Publicidade
RIOS

Projeto "ReNaturalize" é considerado excelente, após recuperação

Projeto "ReNaturalize" é considerado excelente, após recuperação

Uma equipe de cientistas da Society of Environmental Toxicology and Chemistry (SETAC World) avaliou o projeto

Uma equipe de cientistas da Society of Environmental Toxicology and Chemistry (SETAC World) avaliou o projeto brasileiro “ReNaturalize”, de recuperação do trecho do rio mais degradado pelo desastre ambiental de Mariana (MG), como excepcional. A Setac World é uma organização global sem fins lucrativos composta por mais de 20 mil integrantes e 85 organizações parceiras em mais de 90 países, que tem o objetivo de avançar na ciência ambiental e na gestão ambiental. Os cientistas avaliaram mais de 60 projetos de diversos países e definiram como “excepcional” o “Renaturalize”, que já está na sua terceira etapa no rio Gualaxo do Norte, no distrito de Bento Rodrigues, com comprovação de recuperação da qualidade da água e quase duplicação da quantidade de peixes. “Recebemos a correspondência da Setac World com o resultado superpositivo da avaliação de nosso projeto. No Brasil, não existe nada similar em execução. Depois de muitos estudos, incluindo visitas técnicas à Europa e América do Norte, fizemos um piloto em 2016, usando uma técnica se mostrou eficiente e eficaz, com baixo custo e facilidade de adaptação em qualquer rio degradado”, afirmou Tatiana Furley, coordenadora do projeto e diretora de Inovação da empresa Aplysia Soluções Ambientais.

Após o projeto-piloto, Tatiana conta que houve o convite para adaptar o método e recuperar um trecho piloto de 2 km do rio Gualaxo do Norte, o mais degradado pelo desastre ambiental causado pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana. “No rio Gualaxo do Norte, temos a comprovação de que os peixes dobraram de peso e houve aumento de 81% da população de peixes jovens em apenas um ano. Podemos recriar o habitat com soluções baseadas na natureza, e sem milagres. Apenas trabalho científico e metódico, que tem como um de seus pilares a participação da população local. No Brasil, temos centenas de rios degradados que podem ser recuperados”, comentou a Mestre em Oceanografia pela FURG e doutora em Oceanografia Biológica pela USP.

Batizado como ReNaturalize, o projeto de renaturalização do rio Gualaxo do Norte conquistou em 2021 uma inédita premiação do BRICS Solutions for SDGs Awards 2021, que reconhece soluções de base tecnológica que visam alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS). Inscrito na categoria Água Potável e Saneamento, o projeto foi o único do Brasil premiado pelo BRICS. Ao todo, foram analisados 290 projetos. Todos deveriam ser iniciativas inovadoras que atendessem os Objetivos de Desenvolvimento Social da ONU e, preferencialmente, de baixo custo e fácil execução. “Recriamos o habitat dos peixes, usando materiais naturais como troncos e galhos, formando remansos em centenas de pontos estratégicos do rio, reduzindo em até 63% a velocidade das águas, tornando o ambiente propício para descanso, alimentação, reprodução e também para o berçário de peixes. Esta técnica é fundamental também para o menor assoreamento dos rios de maior porte, o que, naturalmente, gera um menor risco de enchentes”, acrescenta Tatiana Furley.

Artigos Relacionados

Saneamento Ambiental Logo
MARIANA
SOS Mata Atlântica divulga laudo após expedição

