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AMAZÔNIA

Recuperação de floresta gera lucro

Um estudo inédito realizado pela parceria Público-Privada (PPP) entre a Embrapa Amazônia Oriental e pelo Grupo madeireiro Arboris acompanhou um ciclo alternativo completo de plantio e corte de paricá (Schizolobium parahyba var. amazonicum), uma espécie de árvore nativa da Amazônia, no enriquecimento de clareiras em florestas degradadas e com pouca ou baixa produtividade no Pará. O estudo mostrou que é possível lucrar com a regeneração florestal com baixo investimento de olho nos próximos ciclos de corte em manejo sustentável madeireiro. A pesquisa aconteceu durante período de 13 anos, entre 1995 e 2008, na fazenda Shet, localizada no Município de Dom Eliseu, nordeste paraense, distante cerca de 450 km de Belém (PA). Segundo o estudo, a metodologia de plantio pode ser aplicada em mais de 19 milhões de hectares de florestas, em diversos níveis de degradação, existentes no estado. O estudo revelou que o enriquecimento de clareiras – áreas abertas em florestas - , seja por desflorestamento, manejo ou mesmo natural por meio de quedas e incêndios florestais, tem potencial de produtividade e lucratividade, além de aumentar as chances de conservação de florestas degradadas na Amazônia, conforme analisou o pesquisador Gustavo Schwartz, um dos responsáveis pelo trabalho. De acordo com o cientista, o objetivo do estudo foi avaliar a produtividade e a rentabilidade financeira do plantio para o enriquecimento em florestas degradadas. O paricá foi a espécie escolhida por ser nativa da região, apresentar rápido crescimento e ser de interesse da cadeia madeireira, em especial na indústria de laminados. De dez mil sementes plantadas, cerca de três mil transformaram-se em árvores com diâmetro em torno de 25 centímetros após 13 anos, o que resultou em um acúmulo médio de três metros cúbicos (m3) por hectare/ano. “Considerando o uso da madeira de paricá para fins de laminação, o lucro, em valores atualizados, foi estimado em R$ 16.862,84/ha na área plantada e de R$ 12.380,86/ha na área não plantada. A diferença de R$ 4.481,98/ha equivale a um lucro 36,20% maior para a área com plantio de paricá em clareiras”, detalhou o pesquisador Gustavo Schwartz. Um estudo inédito pode abrir caminho para gerar ativos financeiros em uma área de 19 milhões de hectares, somente no Estado do Pará, conforme avaliam os autores da pesquisa. Gustavo Schwartz avalia que essa significativa extensão territorial tem um enorme passivo que pode ser revertido em desenvolvimento econômico e também ambiental e que estudos como o realizado pela Embrapa e o grupo Arboris servem para evidenciar novas possibilidades produtivas na floresta e abrir diálogo com a legislação para a previsão, ainda inexistente, de manejo florestal sustentável em florestas antropizadas (modificadas pela ação humana), em diversos graus de degradação.

Um estudo inédito realizado pela parceria Público-Privada (PPP) entre a Embrapa Amazônia Oriental e pelo Grupo madeireiro Arboris acompanhou um ciclo alternativo completo de plantio e corte de paricá (Schizolobium parahyba var. amazonicum), uma espécie de árvore nativa da Amazônia, no enriquecimento de clareiras em florestas degradadas e com pouca ou baixa produtividade no Pará. O estudo mostrou que é possível lucrar com a regeneração florestal com baixo investimento de olho nos próximos ciclos de corte em manejo sustentável madeireiro. A pesquisa aconteceu durante período de 13 anos, entre 1995 e 2008, na fazenda Shet, localizada no Município de Dom Eliseu, nordeste paraense, distante cerca de 450 km de Belém (PA). Segundo o estudo, a metodologia de plantio pode ser aplicada em mais de 19 milhões de hectares de florestas, em diversos níveis de degradação, existentes no estado. 
 
