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9o. ENA debate o saneamento como pilar para um Brasil mais justo

9o. ENA debate o saneamento como pilar para um Brasil mais justo

Evento em São Paulo marca avanços em parcerias e discussões estratégicas para a gestão hídrica

No dia 12 de novembro, a cidade de São Paulo foi palco do 9º Encontro Nacional das Águas, um evento de relevância para o setor de recursos hídricos no Brasil. A edição de 2024 reuniu especialistas, representantes de entidades públicas e privadas e a sociedade civil para discutir soluções inovadoras e promover o diálogo em torno da gestão sustentável da água e do saneamento. Entre os principais destaques, esteve o painel “Saneamento para um Brasil mais justo e sustentável”, que abordou os desafios da universalização e a importância das parcerias estratégicas e cooperações técnicas.

O painel enfatizou o papel fundamental da infraestrutura de água e esgoto na promoção da saúde pública e na redução das desigualdades sociais. Especialistas ressaltaram sobre a falta de acesso a serviços básicos de saneamento, que ainda afeta milhões de brasileiros, e discutiram como a implementação de políticas públicas pode transformar a realidade do País.

"É fundamental alinhar os interesses públicos e privados, certificando a segurança hídrica e o cumprimento do planejamento. Investir em saneamento e saúde impulsiona a geração de empregos. É essencial também fortalecer a governança, promovendo o saneamento em escala e a regionalização dos serviços", afirma Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo.

Durante o debate, foi destacada a importância de uma visão integrada para a gestão de recursos hídricos e a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura, tanto por parte do setor público quanto do privado. A universalização do saneamento até 2033, uma meta estabelecida pelo novo marco regulatório do setor, foi tema central, com enfoque na busca por soluções financeiramente viáveis para alcançar esse objetivo.

"Precisamos acelerar o avanço do saneamento no Brasil, garantindo acesso universal à água e à coleta de esgoto de forma correta, sustentável e acessível para todas as famílias", destaca Christianne Ferreira, diretora-executiva da ABCON SINDCON.

O evento também marcou a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica entre a ABCON SINDCON e o CREFAZ, representando um passo significativo para o desenvolvimento do setor e reafirmando o compromisso com uma sociedade mais justa e inclusiva.

Outro painel de destaque foi o que tratou dos aspectos jurídico-regulatórios da utilização de fontes alternativas de água, como reuso e gestão de recursos hídricos. A discussão focou nos desafios legais e na necessidade de regulamentação clara para incentivar o uso seguro dessas fontes, em regiões urbanas e rurais.

O debate contou com a presença de especialistas que apontaram a importância de uma legislação que equilibre a proteção ambiental com a viabilidade econômica, facilitando investimentos e parcerias. A contribuição do setor privado, por meio de concessões e parcerias público-privadas (PPPs), foi destacada como fundamental para expandir o acesso a fontes alternativas e garantir resiliência hídrica.

Segundo Mariana Campos, sócia do escritório M. Campos Law, três pontos principais foram destacados. O primeiro se refere à garantia da qualidade da água e à coleta de esgoto, aspectos essenciais para a fiscalização e controle, uma vez que o saneamento básico é uma questão de saúde pública. O segundo ponto trata da gestão dos recursos hídricos, que deve incluir investimentos e uma fiscalização eficaz para evitar o comprometimento desses recursos. Por fim, o terceiro foi a sustentabilidade econômico-financeira para os prestadores privados.

Lucilaine Medeiros, diretora da Aegea, enfatizou que, sem a devida tarifação, é inviável alcançar a universalização dos serviços, sendo imprescindível a obrigatoriedade do pagamento para assegurar a continuidade e a eficiência na prestação dos serviços.

O evento reforçou a necessidade de parcerias estratégicas para alcançar a universalização do saneamento. A colaboração entre o poder público e o setor privado tem sido vista como uma alavanca para acelerar projetos, garantir investimentos robustos e ampliar a cobertura de serviços de água e esgoto em áreas urbanas e rurais. A participação ativa das concessionárias privadas, aliada a um marco regulatório claro e eficiente, tem se mostrado essencial para enfrentar os desafios do setor.

