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SANEAMENTO

ABCON SINDCON debate cinco anos de Marco Legal

ABCON SINDCON debate cinco anos de Marco Legal

Ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que o setor público e o setor privado precisam unir os investimentos para que o Brasil alcance as metas de universalização previstas no Marco Legal do Saneamento.

No encerramento do evento Conexões Saneamento, realizado pela ABCON SINDCON no dia 26 de agosto, o ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que o setor público e o setor privado precisam unir os investimentos para que o Brasil alcance as metas de universalização previstas no Marco Legal do Saneamento. “Investir em saneamento é investir em resiliência climática. O saneamento é infraestrutura invisível com resultados visíveis. Não se trata de cooperação com o setor, mas de uma cooperação com uma causa nacional. O Brasil não pode mais esperar”. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também participou do encontro e afirmou que todos saem com a certeza de que o Marco foi um divisor de águas no nosso país, mas que o caminho ainda é longo para chegarmos aonde o Brasil precisa. “O Supremo vai fazer o que estiver ao seu alcance para garantir segurança jurídica e acelerar a chegada do saneamento a cada casa brasileira. O acesso ao saneamento vai possibilitar uma transformação de vidas”, declarou o magistrado.

Ao lembrar as dificuldades do setor que impactam a saúde pública brasileira, o ministro do STF destacou as inovações trazidas com a decisão do Supremo sobre titularidade, no caminho que avançou posteriormente pela Lei 14.026/20, para tirar milhões de brasileiros da privação do acesso à água encanada e ao esgotamento sanitário. “A universalização dos serviços de saneamento básico são direitos indispensáveis”. Barbalho comentou que o Marco Legal do Saneamento foi uma das reformas mais importantes e estruturantes do Estado Brasileiro nos últimos anos. “Falar de saneamento é falar de dignidade, de saúde e de qualidade de vida. Passamos a ter metas claras com a aprovação da lei que quer garantir a universalização do acesso a água e tratamento de esgoto para milhares de brasileiros”, disse.

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Antonio Anastasia, participou do painel PPPs e Concessões - Estruturação sob Novas Regras, mediado por Andréa Häggstrãm, diretora de Relações Institucionais na Aegea. Segundo o ministro Anastasia, o TCU reconhece que a mutabilidade dos contratos administrativos têm que ser objeto de uma atenção especial, principalmente naquelas que demandam investimentos de longo prazo, como os que são exigidos no saneamento. “É importante reconhecer que há uma mudança de patamar, que ajustes precisam acontecer porque a realidade se sobrepõe e isso vai trazer segurança jurídica”, declarou Anastasia. Para o senador Alan Rick (União Brasil/AC) houve avanços a partir da aprovação do Marco Legal do Saneamento, mas a região Norte vive uma realidade complexa, preservada pelos vetos à Lei 15.190/25, que trata do Licenciamento Ambiental. Tais vetos, segundo ele, prejudicam o setor. “Os processos de licenciamento para obras de saneamento precisam ser simplificados. Precisamos construir um diálogo com o governo federal para derrubar o veto na Lei de Licenciamento. Esse é o nosso apelo para garantir que todos tenham acesso ao saneamento”, reforçou.

O relator do PL de Concessões aprovado na Câmara dos Deputados, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), disse que o Brasil tem muito a comemorar após cinco anos. “A nova Lei de Concessões e PPPs, que já foi aprovada na Câmara e está no Senado, vai ajudar a regular o saneamento. Nós estabelecemos o reequilíbrio cautelar de contrato; previmos possibilidade de aportes de recursos públicos em concessões; temos determinação para homologação de ajustes tarifários; vamos estabelecer contas vinculadas; defendemos as agências reguladoras que é algo indispensável para que as concessões aconteçam e que os investimentos venham”, avalia o parlamentar paulista, enquanto o advogado Marçal Justen defendeu que as licitações sejam simplificadas. “Não se cria segurança jurídica com mais leis, se garante isso com um envolvimento de todos e, principalmente, fortalecendo as agências reguladoras”, avaliou.

Procuradores e advogados enfatizaram que segurança jurídica e previsibilidade trarão conquistas relacionadas às concessões dos serviços essenciais para os brasileiros. O procurador-chefe da Agência Nacional de Águas (ANA), Davi Pereira Alves, afirmou que o órgão tem a missão de zelar, mediar e arbitrar conflitos. “O Ministério está fazendo a revisão do decreto 7217, que regulamenta a lei do Saneamento Básico, colhendo o que é fundamental para o setor. A pasta também entende que precisa atuar junto com estados e municípios para que o país alcance a universalização do serviço de saneamento básico”, afirmou Fernanda Rodrigues de Morais, consultora jurídica do Ministério das Cidades. Já Marcus Vinícius Barbosa, procurador-geral da AGENERSA, afirmou que a agência fluminense precisou ser reformulada, ampliada e modernizada a partir do Marco Legal. “Existe um equilíbrio dinâmico entre regulação, arbitragem e prevenção de conflitos”, defende.

