Publicidade
SERVIÇOS AMBIENTAIS

Okena recebe R$ 7 milhões para três áreas

Okena recebe R$ 7 milhões para três áreas

Empresa de serviços ambientais especializada em tratamento de efluentes e lodos industriais, a Okena recebeu aporte de R$ 7 milhões da gestora Rise Ventures em uma rodada de follow on para investir em P&D, infraestrutura e reforço em sua área comercial. A partir do investimento recebeido, a Okena prevê um crescimento entre 30% e 45% anual para os próximos cinco anos. Segundo Francisco Teixeira de Goeye, CEO da Okena, 50% do resultado no quinto ano será dos novos serviços que serão lançados com o aporte. A Okena faz parte do portfólio de empresas investidas da Rise desde 2019, uma parceria baseada no compartilhamento de valores e na convicção de que negócios devem promover impacto socioambiental positivo. “Desde o início, nossa busca por um investidor externo precisava estar alinhada com nossas crenças. Buscamos um fundo ou investidor que acreditasse em três elementos que, para nós, são inegociáveis: o potencial das empresas de transformação e geração de impacto positivo; a interdependência entre humanos e meio ambiente; e a capacidade de evolução das pessoas”, diz o CEO. Os R$ 7 milhões investidos pela Rise na Okena serão diversificados tanto para uma maior penetração no mercado de tratamento de efluentes industriais quanto para permitir a expansão da atuação para novas áreas. O montante será destinado P&D com o objetivo de encontrar novas formas de transformar resíduos em produtos que possam ser usados para diferentes finalidades. Um dos projetos que deve ganhar recursos é a pesquisa que visa à fabricação de um novo produto a partir de fraldas usadas descartadas, em parceria com a Boomera. A área, chamada Okena Labs, também trabalha no projeto de fabricação de produtos químicos e industriais a partir de resíduos da indústria Metalúrgica e Papel & Celulose e da indústria de Tintas e Resinas. Outra parcela do aporte será destinada à infraestrutura, para modernizar o processo de tratamento e aumentar a capacidade de recebimento, armazenamento e tratamento dos efluentes industriais. O terceiro pilar irá fortalecer a estrutura comercial, com a modernização dos processos e fluxos da área. “Planejamos também lançar novos serviços para atender as indústrias do estado de São Paulo, auxiliando-as com passivos ambientais e limpezas técnicas”, conta Goeye. O principal impacto positivo direto da Okena está relacionado à água limpa e à preservação do ecossistema: o Brasil tem 12% de toda a água doce da superfície do mundo, e efluentes industriais têm potencial de poluir até 1000 vezes mais do que o esgoto doméstico. A Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (ABETRE) informa que são gerados cerca de cinco mil metros cúbicos diários de efluentes industriais, dos quais 60% são despejados de modo irregular em rede de esgotos e corpos d'água – o que equivale a 500 caminhões-tanque por dia, dos quais 300 iriam parar na natureza. A Okena trata cerca de 6.000 caminhões-tanque de efluentes industriais de diversos clientes por ano — garantindo que a água retorne para natureza de maneira segura e limpa.

Empresa de serviços ambientais especializada em tratamento de efluentes e lodos industriais, a Okena recebeu aporte de R$ 7 milhões da gestora Rise Ventures em uma rodada de follow on para investir em P&D, infraestrutura e reforço em sua área comercial.

A partir do investimento recebeido, a Okena prevê um crescimento entre 30% e 45% anual para os próximos cinco anos. Segundo Francisco Teixeira de Goeye, CEO da Okena, 50% do resultado no quinto ano será dos novos serviços que serão lançados com o aporte. A Okena faz parte do portfólio de empresas investidas da Rise desde 2019, uma parceria baseada no compartilhamento de valores e na convicção de que negócios devem promover impacto socioambiental positivo. “Desde o início, nossa busca por um investidor externo precisava estar alinhada com nossas crenças. Buscamos um fundo ou investidor que acreditasse em três elementos que, para nós, são inegociáveis: o potencial das empresas de transformação e geração de impacto positivo; a interdependência entre humanos e meio ambiente; e a capacidade de evolução das pessoas”, diz o CEO.

