Publicidade
COP28

Produção de energia a partir de resíduos é destaque

Produção de energia a partir de resíduos é destaque

O papel das soluções integradas de gerenciamento do lixo tem se tornado cada vez mais necessário

A Secretaria de Negócios Internacionais, representando o Estado de São Paulo, mediou debate sobre gerenciamento de resíduos para limitar o aquecimento global na COP28, realizada entre 30 de novembro e 12 de dezembro, em Dubai, nos Emirados árabes Unidos. O papel das soluções integradas de gerenciamento do lixo tem se tornado necessário e o painel tratou da necessidade de transformar os lixões em aterros sanitários, gerando um tratamento adequado aos resíduos e a possibilidade de transformá-los em biocombustíveis. “O marco apresenta formas de financiar o tratamento adequado ao resíduo sólido, para que seja realizado da melhor forma para o meio ambiente e para a produção da biomassa e biocombustíveis”, disse Lucas Ferraz, secretário de Negócios Internacionais.

A universalização do serviço de saneamento básico também foi pauta no encontro. “Temos um marco temporal para realizar esse processo até 2033 e o Estado de São Paulo pretende, através da privatização da Sabesp, antecipar esse prazo e concluir a universalização desse serviço em 2029”, declarou o secretário. Outro ponto de debate foi a criação de um mercado de carbono e a produção de incentivos para que as empresas produzam cada vez de forma mais limpa e através de fontes renováveis de energia. “Os marcos regulatórios que estão sendo discutidos no Brasil são de extrema necessidade para que os produtores tenham mais segurança jurídica, previsibilidade e transparência para a produção de biocombustíveis”.

No contexto de comércio internacional, o encontro abordou debates sobre o CBAM (mecanismo de ajuste de carbono na fronteira), que está sendo instituído na União Europeia e que visa cobrar tarifa adicional para os países exportadores em função da pegada de carbono embutida no produto. “O Estado de São Paulo é o maior exportador do Brasil para a União Europeia e, evidentemente, isso é uma preocupação. Ao mesmo tempo, isso também vai criar incentivos para que as empresas exportadoras que estão focadas no mercado europeu, busquem fontes renováveis de energia. Isso vai estimular a busca por energia produzida a partir da biomassa no Estado de SP”, finalizou o secretário. Ao lado do secretário, participaram do seminário Milton Pilão, CEO da Orizon, Carlos Silva Filho, presidente da ISWA (Associação Internacional de Resíduos Sólidos), María Teresa Ruiz-Tagle, diretora executiva do CLG Chile (Grupo de Líderes Corporativos para Mudanças Climáticas) e Jiao Tang, COO do Catalytic Finance Foundation.

Artigos Relacionados

Modelos eficazes para a gestão de resíduos sólidos
ARTIGO
Modelos eficazes para a gestão de resíduos sólidos

