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ESG e Normalização: O Papel da série ABNT PR 2030 nas Novas Diretrizes Empresariais

ESG e Normalização: O Papel da série ABNT PR 2030 nas Novas Diretrizes Empresariais

Nelson Al Assal Filho detalha a importância das atualizações da ABNT PR 2030 e sua contribuição para a integração de práticas sustentáveis e governança das empresas

A ABNT PR 2030, norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) voltada para pequenas e médias empresas, surge como um marco para práticas mais sustentáveis e conscientes empresariais. Para explorar os detalhes desta importante norma e suas atualizações, conversamos com Nelson Al Assal Filho, Biólogo e Diretor de Normalização da ABNT. Com mais de 22 anos de experiência nacional e internacional no campo da normalização, Al Assal Filho traz uma visão abrangente sobre como a gestão estratégica, a inovação digital e a sustentabilidade estão sendo integradas nas novas diretrizes. Além disso, ele discute a incorporação das mudanças climáticas nas atualizações da PR-2030 e seu impacto para o futuro das empresas e da sociedade.

Revista Saneamento Ambiental: Qual é o principal objetivo da atualização da ABNT PR 2030 no documento 1?

Nelson Al Assal Filho: O principal objetivo da atualização da ABNT PR 2030 no documento 1 foi alinhar o documento com a evolução da jornada ESG, refletindo os avanços e as necessidades identificadas nos últimos dois anos. O documento 1 aborda o início dessa jornada, fornecendo um panorama estratégico, histórico e conceitual do ESG, além de um modelo para avaliar a maturidade das organizações nesse contexto. O documento inclui 43 critérios de avaliação, com foco na materialidade, no alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) e na aplicação de boas práticas.

Além disso, a atualização incorporou referências normativas mais recentes, padrões globais e novos termos e definições relevantes, como materialidade avançada, cultura organizacional voltada ao ESG, e o papel da liderança, que precisa ser adaptado a uma estrutura de governança mais dinâmica e inovadora.

Fizemos também a publicação da ABNT PR 2030-2 – Determinação da Materialidade, que traz toda uma estrutura, conceitos, formulação para cálculo da significância, de modo a determinarmos quais são os impactos da organização no seu meio exterior (social e ambiental) e quais são os impactos na organização, (do meio externo na organização). Uma vez definidos os impactos, a metodologia nos auxilia a determinar quais entre eles são os mais relevantes, quais são suas evidências baseadas em fatos e na percepção das partes interessadas, e quais deverão ser tratados e mitigados pela organização e em qual nível de prioridade, enfim, permitindo uma gestão, controle, e vinculação à estratégia da organização.

Com essa abordagem, os documentos de 1 a 4 não é apenas um guia, mas um sistema integrado de documentos normativos que contempla: visão estratégica, Diagnóstico do nível de Maturidade ESG, Determinação da Materialidade, Planejamento e Implementação ESG e Indicadores e Relatórios.

O impacto mais significativo foi a inclusão de um olhar sistêmico e global sobre sustentabilidade corporativa, considerando as partes interessadas e promovendo um movimento integrado e estratégico. A atualização reforça a necessidade de mudanças na governança e nas estruturas organizacionais para atender às demandas de uma dinâmica ESG mais robusta e efetiva.

Revista Saneamento Ambiental: Por que a conservação e o uso sustentável dos oceanos são considerados prioritários no contexto da ABNT PR 2030?

Nelson Al Assal Filho: O documento atualizado apresenta 43 critérios que reforçam a interconexão global. Nesta versão atualizada da ABNT PR 2030-1 foi incluído o critério, Conservação e uso sustentável dos Oceanos, que busca ressaltar a interligação deste bioma com toda a vida no planeta e os ciclos climáticos podendo ser impactado pelas nossas ações e nos impactar, mesmo em locais distantes dos oceanos. Por exemplo, uma garrafa descartada inadequadamente em Brasília pode, eventualmente, alcançar os oceanos, gerando microplásticos que poderão ser ingeridos, prejudicando animais marinhos, e até mesmo os humanos que irão se alimentar ao final das cadeias alimentares, com uma concentração ainda maior destes elementos poluentes e tóxicos. Os oceanos têm um papel importante na regulação climática global, e suas correntes influenciam diretamente o cotidiano de todas as pessoas, independentemente de onde vivam. Além disso, cerca de 30% da população mundial vive a menos de 100 km da costa, tornando os impactos da elevação do nível do mar, enchentes e inundações uma preocupação urgente para milhões de pessoas, afetando plantações, transporte e infraestrutura.

