Publicidade
SÃO PAULO

Parceria com fundo sueco para explorar potencial de produção de biometano

Parceria com fundo sueco para explorar potencial de produção de biometano

O acordo prevê suporte financeiro de aproximadamente R$ 5 milhões — custeados integralmente pelo governo sueco — para serviços de consultoria de especialistas nas áreas de energia, infraestrutura e biometano.

O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL), firmou parceria internacional com o Swedfund International AB, instituição financeira de desenvolvimento do governo da Suécia, para realizar estudos técnicos para mensurar investimentos à implantação de novos gasodutos de biometano, além de avaliar o potencial de recuperação do digestato — subproduto rico em nutrientes gerado na digestão anaeróbica — e propor modelos de negócio para a produção e comercialização de biofertilizantes orgânicos em plantas de biometano no estado.

O acordo prevê suporte financeiro de aproximadamente R$ 5 milhões — custeados integralmente pelo governo sueco — para serviços de consultoria de especialistas nas áreas de energia, infraestrutura e biometano. “A colaboração entre o Estado de São Paulo e o Swedfund tem relevância principalmente em razão do elevado potencial de produção de biometano em território paulista, importante instrumento para a redução de gases de efeito estufa, podendo impulsionar a geração de emprego e renda. O projeto também está alinhado ao Plano de Ação Climática 2050 (PAC 2050) e ao Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050), ambos com metas de descarbonização”, disse a secretária da Semil, Natália Resende.

O Swedfund financia estudos e realiza investimentos sustentáveis em países em desenvolvimento nas áreas de energia, clima e saúde. O estado de São Paulo já passou pelo desenvolvimento de dois estudos de caso para produção de biometano a partir de resíduos de estação de tratamento de esgoto e de aterro sanitário para uso em transporte coletivo de passageiros, em substituição ao óleo diesel. “Em parceria com o estado de São Paulo, buscamos promover o uso eficiente e sustentável do biogás, contribuindo para o desenvolvimento econômico sustentável e para a transição rumo a tecnologias limpas e renováveis no transporte paulista”, afirmou Maria Håkansson, CEO do Swedfund.

Maria Håkansson disse ainda que a iniciativa dá continuidade à colaboração inicial, que resultou em estudos de caso demonstrando a viabilidade da produção eficiente e sustentável de biogás a partir de resíduos de estações de tratamento de esgoto e aterros sanitários. “Juntos, esses esforços apoiarão o desenvolvimento de políticas públicas e fornecerão uma ferramenta de planejamento estratégico para os agentes de mercado, possibilitando a expansão das redes de gás para acomodar volumes crescentes de gás renovável no futuro”, afirmou a CEO do Swedfund.

Em dezewmbro de 2025, a ARSESP publicou norma que viabilizará a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado sem causar impacto aos demais usuários. Por meio da TUSD-Verde (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição-Verde), os investimentos e custos operacionais da interconexão serão remunerados exclusivamente pelos fornecedores de biometano. A regulação implementa as políticas públicas aplicáveis aos serviços regulados, com destaque para a Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC), que tem entre seus objetivos aumentar a participação das fontes renováveis de energia na matriz energética do Estado de São Paulo e reduzir a emissão de gases de efeito estufa, e para o Plano Estadual de Energia (PEE), que apresenta o biometano como uma das principais estratégias para esses objetivos.

A TUSD-Verde irá incentivar o desenvolvimento dos serviços locais de gás canalizado, estabelecendo normas para promover a ampliação do biometano com competitividade e eficiência, ao mesmo tempo em que garante a modicidade tarifária.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) contratou estudo e tem apoio técnico e institucional da SEMIL que mostrou as potencialidades de biogás e biometano em São Paulo. A pesquisa concluiu que o potencial de produção de biometano no estado é de 6,4 milhões m³/dia, podendo gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, impulsionando uma nova cadeia industrial de equipamentos e serviços. Entre os ganhos adicionais, estão a substituição parcial de combustíveis no transporte, com potencial de redução de até 16% nas emissões de carbono em comparação ao óleo diesel. Segundo o estudo da FIESP, mais de 80% do potencial produtivo paulista está concentrado no setor sucroenergético, que aproveita resíduos da produção de açúcar e etanol — como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha — para a geração de biogás e biometano. Em São Paulo, o biometano já é utilizado como insumo na produção de fertilizantes, fonte de energia em processos industriais e combustível para frotas de transporte de cargas e passageiros.