Os R$ 7 milhões investidos pela Rise na Okena serão diversificados tanto para uma maior penetração no mercado de tratamento de efluentes industriais quanto para permitir a expansão da atuação para novas áreas. O montante será destinado P&D com o objetivo de encontrar novas formas de transformar resíduos em produtos que possam ser usados para diferentes finalidades. Um dos projetos que deve ganhar recursos é a pesquisa que visa à fabricação de um novo produto a partir de fraldas usadas descartadas, em parceria com a Boomera. A área, chamada Okena Labs, também trabalha no projeto de fabricação de produtos químicos e industriais a partir de resíduos da indústria Metalúrgica e Papel & Celulose e da indústria de Tintas e Resinas.

Outra parcela do aporte será destinada à infraestrutura, para modernizar o processo de tratamento e aumentar a capacidade de recebimento, armazenamento e tratamento dos efluentes industriais. O terceiro pilar irá fortalecer a estrutura comercial, com a modernização dos processos e fluxos da área. “Planejamos também lançar novos serviços para atender as indústrias do estado de São Paulo, auxiliando-as com passivos ambientais e limpezas técnicas”, conta Goeye.

O principal impacto positivo direto da Okena está relacionado à água limpa e à preservação do ecossistema: o Brasil tem 12% de toda a água doce da superfície do mundo, e efluentes industriais têm potencial de poluir até 1000 vezes mais do que o esgoto doméstico. A Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (ABETRE) informa que são gerados cerca de cinco mil metros cúbicos diários de efluentes industriais, dos quais 60% são despejados de modo irregular em rede de esgotos e corpos d'água – o que equivale a 500 caminhões-tanque por dia, dos quais 300 iriam parar na natureza. A Okena trata cerca de 6.000 caminhões-tanque de efluentes industriais de diversos clientes por ano — garantindo que a água retorne para natureza de maneira segura e limpa.

Artigos Relacionados

Não há dados sobre o descarte irregular de efluentes no Brasil
SANEAMENTO
Não há dados sobre o descarte irregular de efluentes no Brasil

