Publicidade
INFRAESTRUTURA

Saneamento é mais atrativo para investimentos, conforme EY

Saneamento é mais atrativo para investimentos, conforme EY

No setor de energia elétrica, o destaque fica para a estruturação e regulamentação dos últimos anos

Segundo a 10ª edição do Barômetro da Infraestrutura, estudo realizado a cada seis meses pela consultoria e auditoria EY em parceria com a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), o saneamento básico segue como principal setor atrativo para investimentos com 61,5% das respostas, seguido por energia elétrica (46,9%) e rodovias (32,4%). “Nosso principal objetivo é realizar avaliações setoriais de qualidade, que ofereçam uma contribuição efetiva às autoridades públicas e aos agentes institucionais na formulação e na gestão de políticas públicas para a promoção do desenvolvimento da infraestrutura brasileira”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY para o setor de Governo e Infraestrutura. O setor de saneamento básico mantém a liderança no estudo desde 2019, mas as iniciativas recentes como o Marco do Saneamento trouxeram ainda mais holofote para as oportunidades deste mercado. “Sem dúvida, o Marco foi um impulsionador importante para aumentar as intenções de aporte no setor, criando uma confiança e entusiasmo. Sem contar que, o déficit histórico de investimentos nessa área também faz crescer esse apetite”, explica Gusmão.

No setor de energia elétrica, o destaque fica para a estruturação e regulamentação bem dos últimos anos. “Como esse é um tema que tem uma regulamentação mais avançada e encaminhada, acaba gerando uma situação mais confortável e segura para os investidores, principalmente da iniciativa privada”, afirma o executivo. Para Gusmão, “o crescimento do apetite por investimentos em rodovias parece estar muito atrelado ao novo PAC (Programa de Aceleração e Crescimento) do governo federal e a iniciativas estaduais de concessões rodoviárias observadas em 2023”. Para o representante da EY, o Novo PAC atraiu investimentos públicos e privados nessa agenda. “Inclusive, esse otimismo em relação ao novo PAC foi um dos pontos de destaque dessa edição do Barômetro”, completa.

A maioria dos entrevistados (51,5%) apontou que as medidas e propostas do Novo PAC atendem parcialmente às expectativas. Esses resultados podem influenciar o rumo da agenda de concessões e PPPs (Parcerias Público-Privada), já que o programa promove apoio às parcerias e concessões na implementação da maioria dos projetos estruturantes. A maior participação privada nos investimentos foi o ponto mais citado, com 45,9%. “De forma geral, há sim um otimismo sobre esse programa, mas conseguiremos ter um termômetro mais assertivo nas próximas edições do estudo, nas quais já teremos uma estruturação maior das iniciativas e maior tempo do governo federal no comando”, reforça o executivo.
Outro aspecto percebido nesta edição do estudo foi um maior protagonismo dos governos estaduais em relação ao federal. “Esse indicativo mostra que o mercado está vendo os governos estaduais com maior agilidade e capacidade para tirar os projetos do papel”, comenta o executivo. “Além do governo federal estar no começo da gestão é importante ressaltar que a agenda federal por si só já é mais morosa e complexa”, completa. Numa escala de 0 a 10, na 10ª edição, o governo federal ficou com uma nota 5,3 contra 4,6 da pesquisa anterior e o governo estadual subiu para 5,8 contra 5,6.

