RESÍDUOS

Menos lixo onde há cobrança pela coleta

Menos lixo onde há cobrança pela coleta

Cada brasileiro gera atualmente cerca de 343 kg de resíduos por ano, somando 80 milhões de toneladas em todo o Brasil.

Segundo estudo inédito realizado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana – SELURB, houve uma redução em média de 8% do total de lixo gerado per capita em cidades onde há algum tipo de cobrança pelos serviços de manejo, tratamento e descarte de resíduos. Isto equivale a quase metade do estádio do Maracanã ou, ainda, um mês sem geração de lixo no País e um ano de economia a cada 12 anos, levando em consideração os números atuais. Desde que foi implantada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) há 11 anos, cada brasileiro gera atualmente cerca de 343 kg de resíduos por ano, somando 80 milhões de toneladas em todo o Brasil.

A pesquisa analisou a realidade de 3.712 municípios nas cinco regiões, sendo que em apenas 1.662 cidades há arrecadação específica para custear o serviço de manejo de resíduos. Ainda que o total arrecadado cubra totalmente os gastos com coleta, tratamento e descarte adequado do lixo em apenas 109 destas cidades, o estudo mostra que a implementação da cobrança tem reflexo direto no comportamento das pessoas, que passam a ter consciência do quanto de lixo produzem individualmente e dos custos que esse lixo gera, reduzindo assim o total descartado. "Não existe 'jogar fora'. Todo o lixo que produzimos vai para algum lugar e, para que isso aconteça de maneira correta, existe um custo. Quando as pessoas compreendem que são responsáveis pelos resíduos que geram individualmente e que devem pagar por isso, há uma mudança de comportamento visível e que tem um impacto extremamente positivo para o meio ambiente, transformando a maneira como cada indivíduo enxerga o seu papel nessa cadeia de produção e descarte", comenta Márcio Matheus, presidente do Selurb.

Com a cobrança pelos serviços de manejo e tratamento de resíduos em todos os municípios brasileiros, em conformidade com o Novo Marco Legal do Saneamento, sancionado em julho de 2020, a fim de viabilizar a sustentabilidade econômica das atividades, o setor espera que o brasileiro entenda a importância do descarte correto do lixo e sua cobrança. A iniciativa visa, ainda, a erradicação de lixões e a melhoria na eficiência dos serviços realizados em todo o país.

O estudo também analisou o período da implementação da taxa do lixo em São Paulo, entre 2003 e 2005. Nesse período, a geração de resíduos na capital paulista diminuiu cerca de 10% em relação aos anos anteriores, voltando a aumentar após a interrupção da cobrança, de acordo com dados do Plano Municipal de Gestão Integrada de São Paulo. "A mudança de comportamento é gradativa e depende da instituição da cobrança e incentivos para aqueles que geram menos alcançarem resultados cada vez melhores. Este é o mesmo efeito comportamental que acontece com as demais infraestruturas de utilidade econômica domiciliar, como a energia elétrica, água, gás e internet, quando é reconhecido o custo do desperdício pelo usuário. A redução do lixo gerado por habitante é importante e estamos no caminho certo, mas o Brasil ainda tem muito a avançar no que diz respeito à gestão da coleta e do descarte adequados do lixo, com a necessidade de investimentos no setor", finaliza Matheus.

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