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AMAZÔNIA

O papel da convergência entre tecnologia e inovação energética

O papel da convergência entre tecnologia e inovação energética

Por Rafael Segrera * Ao celebrarmos hoje, 5 de setembro, o Dia da Amazônia, é imperativo que reflitamos sobre o papel crítico que esse ecossistema único desempenha no bem-estar de nosso planeta. A Amazônia abriga uma biodiversidade sem igual, assim como populações indígenas e ribeirinhas. Como executivo e cidadão, tive o privilégio de visitar a Comunidade do Tumbira, localizada a cerca de uma hora e meia de barco de Manaus, em junho deste ano, e posso afirmar que possuímos um grande desafio: alcançar o desenvolvimento sustentável da região antes que a floresta chegue ao ponto de inflexão. Em outras palavras, a Amazônia pode perder sua capacidade de se sustentar e se regenerar após o longo histórico de incêndios e desmatamentos, se transformando em uma savana nos próximos anos. De acordo com dados do MapBiomas, divulgados na COP 27, mais de 45 gigatoneladas de CO² foram emitidas desde 1985 devido ao desmatamento da floresta amazônica. São também preocupantes as inúmeras comunidades ribeirinhas que estão atualmente isoladas devido à infraestrutura energética inadequada ou inexistente. Falta acesso à energia confiável e limpa para os habitantes locais. Portanto, o desenvolvimento sustentável da Amazônia significa proteger o meio ambiente, sem abrir mão da evolução da qualidade de vida dos moradores. Ambos caminham juntos. Mas, como fazer isso? A resposta está na implementação de soluções energéticas inovadoras, como microrredes alimentadas por sistemas solares e hidrelétricos. Assim, podemos abrir caminho para que essas comunidades tenham acesso à eletricidade sem depender de práticas prejudiciais ao meio ambiente. Essas iniciativas de energia limpa não apenas reduzem as emissões de carbono, mas também melhoram o bem-estar das famílias que habitam a região, levando além da energia o acesso ao digital, que abre portas para a educação, a saúde e a geração de renda, sem que as populações nativas precisem se deslocar para outras cidades ou estados. A colaboração entre governos, comunidades locais, ONGs e o setor privado é fundamental para implementar iniciativas que empoderem o conhecimento indígena local e integrem suas práticas sustentáveis com tecnologias modernas. Além disso, investimentos em programas de educação e capacitação podem garantir que as comunidades locais participem ativamente e se beneficiem desses avanços. Assim, é crucial enfatizar que a transição para uma Amazônia sustentável e tecnologicamente avançada não representa apenas um esforço de conservação; é uma estratégia multifacetada que gera oportunidades socioeconômicas. Empregos verdes em energia renovável, ecoturismo e agricultura sustentável podem empoderar as comunidades locais ao mesmo tempo que preservam seu patrimônio cultural e tradições. Ao celebrarmos o Dia da Amazônia, em 5 de setembro, reconheçamos a urgência de nossas ações. A convergência da tecnologia e da inovação energética apresenta uma chance sem igual de preservar a floresta amazônica para as gerações futuras. Ao abraçarmos uma abordagem holística que respeite tanto o meio ambiente quanto o bem-estar das comunidades locais, podemos criar um equilíbrio harmonioso que garanta a sobrevivência desta maravilha natural e promova a prosperidade para todos que a chamam de lar. * Rafael Segrera é presidente da Schneider Electric para a América do Sul

Por Rafael Segrera *

Ao celebrarmos hoje, 5 de setembro, o Dia da Amazônia, é imperativo que reflitamos sobre o papel crítico que esse ecossistema único desempenha no bem-estar de nosso planeta. A Amazônia abriga uma biodiversidade sem igual, assim como populações indígenas e ribeirinhas. Como executivo e cidadão, tive o privilégio de visitar a Comunidade do Tumbira, localizada a cerca de uma hora e meia de barco de Manaus, em junho deste ano, e posso afirmar que possuímos um grande desafio: alcançar o desenvolvimento sustentável da região antes que a floresta chegue ao ponto de inflexão.