Segundo a previsão global feita pela Forrester, os gastos com software de Inteligência Artificial já prontos para uso e personalizado devem dobrar de US$ 33 bilhões em 2021 para US$ 64 bilhões em 2025, crescendo 50% mais rápido do que o mercado geral de softwares, com uma taxa de crescimento anual de 18%. Para o executivo, “na infraestrutura, a IA tem um enorme potencial para acelerar a coleta e o processamento de dados em projetos de PPPs e concessões. Sem contar que a otimização dessas etapas reduzirá significativamente os prazos de estruturação de projetos”.
Atualmente, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) em parceria com a Embratel desenvolve um projeto com IA para automatizar a identificação de vazamentos na rede de distribuição de água tratada em Brasília. Com o uso de sensores fixos instalados nas tubulações de maneira não invasiva, ou seja, sem perfurações na estrutura ou contato com a água, os quais através de uma conectividade M2M (machine to machine) e dispositivos de Internet das Coisas (IoT), eles são capazes de identificar a localização exata dos vazamentos por meio de vibrações e ruídos dos canos. Assim, uma IA coleta e armazena as informações, apresentando-as em um painel de controle que envia alertas e fornece recomendações para apoiar a equipe técnica da Caesb, agilizando e otimizando as ações de reparo. “Quanto maior a proporção de área coberta pela infraestrutura e o tempo de monitoramento, maior será a precisão dos resultados da coleta de dados. Essa precisão é obtida graças ao processo de aprendizagem contínuo presente nas soluções de IA, que além de se desenvolver pelo processamento de informações, constrói relatórios gerenciais complexos que auxiliam os especialistas em análises robustas e tomadas de decisão”, explica Gusmão. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), no ano de 2021, a cada 10 litros de água que deveriam ser entregues às casas brasileiras, 4 são desperdiçados. “Isso significa que 40% da água própria para consumo no país é perdida, o que demonstra que esse projeto pode mitigar o problema do desperdício a nível nacional, uma vez que a solução automatiza, em tempo real, a detecção de vazamentos, reduzindo os possíveis desvios”, complementa.

Artigos Relacionados

O papel da tecnologia dentro dos novos projetos de saneamento
ARTIGO
O papel da tecnologia dentro dos novos projetos de saneamento

Artigo por Márcio Martin * Atualmente, cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso algum à água tratada, e mais de 100 milhões vivem sem coleta de esgoto – de acordo com dados do Instituto Trata Brasil. A situação é obviamente preocupante, mas a aprovação do Novo Marco Legal de Saneamento, de 2020, trouxe novas oportunidades tanto para as pessoas que dependem de saneamento básico quanto para companhias dispostas a inovar e utilizar suas ferramentas digitais para mudar esse panorama. A meta é ousada: até 2033, mais de 90% da população precisa ser atendida com esses serviços que são fundamentais para a qualidade de vida das pessoas. Não se trata de um desafio simples, mas a tendência é que ele atraia a atenção do mercado para a realização de novos projetos onde as tecnologias e ferramentas digitais serão essenciais para elevar a eficiência dos sistemas de água e esgoto. Só em 2021, o segmento de saneamento básico recebeu investimentos na ordem de R$ 35 bilhões, o que representa 10 vezes o valor destinado ao setor em 2020, segundo o Governo federal. Isso prova que a iniciativa privada está atenta à demanda e pronta para atuar em projetos. Projetos para todo o território nacional Dados da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon) apontam que 23 licitações devem ser realizadas no país até o fim de 2023, sendo que 12 delas ocorrerão para cidades com população igual ou inferior a 50 mil habitantes. No total, os investimentos voltados para municípios pequenos podem somar R$ 22 bilhões em projetos realizados por meio das Parcerias Público-Privadas (PPPs). Embora alto, ainda há mais oportunidades para o desenvolvimento de projetos, pois, para atingir as metas do marco regulatório até 2033, seria necessária uma média de R$ 63 bilhões de aportes por ano para chegar à projeção de R$ 700 bilhões para garantir as melhorias. Muita inovação e tecnologia O crescimento projetado da demanda de água para os próximos anos em todo o mundo está acelerando a tendência de inovações e tecnologias voltadas ao saneamento. Além de sistemas mais sustentáveis, o uso de dados e a implementação de ferramentas inteligentes no setor passam a ser fundamentais. Entre as vantagens, estão: Melhor gestão de perdas no sistema de saneamento; Melhora do fluxo de distribuição de água; Facilidade no monitoramento para adoção de ações preditivas; Aumento da capacidade de identificação de ações clandestinas; Respostas mais rápidas a crises com informações em tempo real. O levantamento Barômetro da Infraestrutura Brasileira , que é feito semestralmente pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), em parceria com a consultoria EY, destaca justamente que as empresas têm investido em tecnologia e inovação no saneamento para tornar o atendimento à população mais eficiente e eficaz ao obter mais dados, antecipar problemas e automatizar sistemas. Um exemplo citado é o acompanhamento online de todo o ciclo de processos de tratamento e abastecimento a partir da combinação de dispositivos IoT (Internet das Coisas) com análise de dados baseada em inteligência artificial para gerar informações e possibilitar o monitoramento dos sistemas de água e esgoto à distância. O estudo ainda aponta que a grande necessidade de modernizar os sistemas de água e esgoto e as aberturas para a realização de projetos na área com a nova legislação aprovada em 2020 são o grande fator pelo qual o saneamento desponta como o setor foco para a realização de projetos nos próximos anos. Considerando esse cenário, é possível dizer que o uso de tecnologias no saneamento será fundamental para conseguirmos conter a escassez desse bem tão essencial em nosso planeta. E as empresas estão prontas para desenvolver projetos cada vez mais inovadores e necessários à sociedade. * Márcio Martin é Vice-Presidente Comercial, Soluções e Marketing para América Latina da green4T.