O estudo revelou que o enriquecimento de clareiras – áreas abertas em florestas - , seja por desflorestamento, manejo ou mesmo natural por meio de quedas e incêndios florestais, tem potencial de produtividade e lucratividade, além de aumentar as chances de conservação de florestas degradadas na Amazônia, conforme analisou o pesquisador Gustavo Schwartz, um dos responsáveis pelo trabalho. De acordo com o cientista, o objetivo do estudo foi avaliar a produtividade e a rentabilidade financeira do plantio para o enriquecimento em florestas degradadas. O paricá foi a espécie escolhida por ser nativa da região, apresentar rápido crescimento e ser de interesse da cadeia madeireira, em especial na indústria de laminados.
 
De dez mil sementes plantadas, cerca de três mil transformaram-se em árvores com diâmetro em torno de 25 centímetros após 13 anos, o que resultou em um acúmulo médio de três metros cúbicos (m3) por hectare/ano. “Considerando o uso da madeira de paricá para fins de laminação, o lucro, em valores atualizados, foi estimado em R$ 16.862,84/ha na área plantada e de R$ 12.380,86/ha na área não plantada. A diferença de R$ 4.481,98/ha equivale a um lucro 36,20% maior para a área com plantio de paricá em clareiras”, detalhou o pesquisador Gustavo Schwartz. 
 
Um estudo inédito pode abrir caminho para gerar ativos financeiros em uma área de 19 milhões de hectares, somente no Estado do Pará, conforme avaliam os autores da pesquisa. Gustavo Schwartz avalia que essa significativa extensão territorial tem um enorme passivo que pode ser revertido em desenvolvimento econômico e também ambiental e que estudos como o realizado pela Embrapa e o grupo Arboris servem para evidenciar novas possibilidades produtivas na floresta e abrir diálogo com a legislação para a previsão, ainda inexistente, de manejo florestal sustentável em florestas antropizadas (modificadas pela ação humana), em diversos graus de degradação.

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AMAZÔNIA
Compensação ambiental para produtores