Artigos Relacionados

Saneamento Ambiental Logo
BIOGÁS
Suécia investirá em pesquisas em SP

O governo sueco, por meio do Swedfund (entidade de financiamento ao desenvolvimento sustentável), ofereceu à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo uma consultoria de R$ 3 milhões para investimentos em pesquisa na geração de biogás. O objetivo é implantar os resultados do estudo no transporte público, reduzindo assim as emissões de poluentes. A parceria deve ser assinada até o fim do ano, e a pesquisa, em 2020. “A fusão de órgãos e secretarias em uma única pasta facilita a discussão de cooperações técnicas, como a do Swedfund. Hoje sentamos todos (energia, recursos hídricos, saneamento e meio ambiente) na mesma mesa, o que acelera os processos”, destacou o secretário-executivo da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, Luiz Ricardo Santoro. O coordenador de Óleo, Gás e Biocombustíveis da SIMA, Ricardo Cantarani, explicou que a ideia é identificar oportunidades de produção ou geração de biogás por meio de fontes como a agricultura (vinhaça de cana de açúcar), aterros sanitários e ETEs (estações de tratamento de esgoto). A SIMA irá definir um comitê gestor para elaborar os termos de referência da parceria. Será determinado o tipo de trabalho a ser desenvolvido, o foco da pesquisa e os resultados que a consultoria vai entregar. “Vamos unir experiências, ou seja, juntar nossa expertise e o que eles enxergam de mais promissor em projetos desta natureza”, destacou Cantarani. A consultora do Conselho de Comércio da Embaixada da Suécia, Victoria Fernandes, afirma que uma das ideias do estudo é envolver o lodo gerado no tratamento de esgoto da Sabesp. “A pesquisa visa preparar a companhia para implantar a produção de biogás em uma das plantas”, explicou.

4 de dezembro, 2019
Saneamento Ambiental Logo
BIOGÁS
RCGI lança mapas interativos online

O Fapesp-Shell-Research Center for Gas Innovation (RCGI) lançou um conjunto inédito de mapas interativos, disponível na internet, com o tema Biogás, Biometano e Potência Elétrica em São Paulo. Os mapas estimam o potencial de produção de biogás e biometano paulista, e o potencial elétrico a partir do biogás, por município, de acordo com três grandes fontes de obtenção do gás: resíduos de criação animal (suinocultura), resíduos urbanos (mapas distintos para o potencial dos aterros sanitários e o das estações de tratamento de esgoto) e setor sucroalcooleiro (principalmente vinhaça). Segundo os números, o potencial de energia elétrica gerada a partir do biogás é de 36.197 GWh, o que corresponde a 93% do consumo residencial no estado. O potencial anual de biometano poderia exceder em 3,87 bilhões de Nm3 o volume anual de gás natural comercializado ou substituir 72% do diesel comercializado. "O setor sucroalcooleiro é o que apresenta o maior potencial de aproveitamento de biogás. Em dez municípios com maior concentração de resíduos, o potencial de biogás é de mais de 3 bilhões Nm3 na safra. Se fossem transformados em biometano, isso corresponderia a 65% do consumo de gás natural no estado. Ou 32.000 GWh, se fossem aproveitados na geração de eletricidade com biogás", afirma a coordenadora do projeto, Suani Coelho, professora do Instituto de Energia e Ambiente da USP e integrante do RCGI. Os mapas foram elaborados com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), do Datagro, do Centro Internacional de Energias Renováveis (Cibiogás), da Sabesp e da Gasbrasiliano. Além de informações sobre biogás e biometano, os visitantes poderão saber a localização de gasodutos, as linhas de transmissão de energia elétrica, as unidades de conservação, os pontos de entrega de gás existentes, entre outros dados importantes para o planejamento energético dos municípios. A pesquisadora Suani conta com o apoio de engenheiras, como Marilin Mariano dos Santos e Vanessa Pecora Garcilasso, com a colaboração do mestrando, Diego Bonfim de Souza. "Estamos realizando simulações com relação à injeção do biometano na rede para saber, por exemplo, qual seria o impacto na tarifa para os consumidores, o quanto se evitaria de emissões de gases de efeito estufa. Também estamos simulando qual seria o impacto da substituição do diesel por biometano na indústria sucroalcooleira.", conta a professora. Ainda está em andamento um projeto P&D com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) para a elaboração de um Atlas de Bioenergia para São Paulo, que não será focado apenas em biogás e biometano, mas também em biomassa sólida: bagaço de cana, resíduo florestal etc. Será elaborado um mapa interativo com os potenciais de geração de eletricidade, que deverá ser lançado no início de 2020”. Os mapas interativos estão disponíveis em português e inglês .