Em outras palavras, a Amazônia pode perder sua capacidade de se sustentar e se regenerar após o longo histórico de incêndios e desmatamentos, se transformando em uma savana nos próximos anos. De acordo com dados do MapBiomas, divulgados na COP 27, mais de 45 gigatoneladas de CO² foram emitidas desde 1985 devido ao desmatamento da floresta amazônica.

São também preocupantes as inúmeras comunidades ribeirinhas que estão atualmente isoladas devido à infraestrutura energética inadequada ou inexistente. Falta acesso à energia confiável e limpa para os habitantes locais. Portanto, o desenvolvimento sustentável da Amazônia significa proteger o meio ambiente, sem abrir mão da evolução da qualidade de vida dos moradores. Ambos caminham juntos. Mas, como fazer isso?

A resposta está na implementação de soluções energéticas inovadoras, como microrredes alimentadas por sistemas solares e hidrelétricos. Assim, podemos abrir caminho para que essas comunidades tenham acesso à eletricidade sem depender de práticas prejudiciais ao meio ambiente. Essas iniciativas de energia limpa não apenas reduzem as emissões de carbono, mas também melhoram o bem-estar das famílias que habitam a região, levando além da energia o acesso ao digital, que abre portas para a educação, a saúde e a geração de renda, sem que as populações nativas precisem se deslocar para outras cidades ou estados.

A colaboração entre governos, comunidades locais, ONGs e o setor privado é fundamental para implementar iniciativas que empoderem o conhecimento indígena local e integrem suas práticas sustentáveis com tecnologias modernas. Além disso, investimentos em programas de educação e capacitação podem garantir que as comunidades locais participem ativamente e se beneficiem desses avanços.

Assim, é crucial enfatizar que a transição para uma Amazônia sustentável e tecnologicamente avançada não representa apenas um esforço de conservação; é uma estratégia multifacetada que gera oportunidades socioeconômicas. Empregos verdes em energia renovável, ecoturismo e agricultura sustentável podem empoderar as comunidades locais ao mesmo tempo que preservam seu patrimônio cultural e tradições.

Ao celebrarmos o Dia da Amazônia, em 5 de setembro, reconheçamos a urgência de nossas ações. A convergência da tecnologia e da inovação energética apresenta uma chance sem igual de preservar a floresta amazônica para as gerações futuras. Ao abraçarmos uma abordagem holística que respeite tanto o meio ambiente quanto o bem-estar das comunidades locais, podemos criar um equilíbrio harmonioso que garanta a sobrevivência desta maravilha natural e promova a prosperidade para todos que a chamam de lar.


