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RECURSOS HÍDRICOS

Uso de IA nos data-centers aumenta em 20% o consumo de água

Uso de IA nos data-centers aumenta em 20% o consumo de água

O dado faz parte de um levantamento realizado pela Hostinger sobre o consumo de água nos data centers.

Segundo informações de parte de uma reportagem do Washington Post, ao utilizar o ChatGPT para gerar um e-mail de 100 palavras, são consumidos aproximadamente 519 ml de água. O dado faz parte de um levantamento realizado pela Hostinger sobre o consumo de água nos data centers. Considerando o uso diário por milhões de pessoas, o gasto acaba se tornando preocupante. Em resposta, existem iniciativas que buscam conciliar o avanço tecnológico com a preservação ambiental, a partir da redução no consumo de recursos naturais.

O uso de inteligência artificial cresce em ritmo acelerado no mundo todo, e o Brasil se destaca nesse cenário. Segundo uma pesquisa do Ipsos em parceria com o Google, 54% dos brasileiros utilizam IA, índice superior à média global de 48%. O estudo considerou o uso da IA generativa, aquela capaz de criar textos, imagens e outros tipos de conteúdo, como faz o ChatGPT. Os dados também revelam que os brasileiros são mais otimistas quanto ao papel da IA no dia a dia. Para 65% dos entrevistados, a tecnologia tem potencial para transformar diversas áreas, enquanto no restante do mundo, o índice é de 57%. Em relação ao uso prático, 81% dos brasileiros afirmam recorrer a sites de IA generativa para buscar informações. Além disso, 76% utilizam esses recursos como assistentes para tarefas pessoais, e 74% os empregam nos estudos.

Apenas o ChatGPT recebe cerca de um bilhão de mensagens por dia. Se cada uma tivesse, em média, 100 palavras, isso representaria um consumo de 518 milhões de litros de água diariamente. Esse dado também faz parte da campanha divulgada pela Hostinger, que analisou o impacto ambiental dos data centers no Brasil e no mundo. Com 92% das informações globais sendo produzidas em formato digital, os data centers se tornam essenciais para o processamento desses dados. No entanto, o funcionamento dessas estruturas gera grande calor, exigindo o uso de água para resfriamento. Por ser mais complexa, a IA demanda ainda mais recursos. Um estudo do Google apontou um aumento de 20% no consumo de água nos data centers devido à adoção em larga escala da tecnologia.

Apesar das preocupações, iniciativas para reduzir o consumo de água e tornar o setor mais sustentável estão em andamento. A Hostinger já opera com 100% de energia renovável em seus data centers, segundo o relatório de sustentabilidade de 2024. A empresa, especializada em hospedagem de sites e com integração de IA aos seus serviços, realiza análises frequentes para alcançar suas metas ambientais. O compromisso com a sustentabilidade ganhou força após um relatório anterior apontar que 60% da energia utilizada ainda vinha de fontes não renováveis. Rafael Hertel, gerente nacional da Hostinger, afirma que novas ações internas estão em andamento para ampliar esse avanço. Outro exemplo é o Google, que adota uma política de desperdício zero em seus data centers e promove a economia circular, reutilizando e reciclando mais de 80% dos resíduos gerados nessas instalações. Essas práticas, que buscam reduzir o impacto ambiental e compensar o uso intensivo de recursos, estão ganhando espaço entre as grandes empresas de tecnologia. Embora ainda existam desafios, o setor caminha para uma atuação mais consciente nos próximos anos.

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Por Marco Dutra * Conhecido pela abundância dos recursos hídricos, o Brasil tem vivido períodos de escassez. O país enfrenta uma situação crítica com o menor nível de chuvas dos últimos 91 anos, com reflexos na retomada da economia e em outros setores importantes, a exemplo do elétrico e da agricultura. As transformações no meio ambiente, impulsionadas pelo avanço da globalização, têm causado inúmeras mudanças climáticas, ocasionando em baixas precipitações pluviométricas, aumento das estiagens e secas, assim como os desastres provocados pela natureza. No Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado dia 5 de junho, somos convocados a reduzir o nosso consumo para mitigar a possibilidade de racionamento. O que nos faz lembrar da finitude dos recursos naturais - motivo que por si só reforça o uso mais racional da água e da energia. Só a mudança de hábitos dos brasileiros pode mudar esse cenário, inclusive na decisão de compra do consumidor, por meio da escolha de produtos eficientes que geram redução de consumo e despesas. É evidente e primordial que os setores da economia incrementem investimentos na área socioambiental e de governança (ESG). De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o setor agrícola consome 70% de água, a indústria 22% e o uso residencial 8%. Segundo o boletim anual de mercado da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL), divulgado neste ano, 32% de toda a energia do País é consumida por grandes indústrias, comércios e empresas ligadas em média e alta tensão, que precisam urgentemente mudar sua matriz de energia por fontes renováveis, bem como buscar soluções em máquinas e equipamentos mais econômicos. As instituições, juntamente com a população, precisam se empenhar para evitar desperdícios. A ONU (Organização das Nações Unidas) prevê que, em 2030, a sociedade precisará de 40% a mais de água e 50% a mais de energia. A responsabilidade por um mundo mais sustentável, em prol das gerações futuras, é dever de todos. Menos gastos dos recursos hídricos podem produzir mais riqueza na economia. É o que afirma um estudo elaborado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA). Na contramão do mundo, o país desperdiça 39,3% de água potável, devido a perdas no sistema de distribuição, conforme o levantamento divulgado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2019). Já a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2017 do IBGE revela também que o consumo pelo brasileiro supera a média mundial em 30 litros. Assumir a agenda da sustentabilidade é se comprometer com a economia e com o planeta. Seja a diferença! * Marco Dutra é Diretor da Kärcher no Brasil

