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FLORESTAS

Araucária deve ser extinta até 2070

Araucária deve ser extinta até 2070

Para os cientistas, apenas intervenções direcionadas podem ajudar a garantir a sobrevivência da espécie na natureza.

Dos 20 milhões de hectares da extensão original da Floresta com Araucárias, hoje restam apenas de 1 a 3%. Segundo estudo publicado na Wiley Online Library por cientistas da Universidade de Reading, no Reino Unido, a araucária (Araucaria angustifolia) deve ser totalmente extinta até 2070, como resultado da intensa e predatória exploração madeireira e do manejo inadequado das sementes. Para os cientistas, apenas intervenções direcionadas podem ajudar a garantir a sobrevivência da espécie na natureza.

No Brasil, a araucária é encontrada nos estados do Sul e em algumas regiões serranas do Sudeste. Conhecida como símbolo do Paraná, a árvore de grande porte pode atingir 50 metros de altura. Atualmente, os poucos remanescentes da espécie estão localizados em pequenas e médias propriedades rurais, que asseguram aos agricultores uma importante fatia de renda por meio da extração do pinhão (semente da Araucária) e das folhas de erva-mate, que fazem parte do ecossistema da Floresta com Araucárias.

Em 2013, as fundações Grupo Boticário de Proteção à Natureza e CERTI decidiram criar a Araucária+, que tem como objetivo impulsionar a conservação da biodiversidade, reduzindo a tendência de desmatamento e degradação desse ecossistema por meio de um modelo de valorização da Floresta com Araucárias e de desenvolvimento sustentável das comunidades associadas. Atualmente, o Araucária+ conta com mais de 50 organizações parceiras, entre empresas, institutos de Ciência e Tecnologia, investidores, poder público e cerca de 80 produtores articulados. Mais de 6,5 milhões de m² de floresta estão sendo conservados e monitorados pela iniciativa.

Foi firmada também parceria com o BNDES para a restauração ecológica e estruturação da cadeia de restauração em regiões de remanescente, visando a proteção de 2,6 milhões de m² de Floresta com Araucárias. “Nós formamos uma rede de atores que estão envolvidos, das mais variadas formas, com as cadeias produtivas não-madeireiras desta floresta e que, por falta de incentivos ou conhecimento, acabam trabalhando de forma isolada. Ao conectarmos esses atores, potencializamos os impactos de suas iniciativas. Com isso, geramos renda e conservamos a Floresta com Araucárias”, destaca Guilherme Karam, coordenador de Negócios e Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário.

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BIOMAS
Restauração da Mata Atlântica e Amazônia

