Campinas desenvolve projeto de plantio de mudas para amenizar temperaturas

Programa de Microflorestas Urbanas já soma 46 mil mudas em 29 áreas e prevê 200 ou mais microflorestas em quatro anos, com plantio adensado de três a cinco mudas por metro quadrado.
Por meio do Programa de Microflorestas Urbanas, o município paulista de Campinas superou a marca de 46 mil mudas plantadas em 29 áreas, o que tem ajudado a amenizar temperaturas médias que chegam a 25,3°C e máximas médias próximas dos 34°C nos meses mais quentes. O programa visa criar áreas densas de vegetação nativa capazes de reduzir o calor, melhorar a drenagem do solo e devolver biodiversidade a espaços que, muitas vezes, hoje são apenas canteiros, rotatórias ou terrenos subutilizados. “Em vez de serem apenas áreas de passagem ou pontos isolados de vegetação, eles podem se tornar parte de uma rede de recuperação e cumprir uma função ambiental dentro da cidade”, explica Felippe Rodrigues, sócio da Guaruba, empresa que atua na implantação do projeto.
O município estabeleceu um programa para chegar a 200 ou mais microflorestas em quatro anos. Em uma das primeiras, no Balão do Laranja, foram 3.240 mudas em 3.240 m². Em outra, próxima ao Terminal BRT Campo Grande, 355 mudas ocuparam 800 m². Ao contrário da arborização convencional, em que as árvores são plantadas com espaçamentos maiores, a metodologia das microflorestas trabalha com três a cinco mudas por metro quadrado. Segundo Rodrigues, a alta densidade acelera o fechamento da vegetação e o crescimento pode ser até dez vezes mais rápido do que em um plantio convencional com espaçamento de três metros por dois metros. Com essa densidade, uma área de mil metros quadrados pode receber até cinco mil mudas. “Uma microfloresta pode contribuir para reduzir a temperatura do entorno em até 5°C, melhorar a infiltração da água no solo e ajudar na prevenção de alagamentos. Ao mesmo tempo, a escolha de espécies nativas cria condições para a presença de pássaros, polinizadores e outros animais”, afirma Rodrigues.
Para o sócio da Guaruba, o primeiro desafio é fazer com que as mudas sobrevivam e a área realmente se transforme em floresta. A empresa começou atuando com elaboração de projetos ambientais e, ao longo dos anos, passou a executar diretamente serviços de restauração e recuperação de áreas. “Já são mais de 60 hectares restaurados e aproximadamente 100 mil mudas plantadas em projetos para construtoras, empresas de urbanismo, mineração, indústrias químicas e têxteis e condomínios. O nosso trabalho não é entregar uma área verde, é criar as condições para que ela deixe de depender de nós. Quando a natureza começa a conduzir o processo, sabemos que a restauração realmente aconteceu”, destaca.
O projeto tem como vantagem permitir a implantação de estruturas de floresta em locais onde uma restauração convencional seria inviável. “Em uma cidade, não precisamos esperar por grandes áreas disponíveis para recuperar a vegetação. Podemos aproveitar espaços menores e estratégicos e fazer com que eles cumpram uma função ambiental relevante dentro da própria malha urbana. É uma rotatória que ganha sombra, um canteiro que deixa de ser apenas paisagismo, um espaço que começa a atrair pássaros e polinizadores, um terreno que passa a absorver mais água”. Rodrigues conta que, a partir do plantio, começa uma etapa de acompanhamento que pode durar até 36 meses. “Nesse período, acompanhamos o desenvolvimento da área, desde a preparação do solo e a irrigação até o uso de hidrogel, controle de formigas, reposição de mudas e manejo. O crescimento da vegetação também é monitorado com drones e relatórios técnicos, que permitem acompanhar a evolução da área ao longo do tempo”, explica.
Até hoje, muitas agendas ambientais foram contabilizadas principalmente por indicadores mais fáceis de comunicar, como número de árvores plantadas, toneladas de carbono compensadas ou áreas recuperadas. “Agora, com a sustentabilidade cada vez mais incorporada aos relatórios corporativos, aos critérios de investimento e às exigências de transparência, cresce a pressão para demonstrar o que aconteceu depois da ação”, destaca Rodrigues.
Um estudo publicado em 2026 pela IFAC, AICPA e CIMA mostrou que 97% das grandes empresas pesquisadas já divulgavam informações de sustentabilidade, enquanto 75% submetiam esses dados a algum tipo de verificação independente.
Para companhias que precisam transformar compromissos ESG em ações concretas, Rodrigues afirma que uma microfloresta permite acompanhar uma intervenção ambiental com endereço, prazo, metodologia e resultados. "É uma oportunidade de transformar o chamado marketing verde em uma ação ambiental que gere impacto real. Ou seja, uma campanha pode chamar atenção para uma iniciativa, mas o que dá valor a ela é aquilo que permanece depois. Uma microfloresta pode continuar entregando resultado por muitos anos, e é essa diferença que transforma uma ação de imagem em um compromisso ambiental de verdade”, conclui.
