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MINERAÇÃO

Aura Minerals usa efluente para tratar minério de ouro

Aura Minerals usa efluente para tratar minério de ouro

A mineradora implementou um sistema que integra o saneamento básico da cidade diretamente ao seu ciclo produtivo, utilizando efluentes domésticos tratados como principal fonte de abastecimento industrial.

  • O projeto pioneiro da Aura, na unidade Borborema, em Currais Novos, no Rio Grande do Norte, está testando os limites da economia circular em uma das regiões mais vulneráveis ao estresse hídrico no Brasil. A mineradora implementou um sistema que integra o saneamento básico da cidade diretamente ao seu ciclo produtivo, utilizando efluentes domésticos tratados como principal fonte de abastecimento industrial. Atualmente, o sistema capta e processa 65% de todo o esgoto produzido pela zona urbana de Currais Novos. Após passar por uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) própria, que inclui etapas de filtragem e ormose reversa para atingir padrões industriais, a água é reinserida na planta de produção.

    Os indicadores da operação indicam que a substituição de 90% da água consumida na unidade Borborema é proveniente desse reúso. Na prática, a mineradora deixou de captar água dos açudes locais, reservando esses mananciais exclusivamente para o consumo humano e atividades agrícolas da população potiguar. Além da preservação dos corpos hídricos, o arranjo proporciona um benefício sanitário indireto ao município. Ao garantir a destinação e o tratamento de mais da metade do esgoto local, o projeto auxilia na melhoria dos índices de saúde pública e reduz a carga poluidora que anteriormente era descartada no meio ambiente sem o devido rigor. "A ETE é muito além de uma solução de engenharia para a continuidade operacional, mas um compromisso com a comunidade. Em uma região onde a água dita o ritmo da vida das pessoas, não faria sentido operarmos competindo pelo recurso tão valioso com a comunidade. Conseguimos transformar um passivo ambiental urbano em um insumo essencial, criando um legado de saneamento e segurança hídrica que permanece para o Seridó muito além das nossas atividades", destacou Fred Silva, diretor de operações da unidade Borborema. O projeto recebeu premiações que reconhecem ações para mitigar a pegada ambiental da indústria extrativa. O case reforça uma tendência global onde a "licença social" para operar está intrinsecamente ligada à capacidade da indústria de resolver gargalos de infraestrutura das comunidades.

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RESÍDUOS INDUSTRIAIS
MRN reutiliza quase 99% em Trombetas

A Mineração Rio do Norte (MRN) desenvolve, desde 2010, o Programa Gerenciamento de Resíduos Sólidos, voltado para campanhas educativas de sensibilização ambiental, redução e reaproveitamento de resíduos. Neste período de pandemia, a companhia realiza campanha no distrito de Porto Trombetas, no município de Oriximiná (PA) com o objetivo de promover diálogos de segurança especiais nas áreas operacionais para tratar o tema junto aos empregados e reforçar seu compromisso com a preservação ambiental. Em 2019, a MRN gerou 1.919,53 toneladas de resíduos sólidos industriais em seu processo de produção, dos quais 87,87% foram reaproveitados por meio de técnicas de reciclagem/reutilização; 11,26% foram reaproveitados como combustível energético, com o uso de técnicas de coprocessamento; e apenas 0,87% receberam tratamento de técnicas de incineração. "Com o programa, reforçamos adoção da prática dos 5Rs: reduzir, reutilizar, reciclar, recusar e repensar. Ao reutilizar os resíduos industriais, as áreas repensam suas práticas em relação ao meio ambiente, recusam a aquisição de itens novos, reduzem a geração de novos resíduos, reutilizam e reaproveitam objetos já descartados e utilizam como matéria prima produtos que já haviam sido descartados, para a fabricação de novos objetos", comenta Dayane Moreira, analista ambiental da MRN. No Horto Florestal, a MRN reutilizou tubos de fibra, madeira e correias transportadoras para criação de sementeira para germinação de sementes, um bicicletário e depósito de insumos. Na oficina de manutenção da mina Monte Branco, os resíduos como sucata metálica, plástico PEAD e borrachas foram reaproveitados para criação de caminho seguro, área de vivência e área coberta para lavar botas. Na seção de manutenção da Mina Bela Cruz, há um espaço que, ao mesmo tempo em que reaproveita resíduos industriais, proporciona leveza ao ambiente de trabalho, com a criação de itens decorativos a partir de sucata metálica e borrachas, que se transformam em porta-canetas, lixeiras e esculturas graciosas. "A principal base do reaproveitamento é a consciência ambiental. Outro ponto importante é a própria autoestima da equipe quando tem reconhecido o trabalho feito a partir da ideia dos colaboradores", declara Marcos Paulo Laurido, gerente técnico da seção de manutenção da MRN da mina Bela Cruz.