Artigo por Diogo Taranto Por Diogo Taranto * O cenário de emissões de efluentes no País é turvo. Não temos um atlas completo, no âmbito privado, sobre o quanto empresas, indústrias, condomínios e centros comerciais descartam todos os dias, de forma irregular, milhões de litros dos mais diversos tipos de líquidos que causam impacto extremamente nocivo a rios, lagos, ao solo e aos lençóis freáticos. Não conhecer o tamanho e a geografia desse imenso problema é um alerta que aponta para o complexo desafio que temos pela frente: enfrentarmos a gestão da água como prioridade. Há, sim, alguns estudos que trazem sinais claros sobre pontos relacionados ao problema do saneamento e do acesso à água no país. O Instituto Trata Brasil realiza um trabalho sério e que contribui na definição de políticas públicas e tomadas de decisões sobre, por exemplo, quais os locais mais carentes de investimentos. Um dado relevante publicado pela ANA – Agência Nacional das Águas – estima que o consumo das indústrias corresponda a 7% do volume de água consumida no Brasil. A grande maioria dos estudos que temos disponíveis tratam de acesso e de disponibilidade hídrica. Ainda de acordo com o Trata Brasil, em um estudo divulgado esse ano, 35 milhões de pessoas não têm acesso à água potável e cerca de 100 milhões não têm serviço de coleta de esgoto no país. Tendo uma ideia de onde não há acesso a saneamento, têm-se referências sobre os locais mais propensos a ocorrer irregularidades. Mas os dados parecem ficar sem outras respostas fundamentais. Quais são as maiores indústrias poluidoras que descartam efluentes contaminados? Onde elas estão? Quais os principais setores industriais? Quais são os mais novos e nocivos componentes químicos, misturados à água, que são descartados? Qual a real característica da água captada dos mananciais? Por fim, por que as instituições de fiscalização não coíbem com eficácia este que é um crime ambiental? São respostas complexas mas que precisam ser buscadas. Sabe-se, por exemplo, que a indústria automotiva é umas das grandes consumidoras, mas as montadoras - todas com padrões globais - investem muito em tratamento de efluentes e reúso de água. O que já não ocorre tanto com as indústrias periféricas do setor, na qual encontramos ainda muitas irregulares. A indústria têxtil também necessita de muita água em seus processos. Grandes players precisam seguir rígidos padrões internacionais. Mas e os médios e pequenos negócios que utilizam de componentes tóxicos na tinturaria de tecidos? Não temos essa foto! Onde há abundância de recursos hídricos, como na região norte, nos arredores de Manaus (AM) e Belém (PA), e na região sul no estado de Santa Catarina, por exemplo, o reúso de água na indústria é quase inexistente, assim como são poucos os cases de tratamento legal de efluentes. Há uma triste razão muito clara que explica essa cultura tóxica da gestão de água no Brasil: é mais barato não tratar o efluente e descartá-lo de forma irregular! Lavam as mãos e viram de costas para a natureza e para os valores de ESG, cada vez mais latentes na sociedade atual. E fazem isso pois sabem que correm pouco risco de serem multados ou processados pelas autoridades. O efluente não tratado quase não deixa rastro, pois acaba se misturando com as águas do corpo receptor onde são lançados. É diferente do resíduo sólido, que é muito mais complicado de escondê-lo. É preciso que toda a sociedade esteja mobilizada para denunciar quem está irregular, e motivar o cumprimento das leis ambientais. O Brasil e as empresas de tratamento de águas e efluentes aqui instaladas têm acesso às mais modernas tecnologias que existem no mundo. Tecnologias de ponta, que são práticas confiáveis e que entregam qualidades muito superiores às requeridas pela legislação nacional, que, vale destacar, é considerada uma das mais restritas e exigentes do mundo. Um empreendimento que trata seus efluentes e atende às regulamentações não está somente cumprindo sua obrigação legal, mas estará contribuindo com a melhoria dos mananciais, a sustentabilidade e subsistências das gerações futuras. A pressão social tem que partir não apenas das autoridades, mas de sociedades de classes e de associações setoriais. É urgente o mapeamento do problema para que ele seja combatido de forma coesa e efetiva. De posse de um retrato real sobre os desafios gerados pela emissão de efluentes líquidos, é possível criar campanhas que incentivem quem está irregular a entrar no caminho correto para que não sofram possíveis punições. Vivemos um momento de crise hídrica que não será temporária, mesmo sendo otimista e imaginando que nos próximos anos os reservatórios irão recuperar parte de seu volume, a certeza é que haverá outros ciclos de escassez. O Novo Marco do Saneamento já começa a impulsionar melhorias e na medida em que os organismos públicos começam a investir pesado para se adequarem às exigências necessárias, o setor privado precisa caminhar junto. Mas não há tempo para aguardarmos um ajuste natural do mercado. É preciso entender o tamanho do desafio que temos pela frente no que tange o descarte ilegal de efluentes. Necessitamos de uma transparência límpida como a de águas cristalinas, que coloque no holofote aqueles que estão devolvendo para a natureza um imenso problema. Ignoram, com ingratidão, que foi ela que lhes deu o precioso insumo que garante a subsistência de seus negócios. Mas sempre é tempo de adotarmos a sustentabilidade como filosofia de vida. * Diogo Taranto é Diretor de Desenvolvimento de Negócios no Grupo Opersan, especializado em soluções ambientais para o tratamento de águas e efluentes.

22 de março, 2022
Saneamento Ambiental Logo
RESÍDUOS
WiseWaste adquire negócio de lonas da Bemis e cria a Boomera