A atualização reforça que as normas não têm o objetivo de reinventar os relatos ESG, mas de explicar e consolidar os padrões globais para torná-los acessíveis a empresas de todos os portes. O foco está em oferecer suporte às pequenas empresas, que muitas vezes carecem de orientação e recursos para implementar práticas ESG. Essa abordagem busca estabelecer um padrão que possa ser seguido por todos, incluindo pequenas empresas que integram cadeias de valor e participam de compras públicas e governamentais, alinhando-se a critérios sustentáveis.

As atualizações são essenciais porque o ESG, embora tenha surgido no setor financeiro e com base em relatórios, exige consistência e uma gestão robusta para ser eficaz. Relatos ESG sem uma gestão estruturada são apenas ficção. Assim, as normas visam fortalecer o processo de gestão, garantindo que as empresas, independentemente de seu tamanho, tenham as ferramentas necessárias para implementar práticas ESG consistentes e alinhadas a padrões globais.

Revista Saneamento Ambiental: Como a metodologia para maturidade ESG se mantém relevante na ABNT PR 2030 atualizada?

Nelson Al Assal Filho: A metodologia para avaliar a maturidade ESG na ABNT PR 2030 atualizada se mantém relevante por ser abrangente, simples e adaptada à realidade. Ela abrange os pilares ambiental, social e de governança, incorporando critérios fundamentais para a gestão e os impactos associados. A metodologia foi projetada para ser prática e acessível, permitindo sua aplicação de forma clara e objetiva, enquanto aborda questões climáticas e outras demandas emergentes.

A atualização da norma reflete sua natureza como um documento vivo, representando o estado da arte do conhecimento em ESG e incorporando as evoluções dos últimos dois anos. O ESG, por sua própria dinâmica, requer revisões frequentes para acompanhar mudanças globais e inovações, motivo pelo qual a norma foi estruturada para ser revisitada em ciclos menores que cinco anos. Esse processo envolve a participação ativa da sociedade, permitindo que novos elementos sejam adicionados conforme necessário — como a inclusão de questões relacionadas aos oceanos e seus impactos.

Com essa abordagem, a metodologia permanece alinhada às tendências globais e às demandas locais, garantindo que as organizações possam utilizá-la como uma ferramenta prática e atualizada para medir e avançar na maturidade ESG. Essa flexibilidade e periodicidade nas atualizações reforçam o compromisso com a relevância e a aplicabilidade contínuas da norma.

Revista Saneamento Ambiental: Quais são os principais marcos planejados para a continuidade do desenvolvimento da PR 2030 (documentos 3 e 4)?

Nelson Al Assal Filho: A elaboração dos documentos 3 e 4, são estruturados para fortalecer a jornada ESG das organizações, proporcionando ferramentas práticas para diagnóstico, planejamento e mensuração de resultados. No documento 3, com base no diagnóstico da maturidade ESG (primeiro documento) e nos temas materiais (determinados no segundo documento), poderemos identificar os pontos fortes e as áreas com necessidade de melhoria, bem como os pontos mais relevantes para focar a gestão. Deste modo é possível se determinar os pontos focais para o planejamento ESG da organização. A metodologia buscará criar uma ponte para reduzir impactos negativos e ampliar os impactos positivos, promovendo inovações e avanços nos processos e tecnologias. O documento apresentará uma abordagem prática de "de-para", detalhando os recursos, planos e investimentos necessários para elevar o estado de maturidade ESG. Ele propõe um olhar estratégico tanto para o ambiente interno da organização (dentro do muro) quanto para o externo (fora do muro), com ênfase nas partes interessadas e na integração da gestão ESG ao negócio. O objetivo é fornecer um plano de ação dinâmico e ajustável, baseado na avaliação de materialidade e maturidade, para guiar as empresas na implementação eficaz de estratégias ESG.

O documento 4 é mensuração e relato. Essa etapa se concentra em definir os indicadores de performance mais importantes para medir os resultados das ações ESG implementadas e demonstrar como utilizar esses dados de forma estratégica. O documento orientará sobre as melhores práticas de mensuração e relato, permitindo que as empresas monitorem o progresso, avaliem a eficácia de suas iniciativas e comuniquem resultados de forma transparente. O documento 4 reforça a importância de estabelecer métricas consistentes e alinhadas a padrões globais, garantindo que as organizações possam reportar seus avanços de maneira confiável e comparável.

Revista Saneamento Ambiental: Como a ABNT PR 2030 (documento 4) ajudará as organizações a mensurarem e reportar seus avanços em ESG?

Nelson Al Assal Filho: A ABNT PR 2030-4 tem como objetivo principal ajudar as organizações a mensurarem e reportarem seus avanços em ESG de maneira estruturada, confiável e alinhada aos padrões globais já consolidados. Não se trata de reinventar formatos de relato, mas de esclarecer como funcionam os padrões existentes, destacando seus pontos fortes e fracos, e oferecendo orientações práticas para sua aplicação.

