Indústria têxtil adota paletização retornável para fios de algodão

Na Incofios, o formato evitou mais de 103 mil caixas de papelão em 2025; paletes e divisórias voltam à fábrica depois de cada entrega
Na cadeia têxtil, o fio de algodão tradicionalmente sai da fiação em caixas de papelão e embalagens plásticas que, depois de abertas na tecelagem, viram descarte a cada entrega. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) estabeleceu a responsabilidade compartilhada sobre o ciclo de vida dos produtos e a logística reversa, e esse volume passou a entrar na conta das empresas. A meta nacional de recuperação de embalagens, que era de 22%, passou a seguir o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), com percentuais progressivos a partir de 30%, o que tem levado o setor a buscar formatos capazes de reduzir resíduos sem comprometer a agilidade das entregas.
Uma das alternativas é a paletização retornável, que já ganhou escala na Incofios, fabricante de fios 100% algodão com sede em Indaial (SC) e cinco plantas industriais entre Santa Catarina e Mato Grosso. O modelo começou, em 2019, como projeto-piloto, com a compra de algumas divisórias de papelão e testes com um grupo restrito de clientes. Depois de avaliar os pontos positivos e negativos e mapear as tecelagens que poderiam receber os fios dessa forma, a empresa ampliou sua capacidade de embalagem paletizada em 2021. Em 2026, o volume enviado nesse formato já passa de 2,5 mil toneladas. Na prática, cada palete de madeira recebe 14 camadas de fio separadas por 15 divisórias de papelão, somando cerca de 1.100 quilos, peso que varia conforme o tipo de fio. O material segue para o cliente com uma nota fiscal de empréstimo, emitida junto com a nota de venda. Depois que o fio é consumido, o cliente emite uma nota de retorno e a equipe da Incofios faz a coleta dos paletes e divisórias, que voltam a circular em novas entregas.
Segundo o Relatório de Sustentabilidade 2025 da Incofios, a empresa enviou 3,97 mil toneladas de fio de forma paletizada em 2025, crescimento de 31,34% em relação a 2024. A mudança evitou o uso de mais de 103 mil caixas de papelão e reduziu o consumo em mais de 108 mil kg de papelão e 18,5 mil kg de plástico, já que cada caixa leva também 12 sacos plásticos, um para cada roca de fio. No mesmo período, a Incofios compensou 67% da massa de embalagens colocadas no mercado por meio de créditos de reciclagem, bem acima da meta mínima prevista na legislação. "O paletizado começou como um teste com poucos clientes e hoje faz parte da nossa rotina. A cada ano ampliamos o número de paletes e divisórias, e o próximo passo é automatizar a embalagem. Esse avanço depende diretamente da adesão dos clientes, porque é o volume que viabiliza o investimento", afirma Edson Augusto Schlogl, diretor geral da Incofios.
Para a Incofios, o formato trouxe mais agilidade na carga e descarga dos caminhões e no próprio setor de embalagem. Do lado dos clientes, o retorno mais frequente é a rapidez para alimentar as máquinas, já que o fio paletizado chega pronto para uso, sem a etapa de abrir caixas e pacotes. O modelo está disponível para todos os produtos fabricados pela empresa e para qualquer cliente ou prestador de serviço, desde que possa emitir a nota fiscal de retorno do material. Com a automação da embalagem, hoje totalmente manual, a expectativa é dar ainda mais escala ao formato nos próximos anos.












