SUSTENTABILIDADE

Cisne Verde pode atingir Brasil

Segundo o especialista em sustentabilidade e responsabilidade social, o professor da IBE Conveniada FGV, Luiz Fernando de Araújo Bueno, o fenômeno do Cisne Verde pode chegar ao Brasil a qualquer momento, assim como foi a pandemia do novo coronavírus. O termo “green swan” criado em fevereiro pelo Bank for International Settlements (BIS) se refere à probabilidade de uma crise financeira causada pelas graves mudanças climáticas mundiais, como incêndios, tempestades, furacões, degelos, crises sanitárias e ambientais. 

“Os painéis intergovernamentais do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) já levantavam essa questão, mas o estudo e livro produzido por integrantes do banco BIS mostram que esse evento possui um potencial extremamente grave do ponto de vista financeiro”, explica o professor. Para ele, o Brasil tem conhecimento e noção sobre os estragos desse acontecimento, mas as estratégias e preparação para lidar com esse possível problema ainda são consideradas rasas. “Estudos comprovam que grandes empresas não colocaram no plano de gestão de risco temáticas ligadas aos vírus. Era algo que ninguém esperava acontecer, mas que hoje é responsável por impactar o mundo em diversos âmbitos. É necessário estar preparado para os próximos e graves acontecimentos ligados à área ambiental e sanitária”, ressalta Luiz Bueno.

O fenômeno do Cisne Verde pode impactar interrupções na produção, destruição física de fábricas e aumentos repentinos de preços e pessoas, empresas, países e instituições financeiras poderão ser gravemente afetados. “O ser humano vem causando alguns desrespeitos ao meio ambiente e na sustentabilidade como um todo. Se não nos organizarmos, os impactos serão semelhantes aos que estamos sentindo com a pandemia de Covid-19.”, alerta o professor. Além de impactos no mercado, o Cisne Verde pode desestabilizar a economia de vários países ao mesmo tempo, com instabilidade financeira e de crédito. Ainda é capaz de gerar efeitos de liquidez, onde crises simultâneas têm potencial para afetar bancos, que não conseguirão realizar ações como empréstimos e refinanciamentos.

Para o especialista, as mudanças climáticas se tornaram um fator determinante nas perspectivas de longo prazo das empresas. Por isso, os mercados do mundo inteiro já começam a se atentar sobre as questões que envolvem a economia circular, parcimônia no uso dos recursos naturais e investimentos em ações com menores taxas de carbono. “É necessário colocar esses aspectos em prática, de um modo que não seja considerado luxo, mas sim sobrevivência. O mercado vai mudar e a economia verde terá destaque nesse 'novo normal' pós-COVID-19 ", finaliza o professor.

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