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CEARÁ

GNR Fortaleza testa mistura de gás natural com biometano na rede de distribuição

GNR Fortaleza testa mistura de gás natural com biometano na rede de distribuição

O combustível é gerado no município de Caucaia, a 15 km da capital cearense.

Produtora brasileira de biometano, a cearense GNR Fortaleza iniciou em fevereiro teste para injetar uma mistura de gás natural e biometano na rede de distribuição da Companhia de Gás do Ceará (Cegás). A companhia respondeu por quase 1/3 do gás verde produzido no mercado interno em 2024 e, por meio de um gasoduto de 24 km construído pela Cegás garantiu o fornecimento de 15% do consumo de gás do Ceará. Os compradores do combustível que vem do lixo incluem residências, hospitais, hotéis, indústrias e postos de combustíveis.

O combustível é gerado no município de Caucaia, a 15 km da capital cearense. “A conexão com a rede usada para o gás de origem fóssil faz da planta “um exemplo raro e promissor no Brasil, e até mesmo no mundo”, diz Ronaldo Stefanutti, professor do departamento de engenharia hidráulica e ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC). Essa configuração, que é inédita no país e tem autorização especial da ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, reforça a posição da rede do Ceará como uma das mais renováveis do mundo. A GNR Fortaleza produz biometano a partir do biogás gerado com o tratamento dos resíduos sólidos urbanos no aterro sanitário de Caucaia (CE), na região metropolitana de Fortaleza.

O teste permitirá um aproveitamento maior do biometano produzido na usina, o que aumentará a oferta do combustível renovável para os consumidores e contribuirá com os esforços para a redução das emissões de gases de efeito estufa e a transição energética. A ANP acompanhará periodicamente o teste, que terá duração de seis meses. O objetivo é avaliar se a mistura atende aos padrões de poder calorífico exigidos pelo órgão regulador. Caso o teste seja bem-sucedido, o modelo poderá ser replicado em outros estados e poderá dar subsídio a atualizações da regulamentação do setor pela ANP. “Este teste é fundamental para o avanço do setor de biometano, pelo seu potencial de ampliar o consumo deste combustível renovável nas redes de distribuição no país. Esse movimento tem um papel importante na busca por uma economia de baixa emissão de carbono”, disse a diretora-presidente da MDC, Manuela Larangeira Kayath. A GNR é fruto da parceria entre a MDC e a Marquise Ambiental.

