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FOZ DO AMAZONAS

Greenpeace questiona segurança nos testes da Petrobras

Greenpeace questiona segurança nos testes da Petrobras

O teste envolveu 400 pessoas e uma estrutura que incluiu sondas, helicópteros, embarcações testadas para contenção e recolhimento de óleo, além de unidades de atendimento à fauna.

A Petrobras concluiu, dia 27 de agosto, a Avaliação Pré-Operacional (APO) no bloco marítimo FZA-M-59, localizado na Bacia da Foz do Amazonas. O teste contou com a supervisão do Ibama, após o órgão ambiental recomendá-lo para a etapa final do processo de licenciamento ambiental para exploração de petróleo na margem equatorial. O teste envolveu 400 pessoas e uma estrutura que incluiu sondas, helicópteros, embarcações testadas para contenção e recolhimento de óleo, além de unidades de atendimento à fauna.

“A APO foi um teatro caro e fúnebre que tentou legitimar uma decisão capaz de comprometer o futuro da Amazônia e do planeta. A mobilização de recursos milionários para uma simulação pontual apenas evidencia a enorme complexidade e os riscos incontroláveis da exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Um vazamento nesse território significaria não só devastação ambiental, mas também impactos profundos sobre comunidades, modos de vida e sobre o clima global. Poços de petróleo nunca foram sinônimo de prosperidade: são a promessa de mais desigualdade, destruição e retrocesso”, disse a coordenadora da Frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade.

O bloco marítimo FZA-M-59, palco da APO, está localizado a apenas 175 km da costa do Oiapoque (AP) e abrange área de extrema sensibilidade socioambiental. A exploração de petróleo na região, além de provocar graves danos ambientais, impacta diretamente as comunidades tradicionais localizadas na região: “Estamos assistindo a um crime ambiental anunciado, sem aprender com as evidências de destruição que assombram o nordeste brasileiro desde 2019. A exploração de petróleo em uma das regiões mais sensíveis do planeta pode resultar na perda de territórios tradicionais, na redução de áreas pesqueiras e na diminuição de recursos naturais essenciais para a subsistência dessas populações. Precisamos da Amazônia Livre de Petróleo e de uma transição energética justa, popular e equitativa”, completa a coordenadora.

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LITORAL BRASILEIRO
Manchas de óleo completam um ano

Entre o final de agosto e início de setembro de 2019 apareceram no litoral nordestino brasileiro manchas de óleo que atingiram mais de três mil km da costa. Grande parte do material poluente foi retirada, mas, mesmo assim, especialistas indicam que há riscos ainda para os ecossistemas marinhos. “Embora a imagem degradante das manchas aparentemente tenha sido resolvida, o óleo ainda está lá, gerando impactos pouco visíveis ao olhar comum”, alerta o membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e pesquisador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), Alexander Turra. Segundo o especialista, parte do óleo se acumulou no fundo do mar, misturando-se com os sedimentos e formando grumos pegajosos de poucos centímetros que, de tempos em tempos, são lançados nas praias por meio de tempestades e ressacas e seguem liberando compostos químicos no ambiente. Em junho de 2020, nove meses após o evento, o material poluente ressurgiu na costa de estados como Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A investigação conduzida pela Marinha do Brasil levantou hipóteses de derramamento acidental, intencional, operação ship to ship ou naufrágio de um navio petroleiro, mas a origem permanece desconhecida. O inquérito concluído apontou que o derramamento de óleo ocorreu a 700 km da costa e viajou submerso por 40 dias. O ecólogo e coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Robson Capretz, realça a necessidade de monitoramento das águas, considerando a importância do oceano para a manutenção da vida no planeta. “O oceano é responsável pela estabilidade do clima, pela produção de alimentos e estocagem de carbono, além de movimentar a economia, envolvendo setores como transporte, recursos minerais, energia e turismo. Os ambientes marinhos também são fonte de renda e berço de culturas e tradições de populações tradicionais”, destaca. “É preciso que seja desenvolvida tecnologia para identificar e monitorar em tempo real manchas que se aproximam da costa pela superfície ou abaixo dela e todos os navios que passem ao longo da costa brasileira – em especial os navios-tanque. Também é preciso definir procedimentos e indicadores prévios de alerta, como o desligamento do transponder de um navio ou padrão suspeito de navegação, de forma a permitir ação rápida da Marinha”, aponta Turra. No vazamento de 2019, foram afetadas 906 localidades em 127 municípios de 11 estados. O governo federal desembolsou R$ 172 milhões para conter o avanço das manchas e coletar os resíduos. À época, a Marinha do Brasil mobilizou 54 organizações militares, 2.700 membros das forças armadas, 16 navios, duas aeronaves, além de embarcações e viaturas pertencentes às diversas capitanias dos portos, delegacias e agências sediadas ao longo do litoral.

8 de setembro, 2020