26 de setembro, 2022
IA, Big Data e IoT puxam investimentos
SANEAMENTO
IA, Big Data e IoT puxam investimentos

Artigo por Patrick Baudon Por Patrick Baudon * O saneamento básico é um dos principais assuntos relacionados ao desenvolvimento social e econômico do País e existe grande pressão de seu alinhamento com foco nos resultados ambientais, sociais e de governança (ESG). E, embora o setor ainda tenha um relativo atraso em evolução tecnológica quando comparado a outros setores da economia, a projeção é de que o saneamento receba nos próximos anos um montante de recursos em um ritmo nunca observado, aponta pesquisa realizada pela EY e a Abdib. A necessidade de investimentos rápidos e certeiros é puxada pelo Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê redução do nível de perda de água de 51% para 33% até 2033. Além disso, atualmente apenas 55% da população brasileira é coberta com rede de esgoto e 84,1% com abastecimento de água por rede. Pelo Marco Legal, empresas do setor precisam atender 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgotos até 31 de dezembro de 2033. Outro ponto que traz uma revolução no setor é que, desde 2021, empresas privadas podem concorrer em leilões de concessões de empresas de saneamento, o que gera a necessidade de grandes investimentos para que exista uma governança completa em termos de sistemas e dados, e a possibilidade de escalonamento, já pensando na entrada de novas concessões na operação. Com isso, grandes investimentos serão feitos e a tecnologia será a habilitadora para atingir esses objetivos desafiadores. O uso da de tecnologias como Inteligência Artificial, Big Data e de dispositivos IoT (Internet das Coisas) entram como artifício fundamental na gestão de perdas, tanto técnicas quanto comerciais, e trazem a possibilidade de rastrear e coletar dados para apoiar na tomada de decisão, na predição de eventos, no combate aos vazamentos, nas falhas nos sistemas de medição e nas ligações clandestinas entre outros indicadores. Com a IA, é possível agilizar processos que antes demoravam de 30 a 45 dias para se gerar uma informação e, agora, passamos a tê-la em tempo real, assim como é possível obter insights preditivos de ações, como o volume de água que um bairro vai consumir em determinado horário para monitorar padrões suspeitos de consumo. Além de possibilitar uma gestão mais eficiente para as empresas de saneamento, a IA gera diversos ganhos como a economia direta em energia, que corresponde a 40% dos custos do tratamento de água, produtos químicos, uso de equipamentos, diminuição de atividades sobrepostas e melhor direcionamento de seus investimentos, entre outros aspectos. Já para o consumidor, o uso de tecnologias promove a melhoria no serviço prestado e no atendimento pelos canais de comunicação. É possível, por exemplo, desenvolver soluções que apoiem o usuário a ter mais entendimento da sua fatura, além de promover a autoleitura do seu consumo de água e fornecer informações sobre interrupções de fornecimento em sua região, entre outros serviços. Para atingir as metas do Novo Marco Legal, as empresas precisam reduzir o nível nacional de perdas de água, assim como se alinhar à agenda ESG e fazer uma gestão com visão globalizada. Estes desafios só serão possíveis com a mudança de gestão, objetivando a melhoria de processos e o investimento em infraestrutura e inovação. O investimento em tecnologia permitirá às empresas terem uma maior assertividade em todos esses processos, possibilitando uma tomada de decisão baseada em fatos e a melhoria contínua do atendimento ao cliente. * Patrick Baudon é Diretor comercial de Energy & Utilities da Engineering. companhia global de Tecnologia da Informação e consultoria especializada em Transformação Digital.