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), em parceria com o EDF (Environmental Defense Fund) e com o Woodwell Climate Research Center, criou um mecanismo privado de compensação denominado Conserv, após três anos de estudos. O mecanismo funciona pelo chamado excedente de reserva legal, ou seja, a área com vegetação que o proprietário rural na Amazônia Legal preserva além dos 35% a 80% obrigatórios pelo Código Florestal. O Conserv começou a operar neste semestre em Mato Grosso. Os proprietários rurais que participarem da iniciativa receberão pagamentos semestrais pela manutenção da vegetação, após análise periódica da área contratada. A primeira rodada de adesões obteve sete contratos de 30 meses, passíveis de renovação e que somam 6.500 hectares. Todos estão no município de Sapezal (MT), escolhido por uma conjunção de diversos fatores, como existência de mata além da reserva legal; pressão por abertura de novas áreas para produção; e importantes serviços ecossistêmicos. A expectativa do IPAM é chegar até 30 contratos em municípios pré-selecionados, englobando pelo menos 20 mil hectares, nos próximos meses. A adesão ao mecanismo é voluntária. "O conceito do Conserv é simples, mas não simplório. Só em Mato Grosso, os imóveis rurais guardam sete milhões de hectares de vegetação nativa, que correspondem de 140 milhões a 910 milhões de toneladas de carbono estocado, e que por lei podem ser suprimidos. Se essa mata é derrubada, há uma diminuição na disponibilidade de água, por exemplo, e mais gases do efeito estufa na atmosfera", explica o coordenador do projeto Conserv, o pesquisador Marcelo Stabile, do IPAM. "O Conserv ajuda a reduzir a pressão do desmatamento nessas propriedades privadas, enquanto reconhece o papel daqueles produtores que conservaram a mata até hoje”. O IPAM está testando o mecanismo de compensação a partir de doações dos governos da Noruega e dos Países Baixos. Cerca de R$ 24 milhões serão pagos aos produtores durante esta etapa. Com o modelo aprovado, a intenção é transformar o projeto em um sistema que possa contemplar diferentes fontes de recursos, incluindo aportes privados. "O objetivo é dar escala ao mecanismo e transformá-lo em um modelo de negócio perene para florestas privadas do país inteiro", afirma o diretor-executivo do IPAM, André Guimarães. Os interessados em aderir ao Conserv vão passar por análise realizada pelo IPAM, que inclui avaliação da área preservada, titulação, registros no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e no Sicar (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural), e a inexistência de infrações ambientais e civis. A análise é contínua, mesmo após a assinatura do contrato, e conta ainda com o monitoramento da área conservada por meio de imagens de satélite e visitas ao local. "Queremos que o Conserv se torne um modelo de negócio que reconheça os produtores interessados em conciliar produção e conservação.", afirma Stabile. O coordenador do projeto diz existir um campo vasto de intensificação das atividades agropecuárias ainda pouco explorado no Brasil, e que pode ser agregado pelos produtores rurais para expandir sua produção ao mesmo tempo em que são pagos pela manutenção da vegetação além do que é exigido pelo Código Florestal. "Para nós, o Conserv é mais do que um projeto de pagamento por serviços ambientais, ou venda de carbono em mercados oficiais ou voluntários. É uma nova maneira de olhar para a paisagem rural, de forma que todos ganhem", diz Guimarães. A Amazônia absorve cerca de 15% das emissões globais de CO2 existentes na atmosfera e libera água que contribui com o sistema de chuvas, criando condições para a produção agrícola. As florestas também resfriam a superfície terrestre. Os produtores rurais são um dos grupos-chaves para a conservação da Amazônia. "Ao trabalhar com eles, desenvolvemos estratégias baseadas em evidências para preservar a vegetação ao mesmo tempo que atende às necessidades dos que moram, gerenciam e usam a terra", afirma o diretor do Programa de Florestas Tropicais do Woodwell Climate Research Center, Michael Coe. "O Conserv é uma das estratégias voltadas aos produtores rurais." "Com o desmatamento ameaçando as florestas tropicais, uma parte essencial da solução é criar incentivos tangíveis para os produtores rurais protegerem as florestas além do que é exigido pela lei", afirma o economista chefe de recursos naturais do EDF, Ruben Lobowski. "O Conserv é um modelo eficiente de transferência de recursos que protege florestas em risco em terras privadas, de uma forma que maximiza o impacto da proteção florestal e traz outros benefícios ambientais."

12 de outubro, 2020
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AMAZÔNIA
As feridas deixadas pelas queimadas

Segundo estudo científico publicado por pesquisadores brasileiros, norte-americanos e alemães na revista "Global Change Biology”, as florestas da Amazônia impactadas por queimadas demoram até sete anos para recuperar sua capacidade de bombear água para a atmosfera e absorver carbono. Os cientistas analisaram dados de um experimento conduzido pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) em uma fazenda em Mato Grosso. Nas áreas atingidas por queimadas controladas, as árvores grandes sobreviventes ao fogo sucumbiram rapidamente nos anos seguintes, por se tornarem mais fracas e vulneráveis a doenças e rajadas de vento, especialmente nas bordas da mata. “Essas feridas na floresta podem deixar cicatrizes permanentes, com menos árvores e carbono”, explica o principal autor do artigo, o brasileiro Paulo Brando, do IPAM. Nos anos seguintes também foram constatadas mudanças na composição de espécies, além de invasão de gramíneas no local. A partir do sétimo ano, os cientistas observaram uma mudança no quadro: aquela área retirava tanto carbono da atmosfera e jogava umidade no ar quanto antes do fogo. “Para se recuperar, as plantas trabalham muito rápido, têm muita fotossíntese, por isso tiram muito carbono do ar e transpiram bastante”, explica o pesquisador Michael Coe, do Instituto de Pesquisa de Woods Hole, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo. “Mas perdemos o carbono que estava estocado nas árvores mais antigas”. O resultado mostra a importância de deixar áreas queimadas na Amazônia se recuperarem, o que ajuda a estabilizar o clima local – na região do estudo, sudeste da Amazônia, a estação seca é duas semanas mais longa do que 30 anos atrás. “Poucos estudos documentaram a recuperação da floresta após distúrbios múltiplos, o que ajuda a prever as trajetórias das funções florestais no futuro”, diz a cientista Susan Trumbore, do Instituto Max Planck de Biogeoquímica, coautora da pesquisa. O pesquisador brasileiro alerta para a necessidade de se acompanhar as áreas queimadas por mais tempo, para saber se elas vão se recuperar totalmente ou se a vegetação será um híbrido de floresta com gramíneas – o que, por sua vez, deixa a área mais suscetível a novos incêndios. Na Amazônia, o fogo ocorre naturalmente em determinada área a cada 500 anos, no mínimo. Porém, hoje algumas regiões queimam anualmente ou com poucos anos de diferença, devido à ação humana. O desmatamento e as queimadas são a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa no Brasil, o que intensifica as mudanças climáticas.

