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ESGOTO

Lodo gerado em ETE vai produzir energia e fertilizantes

Lodo gerado em ETE vai produzir energia e fertilizantes

A medida é o avanço em planta pioneira de produção de energia a partir do lodo do esgoto gerado pela cidade

O Prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, inaugurou no dia 25 de janeiro o Centro de Inovação em Sustentabilidade (CIS) na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Uberabinha. A medida é o primeiro avanço em direção à criação da primeira planta industrial do Brasil destinada à produção em larga escala de energia e fertilizantes a partir do lodo resultante do tratamento de todo o esgoto gerado pela cidade. Além do prefeito, participaram da entrega o diretor-geral do Dmae, Renato Rezende, autoridades, representantes de instituições de saneamento e especialistas do setor de todo o país.

O CIS integra o planejamento do 1º Polo Agromineral Verde do Brasil Ministro Alysson Paolinelli lançado em dezembro de 2021. “É importante destacar que esta ação também tem as mãos da deputada federal Ana Paula Junqueira Leão, que em 2019, ainda como secretária municipal de Governo, assinou aqui em Uberlândia um contrato com a Companhia de Promoção Agrícola (Campo) que viabilizou o primeiro Polo Agromineral Verde do Brasil Ministro Alysson Paolinelli e desencadeou uma série de estudos em nossa cidade que possibilitou chegarmos até aqui”, destacou o prefeito Odelmo Leão. Uma das primeiras ações do CIS foi a realização de um estudo em pirólise, um processo de degradação termoquímica na ausência de oxigênio. O resultado desse estudo, contratado em julho de 2023, foi conduzido pela Campo e apresentado aos convidados. Trata-se de um projeto-piloto inovador que converte rejeitos do tratamento de esgoto sanitário em produtos úteis para a agricultura e combustíveis renováveis. No caso da agricultura, a ideia é que o biocarvão, misturado com de pó de basalto, rico no solo de Uberlândia, forneça um adubo organomineral ainda mais potente. No caso dos biocombustíveis, o óleo de pirólise resultante deste processo pode ser utilizado para a aviação, no abastecimento de aeronaves.

O CIS tem um laboratório onde está instalado o protótipo desenvolvido para a realização de pirólise em pequena escala. O equipamento possui um conjunto de reatores, que estão acoplados a um compressor, torre de refrigeração e painel de controle. O local conta também com sala de treinamento para demonstrações e visitações de estudantes, professores ou profissionais ligados ao setor de pesquisa, inovação e sustentabilidade.

De acordo com os técnicos do Dmae, o tratamento de esgoto apresenta uma solução para a remoção da carga poluidora, porém, outra situação é gerada: o lodo resultante. Destinado corretamente ao aterro sanitário, esse lodo impacta na vida útil do local. Por meio do processo de pirólise, a gestão municipal permite que a autarquia avance na inovação e sustentabilidade realizando também o estudo para o processamento do lodo. Atualmente, 1,8 mil toneladas de lodo de esgoto são geradas mensalmente no município, e o estudo demonstra que uma planta em escala industrial terá capacidade de processar, por meio da pirólise, 100% deste material. Esse avanço não apenas promove a sustentabilidade ambiental, mas também estimula a economia local, além de vislumbrar significativa redução dos gastos públicos. Conforme os cálculos do Dmae, a destinação correta do lodo ao invés de enviá-lo para o aterro sanitário representa uma economia anual estimada em mais de R$ 3,4 milhões.

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COMPOSTAGEM
Uso de resíduos na produção agrícola

Uma parceria entre a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq/USP) e a concessionária Mirante, do grupo Aegea, poderá transformar cerca de 1.200 toneladas de lodo de esgoto, 180 toneladas de poda de árvores e 500 toneladas de grama mensais – que seriam descartadas em aterro sanitário - em composto orgânico para a agricultura em Piracicaba (SP). O uso sustentável do resíduo do tratamento de esgoto e dos trabalhos de limpeza do município será possível graças a acordo assinado em setembro para desenvolver o projeto até julho de 2021. Os especialistas irão utilizar a técnica de compostagem para viabilizar o uso desses resíduos na produção agrícola. "A compostagem é o processo mais adaptado para tratar resíduos orgânicos. Com ela, é possível estimular a decomposição de materiais orgânicos e a redução de contaminantes como patógenos e metais pesados para se obter um material estável, rico em matéria orgânica humificada e nutrientes minerais", explica a pesquisadora da APTA, Edna Ivani Bertoncini. Segundo Edna, o método permite o pós-tratamento do lodo de esgoto sem que haja mau cheiro e moscas. O processo de decomposição leva aproximadamente 60 dias. "A APTA realizará a montagem das pilhas de compostagem com diferentes cenários de composição dos resíduos e formas de revolvimento e irrigação das pilhas. O processo será monitorado diariamente e haverá coletas constantes dos materiais e sua análise laboratorial para verificar se o composto está adequado para ser usado nas plantações. Ao final do processo, teremos que aprovar o fertilizante no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)", afirma Edna. Paulo S. Pavinato, professor da Esalq/USP, explica que o projeto de Piracicaba faz parte de um plano maior a ser enviado para aprovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que busca dar um destino sustentável para todo o resíduo do tratamento de esgoto das cidades do Estado de São Paulo. "Estes projetos estão alinhados com o Novo Marco de Saneamento Básico, sancionado neste ano, que objetiva que as cidades tenham 100% de tratamento de esgoto e seus resíduos até 2030. É uma ação importante, que está alinhada à economia circular, de reciclagem de um resíduo que seria destinado a aterro sanitário, a um alto custo econômico e ambiental", explica. O supervisor de operações da concessionária Mirante, Andrey de Souza, disse esperar que o projeto possa tratar 100% do lodo gerado no processo de tratamento de esgoto do município, e que não haja necessidade do descarte em aterros sanitários. "Hoje, já desenvolvemos processo de secagem do lodo, o que reduz muito nosso volume de resíduo. Por mês, o município gera 1.200 toneladas de lodo. Com a secagem, esse volume cai para 320 toneladas. Queremos, agora, eliminar todo esse resíduo de forma completamente sustentável", diz Souza. O presidente da Mirante, Jacy Prado, diz que "a implantação do secador solar de lodo e a parceria com a APTA e a Esalq/USP viabilizam a demanda em preservar o meio ambiente, pois, os ganhos obtidos com a implantação do projeto vão além da esfera corporativa, ao gerar benefícios ao meio ambiente e à população. “O processo permite a estabilização microbiológica e a inertização do lodo, o que representa o uso sustentável, evitando impactos e degradação do meio ambiente".

9 de novembro, 2020