22 de junho, 2020
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ESGOTO
Atibaia inaugura sistema de reciclagem

A Atibaia Saneamento inaugurou, em março, um sistema de reciclagem interna de efluente tratado, o que representa o reaproveitamento do recurso que seria devolvido ao Rio Atibaia após o devido tratamento. O processo de tratamento de esgoto gera lodo, resíduo que passa por um processo de remoção de umidade para ser transportado e destinado a aterro sanitário. O lodo é submetido a tratamento químico para ser desidratado e depois direcionado a um equipamento rotativo capaz de fazer separação entre líquidos e sólidos. Seguindo a linha da sustentabilidade, a Atibaia Saneamento implantou um projeto que visa reduzir o consumo de água potável na Estação de Tratamento de Esgoto Estoril, aplicando o reuso do efluente tratado na etapa de desidratação do lodo excedente. De acordo com a Gerente Operacional da Atibaia Saneamento, Indiara Jogas, com a aplicação desse projeto a Atibaia Saneamento reduzirá em cerca de 78% o consumo de água potável na operação da ETE Estoril. “A gestão racional da água é um desafio-chave para o planeta neste século XXI e nós não queremos apenas observar esse momento, mas participarmos ativamente contribuindo para um melhor uso dos recursos ambientais. O lodo da ETE Estoril já é destinado a uma empresa especializada em soluções ambientais, que transforma o lodo em fertilizante agrícola e agora reutilizando o efluente tratado no processo de desidratação, tornamos nossa operação ainda mais sustentável”, concluiu a gerente. A Atibaia saneamento inscreveu o projeto na 15ª edição do Prêmio FIESP de Conservação e Reuso da Água que homenageia as empresas que adotam medidas efetivas na redução do consumo e do desperdício de água, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais.

23 de março, 2020
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COMPOSTAGEM
Mineradoras processam resíduos de operações

Com duas minas de caulim no município de Ipixuna do Pará (PA), a mineradora Imerys utiliza o processo da PPSA, replicado para outra mina da empresa, a RCC, onde aproximadamente 60% de todo o resíduo orgânico gerado é aproveitado. “São muitas possibilidades, porque também podemos compostar cascas, grãos e sementes em geral, a borra e o filtro do café, o saquinho do chá, o hashi da comida japonesa”, conta o técnico Ambiental da Imerys, Mauro Cunha. Segundo a Abrelpe, cerca de 51% de todos os resíduos produzidos no Brasil são orgânicos, o que significa 36,5 milhões de toneladas por ano, sendo que apenas 1% é tratado de forma adequada. Na mina PPSA, a Imerys constata média mensal de aproximadamente duas toneladas de resíduos orgânicos geradas no restaurante, que são 100% reaproveitados na compostagem. “No ano passado, colocamos a máquina de compostagem em operação. Os custos com toda a destinação final para empresas que recolhiam os resíduos orgânicos para incineração praticamente foram zerados. Além do ganho econômico, temos o ganho ambiental, utilizando o material processado na compostagem como adubo nas áreas de recuperação”, afirma Rafael Ferreira, biólogo da Imerys. O processo de compostagem reaproveita a matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal, que por meio de um processo biológico de decomposição formam um composto orgânico que pode ser aplicado no Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) para ajudar no enriquecimento da matéria orgânica. “Entre os principais benefícios da compostagem estão a destinação mais adequada dos resíduos orgânicos para natureza; a substituição do uso de adubos químicos por compostos orgânicos no meio ambiente e a redução da quantidade de resíduos a serem enviados para aterros sanitários”, conclui Mauro Cunha. Já a Mineração Rio do Norte (MRN), que opera a mineração de bauxita no distrito de Porto Trombetas, em Oriximiná (PA) reaproveita em média cinco toneladas mensais de resíduos orgânicos através da compostagem, realizada desde 2002 pela Gerência de Administração de Infraestrutura da empresa, atendendo às legislações ambientais vigentes. “Ao realizar o reaproveitamento desse tipo de resíduos, o produto da compostagem, que é o adubo orgânico, é utilizado em jardinagem das residências da vila de Porto Trombetas”, comenta Carlisson Alves Romano, Engenheiro Sanitarista e Ambiental da MRN. A compostagem é realizada na Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos (CTR) e visa reduzir a quantidade de resíduos descartados no aterro sanitário do distrito. Esta etapa faz parte do programa de coleta seletiva de resíduos sólidos, feita pelos moradores. “Para que o processo de compostagem dê certo, é necessário que a coleta seletiva de resíduos sólidos seja atendida. Os resíduos orgânicos coletados são direcionados para a CTR. Lá, acontece a mistura com resíduo vegetal (capim/grama) oriundos do serviço de roçagem das áreas verdes da vila residencial. O processo de mistura de orgânicos com vegetal ocorre numa área específica da CTR. O tempo de processo é de 90 a 110 dias”, relata Carlisson. Entre os benefícios da compostagem para a MRN está à redução de resíduos destinados para o aterro sanitário e, consequentemente, o aumento da vida útil do aterro, a doação do adubo orgânico para moradores da vila residencial, que o utilizam em jardinagem, e o valor ambiental desta boa prática.

