SANEAMENTO

Políticos precisam abordar tema na campanha

Políticos precisam abordar tema na campanha

A falta de saneamento básico afeta milhões de brasileiros, e as eleições de 2024 são cruciais para que os políticos priorizem o tema e garantam acesso à água tratada e coleta de esgoto.

Em um Brasil de mais de 32 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada e quase 90 milhões não têm coleta de esgoto, os partidos políticos tem até o próximo dia 15 de agosto para registrar oficialmente os seus candidatos na Justiça Eleitoral. A data marca um momento decisivo em um ano eleitoral que definirá os governantes responsáveis por priorizar (ou não) o saneamento básico nos próximos quatro anos. Somente em 2024, cerca de 340 mil pessoas foram internadas por doenças associadas à falta de saneamento, como diarreia, dengue, hepatite e leptospirose.

O Instituto Trata Brasil criou o Voto no Saneamento (https://votonosaneamento.tratabrasil.org.br/), plataforma que oferece às candidaturas um kit de apoio com checklists e modelos de propostas para incluir o saneamento nos planos de governo de 2027-2030. A plataforma reúne oito propostas organizadas em três eixos — planejamento, regionalização e coordenação para a universalização; viabilização de investimentos e superação de gargalos; e governança e regulação do saneamento básico. Cada proposta traz um diagnóstico rápido, diretrizes e ações com prazo, prontas para incorporar ao plano de governo, com um lembrete central: o Brasil tem até 2033 para universalizar o acesso à água e ao esgoto, prazo que recai justamente sobre o próximo mandato, 2027-2030.

O Voto no Saneamento disponibiliza um kit de apoio em formato editável, com checklists de ações prioritárias e modelos de propostas, além de indicar onde buscar os dados específicos de cada estado no Painel Saneamento Brasil. Para ajudar eleitores, jornalistas e as próprias equipes técnicas a diferenciar um compromisso sério de uma intenção vaga, o Trata Brasil indica que existem cinco elementos essenciais em qualquer proposta sobre o tema: Meta — quantas pessoas passam a ter acesso e qual o percentual de cobertura ; Prazo — cronograma real, com etapas intermediárias ; Dinheiro — origem do recurso (federal, estadual, concessão, financiamento) ; Governança — quem é responsável pela entrega, se há regulador e controle social e Indicador — onde os dados ficam publicados, se há transparência. Sem esses cinco elementos, uma proposta de saneamento tende a ficar no campo da intenção e não do compromisso de governo. Um estudo do Instituto Trata Brasil mostra que cada R$ 1 investido em saneamento gera R$ 4,10 em retorno social e econômico, o que reforça que investir nos serviços básicos é um caminho para construir um país mais justo e digno.

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