19 de julho, 2019
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PETRÓLEO
Recuperação de solos no Nordeste

Uma parceria entre pesquisadores da Embrapa, Petrobras e com a participação da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) desenvolveu metodologia para o crescimento rápido de espécies arbóreas e arbustivas em áreas degradadas pelas atividades de exploração de petróleo e gás natural. A base é uma tecnologia já utilizada em áreas degradas pela mineração nas regiões Sudeste e Norte do Brasil. Os cientistas pretendem agora capacitar técnicos para atuar na recuperação de áreas degradadas a fim de que retomem a vegetação nativa ou sejam destinadas a lavouras ou pastagens. “Nos plantios feitos há doze anos, já é possível ver animais e plantas da Caatinga nativa presentes, superando inclusive um dos maiores períodos de seca na região, entre 2012 e 2017”, atesta Alexander Resende, pesquisador da Embrapa Agrobiologia (RJ). Os solos das áreas de exploração de petróleo no Nordeste são muito pedregosos e têm baixo teor de matéria orgânica. Outro problema é a escassez de chuvas na Caatinga. Por esse motivo, foi necessário buscar espécies capazes de se adaptar a esse sistema. A técnica desenvolvida pela Embrapa utiliza principalmente espécies da família das leguminosas que, inoculadas com bactérias e fungos, adquirem maior resistência e conseguem crescer em meio ao solo degradado pela exploração do petróleo. Os pesquisadores da Embrapa e da Petrobras introduziram novas ferramentas no monitoramento das áreas revegetadas, como o uso de drones para tirar fotos e avaliar como as plantas estão crescendo e ocupando o solo. “O objetivo, nesse caso, é ver a velocidade com que as plantas cobrem o solo e a taxa de variação entre o período de seca e de chuva”, revela o pesquisador da Embrapa, Alexander Resende. A área pesquisada é toda monitorada para acompanhar o desenvolvimento e sobrevivência das espécies introduzidas desde os primeiros anos do estudo, ver o efeito desses plantios no recrutamento natural de novas espécies e na recuperação do substrato dos ambientes degradados. São 191 hectares em processo de recuperação e cerca de 200 mil mudas plantadas. Segundo os pesquisadores, foram testadas várias espécies e formas de plantio. As juremas preta e branca, assim como o sabiá, são exemplos de algumas plantas que se adaptaram bem às jazidas. As áreas recuperadas tinham características bem peculiares, pois se tratavam de jazidas de extração de piçarra (material utilizado em embasamento das construções civil e de petróleo, similar ao saibro) e poços de petróleo em terra. Os pesquisadores também estudaram a viabilidade de plantios em períodos secos, assim como a avaliação de métodos que aumentem a retenção de água no solo. A Embrapa utilizou estratégias para preservar a umidade do solo no pós-plantio, como a adição de palha de carnaúba, o uso de mudas com raízes alongadas e de condicionadores de umidade do solo como esterco e hidrogel. “Já temos plantas, como a orelha-de-macaco e a jurema, com mais de três metros de altura em menos de dois anos de plantio, o que é um resultado excelente para as condições em que estamos trabalhando”, comemora o pesquisador da Embrapa, Guilherme Chaer. O gerente de Meio Ambiente do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), Frederico Machado, explica que o objetivo inicial era reduzir o tempo e diminuir os custos da recuperação das áreas de exploração e produção de petróleo e gás natural no Nordeste. Mas a parceria entre os pesquisadores das duas estatais deu tão certo que o resultado pode ser levado para outras regiões. “Apesar das especificidades do bioma, acredita-se que algumas técnicas poderão ser utilizadas em outras unidades operacionais da companhia”, revela Machado. Na área usada pela pesquisa, os cientistas pretendem criar uma espécie de vitrine de tecnologias para capacitação de técnicos e agricultores. “Queremos demonstrar que é possível dar uso econômico a essas áreas em processo de recuperação”, informa Chaer. A ideia é utilizar as técnicas de revegetação para restaurar o meio ambiente no bioma Caatinga e também introduzir sistemas de produção sustentáveis como, por exemplo, silvipastoris e agroflorestais. Nas áreas de jazidas de extração de piçarra toda a camada superficial do solo, rica em nutrientes, matéria orgânica, sementes e fauna foi retirada para se obter a piçarra, material utilizado em embasamento das construções civil e de petróleo, similar ao saibro. Isso deixa o solo praticamente sem vida, com crateras que podem chegar a alguns metros de profundidade. Em um cenário de extrema alteração no ecossistema, os pesquisadores precisaram proceder à ordenação da paisagem, direcionando a água proveniente de chuvas para pontos específicos, de forma a concentrá-la e criar "barrajonas", grandes reservatórios de água que possibilitam a dessedentação animal, por exemplo. Nessas áreas de poços de petróleo em terra são abertas áreas e retirado o solo superficial (que será utilizado para recuperação de antigas áreas degradadas). Nesses locais, visando permitir que a sonda de perfuração trabalhe, é adicionada a piçarra, que após compactação permite a entrada da sonda no novo poço petrolífero. Esse material também é utilizado em estradas de acesso para esses poços. Após o encerramento da produção de petróleo, essa área também precisa ser revegetada.

