Aegea anuncia R$ 1,7 bilhão em financiamentos de longo prazo

A Aegea Saneamento assegura R$ 1,7 bilhão em financiamentos de longo prazo para impulsionar sua estratégia de investimentos.
A Aegea Saneamento anunciou R$ 1,7 bilhão em novas operações de financiamento de longo prazo, reforçando sua estratégia de diversificação de fontes de recursos, alongamento do perfil de endividamento e suporte ao plano de investimentos. As operações incluem o desembolso de R$ 825 milhões para a Corsan junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com prazo de 14 anos; R$ 420 milhões para a Águas de Manaus junto ao BNDES, em 19 anos; R$ 57,8 milhões para a Ambiental Ceará 2 junto ao Banco do Nordeste (BNB), em 22 anos; e a contratação de R$ 350 milhões para a Águas de Manaus junto ao Banco da Amazônia, com prazo de até 18 anos.
O desenho das transações é tão relevante quanto o volume. Os recursos vêm majoritariamente de bancos de desenvolvimento e instituições regionais — BID, BNDES, BNB e Banco da Amazônia —, com prazos de 14 a 22 anos calibrados para acompanhar o ciclo de maturação dos ativos de infraestrutura. A presença do BNB e do Banco da Amazônia ilustra o papel crescente do financiamento regional no saneamento do Nordeste e do Norte, ancorando os aportes da Ambiental Ceará 2 (operação do grupo no estado) e da Águas de Manaus, no Amazonas. Já a Corsan, no Rio Grande do Sul, é a maior concessão estadual incorporada pela companhia. Com essas operações, a Aegea soma R$ 5,6 bilhões em captações contratadas no ano, das quais R$ 5 bilhões já foram desembolsados.
O movimento se apoia em um histórico de estruturações de grande porte. No Rio de Janeiro, a Águas do Rio opera dentro de um Project Finance de R$ 25,5 bilhões contratado com BNDES, BID, Proparco e mercado de capitais, e a Aegea foi a primeira empresa de saneamento da América Latina a emitir um Sustainability-Linked Bond, no valor de US$ 500 milhões no mercado internacional. No último ciclo de captações, destacou-se ainda a emissão de R$ 1,5 bilhão em debêntures de infraestrutura com selo azul para a Corsan, com demanda equivalente ao dobro da oferta.
A capacidade de financiamento sustenta um crescimento acelerado. No primeiro trimestre de 2026, a Aegea registrou receita líquida pro forma de R$ 4,9 bilhões e EBITDA recorrente de R$ 3 bilhões, com R$ 1,6 bilhão investido na ampliação dos sistemas de água e esgoto — aportes que conectaram cerca de 1,1 milhão de novas economias e beneficiaram aproximadamente 3 milhões de pessoas. Com a entrada de novas operações, a companhia passou a atuar em 15 estados e 893 municípios, atendendo mais de 39 milhões de brasileiros.
O reforço de caixa ocorre em um dos momentos mais aquecidos do setor, com operadores públicos e privados pressionados a acelerar obras rumo às metas do Marco Legal do Saneamento para 2033. Só no Nordeste, o BNDES estrutura 11 projetos de saneamento em seis estados, com investimentos estimados em R$ 39,7 bilhões. O pipeline de 2026 prevê editais em Rondônia, no interior do Ceará e em Goiás, além da privatização da Copasa, em Minas Gerais, considerada o principal certame do ano. A Aegea chega a esse calendário como líder privado consolidado: em 2025, venceu o leilão de integração do Piauí, unificando a operação em 224 municípios sob a Águas do Piauí, com investimentos superiores a R$ 5 bilhões.