23 de agosto, 2019
Saneamento Ambiental Logo
SÃO PAULO
Cesp investe em biogás

A Companhia Energética de São Paulo (Cesp), empresa vinculada à Secretaria Estadual de Energia e Mineração, lançou projeto de P&D para implantar uma unidade de geração a biogás no campus da Unesp em Jaboticabal, além da produção de um Atlas Estadual da Bioenergia e uma modelagem para a comercialização da energia gerada. A empresa investirá R$ 3,9 milhões no projeto, que tem ainda a participação na produção das pesquisas a USP e a Unesp, além do apoio da Secretaria de Energia e Mineração. “Estamos fazendo com que a universidade, com apoio da Cesp, leve a prática das diversas formas de uso das energias renováveis ao mercado. É preciso que se garanta energia para o futuro, por isso temos que trabalhar intensamente para incentivar novas fontes e essa parceria indicará caminhos a serem seguidos“, destacou o secretário de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, João Carlos Meirelles. Será instalada na Faculdade de Ciências Agronômicas e Veterinárias da Unesp, em Jaboticabal, uma planta de geração a biogás com alimentação a partir de biodigestor anaeróbio. O campus foi escolhido por contar com dejetos animais e uma plantação de batata doce, que servirá como insumo experimental, além de vinhaça proveniente de plantas de cogeração de grande porte localizadas próximo à faculdade. O projeto de P&D da Cesp produzirá o Atlas de Bioenergia do Estado de São Paulo. Serão produzidos mapas temáticos que apresentarão o potencial da biomassa e a respectiva capacidade de geração elétrica e a produção de biogás, de cada biomassa analisada (resíduos da agricultura, agroindústria, silvicultura, resíduos sólidos urbanos, dejetos animais e esgoto). São Paulo tem potência instalada de 5,7 GW de biomassa de cana-de-açúcar. “Será fundamental identificar o potencial paulista em outras biomassas como resíduos sólidos, cavaco de madeira, vinhaça, entre outros. Isso dará um novo horizonte para o setor energético paulista”, destaca o subsecretário de Energias Renováveis, Antonio Celso de Abreu Junior. Para o cálculo do potencial e sua representação nos mapas serão consideradas a infraestrutura disponível com rodovias, hidrovias, ferrovias, linhas de transmissão, redes de transporte e distribuição de gás canalizado.

