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NOVO PAC

Infraestrutura e energia devem receber cerca de US$ 300 bilhões

Infraestrutura e energia devem receber cerca de US$ 300 bilhões

O Novo PAC inclui investimentos de aproximadamente US$ 300 bilhões em diversos setores – em particular nas áreas de infraestrutura e energia

O Comitê de Mineração e Infraestrutura da Câmara de Comércio Brasileira na Grã-Bretanha, liderado pelo advogado Alexandre Aroeira Salles, da banca Aroeira Salles Advogados, promoveu evento em parceria com os Comitês de Energia e Descarbonização e Serviços Financeiros da Câmara, na sede do Banco do Brasil em Londres, em dezembro de 2023. Entre os temas debatidos estiveram os principais projetos de infraestrutura e energia no Brasil no contexto do novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e os panoramas acerca do cenário atual relacionados aos grandes projetos brasileiros.

O Novo PAC lançado pelo Governo Brasileiro em agosto de 2023 inclui investimentos de aproximadamente US$ 300 bilhões em diversos setores – em particular nas áreas de infraestrutura e energia – sendo que parte significativa do aporte total terá origem do setor privado, o que mostra uma mudança significativa na forma como os projetos públicos são financiados no Brasil. No entanto, é preciso considerar se o governo brasileiro será capaz de atrair o capital privado necessário. Além disso, o governo confirmou que irá manter o Programa de Parceria de Investimento (PPI), criado em 2016, que prevê investimentos do setor privado, visto por muitos como uma iniciativa positiva que permite o envolvimento do mercado em vários projetos importantes no País, e inclusive, 92 deles foram incluídos no Novo PAC.

As Agências Reguladoras brasileiras, em particular nas áreas de infraestrutura e energia, têm trabalhado de forma eficaz com o objetivo de estruturar suas operações e regulação do setor a fim de ampliar e melhorar a segurança jurídica. O objetivo é simplificar a regulamentação e encorajar a iniciativa privada a partir de estudos de viabilidade para concessões e outros documentos importantes que têm sido cada vez mais divulgados durante a fase inicial das concorrências públicas, além da criação de mecanismos para facilitar a resolução consensual de conflitos, tais como: conselhos de disputa e arbitragem e o estabelecimento de regras para melhorar o processo de licenciamento ambiental dos empreendimentos. Já quando se trata do setor energético, o Brasil é um mercado estabelecido para investimentos internacionais e um dos principais focos globais de investimentos em energias renováveis, de acordo com um relatório recente das Nações Unidas que afirmou que o Brasil é responsável por 11% dos fundos alocados nas economias emergentes. A questão da sustentabilidade é um fator fundamental na atração de capital privado e é notável que o novo PAC tenha sido lançado juntamente com o “Plano de Transição Ecológica” do Governo, concebido para garantir que os projetos cumpram as metas de redução das emissões de gases com efeito de estufa e do desmatamento.

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Por Luiz Roberto Gravina Pladevall (*) O Brasil reduziu em 58% os investimentos em infraestrutura desde a década de 1970. Os setores de saneamento e eletricidade foram os que sofreram maiores quedas no período (- 59% e - 67% respectivamente) segundo pesquisa realizada pela Inter.B Consultoria Internacional de Negócios para a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Nacional). O levantamento mostra que entre 1971 e 1980, o país investiu 5,42% do PIB em infraestrutura, contra 2,28% entre os anos de 2011 e 2014. O estudo mostra ainda uma das piores mazelas que caminham com as obras públicas brasileiras. Além da redução de investimentos nesses empreendimentos, empregamos mal os recursos públicos. No saneamento, os dados apresentaram os piores indicadores na conclusão da sua execução. A pesquisa aponta que apenas 9,3% das obras do setor do PAC 1 e 26,7% do PAC 2 foram concluídas no período programado. Também é relevante a execução dos investimentos nessa área. Apenas 3,7% no PAC 1 e 36,1% no PAC 2 foram investidos em saneamento do total programado. A falta de investimentos em coleta e tratamento de esgoto afeta milhares de brasileiros com elevação dos custos na saúde pública. A Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) defende a imediata reavaliação dos projetos na área de saneamento básico no país, ressaltando a importância de maior transparência das informações sobre esses empreendimentos. É indispensável o acompanhamento da sociedade de todo o programa, com seus projetos e ações individuais, com custos e cronograma de execução. O país também precisa assumir o compromisso de adotar medidas de planejamento que garantam a execução da obra de acordo com as reais necessidades da população. Por isso, devemos melhorar a qualidade desses empreendimentos com uma legislação atualizada, que determine a execução de uma obra a partir de um projeto básico e executivo, por meio de uma licitação equilibrada, com os aspectos “técnica” e “preço” de acordo com os preceitos de uma economia mais aberta e competitiva. As nações desenvolvidas já adotaram procedimentos para contratar projetos de melhor qualidade. Para reduzir custos e concluir as obras dentro das especificações necessárias, elas adotam a contratação de consultorias, cujos custos não ultrapassam 5% do valor final do empreendimento. A criação de um banco de projetos que, por suas características estratégicas futuras, seja capaz de agregar as melhores soluções de infraestrutura, é outra sugestão da Apecs para os períodos com menores recursos financeiros. Assim, com a retomada dos investimentos públicos, os agentes podem reduzir os prazos de execução de uma obra e atender à demanda da sociedade. Essa agenda deve ser prioridade para o país. A Apecs tem certeza que o adiamento de obras essenciais tem forte repercussão negativa para o nosso futuro, impedindo que o Brasil alcance posições de uma nação de referência internacional. (*) Luiz Roberto Gravina Pladevall é presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) e membro da Diretoria da ABES-SP (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental). Email: [email protected]

20 de julho, 2016