As organizações ambientais CI-Brasil (Conservação Internacional), TNC-Brasil (The Nature Conservancy), WRI Brasil (World Resources Institute) e WWF-Brasil (Fundo Mundial para a Natureza) se uniram para restaurar áreas de floresta na Amazônia e Mata Atlântica até 2030. O objetivo é fornecer serviços ambientais, a captura de CO2 da atmosfera, fortalecer economias locais e promover o bem-estar humano. As florestas fornecem ar, água, alimentos e biodiversidade, além de ser o meio de vida para mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, e fundamentais para a estabilidade climática do planeta. Segundo dados do Inpe, entre agosto de 2019 e julho de 2020 o desmatamento da Amazônia cresceu 34%, com 14 meses seguidos de aumento, enquanto da Mata Atlântica restam apenas 12% remanescentes, extremamente fragmentados. "Nós só vamos aumentar a escala da restauração florestal e com isso gerar impactos positivos ambientais, climáticos, econômicos e sociais por meio de parcerias. Desde a união de esforços para apoiar a implementação desta iniciativa, junto a iniciativas regionais como a Aliança pela Restauração na Amazônia, o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, até iniciativas locais que vêm trabalhando de forma aliada à natureza para um desenvolvimento justo e sustentável", afirma Mauricio Bianco, vice-presidente da Conservação Internacional no Brasil. A aliança das organizações irá canalizar esforços inicialmente para os biomas Mata Atlântica e Amazônia. O alto potencial de regeneração natural associado a essas florestas permitirá obter resultados expressivos a custos mais baixos. "Nosso objetivo é incentivar e apoiar as iniciativas regionais e os produtores que estão fazendo a restauração acontecer, pois sabemos que a restauração é fundamental para a manutenção dos serviços ambientais, geração de emprego e renda e aumento da resiliência da agropecuária", diz Miguel Calmon, consultor sênior do programa Florestas do WRI Brasil. Segundo a aliança formada, são muitos os gargalos para se ganhar escala na restauração florestal: formação de lideranças locais, recursos financeiros, políticas públicas eficientes, o arranjo produtivo da cadeia de restauração florestal (coleta de sementes, formação de viveiros de mudas, serviços de restauração de qualidade, manutenção da restauração). A parceria propõe alcançar a escala necessária atuando coletivamente, trazendo o setor privado, o público, a sociedade civil e a academia como parceiros e co-executores de arranjos co-criados pelos diferentes atores. "A iniciativa é importante exemplo de união, em que a sociedade civil se engaja trazendo sua experiência acumulada em restauração. Assim trazemos soluções para os gargalos e ganhamos escala na restauração, seja engajando o produtor rural com modelos de viés econômico, seja fortalecendo os produtos da sociobiodiversidade por meio da bioeconomia, seja na implementação de políticas públicas mais eficientes ou com modelos financeiros que custeiam a restauração no chão", destaca Rubens Benini, gerente da Estratégia de Restauração da América Latina da TNC. A parceria determinou seis pilares essenciais para o desenvolvimento do trabalho: adoção de arranjos de governança regional; inovação em finanças; investimento em ciência e tecnologia; comunicação de resultados; apoio à formulação e implementação de políticas públicas; e promoção de acesso a mercados. As organizações acreditam ser possível alcançar a restauração dos biomas, com o aumento do impacto de soluções que promovam o bem-estar humano, o fortalecimento da economia e a redução das emissões de CO2 na atmosfera, desde que o desmatamento seja interrompido imediatamente.

30 de setembro, 2020
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FAUNA
Papagaios-de-peito-roxo ainda preocupam

Com a contribuição de pesquisadores, observadores de aves e colaboradores, o projeto Charão iniciou, em 2015, censos anuais para determinar a população total do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), uma das espécies da fauna que mais preocupa pesquisadores. Por causa da perda do seu habitat, principalmente das Florestas com Araucárias que possuem menos de 3% de sua área de cobertura original, a ave está ameaçada de extinção. O projeto Charão faz parte do Programa Nacional para a Conservação do papagaio-de-peito-roxo, que tem o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. O projeto identificou apenas 2.857 indivíduos, contemplando regiões que vão do Rio Grande do Sul até Minas Gerais, o que preocupou estudiosos da área, pela possibilidade de desaparecimento do papagaio. Porém, os censos de 2016 e 2017 revelaram um aumento significativo no número de papagaios avistados e de sua área de ocupação. No último levantamento realizado em abril e maio deste ano foram identificadas mais de quatro mil aves, sendo a maioria delas na Região Sul do Brasil, e cerca de 64% deles apenas em Santa Catarina. Foram identificados papagaios-de-peito-roxo também em Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e em países como a Argentina e o Paraguai. De acordo com Jaime Martinez, coordenador do Projeto Charão e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, a cada ano é possível chegar mais perto da atual área de distribuição geográfica do papagaio-de-peito-roxo. “O programa aproximou a participação de um grande número de pessoas e instituições ao longo do território brasileiro, onde a espécie ocorre. Nesse período, foi possível novamente estabelecer e atualizar o conhecimento sobre o tamanho de uma população que vem preocupando a todos que atuam na conservação da diversidade biológica do Brasil”, afirma Martinez. Além da coleta de dados, a estratégia de proteção da espécie incluiu instalar caixas-ninho nas florestas, enfatizar a importância da manutenção das árvores velhas e ocadas aos proprietários de terras, para auxiliar na reprodução da espécie, além de incentivar a criação de áreas naturais, principalmente na forma de RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Natural). A diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes, acrescenta que iniciativas como o Programa Nacional para a Conservação do Papagaio-de-peito-roxo são prioritárias para receber o apoio da instituição, por contribuir para a conservação da Floresta com Araucárias. “As ações desse programa estão entre as necessidades indicadas no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Papagaios da Mata Atlântica, o chamado PAN dos Papagaios, que envolve o papagaio-de-peito-roxo e outras quatro espécies de papagaios (papagaio-charão, papagaio-de-cara-roxa, papagaio-verdadeiro e chauá) – sendo que todas elas já tiveram iniciativas apoiadas pela Fundação”, destaca Malu Nunes.