2 de março, 2018
Saneamento Ambiental Logo
BIOGÁS
Gás de esgoto vira combustível

A Sabesp adquiriu equipamento alemão que utilizará para transformar o gás do esgoto em combustível para veículos em Franca, interior do estado de São Paulo. A tecnologia a ser utilizada é uma parceria entre a Sabesp e o Instituto Fraunhofer, da Alemanha. No processo, o biogás gerado no tratamento do esgoto passa por um sistema de remoção das impurezas, umidade e aumento da concentração de metano. O resultado é o biometano, que substituirá a gasolina, álcool e GNV. A ETE de Franca possui vazão de tratamento de esgoto de 450 litros por segundo e produz em torno de 2.600 Nm³ de biogás. Calcula-se que possam ser produzidos 1.700 Nm³ de biometano diários, volume capaz de substituir 1.700 litros de gasolina comum a cada dia. A parceria faz parte dos investimentos da Sabesp em pesquisa científica e inovação. “Esse projeto traz uma série de benefícios, como a redução das emissões de gases de efeito estufa, inovações no saneamento, o domínio das tecnologias implantadas e uma significativa redução de gastos com combustível. Além disso, abre várias possibilidades para estudo com outros fins: inserção em redes de companhias de gás, produção de energia elétrica e fornecimento de biogás para indústrias próximas”, afirma Cristina Knörich Zuffo, superintendente de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da Sabesp. O combustível alternativo será testado e terá o acompanhamento de órgãos reguladores competentes em 49 veículos adaptados na cidade de Franca. O combustível é renovável, já que sua base é o esgoto produzido pelos moradores, comércio e indústria de Franca. Segundo estimativa da organização ambiental World Resources Institute, cada litro de gasolina emitiria cerca de 2,28 kg de CO2. Com a experiência, anualmente haverá a redução de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de dióxido de carbono com o reaproveitamento do gás. O investimento no projeto é de R$ 7,3 milhões. O instituto alemão será responsável pela doação de equipamentos para a Sabesp, assistência técnica e acompanhamento das fases de pesquisa. Em contrapartida, a Sabesp realizará as obras para a instalação do equipamento, da linha de biogás e de sistema elétrico e adaptação dos veículos para o biometano, entre outros itens.

27 de janeiro, 2017
Saneamento Ambiental Logo
BIOGÁS
Biometano a partir da vinhaça será produzido em SP

A GasBrasiliano assinou protocolo de intenções com o consórcio CSO e Malosso Bioenergia para a produção e comercialização de biometano obtido a partir da vinhaça no Noroeste do Estado de São Paulo. A assinatura contou com a presença do Secretário de Energia do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles. A parceria está alinhada ao Programa Paulista de Biogás do Estado de São Paulo, que prevê a obrigatoriedade de comercialização de um percentual mínimo de biometano através das redes de distribuição de gás natural e cuja ênfase é o biometano produzido a partir de vinhaça. O projeto receberá R$ 16 milhões e envolve inicialmente a construção de uma planta de biodigestão na Malosso Bioenergia, localizada em Itápolis, e o fornecimento de vinhaça. A configuração da planta permitirá que a matéria-prima (vinhaça) processada pela usina seja utilizada para obtenção do biometano. e, em seguida, devolvida para a usina. No processo de reação, o nitrato e nitrito presentes na vinhaça serão transformados em amônia, que terá o pH neutralizado e sua temperatura será reduzida para abaixo de 40°. “Após a produção do biogás, a vinhaça retornará à usina ainda mais concentrada e beneficiada, pronta para ser usada na fertirrigação”, explica Luiz Roberto Zanardi, gerente da Malosso Bioenergia. A planta funcionará de maneira autônoma e será administrada por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com o Consórcio CSO, que é formado pela CRXavier Consulting Bioenergia, Sagitta Consultoria em Projetos de Energia Renovável e Orion Biotecnologia. Toda produção e purificação do biogás de acordo com as especificações da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) serão de responsabilidade do grupo. “A SPE terá duração de 20 anos e, encerrado o prazo, ela poderá ser incorporada à usina ou passar a fazer parte de outra empresa”, afirma Carlos Alberto Xavier, da CRXavier Consulting Bioenergia. O projeto terá capacidade de produzir 5 milhões de m³ anuais de biometano, volume que será comprado pela GasBrasiliano e injetado em sua rede de distribuição para atender consumidores das cidades de Itápolis e Catanduva. Para receber o biometano, a GasBrasiliano construirá uma rede de interligação, além de uma estação de medição, um cromatógrafo para monitorar a qualidade do biometano dentro das especificações da ANP, e um sistema de odorização, que adequará o produto às normas de segurança. De acordo com levantamento realizado pela Secretaria de Energia do Estado de São Paulo, o potencial de geração de biometano proveniente da vinhaça das usinas de todo o Noroeste de São Paulo é de 10 milhões de m³ por dia, volume que equivale a 25% da produção nacional de gás atualmente.

1 de setembro, 2015