Carlos Roberto, diretor da ARES PCJ, afirmou que quase a totalidade dos contratos regulatórios têm problemas arbitrais. “Nossa preocupação é que temas de conteúdo regulatórios são temas meritórios que pedem a deferência de um órgão regulador”, declarou o diretor da agência paulista. O painel contou com a moderação do advogado Bruno Calfat.

No quinto painel do dia no Conexões Saneamento, mediado por Marilene Ramos, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Águas do Brasil, os especialistas debateram o financiamento sustentável no saneamento e os desafios e oportunidades. Na pauta, passaram os incentivos a debêntures de infraestrutura, em discussão no Congresso Nacional. Marcelo Girão, diretor executivo e head de Project Finance no Banco Itaú BBA, afirmou que o mercado de crédito ao setor de saneamento tem muito espaço para crescer. “Debêntures do saneamento básico já deviam nascer com selo ambiental. As debêntures incentivadas têm sido importantes para novas linhas de financiamento e alertou que a MP 1303 vai ser prejudicial para os bancos e vai impactar nos investimentos do BNDES”, disse. Para o superintendente de infraestrutura do BNDES, Felipe Borim, abordou os desafios do setor. “Precisamos pensar na gestão dos contratos e encontrar soluções. Falando dos instrumentos de financiamento, debêntures são o grande guarda-chuva, mas temos procurado trazer outros financiamentos. Estamos conseguindo financiar alguns projetos de resíduos sólidos com novos tipos de financiamento como o Fundo Clima, o Ecoinvest, os bancos públicos federais e o mercado de capitais”, explicou.

Fernando Camacho, Sênior Investment Officer no IFC, ligado ao Banco Mundial, destacou os investimentos do setor de saneamento, especialmente em regiões que não tinham avanços na área. “Tivemos muitos aprendizados, a regulação é viva e dinâmica e teremos ainda muitos avanços nesse aspecto. O momento que o setor vive é muito positivo”. Já André Oliveira de Araújo, Assessor Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Casa Civil, abordou a questão dos resíduos sólidos. “Nós estamos caminhando rápido para a universalização de atendimento de água e esgoto, mas estamos a passos lentos para resolver a questão dos resíduos sólidos”. Ao participar do painel sobre os cinco anos do Marco Legal do Saneamento, Marília Carvalho, Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, defendeu que os vetos à lei do Licenciamento precisam ser revistos para o setor de saneamento. “O Estado tem uma lei de licenciamento simplificado, com prazos adequados que permitem avançar. Temos um olhar mais moderno sem perder qualidade e critérios no licenciamento”. Nazareno Marques, Diretor Interino da ANA, comentou sobre a importância de aplicar de forma sustentável o equilíbrio econômico financeiro. O CEO da Sabesp, Carlos Piani, afirmou que há um aquecimento no setor de infraestrutura, em especial no setor de saneamento. “Estamos numa cadência de R$ 14,5 bilhões por ano, o que nos deixa confortáveis para bater as metas de universalização. A Sabesp deve crescer para outros estados, pois já é uma referência, com experiências ricas e profundas em diversas áreas”.

Para Paulo Roberto de Oliveira, CEO da GS Inima, há pontos de cuidado que devem ser observados à luz da expansão do setor. Segundo ele, o boom de investimentos encarece toda a cadeia. “Precisamos fazer ajustes no orçamento, principalmente no momento da execução”. A mão de obra qualificada na área de operação é outro ponto crítico que merece atenção. “Temos fornecedores bons, mas esbarramos na escassez de mão de obra para tantas operações”. As peculiaridades de Minas Gerais foram apontadas por Fernando Passalio, Presidente da COPASA. “É um estado muito heterogêneo. O Bloco Regional do Saneamento Jequitinhonha, composto por 96 municípios, deve contar com uma Parceria Público Privada (PPP) em um edital que será lançado ainda em 2025”. O moderador do painel foi o jornalista Daniel Rittner, diretor de Jornalismo da CNN em Brasília.

O evento teve os patrocínios de Aegea, GS Inima Brasil, Itaú, Lauro Rabha Advogados, Grupo Águas do Brasil, Sabesp, Copasa, Acciona, BF Capital, Vernalha Pereira Advogados, Associação Brasileira das Agências Reguladoras (ABAR), Justen, Pereira e Talamini Advogados, Manesco Advogados e Tigre, além do apoio institucional do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa; Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base; Câmara de Comércio Brasil - Canadá e Instituto de Engenharia. A agência INFRA foi media partner do evento e a Fariello Comunicação, a organizadora.

