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INFRAESTRUTURA

Brasil deve receber R$ 300 bilhões em investimentos para 2026

Brasil deve receber R$ 300 bilhões em investimentos para 2026

Um dos painéis mais debatidos foi a "corrida" pela universalização do saneamento, prevista pelo Marco Legal para 2033.

O setor de infraestrutura brasileiro vive um momento de investimentos recordes e se prepara para um 2026 ainda mais robusto. O Fórum Exame Infraestrutura 2025, realizado nesta segunda-feira (2) em São Paulo, projetou que o país deve ultrapassar R$ 300 bilhões em investimentos no próximo ano, com forte protagonismo da iniciativa privada. Para Roberto Guimarães, Diretor de Planejamento e Economia da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), a previsão é de R$ 250 bilhões em recursos privados e R$ 50 bilhões em recursos públicos. "O país vive um momento de investimentos superlativos", afirmou Guimarães.

Um dos painéis mais debatidos foi a "corrida" pela universalização do saneamento, prevista pelo Marco Legal para 2033. Carlos Piani, CEO da Sabesp, anunciou que a companhia acelerou o ritmo de investimentos para uma média de R$ 15 bilhões a R$ 16 bilhões por ano, com o objetivo de universalizar os serviços já em 2029. "Temos obras em todos os municípios da Sabesp, focando principalmente no tratamento de esgoto, que é o maior gargalo", disse Piani, citando o plano de ampliar a capacidade de tratamento da região metropolitana de 16 para 22 m³/s nos próximos anos.

Em Minas Gerais, a Copasa também demonstrou crescimento. Segundo Fernando Passaglio, presidente da empresa, o salto no investimento passou de R$ 586 milhões em 2019 para uma projeção de R$ 2,5 bilhões em 2024. O Fórum também ressaltou a ascensão das Parcerias Público-Privadas (PPPs) em infraestrutura social (escolas, hospitais e habitação). Guilherme Naves, sócio-fundador da Radar PPP, indicou que 2025 deve registrar oito vezes mais leilões neste segmento do que 2021. "Temos R$ 120 bilhões estimados nesse pipeline, com mais de 150 projetos em gestação", afirmou Naves, destacando que a administração pública tem usado as PPPs como solução para garantir não apenas a construção, mas a operação e manutenção de equipamentos públicos a longo prazo.

Na área de transportes, o debate foi em torno da tecnologia nas rodovias. Guilherme Sampaio, Diretor-Geral da ANTT, e Eduardo Camargo, Presidente da Motiva Rodovias, confirmaram que a implementação do sistema Free Flow (pedágio automático sem cancelas) é uma tendência irreversível. "Não imaginamos mais novas praças de pedágio físicas sendo construídas; a migração é para o pagamento automático e a engenharia digital," disse Camargo. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) projeta dobrar a malha concedida, atingindo 25.000 km até o final de 2026. Durante o evento, foi apresentado o ranking "Melhores Cidades para Fazer Negócios 2025", elaborado pela Urban Systems, com destaque setorial para Camaçari (Indústria); São Paulo (Saúde e Educação); Rio de Janeiro (Comércio) ; Petrolina (Agronegócio) e Belo Horizonte (Construção Civil).

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Mara Fornari Considerando as metas arrojadas de universalização do saneamento até 2033 e as oportunidades que se abrem em cinco estruturações feitas pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) para o Amapá, Região Metropolitana de Maceió, PPP de Cariacica (ES), Cedae e Porto Alegre, a cadeia de fornecimento para este setor não terá do que se queixar – serão R$ 38 bilhões de investimentos nos próximos anos. Ainda assim, a cifra é bastante modesta perto das projeções consideradas pela Abcon/Sindcon (Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto/Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto) para atender a todas as concessões pelos próximos 35 anos. Partindo dos R$ 38 bilhões projetados pelo BNDES, R$ 3 bilhões serão investidos no Estado do Amapá (em 16 municípios); R$ 2,56 bilhões em 13 municípios da Região Metropolitana de Maceió (AL); R$ 580 milhões na PPP de Cariacica (ES); R$ 29,7 bilhões nos quatro blocos da Cedae, que compreendem 35 municípios; e R$ 2,18 bilhões em Porto Alegre. Para identificar se existe condição de suprir a demanda estimada, as entidades Abcon e Sindcon, em parceria com a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), realizaram, no início de julho, o evento “Marco Legal do Saneamento – Oportunidades para a Cadeia de Fornecimento”, que trouxe informações importantes de um estudo que está sendo realizado pelo BNDES. Os debates foram patrocinados pelas empresas: Acciona, Aegea Saneamento, BRK Ambiental, Sabesp, Engetec, Pieralisi e Tigre. Conforme informou Flávio Moraes da Mota, Chefe do Departamento de Indústria de Base Extrativa do BNDES, “como estruturador de alguns projetos de licitação, o Banco buscou analisar o impacto desses investimentos sobre a cadeia de fornecedores pois, a partir do momento que o Marco do Saneamento estabelece metas, as concessionárias têm a liberdade de optar pelas soluções e tecnologias que mais lhes atendem”. A expectativa da instituição é publicar o estudo completo até o final do ano, com o mapeamento da capacidade da cadeia de fornecedores e a previsibilidade do tempo de investimento, para que os concessionários possam tomar suas decisões de investimentos e, desta forma, aumentar o nível dos serviços prestados de água e esgoto para a maior parte da população brasileira. O mapeamento de bens industriais demandados em estruturações no BNDES foi apresentado pela Gerente Industrial Sabrina Schneider Martinez. O levantamento de dados foi baseado em cinco de sete projetos que o BNDES está estruturando, conforme já mencionamos, e levou em consideração o estágio de maturidade de cada um e suas demandas previstas exclusivamente em tubulação e equipamentos (Capex) e produtos químicos (Opex). A soma desses três insumos industriais totalizou R$ 11 bilhões, sendo: R$3,8 bilhões em tubulação (desmembrados em R$ 2,18 milhões para água e R$ 1,624 bilhão para esgoto), R$ 2,8 bilhões em produtos químicos (R$ 1,499 bilhão para água e R$ 1,257 bilhão para esgoto) e R$ 4,5 bilhões em equipamentos (R$ 3,248 bilhões para água e R$ 1,259 bilhão para esgoto). Sabrina explica que a meta de redução do índice de perdas de 40% para 25% e algumas características dos projetos para distribuição e tratamento de água acaba tornando esse valor maior do que os investimentos em esgoto no conjunto das cinco estruturações. Observando a alocação dos três insumos industriais nos tipos de obra, Sabrina ressalta que os equipamentos estão muito presentes nas ligações e estações de tratamento de esgoto, os produtos químicos em ETAs e ETEs e as tubulações na expansão e/ou implantação de redes e adutoras. Tubos “Falando especificamente de tubulação, a distribuição dessa demanda nas cinco estruturações ao longo do tempo mostra grande concentração de investimentos até 2033, em virtude das metas do marco do saneamento, que estipulam indicadores de atendimento de 99% da população com acesso à água e 90% com esgoto”, pontua a Gerente Industrial do BNDES. “Dos R$ 4 bilhões de investimentos até 2057, considerando uma média de concessão de 35 anos, R$ 3,4 bilhões, ou 85%, devem ser realizados até 2033. Isso significa a implantação total de 33 mil km de tubulações nesse horizonte, sendo 28 mil km até 2033. A distância equivale a quatro vezes e meia a faixa litorânea brasileira. 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