* Rafael Segrera é presidente da Schneider Electric para a América do Sul

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Com o futuro do planeta em jogo, a necessidade de soluções sustentáveis nunca foi tão clara como agora. A mudança do clima vem se intensificando, fazendo com que a transformação dos segmentos industriais seja uma prioridade global. Em 2025, o Brasil sediará a COP30, momento em que líderes de todo o mundo se reunirão para discutir a transição energética e os compromissos de redução das emissões de gases poluentes. Entretanto, enquanto as indústrias recebem atenção central nesses debates, a construção civil - um dos principais segmentos consumidores de energia e responsável por uma significativa pegada ambiental - ainda não ocupa o devido destaque nas discussões. Em um cenário no qual o tempo é um fator bastante crítico, a modernização do setor está aquém da urgência que a crise climática exige. Tanto construções novas quanto as existentes precisam ser integradas aos esforços para atingir as metas globais de sustentabilidade, além de promover o fortalecimento de cidades mais resilientes. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2050, cerca de 68% da população mundial viverão em áreas urbanas que, apesar de representarem apenas 3% da superfície terrestre, consomem 78% da energia. Isso revela um grande potencial para diminuir o consumo e as emissões. As estruturas conectadas, por definição, utilizam tecnologias avançadas para aprimorar a eficiência operacional e ambiental. No Brasil, com sua verticalização crescente, essa mudança pode ser crucial para atingir as metas de sustentabilidade. Para renovar a área de edificações, é imprescindível adotar a digitalização e a conectividade como aliadas. Juntas, elas garantem o uso automatizado de recursos e viabilizam a integração com outras infraestruturas, como redes elétricas. Com o auxílio da internet das coisas (IoT) e de ferramentas interconectadas, os imóveis alcançam um novo nível de desempenho. Um exemplo são os sensores conectados que ajustam a temperatura e a iluminação conforme a presença de ocupantes, resultando em uma queda significativa de desperdícios e viabilizando uma gestão mais eficiente. Em regiões nas quais a variação climática é acentuada e eventos extremos, como tempestades e ondas de calor, são cada vez mais frequentes, essas tecnologias se tornam essenciais. Ao integrar sistemas com fontes renováveis, como a solar, é possível criar ambientes mais confortáveis e assegurar que a produção gerada seja armazenada e utilizada adequadamente. Esses dispositivos são configurados para responder prontamente de forma a ajustar a ventilação e melhorar a qualidade do ar interno, bem como empregar sombreamento dinâmico e ativar geradores, propiciando o fornecimento contínuo durante períodos de alta demanda. A implementação de soluções em edifícios inteligentes envolve despesas iniciais, mas, ao longo do tempo, os benefícios superam os custos, resultando no controle das despesas, maior competitividade no mercado e valorização do imóvel. Ao mesmo tempo, contribui para o aproveitamento mais estratégico dos recursos urbanos. As vantagens, contudo, transcendem a questão econômica. À medida que mais projetos se tornam inovadores, cresce a procura por profissionais capacitados, impulsionando a criação de empregos e o desenvolvimento de negócios nos setores imobiliário e de infraestrutura. Com a adoção de alternativas disruptivas, os projetos do futuro vão transformar a paisagem e se tornar pilares fundamentais na construção de cidades mais sustentáveis e preparadas para os enormes desafios das próximas décadas. Patrícia Cavalcanti - diretora de Digital Energy e Power Products na Schneider Electric para América do Sul

3 de março, 2025
A importância da preservação florestal
MEIO AMBIENTE
A importância da preservação florestal

