RESÍDUOS

Lançada frente pela recuperação energética

A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Associação Brasileira de Empresas Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) e Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), se uniram e criaram a Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos (FBRER). Com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, as quatro entidades assinaram o Acordo de Cooperação para Recuperação Energética de Resíduos e, de forma inédita, vão trabalhar juntas para viabilizar soluções técnicas e operacionais em prol de uma destinação mais sustentável e ambientalmente adequada dos resíduos. 

Segundo o presidente da ABiogás, Alessandro Gardemann, o trabalho em conjunto com as demais associações é de suma importância para colocar a Política Nacional de Resíduos Sólidos em prática. "O biogás é uma das formas de se promover a recuperação energética dos resíduos e a colaboração entre as associações permitirá a realização de estudos técnicos de modo a levar ao governo propostas de ações estruturadas, auxiliando na criação de políticas específicas para o setor de resíduos", afirma. 

Um estudo realizado em parceria entre a ABiogás e a Abrelpe constatou que 50% do total de resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil correspondem à fração orgânica, o que representa um enorme potencial para o aproveitamento energético por meio do biogás. Entretanto, um volume pouco acima da metade desse material é destinado para aterros sanitários, onde poderia haver o aproveitamento energético. "Quase 80% do biogás produzido hoje no País é oriundo de resíduos de aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto, comprovando o alto potencial energético das usinas implantadas nestes locais", explica o executivo da ABiogás. 

O aperfeiçoamento da recuperação energética depende da eliminação de quase três mil lixões que causam graves danos ambientais e a substituição dos mesmos por aterros sanitários regionais. "Através dos aterros sanitários regionais e a recuperação energética teremos um ganho muito grande para a sociedade e para o País, pois resolveremos um grave problema ambiental, geraremos energia e ainda teremos o conceito de zero desperdício, que é a base da chamada economia circular", destaca Luiz Gonzaga, presidente da Abetre. "Com um ano de funcionamento, os aterros sanitários estarão aptos a produzir metano e, através das usinas de biogás, podemos ter uma produção elétrica quase dez vezes maior que a atual", completa Gonzaga. 

A indústria de cimento, por exemplo, é o segmento com maior potencial para operar com grandes volumes de lixo urbano selecionado. A tecnologia de coprocessamento transforma resíduos sólidos urbanos e industriais e passivos ambientais em energia térmica. Neste processo, o resíduo substitui parte do combustível que alimenta a chama do forno - que transforma argila e calcário em clínquer (matéria-prima do cimento). Uma opção segura para a destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento. "O setor cimenteiro pode contribuir no aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais licenciados e, principalmente, às metas públicas de eliminação de lixões e aterros controlados e de recuperação de áreas contaminadas pelos governos estaduais e municipais, atuando novamente na redução das emissões na utilização com o coprocessamento (utilização de combustíveis alternativos em substituição às matérias-primas oriundas do petróleo (Coque) no processo de fabricação de cimento)", diz o presidente da ABCP, Paulo Camillo Penna. Segundo dados da entidade, enquanto a produção de cimento aumentou 273% entre 1990 e 2014 (de 26 para 71 milhões de toneladas), a curva da emissão de carbono cresceu 223% nesse intervalo, uma redução de 18% das emissões específicas (de 700 para 564 kg CO2 /t cimento). 

Com investimentos que podem chegar a R$ 15 bilhões a partir da implantação de diferentes tecnologias, o processo de recuperação energética de resíduos vai contribuir diretamente para a redução da geração de chorume nas unidades de disposição final; redução da geração de gases de efeito estufa, mitigando a emissão de 90 mil toneladas/ano de CO2 equivalente na atmosfera para cada mil toneladas de RSU tratado nas UREs, comparável com a emissão de cinco mil carros; aumento da reciclagem de materiais contidos nos Resíduos Sólidos Urbanos, a partir de uma melhor seleção ou separação, com a consequente preservação dos recursos naturais; retorno de parte da energia consumida na produção; substituição de combustíveis não renováveis (fósseis) na produção de cimento, com resíduo processual perto de zero; e ampliação da vida útil dos aterros sanitários atualmente em operação, medida extremamente importante, já que em todo o país são registradas crescentes dificuldades na implantação de novos aterros sanitários.

Artigos Relacionados

Recife terá tecnologia para qualificar gestão
RESÍDUOS
Recife terá tecnologia para qualificar gestão

A iniciativa é organizada pela Empresa Municipal de Informática (EMPREL) e pela Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia (SECTI), órgãos vinculados à prefeitura do Recife.

9 de março, 2026
Reciclagem de veículos ganha escala com nova planta no Brasil
ECONOMIA CIRCULAR
Reciclagem de veículos ganha escala com nova planta no Brasil

Com investimento de R$ 200 milhões, nova planta em Minas Gerais foca na logística reversa e no fornecimento de matéria-prima processada para o setor siderúrgico.

25 de fevereiro, 2026
Comissão aprova projeto que cria inventários nacionais de manejo
RESÍDUOS SÓLIDOS
Comissão aprova projeto que cria inventários nacionais de manejo

A medida será incluída como um novo instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

25 de janeiro, 2026
Decisão da Cetesb reorganiza metas e prazos para SP
LOGÍSTICA REVERSA
Decisão da Cetesb reorganiza metas e prazos para SP

Decisão da CETESB atualiza regras do licenciamento ambiental e estabelece prazos, critérios metodológicos e novas obrigações para apresentação de relatórios.

19 de dezembro, 2025
ABAL celebra 22 anos do Dia Nacional da Reciclagem e debate tema na COP30
ALUMÍNIO
ABAL celebra 22 anos do Dia Nacional da Reciclagem e debate tema na COP30

Em 2024, o Brasil reciclou 97,3% das latas de alumínio para bebidas, o equivalente a 33,9 bilhões de unidades ou 417,7 mil toneladas de material reaproveitado.

21 de outubro, 2025
IPT lança projeto Reminera para agregar valor a materiais já utilizados
RESÍDUOS
IPT lança projeto Reminera para agregar valor a materiais já utilizados

O projeto reunirá centros de pesquisas, empresas e atores estratégicos com foco em inovação, desenvolvimento tecnológico e criação de novos modelos de negócios voltados à economia circular.

8 de outubro, 2025
Projeto no Sul transforma lixo em produtos de valor agregado
RESÍDUOS SÓLIDOS
Projeto no Sul transforma lixo em produtos de valor agregado

As atividades avançam rumo à instalação de uma usina teste para processar cinco toneladas por dia de resíduos sólidos urbanos no Aterro Sanitário Rincão das Flores.

25 de agosto, 2025
Países não chegam a um acordo sobre Tratado mundial
PLÁSTICO
Países não chegam a um acordo sobre Tratado mundial

Apesar dos esforços em combater a poluição plástica, a ausência do Tratado gera um cenário de incerteza sobre como essa poluição poderá ser contida nos próximos anos

15 de agosto, 2025