Taxas elevadas em poços no RJ
Pesquisa da PUC-Rio detecta urânio em concentrações até 31 vezes acima do limite permitido em poços profundos da Região Serrana do Rio. População pode solicitar análise gratuita da água através do aplicativo "Poços da Serra".
O Departamento de Química do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio) desenvolveu o projeto “Poços da Serra”, com apoio do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). O estudo encontrou taxas de urânio 30 vezes mais altas do que o normal em amostras de água de poços artesianos profundos de municípios da Região Serrana do estado do Rio, como em São José do Vale do Rio Preto, Petrópolis, Teresópolis e Magé, entre outros.
Segundo os resultados obtidos, apenas os poços profundos (maiores do que 80m) apresentam esse problema. Os poços mais rasos e minas d’água não registraram taxas elevadas de urânio nas amostras de água.
Com o objetivo de conscientizar a população dessas localidades sobre a importância da contaminação, foram desenvolvidos o aplicativo “Poços da Serra” e o site www.pocosdaserra.com. Através destes canais de comunicação, a população pode se cadastrar e solicitar ao LabAguas análises grátis da água. A solicitação é válida somente para quem tiver poço(s) acima de 80m. O laboratório irá enviar, sem nenhum custo, o material necessário e todas as instruções para coleta da água e envio das amostras à PUC-Rio.
Desde 2018, o LabAguas, coordenado pelo Prof. José Marcus Godoy, avalia a radioatividade em águas subterrâneas da região. A quantidade de urânio encontrada chegou a até 930 microgramas por litro d'água, quando o limite existente na legislação brasileira, que segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde, é de apenas 30 microgramas por litro d'água. "A causa é geológica: o urânio, presente nas rochas, se dissolve na água e, por ser um metal pesado, pode causar problemas no fígado", revela Godoy.