Por: Cícero Mário (*) O Dia de Proteção às Florestas, celebrado no dia 17 de julho é, sem dúvida, uma das datas mais memoráveis em nosso calendário. Dito isso, mesmo com todos os esforços em conscientização em prol da preservação florestal, ainda há muitos hectares para se avançar, ou melhor, para se preservar. Somente nos cinco primeiros meses de 2022, a Amazônia perdeu mais de dois mil campos de futebol por dia de mata nativa – a maior devastação dos últimos 15 anos para o período – de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a partir de 2004, com a implementação de políticas públicas, a taxa de desmatamento na Amazônia brasileira desacelerou em mais de 80%. De 27,8 mil km², registrados em 2004, para 4,6 mil km², conferidos em 2012, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). No entanto, a preservação florestal é histórica, com evidências de iniciativas para proteger florestas e recursos naturais que remontam a civilizações antigas. Assim, a proteção das florestas, como uma abordagem mais organizada e sistemática, começou a ganhar força em diferentes partes do mundo em períodos variados. Alguns marcos importantes na história da preservação florestal começam no século XIII, na Europa, com o rei Eduardo I, da Inglaterra, que emitiu um conjunto de leis conhecidas como "Carta da Floresta" em 1217. Essa carta foi um complemento da Carta Magna e estabeleceu regras para a gestão dos recursos florestais e a proteção dos direitos das comunidades locais. Seis décadas após, no século XIX, durante a era industrial, a exploração intensiva das florestas para suprir as crescentes demandas de madeira e carvão levou a uma preocupação crescente com a degradação ambiental. Surgiram movimentos de conservação e proteção florestal em países como os Estados Unidos e a Alemanha. Já no final do século XIX e início do século XX, foram estabelecidos os primeiros parques nacionais em várias partes do mundo, incluindo o Parque Nacional de Yellowstone nos Estados Unidos (1872), o Parque Nacional de Banff no Canadá (1885) e o Parque Nacional de Royal em Queensland, Austrália (1879). Esses parques foram criados com o objetivo de proteger a vida selvagem e as belezas naturais, incluindo extensas áreas florestais. Na década de 1970, com o crescente reconhecimento dos problemas ambientais globais, como a degradação ambiental, a poluição e o desmatamento, houve um aumento significativo no ativismo ambiental e nas iniciativas de preservação florestal em todo o mundo. A década de 1970 marcou um período-chave para o desenvolvimento de políticas e tratados internacionais voltados para a proteção do meio ambiente. Desde então, a preservação florestal tem sido uma preocupação constante em muitos países e tem sido parte de esforços globais para combater a perda de biodiversidade e mitigar as mudanças climáticas. Essa conscientização continua a crescer à medida que mais pessoas e governos reconhecem a importância das florestas para o equilíbrio ecológico do planeta. Trazendo esse contexto para o mundo corporativo, em especial, as indústrias de caixas de papelão, a preservação florestal é requisito obrigatório na cadeia de produção de caixas, considerando que o papelão é um dos principais produtos derivados da celulose, que é obtida através do processamento de madeira proveniente de árvores. Existem várias razões pelas quais a preservação florestal é fundamental, que vão além da produção industrial, como a conservação dos ecossistemas; a regulação climática; o ciclo hidrológico; a prevenção da erosão do solo; a qualidade do ar; os recursos renováveis; além da responsabilidade socioambiental. Este último, por sinal, é de extrema relevância no segmento industrial, visto que as empresas que demonstram compromisso com a preservação florestal tendem a ser bem vistas pelos consumidores e pela sociedade em geral, pois mostram preocupação com a sustentabilidade e o equilíbrio ambiental. Para garantir que a produção de caixas de papelão seja mais sustentável, é essencial que a indústria de caixas de papelão utilize fontes de matéria-prima certificadas como provenientes de manejo florestal responsável ou opte por materiais reciclados. Além disso, as empresas podem adotar práticas de produção mais eficientes para reduzir o consumo de recursos naturais e minimizar o desperdício. A adoção de tecnologias limpas e a reciclagem de papelão também são formas importantes de mitigar o impacto ambiental dessa indústria. Entretanto, o homem, protagonista das ações de evolução, é também ator principal da destruição. Preservar é um papel de todos. A conscientização é o caminho. (*) Diretor comercial da Delta Indústria de Caixas de Papelão Ondulado.

5 de agosto, 2023
Instituído em 2007, mas sem motivos de celebração
DIA DA AMAZÔNIA
Instituído em 2007, mas sem motivos de celebração