20 de junho, 2017
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BIOMAS
Desertificação afeta Caatinga

O Programa de Ação Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca no Estado da Paraíba (PAE-PB) anunciou recentemente que 93,7% do território paraibano está em processo de desertificação, sendo que 58% em nível alto de degradação. A desertificação é um processo de degradação do meio ambiente que torna os solos inférteis e improdutivos. “Esse dado é alarmante e exige providências para que não se agrave. São necessárias ações assertivas em parceria com a sociedade e governos. A conservação da biodiversidade, incluindo o solo, é fundamental para a economia do País e para a sobrevivência humana. A criação e implementação de unidades de conservação, para proteger as áreas remanescentes de vegetação natural e auxiliar na regulação do clima, são essenciais para mudar esse cenário”, comenta Emerson Oliveira, coordenador de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. A Fundação apoia os diversos biomas brasileiros ao longo de seus 27 anos. Por meio do Programa de Apoio a Ações de Conservação, a Fundação participa da busca pela manutenção do solo, água, fauna e flora nacionais protegidos, evitando a sua degradação. No início do ano a organização divulgou a lista das novas iniciativas de conservação da natureza que serão apoiadas em 2017. No total, R$ 1,5 milhão está sendo investido em 18 novas iniciativas, metade delas com atuação na Caatinga. Na Caatinga, a Fundação apoia projeto como o de conservação do tatu-bola, no Piauí, e da arara-azul-de-lear, na Bahia, que visa à transformação da Estação Biológica de Canudos em Reserva Particular do Patrimônio Natural, para evitar o avanço de processos de degradação do bioma. Ações de proteção da fauna, flora e de nascentes na Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra das Almas e a proteção da área de ocorrência do soldadinho do Araripe para conservação da espécie, que está criticamente em perigo de extinção, ambos no Ceará, além de contribuir para a conservação dos restritos recursos hídricos e florestais no estado.

15 de maio, 2017
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BIOMAS
Estudo sobre renegeração da Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram avaliação inédita da regeneração da Mata Atlântica. Através do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que monitora a distribuição espacial do bioma, ficou constatada a regeneração de 219.735 hectares (ha), ou o equivalente a 2.197 km², entre 1985 e 2015, em nove dos 17 estados do bioma. A área corresponde a aproximadamente o tamanho da cidade de São Paulo. Segundo números do Atlas, o Paraná apresentou mais áreas regeneradas no período, num total de 75.612 ha, seguido de Minas Gerais (59.850 ha), Santa Catarina (24.964 ha), São Paulo (23.021 ha) e Mato Grosso do Sul (19.117 ha). O estudo da SOS Mata Atlântica e Inpe levam em consideração, principalmente, a regeneração sobre formações florestais que se apresentam em estágio inicial de vegetação nativa, ou áreas utilizadas anteriormente para pastagem e que hoje estão em estágio avançado de regeneração. Nos últimos 30 anos, houve uma redução de 83% do desmatamento do bioma. De acordo com Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, sete dos 17 estados da Mata Atlântica já apresentam nível de desmatamento zero: “Agora, o desafio é recuperar e restaurar as florestas nativas que perdemos. Embora o levantamento atual não assinale as causas da regeneração, ou seja, se ocorreu de forma natural ou decorre de iniciativas de restauração florestal, é um bom indicativo de que estamos no caminho certo”, observa Marcia. “Durante o monitoramento, constatou-se a existência de outras áreas ocupadas por comunidades de porte florestal em diversos estágios intermediários de regeneração, áreas essas que devem ser mapeadas e divulgadas em futuros estudos”, esclare Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo Inpe.