15 de abril, 2019
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FLORESTAS TROPICAIS
Estoques de carbono e biodiversidade

Um estudo publicado na Nature Climate Change mostra que a conservação com foco somente no carbono nas florestas tropicais, como é o caso da Amazônia, pode levar à perda de até 75% da biodiversidade desses biomas. O trabalho foi realizado pela Embrapa Amazônia Oriental, do Pará, e pelo Centro de Meio Ambiente da Universidade de Lancaster, do Reino Unido, e partiu da seguinte questão: as medidas de proteção ao carbono nas florestas tropicais também garantem a sobrevivência das espécies de plantas e animais nesses locais? Os pesquisadores descobriram que os investimentos com intuito de evitar perdas de carbono nessas florestas tropicais são menos eficazes para a biodiversidade nas florestas de maior valor ecológico. Isto significa que a floresta tropical não terá sua riqueza de espécies preservadas, enquanto se considerar somente os estoques de carbono. “Proteger os estoques de carbono das florestas tropicais deve permanecer um objetivo central em políticas de conservação e restauração florestal. No entanto, para garantir a manutenção da riqueza de espécies dessas áreas, a biodiversidade precisa ser tratada também como foco central desses esforços”, alerta a pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, uma das autoras principais do artigo. Para chegar a tal conclusão os pesquisadores realizaram medições durante 18 meses sobre o conteúdo de carbono e a variedade de espécies de plantas, pássaros e besouros em 234 áreas nos municípios paraenses de Santarém e Paragominas. Foram analisados quatro tipos de florestas: primária com pouquíssima ou nenhuma intervenção humana; floresta com extração madeireira; floresta com extração madeireira e queima; e floresta secundária, aquelas que já passaram por intervenções e estão em processo de recuperação.