Instituído desde 2007, o dia 5 de setembro é conhecido como Dia da Amazônia e tem como objetivo voltar à atenção da população para uma das maiores reservas naturais do planeta. O bioma tem sofrido nos últimos anos com o desmatamento, grilagem, queimadas e falta e de retrocessos de políticas ambientais. O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou novos dados de registros de fogo no bioma que confirmam que os números de focos aumentaram nos últimos quatro anos. Apenas em agosto de 2022 foram registrados 33.116 focos de queimadas, maior valor registrado no mês desde 2010, e que supera até o "Dia do Fogo" (28.060 focos) de 2019. Entre o início de janeiro e o fim de agosto deste ano, o bioma já acumula mais de 46 mil focos. Nos sete primeiros meses de 2022, a Amazônia registrou 5.463,2 km² de desmatamento – área equivalente a quase quatro vezes a cidade de São Paulo, o que representa um aumento de 7,1% em relação ao mesmo período de 2021. Esse também é o maior valor acumulado entre os sete primeiros meses do ano nos últimos seis anos . A floresta amazônica, entre outras coisas, possibilita a geração de energia e o fornecimento de água nas cidades, a formulação de remédios e também é responsável pela qualidade do ar e pela regulação do clima. Sem contar o papel na cadeia produtiva, fundamental para garantir a alimentação de parte dos brasileiros. Em parceria com o FGVces (Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração da Fundação Getulio Vargas de São Paulo), O WWF-Brasil desenvolveu estudo que mapeia os desafios para o financiamento da infraestrutura sustentável na Amazônia, com o objetivo de fomentar a bioeconomia da região e proporcionar riqueza com proteção socioambiental. A Amazônia precisa de apoio para realizar mais projetos que desenvolvam a região sem prejudicar a natureza no processo, transformando diretamente a vida de milhares de pessoas, além de também salvar o planeta.

5 de setembro, 2022
Empresas de energia têm obrigação de ser sustentáveis
ARTIGO
Empresas de energia têm obrigação de ser sustentáveis

Por Leandro Bertoni * Sabemos que as empresas do setor de energia elétrica já vêm implementando diversas estratégias com foco na redução da emissão de gás carbônico (CO2). Porém, é fundamental que essas empresas também dediquem seus esforços para serem sustentáveis do ponto de vista ambiental, gerando uma eletricidade “limpa” que ajude a evitar o avanço do aquecimento global acima de 1,5º C. Prevê-se que a procura mundial de eletricidade aumente em 60% até 2040. Por outro lado, a boa notícia é que durante o mesmo período se espera que a porcentagem de eletricidade solar e eólica no mundo triplique. Essa possível mudança nas fontes de abastecimento representa um novo nível de desafios e oportunidades para a oferta e procura da energia. Por isso, um futuro sustentável e baseado em energias renováveis exigirá o apoio e a inovação de todos os agentes do setor. Do lado da procura, a complexidade vem da interação com os mercados energéticos, uma vez que os “novos clientes” não são apenas consumidores de energia (como acontecia antigamente). Tornaram-se gestores, tanto em termos de consumo como da própria produção da energia. Do lado da oferta, a complexidade é maior, pois envolve operação, planejamento, investimento e estratégia para o consumo de energia. E, tanto para procura quanto para oferta, existem soluções de medição graças à tecnologia digital, as quais são suficientemente flexíveis para suportar os desafios atuais e permitir a preparação para o futuro. Mesmo assim, é importante destacar que a digitalização deve ser acompanhada de outras iniciativas para que as empresas de energia atinjam os objetivos de sustentabilidade e permaneçam competitivas. Alguns exemplos dessas iniciativas: Integrar mais energias renováveis em todos os níveis da rede para substituir os combustíveis fósseis. Utilizar equipamentos modernos, como um quadro de média tensão sem gás de efeito estufa hexafluoreto de enxofre (SF6) que utiliza apenas ar e vácuo. Focar no aumento da eficiência não só da rede mas também da força de trabalho, reduzindo a sua movimentação por meio de maior utilização de dados e troca das frotas atuais por veículos elétricos. Aumentar a utilização de energias renováveis descentralizadas é, portanto, essencial para as empresas de eletricidade terem a sustentabilidade em todos os aspectos do seu negócio e, consequentemente, ajudarem no alcance dos objetivos climáticos. Como benefício desse novo “comportamento sustentável”, haverá mais confiabilidade e disponibilidade no sistema energético utilizado em todo o planeta. * Leandro Bertoni é Vice-presidente da unidade de Power Systems da Schneider Electric para a América do Sul.