O documento propõe uma abordagem baseada em gestão e fundamentos sólidos, fornecendo uma lista de indicadores que auxiliam as organizações a construírem relatórios consistentes e embasados. A ideia é que o relato seja uma consequência natural de uma boa gestão ESG, assim como ocorre na contabilidade, onde normas e padrões garantem a confiabilidade dos dados. Da mesma forma, o ESG deve contar com metodologias e processos que assegurem a qualidade e a credibilidade das informações reportadas.

A ABNT PR 2030-4 apresenta uma sequência metodológica que apoia as organizações na criação de uma visão integrada e compartilhada com a sociedade. Isso inclui a construção de relatórios baseados em evidências concretas, evitando que sejam apenas declarações de intenções ou desejos. O foco está em garantir que as informações ESG sejam confiáveis, verificáveis e úteis tanto para a tomada de decisão interna quanto para o diálogo com partes interessadas externas.

Com isso, a ABNT PR 2030-4 oferece uma base prática para que as organizações avancem de forma segura e estruturada na mensuração e no relato de seu desempenho ESG, contribuindo para maior transparência, confiança e alinhamento com as expectativas globais.

Revista Saneamento Ambiental: Qual o cronograma estimado para a conclusão e implementação dos documentos ABNT PR 2030-3 e PR 2030-4?

Nelson Al Assal Filho: O cronograma estimado para a conclusão e implementação dos documentos é ABNT PR 2030-3: Previsto para ser concluído e implementado até meados de 2026. E ABNT PR 2030-4: Planejado para ser finalizado e disponibilizado até meados de 2027.

Revista Saneamento Ambiental: Qual é o papel dos "5 P" (Pessoas, Prosperidade, Planeta, Proteção e Paz) na filosofia por trás da ABNT PR 2030?

Nelson Al Assal Filho: Esses elementos representam comprometimento que ajudam as empresas a gerarem valor de forma consciente e alinhada com um propósito maior. Os "5 Ps" são instrumentos de geração de valor, ajudando empresas a alinhar suas práticas ESG aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs). Dessa forma, as empresas não apenas se tornam mais eficazes e conscientes, mas também se comprometem com um propósito maior: transformar suas operações em um meio de impacto positivo para a sociedade e o planeta.

Revista Saneamento Ambiental: De que forma a abordagem sistêmica e a estrutura de liderança reforçam os objetivos da ABNT PR 2030?

Nelson Al Assal Filho: A Abordagem sistêmica: Reconhece que os aspectos sociais, ambientais, de segurança e governança estão interligados, formando uma rede de dependência mútua entre organizações, partes interessadas e o planeta. Essa visão permite uma maior adaptabilidade em um cenário global de rápidas mudanças, onde a informação e a colaboração são fundamentais para a tomada de decisões acertadas. A Estrutura de liderança compartilhada: A liderança, vista como um elemento central, deve ser real, tangível e compartilhada entre a alta direção e as partes interessadas externas. Isso inclui a formação de comitês de ESG com participação de stakeholders externos, enriquecendo a visão estratégica da empresa com perspectivas diversificadas. Esse modelo não apenas fortalece o compromisso ético e de compliance, mas também promove maior confiança e transparência.

Revista Saneamento Ambiental: Quais serão os benefícios diretos para as empresas que adotarem as orientações da ABNT PR 2030?

Nelson Al Assal Filho: Minha recomendação para pequenas e médias empresas é investir continuamente em aprendizado e buscar uma padronização alinhada às tendências internacionais de longo prazo. A ABNT PR 2030 representa uma síntese de conhecimentos e experiências de diversos especialistas, sendo uma fonte valiosa para uniformizar o entendimento sobre práticas sustentáveis e inovadoras.

Ao adotar e implementar o uso da norma, as empresas estarão não apenas se preparando para atender às demandas do mercado global, mas também evoluindo internamente, compreendendo melhor o impacto de suas operações sobre o meio ambiente, a sociedade e sua própria organização. Isso permite que elas se posicionem estrategicamente, alinhando seus produtos e serviços aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e aos cinco Ps (Pessoas, Planeta, Prosperidade, Proteção e Paz ).

Além disso, o alinhamento com propósitos maiores — como a sustentabilidade e a criação de valor para a sociedade — será um diferencial no mercado, onde consumidores valorizam empresas que entregam mais do que produtos: entregam significado. A norma contribui para o fortalecimento da reputação, para a geração de valor real e para o reconhecimento pela contribuição positiva e mensurável que a empresa deixa como legado.

Adotar a ABNT PR 2030 é, portanto, uma oportunidade para as empresas se destacarem, construírem um futuro mais sustentável e fortalecerem a confiança e a admiração do mercado pela sua marca.