28 de julho, 2018
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Filamentos mostram impactos na Floresta Amazônica

Para mensurar os efeitos do aumento da temperatura global sobre a floresta, cientistas do Instituto Mamirauá, em parceria com a Universidade de São Paulo, estão analisando os filamentos dos troncos de três espécies de árvores na Floresta Amazônica. "O que já sabemos é que o aumento da temperatura média do planeta é fruto da alta concentração de gases produzidos pelo homem. Por meio dos anéis de crescimento, temos a oportunidade de entender este fenômeno e ter mais informações sobre estas oscilações e seus efeitos sobre a floresta e as espécies que ocorrem lá", afirma o pesquisador Claudio Anholetto, do Instituto Mamirauá. Algumas árvores formam anéis de crescimento ano a ano e os círculos carregam uma série de informações sobre as espécies. É possível decifrar a idade de uma árvore e até as condições climáticas do ambiente em cada ano de vida da espécie estudada. A partir da análise estatística realizada com a utilização de softwares, os pesquisadores conseguem interpretar parte do histórico da árvore e relacionar as informações encontradas com os eventos climáticos, já registrados por pesquisadores em várias regiões do mundo. As três espécies escolhidas para o estudo foram a Seringa Barriguda (Hevea spruceana), o Mututi (Pterocarpus sp.) e o Arapari (Macrolobium acaciifolium), tradicionalmente encontradas na Amazônia. As coletas foram feitas na Reserva Mamirauá por meio de um trado, instrumento de aço em forma de T, que possui uma hélice cortante em sua ponta. O material será analisado no Laboratório de Anatomia, Identificação e Densitometria de Raios X da USP. Para garantir a confiabilidade das informações, são coletadas amostras em uma série de árvores. A partir dos padrões encontrados, a informação sobre o clima ao qual as árvores estavam submetidas em determinado espaço de tempo é filtrada. Para obter as informações a partir dos anéis de crescimento, são utilizados softwares de análise estatística. O pesquisador explica que os programas sincronizam as informações das amostras e retiram as tendências biológicas de crescimento, relacionadas às fases de vida das árvores. Cada medida de largura de anéis de crescimento é convertida em índices, e as variações de crescimento são comparadas com a média de crescimento de todas as árvores. Como resultado do aumento da temperatura do planeta, decorrente da alta emissão de gases de efeito estufa, o pesquisador destaca que os eventos extremos de seca ou de cheia na Amazônia devem ficar mais frequentes até o final do século. "Os desmatamentos já produzem um clima mais quente e seco na região. Isto, aliado à elevação da temperatura relacionado às mudanças climáticas globais, aumentaria o risco de incêndios florestais", diz. Os resultados do estudo com os anéis de crescimento das árvores também podem subsidiar estratégias com foco em políticas públicas para o Manejo Florestal Comunitário, por exemplo, com o estabelecimento do ciclo de corte, que é o período de repouso necessário para a recuperação da floresta, antes de um novo corte. E também a idade técnica de corte, que seria o diâmetro mínimo da árvore para a exploração.

24 de fevereiro, 2017
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CONSERVAÇÃO AMBIENTAL
É possível recuperar 12 milhões de hectares de floresta até 2030?