17 de julho, 2021
Saneamento Ambiental Logo
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Devastação da Amazônia já afasta investimentos

Por Eugenio Singer * A agenda ambiental torna-se decisiva para a retomada das atividades econômicas pós-pandemia da Covid-19. No Brasil, porém, os graves impactos do desmatamento na Amazônia colocam o País na contramão dessa irreversível tendência. No momento em que a crise deflagrada pela expansão do novo coronavírus cria gravíssimo impacto planetário de múltiplas consequências, alguns fatos de especial relevância causam inédita preocupação pelo poder que têm em interferir nos já difíceis e imprevisíveis rumos do desenvolvimento humano, social e econômico global no futuro pós-pandemia. Dentre tais fatores, ele aponta a maneira como distintas dimensões da crise entrelaçam-se no Brasil, fazendo convergir problemas anteriores e aqueles deflagrados pela Covid-19. Isso tem repercussões ambientais e sociais de alto risco para o País, seu povo e instituições, bem como para a humanidade. Afinal, é inegável que o Brasil, por suas características geopolíticas, diversidade cultural e incomparável patrimônio ambiental, é um dos pilares para o turning-point que aponta cada vez mais, em escala global, para uma renovação estruturante dos conceitos de desenvolvimento prevalentes até o momento. Estes precisam ser reinventados com urgência, visando garantir até mesmo a vida na Terra, como alertam diariamente os efeitos dramáticos das mudanças climáticas, da perda de biodiversidade e da decrescente disponibilidade de água. Autoridades públicas dos distintos níveis de responsabilidade, centros de pesquisa, universidades, comunidade de saúde e sociedade civil empenham-se em atender às urgências da pandemia e, ao mesmo tempo, em preservar a capacidade do Brasil de se recuperar com a minimização possível de danos. Porém, é preciso alertar sobre alguns pontos que podem ter efeitos desastrosos no futuro próximo do País e na sua inserção nos esforços globais de soerguimento, cada vez mais comprometidos com o desenvolvimento sustentável e a defesa dos direitos humanos. Nesta linha, apontamos cinco questões prioritárias: 1) Assim como grupos empresariais de diferentes nações, vinculados a diversos ramos de atividade econômica, manifestaram seu desconforto com os rumos que vem tomando a destruição da Floresta Amazônica, com aumento expressivo do ritmo e do volume do desmatamento, não poderíamos deixar de apresentar nosso ponto de vista. Nossa posição é lastreada pela presença de corporações estrangeiras no Brasil, especificamente da Europa, América do Norte e Ásia, em setores importantes, como os da agricultura, infraestrutura, transporte, mineração, saúde, telecomunicações, energia, petróleo e gás, automotivo, farmacêutico e alimentos. Vemos com crescente mal-estar a fragilização das condições de investimento no País. Este problema decorre das sinalizações efetivas, dadas por instituições e personalidades de governo, por meio de palavras, ações e omissões, de um afastamento dos preceitos ecológicos. Trata-se de postura em sentido contrário dos protocolos de ação consolidados no mundo inteiro, que reconhecem a necessidade - e, mais do que isso, a urgência inarredável - de respeitar e defender o meio ambiente como bem estratégico de uso coletivo, a ser planejado e utilizado como tal, e não mais como objeto de uso predatório e centrado em interesses produtivos mais imediatos. Fazemos parte da parcela crescente da sociedade global que, finalmente, reconhece na conservação rigorosa e de base científica dos recursos naturais e dos bens da natureza um ativo de imenso valor, preponderante para o crescimento econômico sustentável. É este o fator que garantirá às empresas uma inserção mais acolhedora e sensível nas questões sociais e culturais, imprescindíveis para um avanço civilizatório capaz de preservar, inclusive, nossos interesses e capitais. Tais movimentos transformadores são inadiáveis. 