Por Urias Rodrigues (*) A humanidade produz anualmente mais de dois bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, dos quais 45% são mal administrados, agravando a emissão de gases de efeito estufa e os riscos relativos ao aquecimento global, bem como afetando a qualidade do ar e a saúde pública. Sem uma ação eficaz e urgente para equacionar o problema, o número crescerá para quase quatro bilhões de toneladas até 2050. Os resíduos advêm de várias fontes e se apresentam em formas, tamanhos e estruturas físico-químicas distintas. São plásticos, detritos da mineração, da indústria e da construção civil, eletrônicos, alimentos, produtos de consumo e suas embalagens e da área da saúde. Nem sempre sua gestão é adequada, havendo um desequilíbrio dentro dos próprios países e entre as nações, conforme seu grau de desenvolvimento, prejudicando as mais pobres. É preocupante constatar que o problema da má administração afeta cerca de quatro bilhões de pessoas, metade dos habitantes da Terra, devido à ausência ou precariedade dos serviços de coleta, tratamento e destinação final. Todos esses dados sobre o tema, divulgados pela Organização das Nações Unidas, na primeira celebração, ocorrida este ano, do Dia Internacional do Resíduo Zero, 30 de março, demonstram a premência das soluções. Nesse sentido, uma das frentes é a conscientização da sociedade sobre o consumo responsável, propósito principal da nova data oficial da ONU. Porém, mesmo que haja sucesso, em médio prazo, na mudança de hábitos de grande parte da população mundial, há um limite para que esse desejável avanço da responsabilidade ambiental dos cidadãos produza resultados. Afinal, todo mundo precisará continuar comendo, se vestindo, comprando produtos eletrônicos e de higiene e vários outros bens de consumo. Desde a Pré-História, não há vida sem a geração de resíduos sólidos. Assim, embora seja de extrema importância a redução dos volumes gerados pela civilização global, são essenciais modelos eficazes para sua gestão, de modo a mitigar seus impactos e retornar o máximo possível para a cadeia produtiva. É o que se verifica, por exemplo, na capital paulista, umas das maiores metrópoles do mundo, com mais de 12 milhões de habitantes, onde a coleta, tratamento e destinação dos resíduos sólidos e de saúde não apenas obedecem às leis como recebem investimentos para atender aos preceitos ecológicos. Somente a Loga (Logística Ambiental de São Paulo), concessionária responsável por esses serviços na Região Noroeste da cidade, recolhe 6 mil toneladas por dia, ou quase 2 milhões de toneladas por ano. Há, ainda, a coleta de 40 mil toneladas anuais de recicláveis, estimulando a economia circular e contribuindo para a renda de cooperativas de caráter social. Esses volumes são provenientes de 1,6 milhão de domicílios, hospitais e clínicas, abrangendo o descarte feito por sete milhões de pessoas. Todo material que ainda não é recuperado vai para aterros sanitários, estruturas de engenharia planejadas, operadas e monitoradas de acordo com normas e regulamentações ambientais rigorosas, que protegem o ar, evitam odores e a contaminação do solo e da água subterrânea. Equipamentos de drenagem do chorume captam e tratam o líquido resultante da decomposição. Há, ainda, sistemas de coleta de gases, como o metano, um subproduto da decomposição anaeróbica dos materiais orgânicos, que é utilizado como fonte de energia, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa. Se a humanidade precisa gerar resíduos para viver, também necessita reduzir sua produção e equacionar a sua gestão, como têm feito os paulistanos, para que a vida seja viável em longo prazo. São prementes soluções para tal paradoxo, questão crítica de um planeta com mais de oito bilhões de habitantes. Para isso, há modelos e sistemas eficazes. Trata-se de algo crucial para o meio ambiente urbano, a saúde pública, o cumprimento do Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura da Terra em 1,5 grau Celsius em relação ao período pré-industrial, e a viabilização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). (*) Coordenador de destinação final da Central Mecanizada de Triagem da Loga (Logística Ambiental de São Paulo).

5 de agosto, 2023
Saneamento Ambiental Logo
EMISSÕES
Abetre e Cetesb assinam acordo

A Associação Brasileira de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) assinaram o “Acordo Ambiental São Paulo” junto do “Estudo Cenário de Baixo Carbono para a Indústria Paulista”, desenvolvido com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pela agência ambiental, com participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). As entidades signatárias assumirão um compromisso de redução de emissão de gases de efeito estufa (GEEs). O acordo foi assinado na COP-25, em Madrid, Espanha, que ocorre até o dia 13 de dezembro. Dentre os compromissos envolvendo a agenda dos líderes e autoridades do setor, houve o anúncio de lançamento do Manifesto de Transporte de Resíduos Online (MTR). “Esta iniciativa garantirá a rastreabilidade dos resíduos, incentivará seu correto tratamento e evitará a proliferação de lixões ilegais. Assim, contribuiremos para reduzir o impacto dos resíduos sobre o clima e meio ambiente”, explica Luiz Gonzaga, presidente da Abetre. O convênio assinado entre Abetre e Cetesb permitirá que o MTR, um sistema de gestão da destinação de resíduos e efluentes auxilie as entidades reguladoras para que tenham acesso aos dados de resíduos transportados, como localização e o endereço do local de destino das cargas, conferindo maior controle e fiscalização por parte das autoridades. “O Estado de São Paulo, entendendo a importância de seu papel como governo subnacional, tem realizado um intenso trabalho na agenda climática”. O exemplo mais recente é o lançamento do Acordo Ambiental São Paulo, explica Patrícia Iglecias, presidente da Cetesb. “Empresas e entidades dos setores público e privado fizeram ampla adesão que permite ao governo estadual identificar e estabelecer politicas públicas que visem ao cumprimento do Acordo de Paris”, conclui. Os lixões estão presentes em mais da metade dos 5.570 municípios brasileiros, alerta a Abetre. A cidade de São Paulo possui três aterros sanitários, que recebem todos os resíduos regulares da cidade, mas, mesmo assim, segundo a prefeitura, o 1ºquadrimestre de 2019 registrou cerca de 2.500 pontos de destinação irregular. Atualmente, apenas quatro Estados brasileiros adotaram o MTR: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.

16 de dezembro, 2019