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SÃO PAULO

Seminário destaca avanços e desafios nas bacias do Rio Pinheiros e Tietê

Seminário destaca avanços e desafios nas bacias do Rio Pinheiros e Tietê

Com universalização do esgoto no Pinheiros e metas ambiciosas no Tietê, programa público e privado mostra que investir em água e esgoto é investir em saúde, educação e valorização urbana

O seminário “Saneamento como vetor de transformação: da Bacia do Rio Pinheiros ao Programa Integra Tietê”, promovido na Fundação Getúlio Vargas (FGV), pela SEMIL, Sabesp e Instituto Trata Brasil, reuniu especialistas e representantes do setor para discutir o papel estratégico do saneamento básico na promoção da saúde, educação e desenvolvimento urbano. O evento destacou como o avanço da infraestrutura de água e esgoto pode gerar impactos socioeconômicos profundos e duradouros para a população.

Durante o encontro, Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, reforçou que o saneamento básico não deve ser tratado apenas como uma política de infraestrutura, mas como uma política pública essencial à garantia de direitos fundamentais. “Os investimentos em saneamento impactam diretamente a saúde e a educação. A ausência de acesso adequado pode gerar doenças respiratórias, prejudicar o desempenho escolar e causar a desvalorização de imóveis, além de impactar a produtividade no trabalho”, afirmou.

Luana apresentou dados que demonstram os efeitos concretos da expansão da rede de saneamento na região da Bacia do Rio Pinheiros, onde 96,6% da população já estava conectada à rede de esgoto em 2022, atingindo um índice de universalização que supera as médias estadual e nacional. Entre os anos de 2000 e 2022, a expansão do saneamento nessa região gerou R$ 7,9 bilhões em benefícios diretos à população, segundo estudo do Trata Brasil.

A análise aponta ainda que, apenas no âmbito do Programa Novo Rio Pinheiros, os ganhos potenciais incluem economia de R$ 107,8 milhões em custos com saúde e aumento de R$ 350,9 milhões na produtividade da força de trabalho, totalizando mais de R$ 1 bilhão em benefícios consolidados. Esses dados estão disponíveis no site oficial do Trata Brasil.

Contudo, os ganhos sociais vêm acompanhados de desafios financeiros. Luana destacou os custos com obras de expansão de redes, construção de estações de tratamento e o consequente aumento das despesas das famílias com os serviços. Ainda assim, reforçou que o balanço é positivo: “Benefícios menos custos ainda resulta em um saldo expressivo para a sociedade”.

Complementando a discussão, Ester Feche, diretora de serviços de água e esgoto na SEMIL, apresentou o Programa Integra Tietê, que prevê investimentos de R$ 15,3 bilhões até 2026, e que devem ultrapassar R$ 23,5 bilhões até 2029. O programa busca ampliar a cobertura e eficiência do saneamento básico, promover o desassoreamento do Rio Tietê e melhorar a qualidade da água, além de recuperar a fauna e a flora do entorno.

Ester enfatizou que o Integra Tietê representa uma articulação robusta entre governo, iniciativa privada e sociedade civil, essencial para a transformação sustentável da região. Um dos destaques do programa é o investimento de R$ 3,4 bilhões até 2029 para melhorar a vazão do rio e mitigar enchentes, com a meta de remover 17,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos do leito do Tietê e seus afluentes.

O seminário evidenciou que os investimentos em saneamento são, acima de tudo, investimentos em qualidade de vida. Com base nos resultados já alcançados na Bacia do Rio Pinheiros e nas perspectivas traçadas pelo Integra Tietê, os participantes reforçaram a importância de garantir continuidade às ações e à articulação entre os diferentes setores envolvidos.

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5 de outubro, 2015