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Artigo por Luciana Rodrigues Oriqui* O Novo Marco do Saneamento, Lei n.o14.026, de 15 de julho de 2020, estabelece metas de universalização bastante desafiadoras a toda cadeia de abastecimento e infraestrutura, até o ano de 2033. O propósito é combater as inaceitáveis faltas de acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto, por uma parte considerável da população, que só em relação à água, corresponde a, aproximadamente, 35 milhões de brasileiros, mas o desafio estende-se também à minimização de perdas de água na distribuição. Um estudo do Trata Brasil de 2022 sobre o assunto, apontou que 60% do volume perdido nos sistemas de distribuição no Brasil, provêm de perdas físicas, por vazamentos, e que, se contidas, atenderiam, com folga, os milhões de brasileiros sem acesso à água tratada. Metas 2020 * 2033 (Universalização) Acesso à água potável 84,1% 99% Esgotamento sanitário 55,0% 90% Perdas de água na distribuição 40,1% 25% * informações disponibilizadas pelo SNIS Uma vez que em concessionárias de saneamento, os índices de perda de faturamento total, são praticamente equivalentes aos índices de perdas de água, é crescente a demanda pelo envolvimento de toda a cadeia de valor no comprometimento com de entregas de produtos e serviços de qualidade assegurada, que potencializem a melhoria de seus resultados financeiros, e atendimento às metas da universalização. Ademais, e de especial relevância, a mitigação de perdas de água é elementar para contenção das crises hídricas, cujos resultados na saúde pública, economia e ecossistemas, são avassaladores. Historicamente, investimentos em inovações e em garantias de qualidade, são indutores de sustentabilidade, transversais e impactam positivamente em incrementos no ciclo de vida dos produtos, na manutenção de recursos naturais, na otimização de recursos energéticos e na minimização na geração de resíduos. Sendo assim, também são fundamentais para o atendimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, práticas de economia circular e critérios ambientais, sociais e de governança corporativa, ASG (ou ESG: Environmental, Social and Governance). É preciso reduzir as desigualdades regionais de nosso país, e atender as metas de universalização do saneamento até 2033 só será possível com atuações multissetoriais, de significativos impactos na acessibilidade à água tratada e ao esgotamento sanitário, e que simultaneamente viabilizem estratégias de investimentos resilientes e orientadas a relações sustentáveis. Nessa trajetória, a presença de indicadores, especialmente os de ASG, capazes de monitorar resultados e promover ações que assegurem os objetivos traçados, criam valor ao negócio e acrescentam às organizações diferenciais competitivos nacionais e internacionais. A definição desses indicadores usualmente é derivada da análise de materialidade, cujos fundamentos vêm da apropriação de estudos de cenários e riscos, projeções de mídias, demandas de partes interessadas e impactos na organização. Entre os bons exemplos de resultados possíveis de monitoramento e da atuação responsável de toda a cadeia de valor, e com o devido acolhimento das necessidades locais, estão os projetos que envolvem os setores público, privado e o terceiro setor, em pelo menos 10 (dez) escolas municipais na região Nordeste brasileira. As soluções inovadoras e descentralizadas para coleta e tratamento de esgoto, envolveram esforços e investimentos em educação ambiental nas unidades, como fator de engajamento e, entre os benefícios esperados, destacam-se o aumento da frequência escolar e a reduções da insegurança alimentar, da incidência de doenças, do tempo despendido na busca por água e da evasão escolar. O saneamento dito inclusivo busca por esse tipo de solução, adaptada às características, desafios e demandas de cada região, que seja replicável e que contemple atuações envolvendo atores e comunidade locais. O direito de todo cidadão à água tratada e ao esgotamento sanitário é indiscutível, e o provimento de uma cultura de cuidados com bens tão primordiais, é fundamental para o sucesso e alcance das iniciativas. Como bem disse Jennifer Molwantwa, CEO da Water Research Comission, África do Sul, em apresentação na Brazil Water Week 2022, “Esgoto é dignidade e Água é vida”. * Luciana Rodrigues Oriqui é engenheira de alimentos, mestre e doutora em engenharia química, está à frente da diretoria de Relações Institucionais e Governamentais da Associação de Brasileira de Fabricantes de Materiais para Saneamento, ASFAMAS. Executiva bastante envolvida com a temática Qualidade, tem ampla experiência em regulações e práticas voltadas à sustentabilidade, especialmente com indicadores voltados à minimização de impactos ambientais, sociais e econômicos (ASG, ou ESG, em inglês).