Uma equipe da SOS Mata Atlântica realizou, entre os dias 06 e 12 de dezembro de 2015, expedição pelos municípios afetados pelo rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, no município de Mariana, Minas Gerais. Foram coletados sedimentos para análises laboratoriais, além de feita análise da qualidade da água do rio Doce e afluentes impactados pela lama e rejeitos de minérios. Ao todo, a SOS Mata Atlântica analisou 18 pontos em campo, percorridos 29 municípios e coletados 29 amostras de lama e água para análise em laboratório. Do total, 16 apresentaram o Índice de Qualidade da Água (IQA) péssimo e dois obtiveram índice regular. “Em todo o trecho percorrido e analisado por nossa equipe a água está imprópria para o consumo humano e de animais”, observa Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica. Para Malu, a expedição só confirmou que a condição ambiental do rio Doce é péssima em 650 km de rios. A turbidez e o total de sólidos em suspensão estão em concentrações bem acima das estabelecidas pela legislação. Ela variou de 5.150 NTU ( Nephelometric Turbidity Unit , unidade matemática utilizada na medição da turbidez) na região de Bento Rodrigues e Barra Longa, a 1.220 NTU em Ipatinga (MG), aumentando gradativamente na região da foz, em Regência (ES). “O máximo aceitável deveria ser de 40 NTU”, diz Malu. “Infelizmente, as chuvas acabam por arrastar mais lama para o leito do rio e a situação tende a ficar ainda mais complicada. A lama e os metais pesados não mascararam ou diminuíram as concentrações de poluentes provenientes de esgoto sem tratamento e de insumos agrícolas”, afirma. A expedição contou ainda com a Ypê – Química Amparo, Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), ProMinent Brasil e outros grupos de especialistas voluntários, como o GIAIA (Grupo Independente de Avaliação de Impacto Ambiental), além do eco esportista Dan Robson, que navegou trechos com um caiaque especialmente equipado para realizar análises da qualidade da água e da profundidade do leito dos rios e dos reservatórios ao longo do percurso. Além disso, parte dos testes foi realizada em campo com equipamentos especiais para a medição de metais, sondas de medição e espectrofotômetro. A qualidade da água foi verificada de acordo com os parâmetros de referência estabelecidos na legislação vigente brasileira, a Resolução Conama nº357/5, que estabelece a classificação das águas e aponta o IQA. A equipe da Fundação SOS Mata Atlântica utilizou um kit desenvolvido pelo programa Rede das Águas, empregado no projeto Observando os Rios. O kit segue metodologia para avaliação do IQA a partir de um total de 16 parâmetros, que incluem níveis de oxigênio, demanda bioquímica de oxigênio, nitrato, coliformes, fosfato, pH, temperatura, turbidez, odor cor e presença de peixes, larvas brancas e vermelhas. A classificação da qualidade das águas é feita em cinco níveis de pontuação: péssimo (de 14 a 20 pontos), ruim (de 21 a 26 pontos), regular (de 27 a 35 pontos), bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos). De acordo com as coletas e análises físico-químicas de bactérias e metais pesados realizadas, que obedeceram às normas estabelecidas pelo Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, todos os pontos avaliados estão em desacordo com o que é preconizado na legislação vigente. Entre os metais foram encontrados magnésio, cálcio, cobre, ferro, alumínio e manganês. O estudo completo pode ser conferido através do link http://bit.ly/RioDoceSOS .

27 de janeiro, 2016
Saneamento Ambiental Logo
ACIDENTE
Tecnologia da Omega ajuda a recuperar rio Doce

Desde 2010 o programa Olhos D’Água, do Instituto Terra, já recuperou cerca de 1,2 mil nascentes na região do rio Doce por meio do reflorestamento com vegetação nativa do Vale do Rio Doce, que hoje tem mais de 3,8 milhões de habitantes em Minas Gerais e Espírito Santo. Em setembro do ano passado – antes do acidente com a barragem de rejeitos de Fundão da Samarco – a Omega Engineering disponibilizou uma série de equipamentos com objetivo de apoiar o reconhecido trabalho ambiental do Instituto Terra. Os dispositivos ajudam a ONG a avaliar a água (turbidez e vazão), as sementes (peso) e o solo (umidade e condutividade), bem como para automatizar a irrigação do viveiro de mudas. “Com isso, podemos ter mais sucesso na produção de mudas, no reflorestamento e na recuperação das nascentes, bem como para acompanhar a qualidade da água”, explica a bióloga e assistente de Meio Ambiente do Instituto Terra, Elisangela Ferreira da Silva. Elisangela explica que o reflorestamento começa por espécies chamadas pioneiras (ingá ou aroeira, por exemplo), que têm um desenvolvimento mais rápido e preparam o ambiente para outros tipos de plantas. Na seqüência, mudas de espécies secundárias (como jatobá, por exemplo) podem ser plantadas, pois encontram condições mais favoráveis para desenvolvimento. Com o acidente ambiental em Mariana, o desafio do Instituto Terra é ainda maior. O Programa Olhos D´Água visa recuperar todas as 375 mil nascentes do Vale nos próximos 20 anos. A ONG conta com a parceria de produtores rurais, empresas como a Omega Engineering e órgãos públicos, mas espera que as pessoas se mobilizem mais após a tragédia. Os profundos danos ambientais e sociais podem levar anos para serem superados, mas o caminho começa com a recuperação da mata nativa e das nascentes em todo o Vale do Rio Doce. A tragédia ambiental, além das mortes de espécies e seres humanos, afetou drasticamente a cadeia alimentar em 690 Km do total de 810 Km do Rio Doce. A lama bloqueou o sol e matou o fitoplâncton, base da cadeia alimentar, além de haver afetado a pesca, o abastecimento, a agricultura e o turismo e assim por diante, até chegar ao mar.

27 de janeiro, 2016