2) A pandemia atual e seus efeitos devastadores mostram-nos que a retomada das atividades e das esperanças individuais não deve pretender apenas recompor o desenho previamente existente no qual espelhávamos nossas vidas, nossas sociedades, nossa economia e nossas interações locais, nacionais e globais. A recuperação exige pensamento estratégico. É decisivo dar um passo à frente, dialogar com as reflexões e respostas positivas e inovadoras hoje gestadas no mundo todo. Dessa forma, é incompreensível e causa perplexidade que o Brasil não se dedique a inserir fortemente a Amazônia preservada como parte fundamental de seu cacife para a conjuntura necessariamente diferenciada que surgirá da crise da Covid-19. Mas, não é o que vemos. Ao contrário, observa-se o aumento expressivo e persistente do desmatamento, a fragilização dos órgãos de fiscalização com expertise na área ambiental e a redução significativa das punições impostas aos infratores, a despeito de novos arranjos institucionais formalmente destinados à proteção da Floresta Amazônica ; 3) Ao mesmo tempo, causa-nos profundo pesar constatar a situação de risco extremo a que estão submetidos os povos indígenas em todo o País, sobretudo na Amazônia. À escalada da pressão de atividades ilegais de mineração e desmatamento em suas terras, mesmo as já demarcadas, soma-se agora a ação devastadora do novo coronavírus. Mesmo diante de tais ameaças concretas, esses brasileiros não vêm recebendo a atenção diferenciada que sua situação de maior vulnerabilidade exige. Em contraste com o esforço voluntário da sociedade civil brasileira e internacional para socorrê-los, é nítida a participação tímida dos órgãos governamentais destinados à proteção indígena, mesmo diante dos números que indicam um impacto que pode ser fatal para várias etnias; 4) Entendemos ser indissociáveis as duas questões aqui destacadas, ou seja, a proteção ao meio ambiente e os direitos indígenas. A destruição de uma acarretará graves danos à outra e vice-versa. E ambas são conquistas que estão na base do pensamento crítico e analítico que nos leva, desde o século passado, a rever padrões de valores que fundamentam a vida em sociedade e, principalmente, a arejar o pensamento empresarial sobre seus compromissos para além da realização econômica. Hoje, de maneira nítida e abrangente, tais princípios passam a fazer parte intrínseca da vida das empresas, dos critérios de mercado, de investimentos e de viabilidade de parcerias. E não há como ser diferente, dadas as duras lições que a humanidade tem aprendido sobre o uso predatório dos recursos naturais e sobre a desconsideração de direitos humanos, sociais e culturais básicos. Embora ainda não possamos afirmar a hegemonia desses novos parâmetros, sabemos que é um caminho sem volta, no qual países, corporações e indivíduos engajam-se cada vez mais. Afinal, não se trata de ideologia, mas de constatar, o que temos feito com frequência e bom senso, o efeito virtuoso de tal atitude, inclusive para os resultados da produção econômica. Trata-se, enfim, de trazer o futuro para os cálculos do presente e não de destruí-lo. 5) Assim, ao mesmo tempo em que reconhecemos no Brasil um tradicional ambiente propício a investimentos, não podemos ignorar e deixar de nos manifestar a respeito da insegurança atual quanto aos fatores aqui expostos. Ao mesmo tempo em que vemos o País como potência ambiental capaz de participar de maneira decisiva da recomposição planetária pós-pandemia, reconhecemos num possível estigma antiambiental e contrário aos direitos indígenas o poder de afastá-lo da interlocução global e do fluxo de capitais, para os quais este é um ponto de difícil superação. E, certamente, a política ambiental atual, com um nível ponderável de relaxamento dos protocolos básicos de licenciamento, controle e garantia de transparência dos dados sobre desmatamento, aliada ao insuficiente apoio às comunidades indígenas, não é um caminho que possa dar suporte a parcerias duradouras com corporações, instituições e fundos globais. * Eugenio Singer é Bacharel em Engenharia Civil pela Universidade de Campinas (Unicamp), mestre em Engenharia Nuclear pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da Universidade de São Paulo (IPEN USP) e PhD em Engenharia Ambiental e de Recursos Hídricos pela Universidade de Vanderbilt (EUA). É presidente da Ramboll no Brasil e do Conselho de Administração do Instituto Pharos.