O dia encerrou com a reafirmação do compromisso de todos os participantes com uma agenda de desenvolvimento sustentável e inclusiva. As discussões e acordos firmados durante o evento são passos importantes na direção de um futuro em que o saneamento seja um direito garantido para todos os brasileiros. (Por Luana Oliveira)

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ENA discute mais investimentos

A dois meses das eleições presidenciais e considerando este momento como “crucial” para o saneamento brasileiro, o Sindcon (Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto), com o apoio da Abcon (Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto), realizou em São Paulo a 7ª edição do ENA – Encontro Nacional das Águas, com a temática “#SomosMais Saneamento”. A campanha foi criada em março passado, durante o 8º Fórum Mundial das Águas, realizado em Brasília, “para engajar a sociedade ao tema e também gerar a carta de demandas entregue a todos os candidatos à Presidência da República”, disse Alexandre Lopes, presidente do Sindcon, salientando que “saneamento básico é um direito humano” e que “o Brasil tem compromisso com a área, firmado nas metas do Plansab”. Durante o painel de abertura, mediado pelo jornalista Ricardo Boechat, os representantes dos programas de governo do PT (Miriam Belchior), do PSDB (Jerson Kelman) e da REDE (João Paulo Capobianco), apresentaram as propostas para o saneamento dentro dos programas de governo de seus candidatos. A posição foi unânime: o saneamento será prioridade e todos ressaltaram a importante e necessária parceria com a iniciativa privada como forma de elevar os índices de cobertura de água e de esgoto no País. Kelman (PSDB) destacou o potencial das empresas privadas em relação aos investimentos necessários e os bons modelos de gestão verificados no setor; para Capobianco (REDE), os municípios deveriam receber capacitação para tratar o saneamento como prioridade, além do apoio do Governo Federal para a elaboração de seus planos municipais; e Miriam Belchior (PT) ressaltou a necessidade urgente de aumento de investimentos em infraestrutura, inclusive em saneamento, o que somente será possível através das parcerias com o setor privado. Paralelamente, Miriam Belchior ainda lembrou outro aspecto importante, que é a questão da gestão dos recursos hídricos: “cuidar das bacias hidrográficas também se insere no contexto mais amplo de saneamento básico, na medida em que precisamos ter água”. Outro assunto que dominou os debates do 7º ENA foi a Medida Provisória 844/2018, amplamente detalhada pela assessora especial da Casa Civil Martha Seillier. Entre as principais modificações propostas na MP 844 estão a melhoria dos níveis de atendimento de saneamento no Brasil visando à universalização dos serviços, o fortalecimento e a uniformização da regulação do setor através com diretrizes a serem ditadas pela ANA, além da criação do Comitê Interministerial de Saneamento Básico – CISB e estímulos de capacitação no setor. Adailton Ferreira Trindade, secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, acrescentou que o Ministério deseja a inclusão no sistema de todos os brasileiros que ainda não contam com serviços de saneamento, “tendo ciência de que não existe solução simples ou milagrosa para isso”. Para ele, porém, a MP vai ao encontro desse desejo, na medida em que “integra políticas referentes à área, estabelece a criação de um comitê interministerial e ainda busca simplificar bastante os processos de investimentos e financiamentos necessários”. Roberto Tavares, presidente da Aesbe, estabeleceu contraponto para o painel ao apontar aspectos que ele considera inadequados na MP: “seria importante a centralização dos recursos voltados ao saneamento no Ministério das Cidades, e não como ocorre hoje, em que há uma infinidade de atores diferentes se relacionando com esses recursos”. Representando a posição do Sindcon, Carlos Henrique da Cruz Lima, diretor da entidade, afirmou que a MP abre possibilidades para atrair novos investimentos e empresas, que, “com segurança jurídica, poderão ajudar a realizar a transformação no saneamento básico brasileiro”. Para ele, o estímulo à promoção de chamamentos públicos abertos ao setor privado, na renovação de contratos – o polêmico artigo 10-A, cumpre o papel de aproximar a iniciativa privada para atuar em parceria com os entes públicos. “Nos últimos cinco anos, a iniciativa privada foi responsável por 20% do total de investimentos na área, mesmo atuando em somente 6% dos municípios do Brasil”, acrescentou Lima.

17 de agosto, 2018