23 de agosto, 2022
Saneamento como alavanca de transformação
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Saneamento como alavanca de transformação

Artigo por André Salcedo Por André Salcedo * O esgoto é o mais emblemático rejeito da cultura humana. Ironicamente, as letras que iniciam o termo concentram os pilares ESG - Environmental, Social and Governance. Uma coincidência adequada à importância do esgotamento sanitário para transformações econômicas, ambientais e sociais. Com apenas 54% da população brasileira com acesso à coleta de esgoto, abraçar a agenda do saneamento significaria reduzir danos ambientais e desigualdades sociais. Para isso são necessários investimentos e capacidade de execução além do que o Estado tem sido capaz de fornecer com a urgência que a situação pede. As perspectivas são positivas: novos projetos vêm se multiplicando, em especial pelo envolvimento do BNDES e da Caixa Econômica Federal na sua estruturação. E há um aumento relevante da participação e interesse de operadores privados e investidores após a aprovação do Novo Marco do Saneamento. O déficit do saneamento revela uma oportunidade de investimento no segmento de infraestrutura que mais reúne Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) da ONU. Dos 17 ODS, o setor é diretamente representado no objetivo 6 (Água potável e Saneamento), além de contribuir com outros onze temas ligados à saúde, educação, desenvolvimento socioeconômico sustentável e consumo consciente. A agenda ESG tem capital abundante disponível pelo mundo. Rumo à universalização, o setor demonstra o seu potencial transformador na redução do impacto ambiental decorrente da presença humana, no fortalecimento de padrões de governança e transparência, e gerando benefícios sociais. É inegável seu papel no combate às desigualdades e na promoção da dignidade. O saneamento reduz riscos de desenvolvimento das doenças de veiculação hídrica, responsáveis por 230 mil internações no Sistema Único de Saúde em 2018, segundo o DATASUS. Há ainda efeitos no desenvolvimento educacional e na renda da população. Estudos do Instituto Trata Brasil apontam que pessoas sem acesso à coleta de esgoto e água tratada têm renda 52,4% menor e impacto de 25% na escolaridade. Neste sentido, concessões como a do Rio de Janeiro, que trazem compromissos de universalizar o saneamento, conjugados com investimentos relevantes na recuperação ambiental e em áreas irregulares, contribuem em diversos sentidos para a redução de passivos ambientais históricos e de desigualdades sociais crônicas. O Novo Marco pavimenta o caminho para que o setor amplie sua transparência e a governança regulatória. Com o papel da Agência Nacional de Águas reformulado, espera-se maior uniformidade de critérios e segurança jurídica. Os últimos leilões demonstram alta capacidade de atração de capital de qualidade para o setor, que, por sua vez, trazem consigo políticas rígidas de conduta, conformidade, ética e transparência. O pilar ambiental está no cerne do saneamento. É sua função primeira garantir a qualidade da água, o tratamento adequado dos resíduos devolvidos à natureza e o uso eficiente dos recursos hídricos. Voltando ao Rio de Janeiro, a despoluição do sistema lagunar da Barra da Tijuca será uma das contribuições mais significativas que o setor pode garantir à capital carioca. Interromper o despejo de esgoto não tratado e atuar na recuperação do passivo ambiental é fundamental para a regeneração desses ecossistemas. Os investimentos no saneamento impulsionam as alavancas da preservação ambiental e do desenvolvimento socioeconômico. Potencial que deve atrair recursos na ordem de R$ 750 bilhões para viabilizar a universalização até 2033, segundo levantamento da Abcon, associação do setor. É um dos maiores investimentos ESG em escala global e caracteriza a força do setor na transformação do País. * André Salcedo é Diretor executivo de Transformação da Iguá Saneamento

22 de setembro, 2021
O ESG já é uma realidade no Brasil?
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O ESG já é uma realidade no Brasil?