31 de agosto, 2020
Saneamento Ambiental Logo
FLORESTAS
Investir no conceito de árvores em pé ajuda a garantir a manutenção

Por Thiago Terada* No dia 21 de setembro celebramos o Dia da Árvore. Essa é uma data que sempre nos convida a refletir sobre o que estamos fazendo para proteger um de nossos maiores patrimônios naturais. Afinal, é um elemento que tem interferência direta em nossas vidas, mas que ainda sofre com a questão do desmatamento, responsável por causar o aumento dos níveis de poluentes no ar, gerar a perda de biodiversidade e interferir diretamente na falta de agua no sudeste do Brasil. Tamanha é a importância da preservação das árvores que recentemente a Universidade de Yale, de Connecticut (EUA), reuniu pesquisadores de 15 países diferentes, entre eles o Brasil, e apresentou um dos censos mais completos da história. O levantamento destaca que o planeta conta com aproximadamente 3 trilhões de árvores e que 43% delas estão em florestas tropicais, como a Amazônia, enquanto que as zonas temperadas possuem 22% e as zonas boreais frias de altas latitudes, 24%. O estudo aponta ainda que o Brasil possui 9,9% das florestas do planeta, ficando atrás apenas de Rússia (21,1%) e do Canadá (10,5%). Além disso, foi destacado que, enquanto a média global é de aproximadamente 420 árvores para cada habitante do planeta, no Brasil são cerca de 1.500 por habitante. Os números são elevados, mas ainda não podemos comemorar, pois foi constatado também que são derrubadas cerca de 15 bilhões de árvores anualmente, ao mesmo tempo em que apenas 5 bilhões de novas mudas são plantadas. Reverter esses números exige um esforço coletivo, tanto do seor público quanto do privado, para que as pessoas tenham a consciência de que necessitamos das florestas em pé para sobreviver. Manter uma árvore viva significa preservar uma fonte de riqueza que será usada por gerações, ampliar o valor do patrimônio genético e contribuir para desacelerar o aquecimento global. Avaliando a questão sob o ponto de vista econômico, a preservação das florestas pode ser estimulada pelo processo de vegetalização das formulações em substituição ao uso de matérias-primas sintéticas. Indústrias como as dos segmentos farmacêutico, cosmético, alimentício, químico e agrícola já estão investindo em parcerias com comunidades, por exemplo, da região amazônica, em prol do desenvolvimento sustentável. Elas promovem treinamentos e capacitações em manejo sustentável para mostrar que as árvores preservadas possuem recursos não madeireiros que irão garantir frutos e sementes ricos em vitaminas, com propriedades hidratantes, nutritivas e antioxidantes. Essa é uma iniciativa que garante não só a preservação das árvores, mas também um incentivo para que comunidades locais tenham uma fonte de renda ligada a preservação e uso sustentável dos recursos naturais. Ações como essa vão ao encontro do novo Marco Legal da Biodiversidade, que entra em vigor no mês de novembro e pretende tornar as regras mais claras em relação ao uso da nossa biodiversidade e promover a repartição das riquezas entre os povos, permitindo modelos de negócios cada vez mais justos e transparentes. Tudo isso nos mostra que já existe um engajamento em prol de nossas árvores. No entanto, ainda temos muito a fazer para minimizar os números do desmatamento, e a melhor forma de conquistarmos isso é por meio de ações que estimulem o respeito ao meio ambiente, o desenvolvimento social e a obtenção de lucro consciente. * Thiago Terada é Gerente de Responsabilidade Social Corporativa da Holding Sabará, que atua nos segmentos de saúde, beleza, nutrição, bioenergia, e é detentora da marca Beraca, líder global no fornecimento de ingredientes naturais provenientes da biodiversidade brasileira para as indústrias de cosméticos, produtos farmacêuticos e cuidados pessoais.

17 de setembro, 2015