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Novo Marco Regulatório sem consenso

Para debater sobre as propostas do Novo Marco Regulatório do Saneamento Básico, o Departamento de Infraestrutura da Divisão de Saneamento Básico da Fiesp reuniu em sua sede, no dia 13 de junho, representantes das principais entidades do setor, como Roberto Tavares, presidente da Aesbe (Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento Básico), Giuliano Dragone, diretor do Sindcon (Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto), Carlos Fernandes, presidente da Abetre (Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes), e Luiz Antônio de Oliveira Júnior, especialista em Regulação e Fiscalização de Serviços Públicos da ABAR (Associação Brasileira das Agências de Regulação). Abrindo os trabalhos, João Jorge, diretor da Divisão de Saneamento Básico da Fiesp, lembrou que o Marco Regulatório do Saneamento, através de Lei Federal 11.445/07, juntamente com a Lei das Concessões, propiciou grandes avanços na infraestrutura de saneamento do País e que após 11 anos de sua promulgação alguns ajustes se fazem necessários especialmente para atingir a universalização dos serviços, prevista inicialmente para um prazo de 20 anos – “mas, antes de 2053, isso não será possível. Teremos que repensar esse planejamento num horizonte razoável, que acredito ser ao redor de mais 20 anos”. Quantos aos desafios, João Jorge listou, além do capital necessário para fazer essa ampliação, a própria execução das obras, referindo-se especificamente à implantação de cerca de 200 mil quilômetros de redes de esgoto e que “hoje não temos fornecedores para esse porte de fornecimento no prazo previsto”. Considerando o tamanho do desafio e o quanto custa para a sociedade não ter os serviços de saneamento, João Jorge insistiu que “mais do que nunca se faz necessária a atuação conjunta de todos os atores – os serviços municipais, estaduais e os concessionários privados”. Roberto Tavares, presidente da Aesbe, salientou que o saneamento sempre foi um serviço relegado “a 5º plano no Brasil” e que o processo de construção do novo marco regulatório não foi “participativo e transparente”. Em sua análise, o primeiro ponto a se discutir é qual o papel da nova minuta: “se abrir mercado ou universalizar os serviços”. E, sob essa ótica, Tavares acredita que o maior desafio é realmente a universalização num país de dimensões continentais com realidades distintas, colocando de fato o serviço disponível para quem ainda não o tem, o que dependerá da “união dos setores público e privado”. Giuliano Dragone concorda que o setor deve estar unido para resolver o problema e destacou como papel do Órgão Federal o cumprimento das políticas públicas, o incentivo à eficiência na prestação dos serviços, além da garantia de estabilidade e equilíbrio entre Poder Concedente / Prestador de Serviço / Usuário. Entretanto, o setor ainda enfrenta problemas relacionados ao número elevado de agências reguladoras, estruturas precárias, insuficiência de recursos e falta de capacitação de pessoal, “fatos que resultam em uma regulação deficiente e grande insegurança jurídica, que impedem a maior entrada do capital privado no setor”. Para Dragone, a Agência Nacional de Águas (ANA) deveria assumir o papel de responsável pela instituição de normas de referências nacionais para a regulação no setor, o que traria como benefício a segurança jurídica com a padronização dos procedimentos regulatórios e diminuiria a interferência do Estado na autonomia das Agências Reguladoras. Na opinião de Carlos Fernandes, presidente da Abetre, os resíduos sólidos foram colocados “de carona” na Lei 11.445/07 e destacou que o setor não tem “o problema do privado versus o público que se verifica nas áreas de água e esgoto”, ressaltando ainda “que as características específicas do setor são diferentes daquelas do saneamento: no caso dos resíduos sólidos essas garantias não existem, uma vez que o cidadão não paga pela destinação do lixo. A decisão de implantação de um aterro é sempre do empresário e quase sempre não há nenhuma garantia e nem contrato com as prefeituras”. Hoje na RMSP existem sete aterros privados que atendem a todos os municípios e na RM de Campinas um único aterro privado recebe resíduos de quase 70 municípios. Fernandes finalizou sua apresentação reforçando que a PNRS é uma lei moderna, que demanda soluções mais sustentáveis, ambientalmente mais adequadas, “mas que não especifica quem vai pagar por essa evolução”. 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Dentro desse modelo de diversidades, a ABAR desenvolveu Câmaras Técnicas, como a CTSan (Câmara Técnica de Saneamento Básico, Recursos Hídricos e Saúde), que idealizou o Projeto Acertar com o objetivo de melhorar a qualidade das informações sobre saneamento básico e aperfeiçoar, qualificar e certificar o SNIS. O projeto é financiado pelo Banco Mundial – Interáguas (Governo Federal). No momento, todas as agências reguladoras passam por essa capacitação. Quanto à proposta de revisão do marco regulatório do saneamento, Oliveira Júnior abordou as vertentes de maior participação da iniciativa privada e do estímulo à universalização. Considerando que a regulação não pode ser um problema e sim uma solução, o representante da ABAR sustenta que a lei deve atenuar as incertezas dos investidores e incentivar a entrada de capital público e privado, além de valorizar a competitividade e a eficiência. 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15 de junho, 2018