Por Marcus Nakagawa * A Cúpula do Clima, realizada no final de abril e liderada pelo presidente norte americano Joe Biden, fez com que vários países se posicionassem sobre as questões da emergência climática e a busca por uma “descarbonização” das suas matrizes energéticas, atividades comerciais e melhoras nas políticas ambientais. Líderes mundiais apresentaram as suas metas das agendas climáticas e a importância do tema para a criação de empregos, novas tecnologias e a busca da tal “economia verde”. Esta reunião, que durou dois dias, foi uma preparação para a COP-26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Glasgow, na Escócia, em novembro deste ano. É neste encontro oficial das Nações Unidas que os países, oficialmente, se comprometem e fazem os acordos geopolíticos perante outros países, empresas, ONGs, jornalistas, entre outros. Todo este movimento acaba repercutindo nas empresas, nos investidores e nos negócios, principalmente no tema que tanto povoa a minha “bolha” digital, o tal do ESG. Para aqueles que ainda não estão acostumados com a sigla, o termo tem a ver com uma gestão mais sustentável, fazendo com que a empresa pense não somente na questão financeira do negócio, mas também em todos os indicadores e resultados ligados ao ambiental (Environmental), social (Social) e à governança (Governance). O número de fundos ESG em 2020 disponível para investidores americanos cresceu para quase 400 – um aumento de 30% em relação a 2019 e um aumento de quase quatro vezes em uma década, de acordo com a Morningstar, uma grande e independente empresa de pesquisas de investimentos. Inclusive, em novembro de 2020, esta empresa, formalmente, integrou o ESG em suas análises de ações, fundos e gestores de ativos. No Brasil, segundo a pesquisa “A evolução do ESG no Brasil”, da Rede Brasil do Pacto Global e da Stilingue, de abril de 2021, 78% da geração dos Millennials e 84% da geração Z declaram optar por este tipo de investimento. E no ano de 2020 a discussão deste tema cresceu sete vezes mais, em relação ao ano anterior. Mas será que é só uma discussão das redes? Parece que não, pois a pesquisa mostra ainda que 84% dos representantes do setor empresarial afirmaram que aumentou o interesse em 2020 em relação a entender mais sobre esta agenda e sobre os critérios ESG. Nas respostas das 308 empresas que fazem parte da Rede Brasil do Pacto Global, foi constatado que as empresas estão atuando com vários tópicos e indicadores do ESG, sendo que as cinco iniciativas mais atuantes nas empresas atualmente são: 79% criação de mecanismos de compliance e governança; 76% na gestão de resíduos, reciclagem e reaproveitamento; 68% na criação de comitês e órgãos de governança buscando a integridade da organização; 61% de apoio à Covid-19; e 60% no apoio às comunidades no entorno. O interesse para entrar em fundos e índices de sustentabilidade corporativa também aumentou. Segundo o Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE da B3, o número de empresas inscritas para fazer parte desta carteira foi 69% maior em 2020, comparado ao ano de 2019. Mostrando a importância deste que é o quarto índice de sustentabilidade corporativa criado no mundo, e o primeiro no Brasil, que levanta os critérios de eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa em cada uma das empresas. Desde 2005 até dezembro de 2020, o ISE apresentou uma rentabilidade de +315% contra +272% da Ibovespa. Ainda sobre os fundos, de acordo com o levantamento na Morningstar e Capital Reset, os fundos ESG no Brasil captaram R$ 2,5 bilhões em 2020, sendo que mais da metade deles havia sido criada nos últimos 12 meses. E este ecossistema está crescendo, pois no ESG Tech Report da Distrito, de maio de 2021, são apresentadas as várias empresas de tecnologia que estão trabalhando com os temas de ESG, mostrando que já começa a ser formada uma rede de serviços, apoio e funcionalidades para uma melhor gestão e reporte das questões de governança, ambiental e social das empresas. Mas as empresas estão colocando o ESG no seu dia-a-dia? A resposta é sim, desde que eu trabalhava nas grandes empresas, as ações ligadas à temática estavam acontecendo, talvez menos mensuradas e relatadas naquela época, quase uma década atrás. Empresas, como a Vivo, que acabou de lançar o seu relatório de sustentabilidade 2020, conta todos os pontos de ESG nas mais de 100 páginas de relatos. Ou a Klabin que, além das várias ações que realiza, criou indicadores específicos atrelados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, os KODS – Objetivos Klabin para o Desenvolvimento Sustentável. Estas e muitas outras empresas estão inserindo a temática diariamente nos objetivos, metas, processos e com melhorias constantes. Nossos colegas profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão arduamente trabalhando para a implantação do ESG na prática. É um processo de aprendizado constante, uma nova forma de gerir os negócios, não pensando somente na lucratividade a qualquer preço e a qualquer custo. Até o tradicional bônus das metas está sendo alterado. Como exemplo disso temos a Duratex, que atrelará 10% da remuneração variável de executivos às metas ESG da empresa. Estes são os novos tempos pós-pandemia, em que precisaremos mudar de vez o tradicional mindset com somente um foco e de processos lineares. Empresas, mais ESG, por favor! * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida .

24 de junho, 2021
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Abundância de água, escassez de investimentos

Por Mario William Esper * A recente decisão do Congresso, na quarta-feira (17/3), em manter parte dos vetos presidenciais no Marco Legal do Regulamento do Saneamento Básico Nacional (Lei 14.026/2020) nos permite comemorar a consolidação definitiva da lei e só reforça o quão prementes são as mudanças no setor para atingir as metas de universalização ao acesso até 2033. Com a proximidade do Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, refletimos ainda mais sobre este recurso tão importante, mas ainda negligenciado a muitos brasileiros. Da nossa parte, unimos esforços com a Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (ABCON) com o objetivo de atualizar normas e elaborar outras, dando suporte ao novo Marco Legal do Saneamento Básico, que necessita de sistemas inovadores tanto na gestão como em produtos e sistemas construtivos. Criamos o Comitê Brasileiro de Saneamento Básico (ABNT/CB-177) e estamos atuando na atualização de normas que tratam de tratamento e abastecimento de água; coleta, tratamento e disposição de esgoto doméstico e de efluentes industriais; tubos, conexões, acessórios e componentes para sistemas de saneamento e para redes de distribuição e adução de água, no que concerne à terminologia, requisitos, métodos de ensaio, projetos e procedimentos para execução, instalação e manutenção dos serviços. Estas novas normas, com certeza, impulsionarão os investimentos necessários no setor. De acordo com levantamento do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), com o atual ritmo de investimentos do Brasil a universalização do serviço de água e esgoto levaria mais de 40 anos para ser alcançada. Entretanto, o Governo Federal espera alcançar a universalização dos serviços até 31 de dezembro de 2033, garantindo o atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com tratamento e coleta de esgoto. A nova lei também contribuirá para a revitalização de bacias hidrográficas, conservação do meio ambiente e redução de perdas de água, além de proporcionar mais qualidade de vida e saúde à população, aquecer a economia e gerar empregos. O Brasil é o país com maior quantidade de água doce no mundo – 12% do total – mas ainda estamos longe de alcançar a tão desejada universalização dos serviços de água tratada e esgoto sanitário. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 17% da população brasileira, ou 34 milhões de pessoas, não tem acesso ao abastecimento de água tratada e 18,4 milhões não recebem água encanada diariamente. A coleta de esgoto só chega a 53% da população e, do que é coletado, apenas 46% é tratado. Em estudo do Instituto Trata Brasil e CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), o Brasil - 12ª maior economia do mundo - foi classificado em 112º lugar no ranking de saneamento, que conta com 200 países. Ou seja, estamos bastante atrasados em um dos direitos mais básicos e essenciais para o desenvolvimento do país e para a saúde da população. O acesso à água potável e limpa e ao saneamento são, inclusive, considerados essenciais para o pleno gozo da vida e de todos os direitos humanos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Este é, certamente, um dos gargalos mais preocupantes da nossa nação e precisa ser tema de amplas discussões entre governos e empresas para que possamos aumentar o investimento neste setor. As novas diretrizes da legislação renovam as nossas esperanças e expectativas para a evolução dos serviços de água e esgoto no país, pois dentre seus principais pontos estão os contratos de concessão. Com o novo marco legal, torna-se obrigatória a abertura de licitação para os contratos de concessão, podendo concorrer estatais e empresas privadas. A abertura para a participação do capital privado possibilitará a junção dos esforços públicos e privados para que os investimentos nos serviços alcancem a média de R$ 500 bilhões a R$ 700 bilhões em 10 anos, valor estimado pelo governo para a universalização. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a expectativa é que os investimentos para a universalização dos serviços de água e esgoto reduzam em até R$1,45 bilhão os custos anuais com saúde. Ainda, a cada R$ 1 investido em saneamento, deverá ser gerada economia de R$ 4 com a prevenção de doenças causadas pela falta do serviço, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), evidenciadas pela atual pandemia, onde as condições sanitárias e o acesso à água são condições para manter a higiene e conter a disseminação desta doença. Por meio deste trabalho com a ABCON, em breve teremos o acervo de normas relacionadas ao setor de Saneamento atualizado à altura das necessidades que nosso País exige e a população merece. * Mario William Esper é Presidente da ABNT, Engenheiro Civil, Mestre em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e Diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Cimento Portland - ABCP.

29 de março, 2021
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ESG ou Sustentabilidade Empresarial?