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ARTIGO
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Artigo por Monique Zorzim Por Monique Zorzim * Em diversos países, inclusive no Brasil, o biogás e o biometano estão se firmando cada vez mais como uma das alternativas mais sustentáveis do mercado. Um novo relatório sobre o mercado e tendências em gases renováveis, publicado pela Gas Climate, grupo que reúne dez empresas líderes no transporte de gás e duas associações da indústria de gás renovável, mostra que o biometano, um combustível sustentável produzido pelo biogás (derivado de matéria orgânica), está em plena expansão e cada vez mais adotado pelas empresas europeias. Decisões como a total descarbonização da economia europeia até 2050, anunciada pela União Europeia, com redução de até 55% da emissão de gases do efeito estufa (Acordo Verde de 2019), impulsionam a cooperação dos setores de eletricidade e de gás para atingir essas metas. Para isso, são fatores essenciais o uso de fontes alternativas de energia - e entre elas se destacam o biogás e o biometano. No Brasil, a Biogasmap, ferramenta online e interativa alimentada por diversas instituições, também acompanha a evolução da demanda e produção dos biodigestores e as diferentes aplicações do biogás. E mostra que, em 2020, houve um aumento de 22% no número de plantas de produção, totalizando 675 no País e uma produção de 2.2 bilhões de m3 de biogás. O levantamento cobre o ano de 2020 e o primeiro trimestre de 2021, usando sites de notícias e bases de dados públicos das Agências Reguladoras dos setores de energia elétrica (ANEEL) e biocombustíveis (ANP). Desse total, 638 encontram-se em operação para fins energéticos no Brasil e 78% são de pequeno porte - produzem até 1 mi Nm3 por ano. Os sistemas de biodigestão para produção do biogás tem como alimento principal os resíduos da agropecuária (caso de 79% das plantas, que produzem 11% do volume total do País), indústria, aterro sanitário e ETCs - Estações de Tratamento de Esgoto. Já plantas que processam resíduos sólidos urbanos ou efluentes de estações de tratamento de esgoto representam 9% das que operam e são responsáveis por 73% do biogás. A exemplo de 2019, em 2020 a aplicação mais representativa dessas plantas foi a geração de energia elétrica. O volume de biogás purificado para produção de biometano no país avançou sua participação de 3% em 2019 para 19% em 2020. A forma mais comum de produzir biogás é pelo método de digestão anaeróbica. A atuação de bactérias em uma câmara fechada (biodigestor), sem ar, alimentada com resíduos orgânicos (como esterco, restos de alimentos, vinhaça, cama de frango, entre outros), misturadas com água, transforma esses detritos em biogás, que podem ser convertidos em energia elétrica. A purificação do biogás, por processos que incluem a separação por membrana, por sua vez, produz o biometano. Ambos os produtos são usados como combustível, e o biometano tem sido considerado uma tendência: 17% do transporte rodoviário na União Européia, por exemplo, já é movido a biometano e o comércio transfronteiriço de gás vem aumentando. No Brasil, especialistas consideram que o biometano tem potencial de substituir até 70% da demanda por diesel, com grandes ganhos para o meio ambiente. Ao tratar águas residuais mais difíceis, com uma alta carga de nutrientes, o resultado é um efluente mais limpo, que resolve problemas de descarte, reduzindo as contas das concessionárias de tratamento de águas residuais e até mesmo permitindo o descarte ambiental. O biossólido digerido orgânico que permanece após o processo é importante para a correção do solo na agricultura e o nitrogênio pode ser recuperado durante a digestão anaeróbica para fazer fertilizante concentrado. A digestão anaeróbia envolve processos metabólicos complexos que ocorrem em quatro etapas sequenciais - hidrólise, acidogênese, acetogênese e metanogênese - e dependem da atividade dos grupos fisiológicos de microrganismos. Para dar suporte à expansão das plantas e à capacidade de aumento da produção do biogás, já existem, inclusive no Brasil, produtos biotecnológicos que podem ser aplicados em quatro dos tipos mais frequentes de biodigestores - BLC, UASB, CSTR e o chamado Fase Sólida. Esses produtos agem na fase de hidrólise, aumentando a capacidade de degradação dos materiais orgânicos, melhorando a eficiência e segurança operacional de todo o sistema. É a revolução ambiental ganhando novos atores, tornando-se mais versátil e confirmando que as bandeiras de ESG e dos avanços de tecnologias verdes é uma maré, felizmente, incontrolável. * Monique Zorzim é Gerente Técnica da Área Ambiental da SuperBAC.

2 de agosto, 2021
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BIOGÁS
Geração de energia com resíduos do Ceasa-PR

A CS Bioenergia iniciou mais uma etapa de implantação de sua usina de biogás, ao receber 30 toneladas de resíduos do Ceasa (Centro de Abastecimento do Paraná S/A), um dos grandes geradores da região metropolitana de Curitiba, para comissionar o maquinário e efetuar testes preliminares de funcionamento. Os resíduos são compostos de embalagens, sacolas plásticas e em sua fração orgânica de restos alimentares, frutas, vegetais, entre outros. “A tecnologia implantada é o estado da arte em separação de resíduos sólidos, o moinho de martelo corta, tritura, diluí e separa os resíduos, o que nos permite reaproveitar o máximo da fração orgânica. Após a certificação, a usina pode receber diariamente um volume de até 200 toneladas de resíduos”, afirma Fabiana Campos, presidente da CS Bioenergia. Segundo ela, o material coletado é transportado até a usina em caminhões, que depositam os resíduos em um banker que transporta automaticamente para o moinho de martelo, que tritura e separa a fração orgânica das embalagens. Esta fração é bombeada até os biodigestores, onde é misturada ao lodo de esgoto da estação de tratamento. A massa homogeneizada é agitada através de agitadores e aquecida, O sistema de separação rotativo integrado separa e direciona a fração orgânica para os tanques de biodigestão através de bombas. O sistema integrado corta as embalagens, lava e separa para serem reaproveitados como combustível alternativo. A CS Bioenergia já opera gerando biogás a partir do lodo da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Belém. A capacidade de geração da usina, quando estiver com capacidade máxima, é de 2,8 MW, energia suficiente para atender à demanda de duas mil casas populares. Falta apenas a aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a conexão da energia na rede. “O objetivo agora é conectar a planta à rede de distribuição da Copel (Companhia Paranaense de Energia). Aguardamos somente a liberação do órgão regulador, a Aneel, o que deve acontecer em janeiro de 2018”, prevê Fabiana Campos.

19 de janeiro, 2018