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SANEAMENTO

Quase 40% da Água Tratada se perde no Brasil

Quase 40% da Água Tratada se perde no Brasil

Desperdício na distribuição compromete a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento e amplia os custos do saneamento

O Brasil ainda enfrenta um dos maiores desafios do saneamento básico: a elevada perda de água tratada durante o processo de distribuição. Segundo levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil, com base nos dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), referentes ao ano de 2024, aproximadamente 39,53% de toda a água tratada produzida no país não chega aos consumidores finais.
As perdas ocorrem por diversos fatores, entre eles vazamentos nas redes de distribuição, falhas de medição, ligações clandestinas e consumos não autorizados. Além dos impactos ambientais decorrentes do desperdício de um recurso essencial, a ineficiência operacional gera aumento de custos para os sistemas de abastecimento, refletindo diretamente na sustentabilidade dos serviços prestados à população.
Para dimensionar a magnitude do problema, o estudo aponta que o volume de perdas físicas registrado em 2024 equivale ao desperdício diário de cerca de 4,8 mil piscinas olímpicas de água tratada. Em um período de um ano, esse volume corresponde a aproximadamente 4,5 vezes a capacidade total do Sistema Cantareira, um dos principais complexos de abastecimento hídrico do país.
Norte e Nordeste concentram os maiores índices de perdas. A análise dos dados revela que os maiores índices de perdas na distribuição estão concentrados, principalmente, nas regiões Norte e Nordeste. Entre os estados com os piores resultados estão Alagoas (66,90%), Roraima (65,97%), Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%). Todos apresentam índices significativamente superiores à média nacional.
Esses números evidenciam a necessidade de investimentos contínuos em modernização das redes de abastecimento, tecnologias de monitoramento e programas de controle de perdas, fundamentais para aumentar a eficiência operacional dos sistemas.
Piauí já atende à meta nacional. Na contramão desse cenário, o Piauí se destaca como o único estado brasileiro que já alcançou a meta estabelecida pela Portaria nº 788/2024, registrando índice de perdas de 24,61%. Goiás aparece logo em seguida, com 27,13%, aproximando-se do percentual definido pela regulamentação federal.
A Portaria nº 788/2024 estabelece como objetivo reduzir as perdas na distribuição para 25% até 2033, um desafio que exigirá esforços conjuntos entre prestadores de serviços, gestores públicos e órgãos reguladores.
Redução de perdas é estratégica para o futuro do saneamento. Especialistas apontam que a redução das perdas de água representa uma das medidas mais eficazes para ampliar a segurança hídrica, otimizar recursos financeiros e melhorar a qualidade dos serviços de abastecimento. Ao diminuir o desperdício, é possível aumentar a disponibilidade de água para a população sem a necessidade imediata de ampliar a captação de recursos hídricos.
Diante desse cenário, o Instituto Trata Brasil lançou a iniciativa “Voto no Saneamento”, que busca ampliar a discussão sobre a importância do saneamento básico no contexto eleitoral. A plataforma reúne informações técnicas, conteúdos educativos e orientações para eleitores, além de apresentar propostas que incentivam a inclusão do tema nos planos de governo dos candidatos.
O fortalecimento das políticas de combate às perdas de água será decisivo para que o Brasil avance na universalização do saneamento e alcance padrões mais elevados de eficiência e sustentabilidade nos sistemas de abastecimento.

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