Por Marcus Nakagawa * Não sei se é a minha bolha nas redes sociais, mas muitos dos meus contatos estão postando e escrevendo sobre este tal de ESG. Muitas empresas estão indo atrás deste termo e meus alunos e alunas começam a se confundir com as várias siglas e conceitos. Será que isso tem a ver com a sustentabilidade? É um outro tema que conversa com o Desenvolvimento Sustentável? Já temos que ir atrás de um outro curso ou indicador? Bom, primeiro vamos explicar que ESG é a sigla para Environmental, Social & Governance, o que traduzido daria ASG: Ambiental, Social e Governança. Interessante que, se você coloca este termo nos buscadores resulta em um monte de empresas da área financeira, fundos e bancos colocando a importância das questões ambientais e sociais como riscos aos negócios. Este termo apareceu na publicação “Who Cares Wins”, de 2004, do Pacto Global da ONU junto com o Banco Mundial. No último Fórum Econômico Mundial, no começo do ano, as questões ambientais e a emergência climática eram os principais tópicos de riscos apresentados a longo prazo. E, logo depois, aconteceu a pandemia, que subtraiu valores da maior parte das empresas e governos devido à falta de cuidado com a gestão dos animais silvestres e à governança global. Klaus Schwab, fundador em 1971, do evento que tem o objetivo de discutir práticas de gestão global, colocou que as empresas precisam gerar valor para os acionistas e também para os outros stakeholders ou públicos de relacionamento. Vimos isso bastante em tempos de pandemia, empresas de bebidas fazendo álcool em gel, empresas de roupas fazendo máscaras e muitas empresas e pessoas físicas no país fazendo doações para as reais necessidades da população. A pergunta é se isso continuará na retomada da crise pós pandemia. Sobre gerar valor para os vários stakeholders, Porter e Kramer, em um artigo de uma década atrás, colocaram a necessidade de se criar valor compartilhado para além dos acionistas e clientes/consumidores, também para os fornecedores, comunidades, colaboradores, meio ambiente, entre outros. Ou seja, a empresa não é uma ilha isolada que fica somente produzindo e vendendo para bater a meta prometida aos acionistas. Neste processo haverá muitos outros movimentos que impactarão negativamente ou positivamente o entorno e as pessoas que estão em contato. E aí, sim, estamos falando dos stakeholders, que podem oferecer riscos de um acidente no trabalho, de uma poluição no ar ou rio, de um fornecedor que tem práticas não aderentes aos Direitos Humanos, ou um funcionário que dá comissão para um político. Estes riscos ambientais e sociais precisam ser medidos, avaliados, controlados e melhorados. Para isso existem as políticas, os procedimentos, as regras, os códigos de condutas, certificações e o compliance nas empresas. Para apoiar e operacionalizar tudo isso temos as áreas de sustentabilidade, de qualidade, de saúde e segurança, de meio ambiente, de auditoria, de ética e compliance, entre os vários nomes para estas áreas. E tudo isso precisa ser “orquestrado” pelo C-level (a liderança empresarial) na governança desta empresa. A forma que a empresa seguirá as “regras e leis” que ela colocou será fundamental para a gestão inclusiva e sustentável. Mas tudo isso vale a pena também financeiramente? Sim! É isso que fundos como o ISE da B3 tem mostrado nestes 15 anos, com uma rentabilidade maior do que os fundos tradicionais. E mais do que isso: já tirou desta carteira de empresas com ESG várias delas que, no meio do caminho, tiveram problemas ambientais, sociais e éticos, mesmo que fossem muito representativas no âmbito total do fundo. A empresa XP criou uma área específica para este tipo de investimento e os bancos tradicionais possuem fundos éticos, sociais e ambientais desde o começo desta década. O maior fundo de pensão do mundo, o Fundo de Investimento em Pensão do Governo do Japão, também anunciou, no meio da pandemia, que está priorizando investimentos ESG e está utilizando indicadores e análises de riscos relacionadas às mudanças climáticas e as oportunidades que este desafio possa criar. No começo do ano, a maior gestora de recursos do mundo, a BlackRock, também apresentou a importância que estava dando para as questões de ESG. E agora, no final de outubro, a empresa, junto com a XP, lançaram o BlackRock Global Impact, que é um fundo formado por empresas globais com produtos e serviços pautados nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Ou seja, trabalhando com empresas que, efetivamente, estão buscando as melhorias necessárias no planeta e para as pessoas. Mas afinal, ESG é a mesma coisa que sustentabilidade? Sim, a ideia é a mesma. E muitos usam a mesma base de indicadores da área de sustentabilidade que estamos discutindo há mais de três décadas. Para corroborar ainda mais com esta semelhança entre os termos, o diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira, coloca que o ESG é um olhar do setor financeiro sobre as questões de sustentabilidade, as quais discutimos ao longo deste artigo. Entretanto, muito cuidado para quem quer implementar o ESG, pois não basta criar um produto ou uma linha de produtos mais verdes, sustentáveis ou somente apoiar um projeto social. Estamos falando aqui de gestão, governança, controles e avaliações. E inserir as questões ambientais e sociais no cerne da estratégia dos negócios e em todos os processos. Quando o mercado financeiro tornar este termo um mainstream, ou seja, um padrão para todas as empresas e negócios, e não somente algumas carteiras e fundos, o desenvolvimento sustentável ganhará ainda mais força. * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. Idealizador da plataforma Dias Mais Sustentáveis. Autor dos livros: Marketing para Ambientes Disruptivos; Administração por Competências; e 101 Dias com Ações Mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Prêmio Jabuti 2019).

7 de dezembro, 2020