27 de janeiro, 2017
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FLORESTAS
Investir no conceito de árvores em pé ajuda a garantir a manutenção

Por Thiago Terada* No dia 21 de setembro celebramos o Dia da Árvore. Essa é uma data que sempre nos convida a refletir sobre o que estamos fazendo para proteger um de nossos maiores patrimônios naturais. Afinal, é um elemento que tem interferência direta em nossas vidas, mas que ainda sofre com a questão do desmatamento, responsável por causar o aumento dos níveis de poluentes no ar, gerar a perda de biodiversidade e interferir diretamente na falta de agua no sudeste do Brasil. Tamanha é a importância da preservação das árvores que recentemente a Universidade de Yale, de Connecticut (EUA), reuniu pesquisadores de 15 países diferentes, entre eles o Brasil, e apresentou um dos censos mais completos da história. O levantamento destaca que o planeta conta com aproximadamente 3 trilhões de árvores e que 43% delas estão em florestas tropicais, como a Amazônia, enquanto que as zonas temperadas possuem 22% e as zonas boreais frias de altas latitudes, 24%. O estudo aponta ainda que o Brasil possui 9,9% das florestas do planeta, ficando atrás apenas de Rússia (21,1%) e do Canadá (10,5%). Além disso, foi destacado que, enquanto a média global é de aproximadamente 420 árvores para cada habitante do planeta, no Brasil são cerca de 1.500 por habitante. Os números são elevados, mas ainda não podemos comemorar, pois foi constatado também que são derrubadas cerca de 15 bilhões de árvores anualmente, ao mesmo tempo em que apenas 5 bilhões de novas mudas são plantadas. Reverter esses números exige um esforço coletivo, tanto do seor público quanto do privado, para que as pessoas tenham a consciência de que necessitamos das florestas em pé para sobreviver. Manter uma árvore viva significa preservar uma fonte de riqueza que será usada por gerações, ampliar o valor do patrimônio genético e contribuir para desacelerar o aquecimento global. Avaliando a questão sob o ponto de vista econômico, a preservação das florestas pode ser estimulada pelo processo de vegetalização das formulações em substituição ao uso de matérias-primas sintéticas. Indústrias como as dos segmentos farmacêutico, cosmético, alimentício, químico e agrícola já estão investindo em parcerias com comunidades, por exemplo, da região amazônica, em prol do desenvolvimento sustentável. Elas promovem treinamentos e capacitações em manejo sustentável para mostrar que as árvores preservadas possuem recursos não madeireiros que irão garantir frutos e sementes ricos em vitaminas, com propriedades hidratantes, nutritivas e antioxidantes. Essa é uma iniciativa que garante não só a preservação das árvores, mas também um incentivo para que comunidades locais tenham uma fonte de renda ligada a preservação e uso sustentável dos recursos naturais. Ações como essa vão ao encontro do novo Marco Legal da Biodiversidade, que entra em vigor no mês de novembro e pretende tornar as regras mais claras em relação ao uso da nossa biodiversidade e promover a repartição das riquezas entre os povos, permitindo modelos de negócios cada vez mais justos e transparentes. Tudo isso nos mostra que já existe um engajamento em prol de nossas árvores. No entanto, ainda temos muito a fazer para minimizar os números do desmatamento, e a melhor forma de conquistarmos isso é por meio de ações que estimulem o respeito ao meio ambiente, o desenvolvimento social e a obtenção de lucro consciente. * Thiago Terada é Gerente de Responsabilidade Social Corporativa da Holding Sabará, que atua nos segmentos de saúde, beleza, nutrição, bioenergia, e é detentora da marca Beraca, líder global no fornecimento de ingredientes naturais provenientes da biodiversidade brasileira para as indústrias de cosméticos, produtos farmacêuticos e cuidados pessoais.

17 de setembro, 2015