mais afetado por queimadas, atrás apenas do Cerrado. “O desmatamento na Amazônia tem papel fundamental nas emissões brasileiras: 44% das emissões no Brasil são relacionadas à mudança de uso do solo encabeçadas pela conversão de florestas em outros tipos de usos da terra. A forma mais barata de reduzir as emissões do Brasil é combater as queimadas e o desmatamento”, disse Ane Alencar.

Para enfrentar esse desafio, os especialistas sugeriram o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da fiscalização das secretarias estaduais de Meio Ambiente, além do combate à invasão de garimpeiros e grileiros em terras indígenas e em unidades de conservação, o incentivo à economia de base florestal e a aprovação, no Congresso, de propostas que tratam da destinação de florestas públicas (PL 5518/20) e da política nacional de manejo integrado do fogo (PL 11276/18).

A coordenadora da Comissão Externa sobre Queimadas nos Biomas, deputada Professora Rosa Neide (PT-MT), comentou sobre a relevância desses temas às vésperas da COP-26, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, prevista para novembro, na Escócia. “Discutir a Amazônia é de fundamental importância para que a gente possa estar atento às questões do mundo e do Brasil em ano muito especial da cúpula do clima”, disse a deputada. Representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Fundação Nacional do Índio (Funai) também participaram da audiência pública na Câmara com informações sobre prevenção de queimadas em assentamentos da reforma agrária e em terras indígenas.

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