16 de março, 2020
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RECURSOS HÍDRICOS
Projeto da Imerys gera economia de água

A Imerys desenvolveu o projeto "Recuperação da água de condensação” que gerou economia equivalente a 37 caixas d’água de mil litros. A iniciativa foi premiada no Desafio do Desenvolvimento Sustentável do Grupo Imerys na categoria "Eficiência de Recursos Não Energéticos", concorrendo com projetos de outras 269 unidades industriais da mineradora, no mundo. Em suas operações, a empresa desenvolve programas de melhoria industrial que buscam reduzir ao máximo o desperdício de água, reaproveitando mais de 80% na produção. O supervisor de manutenção da Imerys, Assis Melo, idealizador do projeto, diz sentir orgulho com o prêmio. “Durante o processo de evaporação no porto da empresa, em Barcarena, identificamos que um grande volume de água era descartado para as bacias de rejeito, gerando custos com o tratamento dessa água. Com o projeto, conseguimos reaproveitar a água oriunda dessa evaporação, possibilitando a redução de descarte desse recurso, considerado de boa qualidade”, explica. Segundo Assis, o projeto reflete a preocupação da empresa com um recurso vital para a humanidade, que é água. “Temos, de forma muita clara, que a água é fundamental para a sobrevivência das espécies, sendo indispensável à conscientização de todos para evitar grandes impactos para as futuras gerações”, analisa. Para o supervisor, as boas práticas sustentáveis devem começar em casa, com pequenas atitudes, como reutilizar água para jardinagem e lavagem de veículos e banheiros. “Moramos em uma região abençoada com muita chuva, onde podemos desenvolver pequenos projetos familiares para reutilização dessa água. Quanto mais reaproveitarmos esse recurso, maior será nossa contribuição com o meio ambiente”, sugere.

17 de junho, 2019
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ÁGUA
Mineradoras devem investir em reuso

Paula Vilela, executiva do setor hídrico e de saneamento da Ramboll, consultoria multinacional especializada em engenharia, meio ambiente e projetos multidisciplinares, participou de palestra onde abordou diversos pontos para utilização da água durante o 8º Fórum Mundial da Água. Na ocasião Paula destacou a importância do reuso da água como alternativa estratégica para redução do consumo do insumo, em especial pelas empresas de mineração. Em âmbito mundial, o setor de mineração utiliza entre sete e nove bilhões de m³ de água por ano nos variados processos para extração de minério. Em um cenário onde a reserva mundial de água doce é de apenas 3%, o reuso da água destaca-se como uma alternativa estratégica importantíssima. “No cenário de escassez hídrica, o uso inadequado deste recurso pode levar não só à paralisação de uma mineradora, mas também a desastres ambientais, como poluição de corpos hídricos, além da alteração do regime hidrológico. A reutilização da água é uma das melhores alternativas para este setor, tanto econômica, quanto ambientalmente”, disse Paula. A executiva destacou ainda que a concorrência por recursos hídricos deve aumentar em curto prazo em vários setores da indústria. No caso das mineradoras, Paula afirma que aquelas que adotarem o reuso poderão alcançar vantagens competitivas. Entre as ações que podem ser implementadas por mineradoras estão sistemas de reuso de água pluvial, plantas de beneficiamento de minério com circuitos fechados, além de processos internos de recirculação e o reaproveitamento de águas residuais. “A dessalinização também é uma fonte alternativa de abastecimento que pode ser utilizada pelas mineradoras, porém ainda com um custo elevado para os padrões brasileiros”, afirma Paula. Outros pontos importantes na utilização da água de reuso é a qualidade de quantidade do insumo a ser utilizado, reorganização de processos internos com elevado consumo de água, possibilidade de utilização de água em cascata, tratamento físico químico de efluentes de processo e definição de procedimentos para monitoramento e controle de parâmetros da água de reuso. “A Ramboll tem expertise mundial em desenvolvimento de projetos de alta complexidade para sistemas de tratamento de efluentes de mineração, bem como sistemas de reuso, podendo auxiliar as mineradoras na implantação de soluções customizadas, de acordo com as necessidades especificas de cada cliente”, diz. Segundo a executiva da Ramboll, a água de reuso reduz o volume de lançamento de efluentes industriais em cursos d´água, além de diminuir o volume da captação de águas superficiais e subterrâneas e aumentar a disponibilidade do recurso para usos mais exigentes, como abastecimento público. Também pode render benefícios econômicos, como a mudança nos padrões de produção e consumo e a habilitação para receber incentivos e benefícios sociais, com a consequente melhoria da imagem da mineradora junto à sociedade.

12 de abril, 2018