10 de junho, 2021
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ÁGUA POTÁVEL
Estudo mostra impacto por demanda

O Instituto Trata Brasil divulgou estudo intitulado “Demanda Futura por Água Tratada nas Cidades Brasileiras – 2019 a 2040” que mostra cenários do consumo de água sob as novas perspectivas demográficas e econômicas e as mudanças climáticas. Realizada pela Ex Ante Consultoria, a pesquisa tem apoio acadêmico, como a dissertação desenvolvida por Rubens Amaral Ferreira Filho para o programa de Mestrado Profissional de Ambiente, Saúde e Sustentabilidade da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (SP) e apoio do Prof. Dr. Roger Rodrigues Tadeu, pesquisador do Clima da Universidade Federal de Itajubá, além do apoio institucional da The Nature Conservancy (TNC), organização global de conservação ambiental. O estudo utiliza metodologia amparada em análises prospectivas de vendas e produção de bens e serviços na economia de uma forma geral. A proposta é que o estudo sirva para amparar planejamentos de longo prazo, seja de empresas ou do poder público, em especial na gestão de recursos ambientais. A metodologia completa estará no site www.tratabrasil.org.br . O estudo aponta que quanto maior o crescimento econômico de um local – acompanhado de crescimento demográfico – maior será a demanda por água. Considerando um cenário de mudanças expressivas no padrão de consumo e uma elevação mais acentuada do PIB per capita, os cálculos, para os próximos 23 anos (2017 a 2040), evidenciaram um grande aumento na demanda pela água no Brasil somente em razão do crescimento econômico e da expansão demográfica. A demanda potencial de água pode atingir 14,299 bilhões de m³ em 2040, um acréscimo de 2,837 bilhões de m³ em relação à demanda de 2017. Esse volume corresponde ao consumo de água de todos os municípios do estado de São Paulo em 2017. No caso da demanda por água potável ser totalmente atendida em 2040, as cidades brasileiras precisariam receber 4,337 bilhões de m³ de água a mais do que foi efetivamente entregue em 2017. O crescimento de demanda seria, portanto, de 43,5% em 23 anos, ou ainda, de 1,6% ao ano. Esse volume se aproxima da demanda efetiva dos estados de São Paulo e Minas Gerais em 2017. Para outro efeito de comparação, seriam necessários 4,4 Sistemas Cantareira cheios a mais só para atender a água adicional em 2040. No caso do Brasil continuar com a ineficiência atual dos serviços, a produção necessária adicional de água seria de 7,030 bilhões de m³ em 2040: 4,337 bilhões de m³ para suprir a demanda adicional e 2,693 bilhões de m³ de desperdícios, um acréscimo de 70,5% em relação ao que foi entregue em 2017. No que se refere às mudanças climáticas, o levantamento constatou um aumento na temperatura nos estados de São Paulo e Ceará entre 1980 e 2015. O estudo mostrou que o acréscimo de 1°C na temperatura máxima ao longo do ano até 2040, no Brasil, elevaria o consumo de água em 2,4%, o que resultaria em uma demanda adicional às causadas pelos fatores econômicos e demográficos, próxima a 343 milhões m³ por ano. Segundo Roger Torres, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), cujo tema de pesquisa envolve os impactos e as vulnerabilidades brasileiras frente às mudanças, "as mudanças climáticas são um grande desafio a ser enfrentado por todas as nações no século XXI. Em especial, o Brasil, por sua dimensão territorial que envolve diversos climas, biomas e realidades socioeconômicas, é uma dessas nações que poderão ser profundamente impactadas pelas mudanças climáticas. Tais impactos poderão vir de diversas formas, tais como aumentos expressivos de precipitação na região Sul e diminuição na região Nordeste, que poderão afetar intensamente os diversos usos da água no país." O aquecimento de 1°C pode levar várias regiões à desertificação e ampliar a área do semiárido brasileiro, que já reúne municípios mais secos e com maior dificuldade de suprir a demanda. Há cidades onde a escassez sistemática de água pode superar 20% da demanda. Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, disse que "para atender a demanda incremental da água necessária à expansão demográfica, crescimento econômico e pelas necessidades da universalização do abastecimento, as cidades e o setor de saneamento terão que dar respostas. “Serão necessários altos investimentos em reservação, tratamento dos esgotos e na redução das perdas, com troca de redes e eficiência na distribuição de água potável. E teremos que monitorar com atenção as áreas em que o aquecimento global pode provocar menos chuvas e ainda mais escassez desses recursos”.

31 de agosto, 2020