15 de fevereiro, 2022
Saneamento Ambiental Logo
ARTIGO
Saneamento Básico: gestão de processos para concessionárias

Por Marco Lima * O Brasil enfrenta uma escassez no serviço de esgoto sanitário, fornecimento de água potável, gerenciamento de resíduos sólidos e drenagem das águas pluviais. A infraestrutura precária aumenta o custo Brasil e impede o crescimento da produtividade da economia. Índices do Sistema de Informação de Saneamento (SNIS 2017) mostram que o abastecimento de água na região Sudeste é de 91,25%, e é a região que mais atende a população com água potável. Comparando com outras regiões mais precárias que é o Norte, atende 57,49%, pouco mais da metade da população. A distribuição de água canalizada atende 83,5% do total de brasileiros e 93% da população urbana. No entanto, apenas 46% da população urbana tem acesso a serviços de coleta e tratamento de esgoto, enquanto 12% usam sistemas individuais, 18% têm o esgoto coletado sem tratamento e 24% não têm serviço de esgoto sanitário. O novo marco regulatório do saneamento básico (Projeto de Lei n.º 4.162/2019), que foi aprovado pelo Senado recentemente, acende uma luz para a melhora nos serviços. A lei objetiva a universalização do saneamento, com a ampliação da coleta de esgoto para 90% da população e o fornecimento de água potável para 99% da população até o fim de 2033, favorecendo também a participação da empresa privada na prestação do serviço, que hoje é majoritariamente realizado por empresas públicas estaduais. Nesta perspectiva, o controle dos serviços públicos pelas empresas privadas torna-se essencial para a sociedade. Este cenário sinaliza oportunidades para empresas concessionárias que pretendem dar início às operações ou as já consolidadas no mercado adotarem soluções de gestão com capacidade para aperfeiçoarem a qualidade na prestação de serviços de infraestrutura, como aeroportos, portos, rodovias, energia, água e gás. Na prática, isso quer dizer que as empresas vão precisar de soluções que atendam todas as regularizações das diversas exigências legais de uma concessão privada. Dentro desse panorama, para que todos esses serviços de infraestrutura do sistema público funcionem corretamente e facilitar os processos burocráticos, existem serviços e soluções em tecnologia da informação que oferecem uma plataforma de automatização de todas as fases de planejamento e implementação de soluções para empresas concessionárias, considerando obrigações municipais, estaduais e federais, com garantia de atualizações evolutivas e legais. Os benefícios são empresas com gerenciamento de cobrança e receita automatizadas e centralizadas, interação em tempo real com os consumidores/clientes, transparência e cobrança correta dos serviços, diminuição de erros de processos, além de evitar fraudes. Por meio de big data, os dados são estruturados e cruzados de várias fontes e georreferenciados, melhorando a análise e planejamento, promovendo melhora nas questões ambientais, sustentáveis, da saúde, segurança e políticas urbanas voltadas às necessidades da população. As mudanças no mercado aceleram o consumo de metodologias com ampla capacidade para coleta, análise e integração dos dados, definindo arquiteturas em vários sistemas legados e exigem equipes estruturadas, com capacidade para atender os clientes. Ter uma empresa que possa suportar todos os processos de uma concessão privada de infraestrutura ou de Utilities, bem como as mais diversas complexidades dos sistemas de Billing da indústria, oferece melhor qualidade aos serviços. * Marco Lima é Sócio-diretor da unidade Seidor Billing & Utilities

23 de outubro, 2020