Por Tiago Egydio * Após a COP22, em Marrakesh, em novembro de 2016, e pouco mais de um ano do novo acordo climático global, firmado na COP21, em Paris, em dezembro de 2015, o mundo discute os meios para se alcançar as metas para reduzir as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEEs) e, consequentemente, evitar o aumento da temperatura da Terra. Dentre os compromissos assinados pelo Brasil, a conservação ambiental foi um dos pontos de destaque, uma vez que o País pretende zerar o desmatamento ilegal na Amazônia Legal e restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. Mas, isso é possível? Quais são os gargalos que precisam ser resolvidos? Área não vai faltar. Avaliações preliminares indicam que se fossemos restaurar as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RL) que estão em situação de irregularidade, perante o novo Código Florestal, existiriam cerca de 21 milhões de hectares para restauração. Além disto, o Brasil ainda poderia converter milhões de hectares de pastos degradados em áreas de agricultura ou em florestas produtivas. Este processo não inviabilizaria o agronegócio brasileiro, como mostra um estudo publicado recentemente no livro “Mudanças no Código Florestal Brasileiro: desafios para a implementação da nova lei”, do IPEA. Em um universo de 7.200 propriedades rurais, totalizando mais de 2,2 milhões de hectares na Amazônia e Mata Atlântica, foi possível notar que a necessidade de regularização ambiental, em sua maior parte, não ultrapassou 5% da área total da propriedade na Mata Atlântica e menos de 2% na Amazônia. Em alguns casos, foi possível observar que havia propriedades com atividade agrícola em área de baixa aptidão que superavam em percentual o total necessário para regularização. Agora, se pararmos para pensar no mercado de restauração florestal e como ele pode atender esta demanda para cumprir a meta a tempo, alguns gargalos precisam ser sanados. Um exemplo é a silvicultura brasileira iniciada na década de 1970 e que possui hoje cerca de oito milhões de hectares. Portanto, para cumprir as metas de restauração assumidas na COP21, estamos propondo ter uma área 1,5 vezes maior que o total de silvicultura, porém em um terço do tempo. Além disso, nos últimos anos a demanda de restauração teve altos e baixos, o que não contribuiu para a existência de uma cadeia de valor da restauração com condições de atuar em larga escala em todos os estados brasileiros. Apesar do incentivo na manutenção da cobertura vegetal nas margens dos córregos, rios e nascentes, a maior parte dos 300 mil hectares de áreas restauradas no Brasil deu-se por uma demanda legal e cumprimento de Termos de Ajustes de Conduta (TAC) e de Termos de Compromisso de Restauração Ambiental (TCRA). Dessa forma, temos alguns núcleos bem estruturados para atender a uma elevada demanda de restauração e outros ainda com carências de mão de obra qualificada. Também há falta de equipe de órgãos governamentais estruturada para monitorar as iniciativas existentes e que ocorrerão com as demandas de restauração criadas pelo novo Código Florestal. Demanda esta desalinhada com os instrumentos de operacionalização da lei – o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA) – que foram flexibilizados em seus prazos de execução. Este cenário pode enfraquecer a legislação, por fomentar no produtor rural um sentimento de inoperância e de falta de fiscalização do cumprimento da lei e, consequentemente, a mesma pode não ter o impacto positivo na restauração inicialmente previsto. Com tudo isso, não se sabe ao certo quanto custará restaurar esta quantidade de área, pela falta de informação da área real a ser restaurada e até pelas novas tecnologias que podem surgir com o aumento na demanda, tornando o processo mais eficaz. Ou seja, os custos praticados atualmente podem não ser a realidade num curto espaço de tempo. Além disso, segundo a conclusão da COP22, fundos podem ser criados para apoiar programas em países em desenvolvimento para atividades de restauração. Precisamos agir, pois o não cumprimento das metas de restauração tem consequências no âmbito ambiental, por reduzir a disponibilidade de água doce, serviços de purificação do ar e da água, regulação do clima regional, entre outros. Estima-se que, se cumpridos, os 12 milhões de hectares podem neutralizar a emissão de 4,5 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, o que corresponde a quatro anos de emissões do Brasil. São valiosos os ganhos caso cumpramos a meta, que vão além da esfera ambiental, mas que impactam as esferas econômicas e sociais também. Se nada for feito, impactos drásticos podem afetar diversos setores da economia, como a agricultura, a energia, os seguros, entre outros. Além de desencadear migrações em massa, impactos na saúde e mudanças no espaço físico dos continentes, fruto da elevação do nível do mar. As mudanças climáticas em curso já geraram altos custos a diversos países. O estudo “Economia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades” prevê somente ao agronegócio perdas entre 719 bilhões e 3,6 trilhões de reais até 2050, em consequência direta das mudanças climáticas. Em outras palavras, o custo para mitigar o avanço do aquecimento global é bem inferior ao que custará para remediar seus impactos. De certo será necessária uma ruptura de paradigma para a promoção dos desafios futuros de desenvolvimento, com investimentos que auxiliem a manutenção e melhoria da biodiversidade. A decisão do que queremos como cidadãos do mundo está em nossas mãos * Tiago Egydio é consultor em Conservação Ambiental da Fundação Espaço ECO

20 de fevereiro, 2017