ENERGIA

Usina Henry Borden comemora 100 anos de operações com novidades

Usina Henry Borden comemora 100 anos de operações com novidades
Foto: Rogerio Correia/Emae

Emae destinou R$ 338 milhões à hidrelétrica de Cubatão desde 2019, prepara a modernização das unidades externas e abriu um espaço cultural com a memória do complexo de 889 MW.

Localizada no sopé da Serra do Mar, em Cubatão, a Usina Henry Borden comemorou em 10 de outubro um século desde o início das atividades em 1926. Atualmente, a usina é composta pelas casas de força externa e subterrânea, que, juntas, reúnem 14 grupos geradores, com capacidade instalada de 889 MW. As unidades utilizam turbinas Pelton, tecnologia especialmente adequada para grandes quedas d’água e vazões relativamente menores. O principal desafio hoje em dia é modernizar a estrutura da usina e prepará-la para as novas necessidades de um sistema elétrico que demanda, cada vez mais, fontes renováveis e soluções de armazenamento de energia.

Idealizado pelo engenheiro norte-americano Asa White Kenney Billings e executado pela The São Paulo Tramway, Light and Power Company Limited, o “Projeto da Serra” transformou as características geográficas da região em uma solução de engenharia de escala inédita para a época. A primeira unidade da seção externa foi inaugurada em 1926. As outras sete foram instaladas até 1950, totalizando uma potência de 469 MW. A seção subterrânea, escavada em rocha no interior da Serra do Mar, começou a operar em 1956. A caverna que abriga seis grupos geradores, com capacidade de 420 MW, tem cerca de 120 metros de comprimento, 21 metros de largura e 39 metros de altura. Em 1964, a Usina de Cubatão passou a se chamar Usina Henry Borden, em homenagem ao executivo canadense que liderou a Light por quase duas décadas.

O Projeto da Serra exigiu um complexo sistema de captação, canalização, represamento e bombeamento de água, aproveitando o desnível natural da Serra do Mar para transformar energia potencial em geração elétrica. Nas décadas seguintes, o projeto foi ampliado e envolveu a retificação e a reversão do curso do Rio Pinheiros, a formação do Reservatório Billings e a construção das usinas elevatórias Pedreira e Traição, atual Usina São Paulo. Essas estruturas foram concebidas para ampliar a disponibilidade de água para geração de energia em Henry Borden e, posteriormente, passaram a desempenhar funções importantes no controle de cheias e no sistema hídrico da Região Metropolitana de São Paulo.

A energia produzida em Cubatão teve papel importante na expansão do parque industrial da Baixada Santista e no crescimento econômico e urbano de São Paulo ao longo do século XX. Além disso, o projeto transformou a paisagem e a vida da região e reuniu trabalhadores para construir e operar o complexo que levou à formação da Vila da Usina Henry Borden, que chegou a contar com moradias, alojamentos, comércio, escola e associações comunitárias. A Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), que ficou responsável pela parte de geração de energia após a divisão da Eletropaulo – Eletricidade de São Paulo S.A, em 1998, assumiu a operação da Usina Henry Borden e desde então, investe na modernização das instalações. “Desde 2019, destinamos R$ 338 milhões à Henry Borden principalmente à atualização das unidades geradoras da usina subterrânea. O nosso próximo desafio é avançar na modernização das unidades da usina externa”, diz Rafael Strauch, Diretor-Presidente da companhia. A estratégia já produz resultados operacionais. Um deles aconteceu em junho de 2026, quando a usina alcançou 92% de disponibilidade média móvel em 60 meses, indicador que reflete o desempenho operacional acumulado ao longo de cinco anos.

Henry Borden possui capacidade de black start, ou seja, consegue reiniciar sua operação sem depender de uma fonte de energia externa, em caso de um blecaute no país. Além disso, a usina consegue elevar sua geração para 889 MW em até 15 minutos, o que permite uma resposta rápida em períodos de alta demanda do Sistema Interligado Nacional. “Ao longo de um século, a Henry Borden acompanhou as transformações do setor elétrico e segue desempenhando um papel relevante para São Paulo e para o país. Ela combina história, relevância estratégica e capacidade de resposta às necessidades do Sistema Interligado Nacional”, destaca Strauch. Como parte das comemorações do centenário, a Emae implantou, na usina, o Espaço Cultural Henry Borden, dedicado à preservação e à difusão da história local e das pessoas que ajudaram a construí-la ao longo de um século. Concebido pela Fundação Energia e Saneamento (FES) para a companhia e viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), o projeto contemplou a renovação da museografia e da expografia e transformou o antigo espaço expositivo em um ambiente contemporâneo de cultura, memória e educação. Em seus 227 metros quadrados de área, reúne conteúdos sobre patrimônio industrial, engenharia, meio ambiente e inovação tecnológica. "A nova estrutura conta com uma exposição permanente totalmente renovada, dedicada à trajetória da usina e à sua importância para o desenvolvimento industrial paulista", conta o executivo da Emae.

O projeto Usina de Memórias e Futuros que reúne depoimentos de dezenas de trabalhadores e aposentados que atuaram nessa trajetória. A experiência incorpora novos recursos tecnológicos, entre eles uma simulação em realidade virtual, que reproduz o tradicional percurso realizado no trolley de manutenção da usina. O local amplia ainda o compromisso com a inclusão, com placas e mapas táteis e audiodescrição por QR Code. "O Espaço Cultural Henry Borden transforma a memória centenária da usina em uma experiência de conhecimento, educação e valorização do patrimônio industrial. Conceber esse novo espaço foi uma oportunidade de conectar a história da energia às novas tecnologias e aproximar o público das pessoas e das histórias que fazem parte desse legado", afirma Claudinéli Moreira Ramos, Diretora Executiva da FES. A história completa da Usina Henry Borden está disponível em https://centenariohenryborden.emae.com.br/.

A história de Henry Borden mostra uma característica comum às grandes obras de infraestrutura: seu valor não está apenas no momento em que são construídas, mas na capacidade de se adaptar às necessidades de diferentes gerações. Se, no início do século XX, o desafio era gerar energia para sustentar a industrialização paulista, no século XXI a perspectiva é contribuir para um sistema elétrico mais flexível, seguro e preparado para a expansão das fontes renováveis. A mesma Serra do Mar que, há 100 anos, representou um desafio de engenharia, agora, deve voltar a ser parte da solução para as demandas energéticas das próximas décadas.

Artigos Relacionados