Com a aquisição do negócio de lonas da fabricante de embalagens Bemis, a startup WiseWaste cresce seis vezes em tamanho e passa a adotar um novo posicionamento no mercado brasileiro com o nome de Boomera. A expectativa da Boomera é de inovar na reutilização de resíduos complexos em matérias-primas e produtos, além de aproveitar todas as sinergias e complementariedades dos negócios da Bemis com as lonas Carreteiro. A projeção é que o faturamento da Boomera seja de R$ 100 milhões até 2020. A Boomera nasce com um crescimento de 20 para 121 colaboradores e tem como objetivo dar escala na transformação de resíduos pouco aproveitáveis em produtos ou matéria-prima que retorna ao ciclo industrial. “Apenas 3% do lixo produzido no Brasil é reciclado. Queremos aproveitar esse imenso potencial desperdiçado, assim fazemos pesquisas utilizando tecnologia de ponta e desenvolvemos soluções para resíduos não convencionais, como as fraldas sujas”, explica Guilherme Brammer, empreendedor da startup WiseWaste e agora CEO da Boomera. As oportunidades de crescimento desta operação estão fundamentadas no desenvolvimento de soluções, conhecimento e realizações da WiseWaste para diversas empresas como Procter & Gamble, Braskem, PepsiCo e Natura. “Temos patentes de reciclagem de fraldas pós consumo, uma planta para reciclagem de cápsulas de café, um laboratório de P&D em parceria com o Mackenzie e agora um novo negócio que nos proporciona produção em grande escala”. “Trabalhamos com tecnologia e conectamos toda a cadeia produtiva para transformar resíduo em matéria-prima novamente. O lixo vira sucata pelas cooperativas associadas, aplicamos ciência, usamos o design como método e devolvemos um novo produto de alta qualidade para a sociedade”, explica Brammer. A WiseWaste utiliza o conceito de engenharia circular, onde qualquer tipo de resíduo retorna para o ciclo produtivo, diferentemente da economia linear, onde os recursos são usados para uma finalidade e depois descartados.

22 de maio, 2017
Saneamento Ambiental Logo
TRATAMENTO E REUSO DA ÁGUA
Um investimento recompensador

Por Renato Rossato* Desde o começo da crise hídrica a sociedade vem cobrando respostas para a escassez de água. Dentre os principais questionamentos, a água de reuso é um dos temas recorrentes quando se fala em soluções. Esse recurso tem sido de grande importância para os negócios nos períodos de estiagem e vem ganhando ainda mais força com o atual cenário. Se considerarmos que, segundo a Uniagua, o setor industrial e a agricultura são os principais consumidores de água potável e que seria possível reutilizar, pelo menos, 60% desse consumo com sistemas de reuso. Temos como exemplo nacional o projeto Aquapolo, uma parceria da Sabesp com a iniciativa privada, que distribui água de reuso para 10 fábricas da região do ABC. A economia de água potável equivale ao consumo diário de uma cidade com 500 mil habitantes. A economia é de 2,58 bilhões de litros de água potável por mês. Mas também é possível planejar e instalar estações de tratamento mesmo em locais pequenos, de acordo com o perfil do negócio. Com a reciclagem da água empresas economizam no gasto da água potável, pagando o custo de implantação do sistema para tratamento e reuso da água ao longo do tempo, e com ganhos ainda maiores em um longo prazo. Vamos fazer um cálculo hipotético considerando um negócio médio, que tem um gasto mensal entre água e esgoto de R$ 1.300,00. É possível instalar uma estação de tratamento para reuso em um “cômodo” ou menos e os custos de implantação seriam de aproximadamente R$35.000,00. Se considerarmos um número modesto de economia de água, com o tratamento de 100% da água, a economia chegaria em aproximadamente R$ 972,00 por mês. Assim, em 36 meses é possível recuperar o investimento feito e, daí em diante, essa economia passa a fazer parte dos rendimentos da empresa. Em alguns projetos é possível tratar volumes maiores da água utilizada, para retornos de volumes ainda mais expressivos, como é o caso da Estação de Reabastecimento de Àguas Subterraneas - GWRS na Califórnia, que produz diariamente cerca de 265 mil m³ de água de alta qualidade, conseguindo abastecer cerca de 600 mil residentes do condado de Orange. O importante ao considerar estas soluções é operar com sistemas eficientes de tratamento, além de uma atenção maior às legislações vigentes para o tratamento do esgoto e aquelas que deverão surgir voltadas a potabilidade das águas de reuso, algo que ainda não existe no Brasil. Como em qualquer investimento também é importante considerar as soluções que serão compradas, considerando custos de manutenção, durabilidade, adequação do projeto ao negócio, vida útil dos sistemas, eficiência energética dos equipamentos, entre outros. E ter em mente que qualquer investimento naquilo que diz respeito ao reuso, deve visar, sempre, ganhos futuros, sejam eles econômicos ou ambientais. *Renato Rossato é Engenheiro de Desenvolvimento da REHAU

2 de julho, 2015